Rebel Toy.

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Olá :3 Estão gostando da história? Espero que sim! Boa Leitura. ^^

Graças à Deus era domingo. Domingo era o dia de folga de Yasei, e o mesmo podia ficar dormindo até tarde e trancando em “seu” quarto com seus mangás hentais sem nenhuma perturbação.

Quer dizer, isso se ele estivesse na sua casa. Mas não. Aqueles dois mafiosos estavam realmente lhe tirando do sério. Aquele sorriso falso e personalidade descontraída que Yasashi sabia fingir muito bem lhe irritavam, não conseguia suportar que estivesse vivendo com um personagem e não com um cara real. Era como se Yasashi sentisse que estivesse em um palco pronto para atuar. Sem falar no pequeno Tokoha, que mais parecia com um filhote de leão – Apesar da aparência delicada, era afiado nas palavras e nas ações –, que estava disposto a transformar sua vida num inferno (isso se já não tiver feito isso).

Yasei estava meio perdido no que fazer. Saiu de seu quarto sonolento, com os olhos irritados devida a claridade que penetrava na sala de estar por meio das janelas de vidro. Yasashi tomava um café no balcão da cozinha enquanto Tokoha comia panquecas sentado à mesa.

— Bom dia. – O garoto disse sem nenhuma vontade, dirigindo-se para a cafeteira e despejando um pouco do líquido negro em um copo de cerâmica e deu alguns goles lentos. Abriu o armário e retirou algumas torradas.

— Bom dia, Yasei-san. – Yasashi sorriu gentilmente. “Que idiota.”

Tokoha simplesmente levantou-se da mesa colocando o prato das torradas na pia. Jogou-se no sofá irritado e ligou a TV.

— O que vocês vão fazer hoje? – Yasei perguntou, fitando o líquido preto dentro da caneca que esfumaçava em seu rosto. Aquele aroma agradável lhe dava mais vontade de dormir.

— Não sei, estávamos pensando em ir no cinema e depois roubar a joia amarela. – Yasashi atravessou o balcão e colocou a caneca na pia.

— Você diz como se voltar do cinema pra roubar uma joia caríssima fosse um passatempo. – Yasei suspirou mordendo sua torrada. – Vocês deviam planejar melhor as coisas.

— E já planejamos. Só queremos ir ao cinema por quê Tokoha está me importunando pra assistir um filme de terror japonês. – O homem disse, sentando-se ao lado de Yasei e observando profundamente seus olhos castanhos.

— Ele tem idade pra isso? – Yasei brincou, tentando segurar a risada. – Não vai ser nada elegante ele fazer um escândalo pedindo para ir embora.

— Diferente de você, eu não sou tão idiota à ponto de fazer um escândalo por qualquer coisa. – Tokoha disse ríspido, levantando do sofá. – E antes que dê outro chilique, seu cachorro nojento está embaixo do sofá mordendo alguma coisa.

— Obrigado por me avisar, Babá do cachorro nojento. – Yasei resmungou. Tokoha entrou em seu quarto e bateu a porta com força. – Que garoto problemático.

— Eu também seria assim se tivesse passado pelo que ele passou. – Yasashi suspirou, fitando suas mãos em cima da mesa. Yasei simplesmente fitou-o, como se estivesse obrigando-o à contar o que aconteceu apenas com o pensamento. Seria a coisa mais óbvia à fazer, e ele não usaria sua voz para isso.

— Tá. Vou explicar. – Yasashi disse, fazendo um pequeno sorriso de vitória surgir nos lábios de Yasei. – O Tokoha era uma mercadoria de outros mafiosos. Eles traficavam crianças. Um dia eles surgiram na nossa máfia perguntando se queríamos trocar alguma arma ou coisa do gênero em qualquer criança. Mas obviamente não aceitamos. Até por quê uma criança estúpida não faria nada.

Yasei ouvia atento todas as palavras que o homem dizia.

