Rebelde
3 O relatório.
Notas iniciais
Não está muito bom. Mas foi feito com carinho. Espero que gostem do capítulo.
Narração de Jennel.
Ah, Free Willy. Sua sorte é que eu sou um membro da Greenpeace e, por conta disso, saber que os rinocerontes brancos estão em extinção. Se não fosse por isso, eu juro que te matava. Todas as minhas roupas estão rasgadas. Todas. Não tenho mais nada – fora esse maldito uniforme –, eu vou matar essa garota. Depois me resolvo com o IBAMA.
Lucas entrou no quarto.
– O que houve com suas roupas? – Ele perguntou surpreso
– Uma baleia aprendeu a usar a tesoura – Disse
– Está se referindo a Rosa? – Ele perguntou
– Não é óbvio? – Perguntei ironicamente
– E você não tem mais nenhuma roupa?
– Não – Respondi
– A festa é hoje à noite – Ele comentou
– Sem problemas – Não consegui esconder o sorriso torto
– O que está tramando? – Ele perguntou
– Você sabe onde está a Rosa? – Perguntei
– No refeitório – Ele disse
– Tão óbvio – Revirei os olhos e caminhei até a porta
– Você ainda não me respondeu – Ele disse
– Depois você vai descobrir – Joguei um beijo
[...]
Finalmente encontrei Rosa. Comendo feito um porco. Por sorte ela não comeu a mesa. Ao seu lado estava Lucy, se encarando no espelho. Falando sozinha.
– Isso – Gritei –, coma enquanto pode. Vadia.
– Está falando comigo? – Rosa perguntou se levantando
– Tem mais alguém comendo por aqui? Quer dizer, você acabou com todo o estoque de comida – Provoquei
– O que você quer? – Lucy perguntou levantando-se
– Minhas roupas – Disse
– Como assim? – Rosa se fez de sonsa
– Ah, não está lembrando queridinha? – Dei um sorriso torto aproximando-me da mesa, peguei um bolo de chocolate e o esfreguei na cara da Free Willy – Talvez isso recupere a sua memória.
– Jennel, eu realmente não sei o que eu fiz – Rosa gritou
– Ah, claro. E Lucy tem um cérebro né? – Disse ironicamente
– Foi ela – Lucy disse
Rosa parecia realmente confusa.
– Eu não aceito injustiça – Lucy continuou –, e mesmo você sendo a minha melhor amiga, eu vou ter que confessar. Foi Rosa que rasgou suas roupas, sinto muito.
Os olhares das duas se cruzaram. Eu não sabia definir o que estava acontecendo.
– Desculpe – Free Willy abaixou a cabeça –, se quiser eu posso te emprestar uma roupa.
Eu não fui a única a rir, Lucy também tentou se segurar. Mas, não conseguiu.
– Isso foi piada né? – Perguntei ironicamente – Quer me emprestar sua roupa para me servir de edredom? Já que você rasgou todas as minhas coisas, não vai fazer diferença.
Rosa se estressou pela primeira vez. Aproximava-se de mim com o olhar ameaçador. Juro que senti o chão tremer. Ela colocou suas mãos em meus ombros, e com toda sua força me empurrou. Foi uma grande queda, e Lucy a aplaudiu por isso. Uma grande platéia chega e eu não fiquei ali no chão. Derrotada. Eu, com todo o meu orgulho. Levantei-me e, como em toda guerra clássica de garotas: Eu comecei puxando seu cabelo.
Depois, fui gerando alguns socos e tapas em Free Willy.
– O que significa isso? – A única voz que eu não queria ouvir no momento. A voz do diretor.
[...]
– Inacreditável – Ele fixava seus olhos em mim –, em uma hora está implorando justiça e depois está lutando com uma inocente aluna?
– Inocente? — Soltei fortes risadas – Esse círculo me fez o favor de rasgas todas as minhas roupas. E agora, não tenho mais nada, fora o uniforme, para ir à festa.
– Isso é verdade? – Ele perguntou surpreso, quase gaguejando
Rosa afirmou.
– Isso é vergonhoso – Colocou a mão sobre a testa –, o ano ainda nem começou e vocês já estão lutando. Se pegando. Se arranhando. Isso é – Ele fez uma grande pausa –, inaceitável.
– Vai demorar? – Perguntei entediada – Dá para acelerar um pouco. Sua voz me irrita, Bin Laden.
– Olha como está falando comigo, senhorita Pardo – Ele me encarou
– Dá para ir direto ao ponto, por favor? – Perguntei tentando ser educada
– Claro – Ele revirou os olhos –, vocês vão fazer um relatório avaliativo sobre a semana de cada uma. Rosa escreverá sobre Jennel. E vise e versa. Cada detalhe. Isso fará vocês duas ficarem próximas. Quero isso pronto no Sábado à noite. E, sim. Eu disse “à noite”, pois, vocês não vão passar o feriado fora. Ficaram trancadas.
– Está brincando? – Perguntei em surto – Gordura pega. Sabia?
– E pobreza também – Rosa sorriu torto
– Garotas – O diretor bateu na mesa com bastante força
– Se a intenção for quebrar, jogue a Rosa sobre essa mesa – Disse
– Por favor, se retirem da minha sala – Ele disse impacientemente
Narração de Harry.
Procurei por Lucas o dia todo. E, quando o encontrei estava em seu mais novo quarto. Entrei sem pedir licença. E dei um sorriso torto ao vê-lo.
– E o que veio fazer aqui? – Lucas perguntou – Me julgar? Lançar pedras? Criticar? Bater? Me matar? Melhor você se decidir rápido, as opções são infinitas.
– Eu estou aqui para me desculpar – Disse sem jeito –, eu e Thalles... Não foi nossa intenção. Desculpe por te chamar de veado. Sério. Desculpe-me.
– Está tudo bem – Ele sorriu torto –, com o tempo você se acostuma. Ninguém aceita as diferenças.
– Eu sei como é – Disse timidamente
– Não. Você não sabe. – Lucas disse se aproximando – Eu fui julgado por meus pais, por ter uma opção diferente de todos. Fui apelidado de diversos nomes. Mas, você não saberá o que é sofrer a humilhação. Pois, quem humilha, nunca sabe a dor que causa.
– Eu só posso te fazer um favor? – Perguntei
– Depende – Lucas revirou os olhos
Coloquei minha mão sobre sua cintura e o puxei para bem perto do meu corpo
– Me beija – Disse
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