Notas iniciais
Carol: Estou postando o primeiro capítulo. Por ora, vou focar mais na Jamie e na Fanny (só pelos dois primeiros capítulos) e logo vou me focar nos outros.

Jamie acorda de manhã cedo com o som indesejável do despertador antigo. Ela se levanta da cama com um salto e corre até o corredor, escorando-se no batente da porta que a levava a sala. Ela estava suando frio. Odiava acordar daquele jeito e exatamente por isso ela sequer tinha um despertador. Mas então como...?

A verdade a atingiu em cheio. Sentindo o sangue ferver ela começou a gritar:

– KAIN JAMES HOOK, VOCÊ COLOCOU UM DESPERTADOR NO MEU QUARTO?!

Kain, que estava deitado confortável no sofá da sala, apenas riu.

– Ah, maninha, o que houve? — ele se levantou devagar, já prevendo o que ia acontecer — Não vai me dizer que ainda se assusta com relógios, vai?

– CRETINO! — Jamie pegou a espada e atacou o irmão — EU VOU TE MATAR!

Kain, que não era idiota, desembainhou sua espada do cinto e bloqueou o ataque da irmã. As brigas entre os irmãos Hook eram sempre iguais: eles se provocavam, discutiam e começavam a duelar. Ambos eram ótimos esgrimistas e cada um usava isso a seu favor.

Kain tentou decapitar a irmã (é, as brigas eram desse nível), mas a mesma se abaixou pouco antes de isso acontecer. O golpe derrubou um cabideiro que estava atrás do alvo.

Jamie subiu na mesa de jantar para poder ter ampla visão dos ataques do irmão. Este tentou um amplo golpe, como se desenhasse um arco no ar, mas Jamie saltou a lâmina quando esta ia cortar seus pés fora. O golpe e o salto quebraram três pratos e uma taça.

Jamie chutou uma bandeja cheia de frutas na cara de Kain e saltou por cima dele com um mortal, caindo de pé e apontando a lâmina para o irmão. Ele rapidamente se virou, desarmou a irmã com um único movimento e praticamente se jogou sobre ela. Os dois rolaram pelo chão e Kain acabou por cima, com a lâmina pressionada fracamente no pescoço da irmã.

– Ganhei. — ele sorriu vitorioso.

– Ou não. — ela disse.

O garoto olhou para a própria cintura, notando que Jamie tinha posicionado uma pequena adaga ali, apenas esperando o que ele faria.

– Odeio quando você faz isso. — ele soltou a irmã e se levantou — Trégua?

– Trégua. — ela assentiu se levantando também.

Fracas palmas ecoaram pelo recinto. Os irmão olharam para porta, onde o velho James Hook olhava os filhos com orgulho. Gancho buscava desesperadamente um herdeiro para tomar seu lugar na história de "Peter Pan", mas nenhum dos dois queria assumir o cargo. Antes mesmo que ele começasse a falar, os dois filhos se pronunciaram.

– Vou treinar esgrima — anunciou Kain saindo da sala quieto.

– Vou dar uma volta. — Jamie foi para a cozinha.

Gancho olhava para os dois filhos saindo por estremidades opostas do cômodo. Ambos tão bons lutadores e negando um futuro que, em sua cabeça de pirata, era brilhante.

– E pensar que vocês querem desperdiçar tanto talento. — ele resmungou voltando para o quarto.

Enquanto isso, Jamie, depois de recolher uma bela quantidade de frutas, entrou em um dos botes do navio (exato, essa família morava no navio Bucaneiro do Capitão Gancho) e remou até a magem da praia. O barco, como sempre, estava atracado na Baía das Sereias. Inclusive, várias delas tentaram se aproximar do bote aonde Jamie estava, mas a garota as ignorou. Ela um longo caminho até o Bosque Encantado.

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– Juro que eu volto antes do chá! — gritou Fanny antes de sair de sua casa (que estava mais para uma árvora oca).

Ela já não aguentava mais tomar chá com biscoitos. Ela repetia essa mesma rotina 364 dias ao ano. E isso desde bebezinha.

Enquanto corria para longe de casa, resolveu parar na casa de Evanecer, a filha de Alice. As duas não eram lá muito chegadas, mas Fanny gostava da presença de Evy (apesar desta não gostar da presença da ruiva).

Ao invés de tocar a campainha, a ruiva começou a batucar na porta, até que uma morena com um olhar assassino abre a porta.

– Eu. Estava. Dormindo! — ela diz pausadamente.

– Bom dia, Evy! — Fanny praticamente grita, ignorando o humor irritado da morena — Langorosa como sempre, né?

– Não sei o que lango-não-sei-o-que significa. — Evy diz entediada — O que você quer?

– Eu estava pensando em dar uma passadinha na superfície. Quer ir comigo?

– Não. É proibido irmos a superfície.

– Ah, vai. Só um pouco. A gente podia...

Evanecer retirou a faca vorpal de um bolso quase invisível em seu casaco e apontou para Fanny.

– Uau! — Fanny parecia que não tinha notado o perigo — Adoro mágica! Faz de novo?

Evy, impaciente, bateu a porta na cara da ruiva.

– Se não sair daqui agora eu vou contar para todo mundo que você está quebrando as regras! — ela gritou do lado de dentro da casa.

– Ah, — Fanny sorriu — um bom cantor não se apresenta sem plateia!

E saiu saltitando pela floresta mortal.

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Jamie estava sentada abaixo de uma grande árvore, localizada na parte mais remota do Bosque Encantado. Ela, de olhos fechados, comia calmamente uma maçã. Foi quando ela ouviu batidas abafadas na árvore oca.

– Pode vir, Fanny, — ela disse — Está vazio.

Fanny saltou para fora de um enorme buraco próximo à árvore onde Jamie estava, cantarolando alguma música antiga.

– Oie! — ela gritou.

– Oi, Fanny. — Jamie disse sem ânimo.

– Shi. — a ruiva se sentou ao lado da amiga — Pai ou Kain?

– Os dois. Kain pôs outro despertador no meu quarto e meu pai... o de sempre. — Jamie abraçou os joelhos.

– Ha, tenta viver ali embaixo — Fanny apontou para o buraco de onde saíra — Meu pai mora com uma lebre e milhares de ratos e só fala abobrinha. E pior, não faz piadas risíveis. — como Jamie aparentou não ter entendido, a ruiva explicou — Ele faz piadas sem graça.

– Ah... — Jamie riu. Fanny usava palavras estranhas o tempo todo. Pelo menos elas melhoravam seu ânimo — Sabe, um dia, nós vamos poder fugir dessa terra de loucos.

– Uhum.

As duas compartilhavam esse mesmo sonho, sem saber que o compartilhavam também com outros "herdeiros", como eles eram chamados. Elas ficaram quietas por um tempo, examinando a paisagem a volta delas, até que Jamie se lembrou de algo importante.

– Eu te trouxe isso.

Jamie jogou no chão uma sacola, deixando cair queijos, pães e um cacho de uvas. Os olhos de sua amiga brilharam.

– Não é chá com biscoitos! — ela gritou começando a comer, arrancando risadas da amiga.

Notas finais
Para quem se interessar, fichas no capítulo um. Langorosa - preguiçosa Rísivel - que tem graça. Kain Hook (Júnior)- http://s2.favim.com/mini/30/blond-hair-blue-eyes-boy-guy-handsome-245561.jpg