— Mas, dentre dessas crianças, eu reparei no Tokoha. Ele estava cheio de cicatrizes e cortes, e tava muito assustado. Então troquei-o por um revólver qualquer. Como ele estava muito assustado, eu comecei à ser mais gentil e cuidadoso com ele, e quando dei por mim isso já tinha se transformado em meu disfarce. E o Tokoha é muito irritado por que não suporta que eu divida minha atenção entre vocês dois.

— Avisa pra ele que eu não estou com o mínimo interesse de sua atenção. – O garoto levantou-se e colocou sua caneca na pia, jogando a embalagem das torradas no lixo. Yasashi segurou-o pelo braço e puxou-o pra perto.

— Então já temos um problema, por que eu não tenho a mínima intenção de não te dar atenção. – Yasashi se aproximou de Yasei, mas o mesmo empurrou-o e o olhou torto.

— O único problema aqui é que eu sou hétero. E, cara, eu não tenho o menor problema que você seja gay. Só fica longe de mim, pode ser? – Yasei pediu, rude. Yasashi deu um pequeno sorriso no canto da boca.

— Não acho que ser hétero seja um problema. E a culpa não é minha que você parece uma putinha mimada. – Yasashi soltou o garoto, com uma risada, e foi para seu quarto.

“Putinha mimada é a mãe dele.”

[...]

— Ainda não estou acreditando que você me arrastou pra cá. – Yasei suspirou, sentado na poltrona confortável do cinema.

— Deixa pra fazer seu chilique quando chegar em casa. – Tokoha disse, sem tirar os olhos do telão enquanto comia pipoca. Yasashi estava sentado na poltrona entre os dois (por motivos óbvios).

— Não briguem no cinema, por favor. – Yasashi pediu. Yasei suspirou e tentou se concentrar no filme. Tokoha não permitia que a presença de Yasei interrompesse seu momento de diversão no cinema. Há tempos não ia no cinema com Yasashi, onde arriscava algumas carícias em suas mãos ou até colocar a cabeça em seu pescoço. Pensou em fazer isso apenas para provocar Yasei, mas caso Yasashi não gostasse, ficaria envergonhado para sempre.

Uma vez ou outra Yasashi ria de alguma cena do filme. Era nessas horas que Tokoha se desconcentrava totalmente apenas de ouvir a voz do maior. Yasei a este ponto dormia na poltrona, não se importando se iam achar ele deselegante. Afinal, não teria como incomodar ninguém se estiver dormindo, certo?

— Tokoha, me espere aqui. Vou buscar mais pipoca. – Yasashi acariciou o cabelo do garoto, trazendo-o de volta à realidade. – Ah, e o Yasei está dormindo, não vai te incomodar.

— Preferia ele morto, mas tá. – O garoto disse, colocando o resto das pipocas na boca. Passaram-se alguns minutos, e Yasashi não voltara. Estava desconfortável para Tokoha ficar perto de um roncador como Yasei. Um homem surgira na frente do telão. Tokoha não conseguira ver direito, mas notou que o mesmo retirava dois objetos do bolso. Ele usava uma máscara branca com detalhes pretos, com uma toca preta e roupas pretas também. Ele começara à subir a escada no meio das duas fileiras de poltronas, apontando os tais objetos para um lado cada. Tokoha só conseguiu perceber que eram revólveres quando várias pessoas caíram no chão, mortas, e outras tentavam fugir.

Notas finais
Bom, esse capítulo foi baseado em um atentado que ocorreu no cinema, em uma cidade dos EUA, à umas semanas atrás. Um homem armado atirou em várias pessoas no cinema, e algumas sobreviveram e outras conseguiram fugir. Meus pêsames para as famílias das vítimas.
Não sei se eu deveria usar o atentado como base para um capítulo, mas achei que ficaria bem no contexto. Bom, deixe sua opinião. (: