Rebel
7 Bravado
Coulson estava exausto após aquela reunião, uma exaustão não apenas física como também psicológica. Afrouxou o nó da gravata e jogou-se na poltrona do seu escritório. Ainda trazia a foto de Taylor entre os dedos, parecia incapaz de parar de olhá-la. May não demorou a se juntar a ele no escritório, sentando-se diante do homem, onde permaneceu em silêncio, sabia que Coulson desabafaria no momento oportuno, eles nunca necessitaram de muitas palavras para compreenderem o que se passava na mente do outro.
– Você lembra daquele dia no zoológico ? – Coulson perguntou num ar nostálgico.
May apenas concordou com a cabeça, com um sorriso triste sobre os lábios.
– Ela sempre viu além da superfície – a asiática completou
F△B – Setembro, 2005.
– Vai ser muito divertido, Tay, era um dos meus locais favoritos quando eu tinha sua idade – Coulson declarou num ar animado, entusiasmo que não foi compartilhado por sua filha de seis anos. A menina se limitou a encarar as próprias mãos, os olhos azuis demonstravam certa dúvida e na maior parte do tempo, Taylor parecia deslocada, inconfortável na própria pele. Não era necessária muita perspicácia para notar o quão diferente das demais crianças ela era.
Melinda a pôs na cadeirinha e lançou um olhar de censura para Coulson, para que ele diminuísse na animação, coisa que ele rapidamente fez.
– Tudo bem, mas aposto que você vai gostar – ele comentou, dando partida no carro.
O trajeto até o zoológico foi silencioso, nem de longe o tipo de cenário imaginado para uma criança de seis anos, May e Coulson pareciam apreensivos, já não tinham mais noção do que fazer, talvez por julgarem que Taylor simplesmente não dava à mínima, suspiravam mais vezes do que o necessário, trocavam olhares tristes, forçavam sorrisos ... Eles haviam recebido o “diagnóstico” a três dias, e aquele era o primeiro passeio que faziam desde que tinham algo no qual pôr a culpa pelo comportamento incomum da filha.
Iniciaram o tour pela jaula dos macacos, seu pai a deu um saquinho de pipoca e May carregava um balão infantil, que ele também fez questão de comprar, embora Taylor tenha se recusado sequer a segurar o objeto. Ela passou bons cinco minutos observando os macacos, depois foi a vez das aves, leão, girafa, elefante e por último, a gaiola dos ursos, não deu nenhum sorriso durante todo o passeio, diferentemente das demais crianças, animadas e ansiosas.
– Por que estão todos presos ? – ouvir a voz de Taylor sempre causava um certo susto no casal, era tão raro, então demoraram um pouco para enfim responderem.
– Se eles estivessem soltos não poderíamos vê-los, talvez eles machucassem as pessoas que vêm aqui – Coulson tentou responder, mas o questionamento o deixou com uma sensação incômoda.
– Eles estão machucados – afirmou, sem tirar os olhos dos ursos a alguns metros de si.
– Não, eles não estão, olhe, eles têm comida, água, estão saudáveis – May falou, abaixando-se na altura de Taylor e tocando-a levemente nas costas.
– Eles estão machucados porque eles não pertencem a esse lugar – respondeu muito bem articulada para seus míseros seis anos e encarou os olhos escuros da mãe. Contato visual era algo ainda mais raro se tratando da pequena, talvez por isso May tenha feito uma cara meio assustada. Ao notar a reação da mais velha, Taylor rapidamente virou o rosto novamente.
– Você está certa, Tay, eles não pertencem a esse lugar, a casa deles é bem distante daqui – Coulson sussurrou, fazendo um leve cafuné sobre os cabelos lisos da filha.
– Por que você gostava disso ? – indagou num ar distante, deixando o pai sem resposta e novamente caiu em silêncio.
FB△END
△REBEL
– Por que você continua aqui ? – Ward questionou, sentando-se à mesa da loura. Taylor já era uma “membro fiel” da HYDRA à dois meses.
Fazia sete meses que não mantinha nenhum tipo de contato com os pais. Mesmo após ter descoberto a “verdade”, não estava satisfeita com aquelas informações fragmentadas, HYDRA, pelo que pôde avaliar, era seu melhor meio de obtê-las. Nem com toda sua inteligência poderia hackear um satélite russo sem que o “team Stalin” fosse bater direto na sua porta e definitivamente não poderia entrar num avião rumo à Rússia, possivelmente não chegasse nem ao check-in do aeroporto. Seus pais a puseram na lista de procurados após a morte de Audrey, assim sendo, a menos que conseguisse uma bela cirurgia facial, não iria a lugar nenhum ... Pelo menos agora, todos os presentes naquele prédio estavam no mesmo barco, com algumas dezenas de mandatos nas costas.
– Porque eu ainda não terminei o que vim fazer aqui – respondeu sem levantar os olhos, mantinha-se muito concentrada nas informações que lia.
– Não tem nem um pouquinho a ver comigo ? – ele prosseguiu, num ar quase esperançoso.
A garota sorriu, erguendo as magníficas safiras azuis para encará-lo, trazia no rosto uma feição de predadora – Talvez – entoou um ar manhoso, contornando a mesa e parando diante do homem. Podia sentir o hálito dele e as mãos rapidamente contornaram o pescoço do moreno, onde afundou as unhas curtas em sua carne.
Sem demora Grant reivindicou os lábios de Taylor para si, num beijo urgente, selvagem e sem pudores. As línguas faziam uma briga ao se tocarem, disputavam quem iria ter controle, tudo sobre eles era explosivo. O homem segurava nos cabelos de Taylor de forma possessiva, imprensando-a contra a parede e ela adorava aquilo.
Sem preliminares, sem juras de amor, sem nenhum tipo de melação desnecessária o sexo aconteceu. Não faziam amor, eles fodiam, e como era bons naquilo ... O sexo tinha faíscas, deixava hematomas, envolvia sangue, palavrões, os levava ao êxtase ... Era como uma droga, da qual os dois eram viciados. A dominação, o poder, o sexo, tudo parecia certo, por que diabos iria largar aquilo para voltar para sua vidinha adolescente idiota ?! Não, Taylor não voltaria, sabia muito bem que já havia cruzado uma linha da qual não poderia descruzar, mesmo que seus pais a achassem, ainda iria cumprir um bom tempo no reformatório e não estava disposta.
Vestiu suas roupas, e sorriu ao aproximar-se da janela, com Ward a abraçá-la por trás, observavam o pequeno império que estavam criando. Já haviam conseguido armamento suficiente para iniciarem uma guerra, os financiamentos começavam a surgir, assim como os “trabalhos”, geralmente coisas simples; sequestros, assassinatos, tráfico, contanto que pagassem bem, teriam o que foi requisitado. Taylor já pensava numa ala de ciência e tecnologia, tinha planos grandiosos para HYDRA, não apenas serem tachados de assassinos bem treinados. Queria ser muito mais do que apenas isso.
– Eu não quero participar de um grupo de mercenários para sempre – falou de forma séria, entendia que tinham que começar por algum lugar, mas não pretendia ser resumida àquilo.
– Não iremos, seremos tão ou mais poderosos do que a SHIELD – o homem a prometeu, beijando-a o topo da cabeça.
– Licença – Alex Wilder, um negro, de feições inteligentes e modos enérgicos se anunciou, trazia um tablet nas mãos. Taylor fora a responsável por trazê-lo para a organização, um rapaz de potencial, diferentemente de Grant, ela se focava no cérebro, não na massa muscular.
– Prossiga – Ward o deu aval.
– Conseguimos determinar quando será a próxima transferência de prisioneiros – o rapaz falou, num ar compenetrado – Hoje à noite, os prisioneiros estarão no primeiro carro – concluiu, ajeitando os óculos sobre o nariz fino.
Ward sorriu, bastante satisfeito, havia perdido os últimos, mas esses, ele não iria perder. Alguns aprimorados para seu time ... Tornaria as coisas bem mais interessantes.
– O que me diz sobre um pouco de ação hoje, Dama ? – ele indagou, com um sorriso misterioso sobre os lábios.
– Desde quando eu fujo de algo ? – rebateu com divertimento, já nem se importava mais com o apelido, talvez ele fosse até melhor do que Taz, mais misterioso, mais adulto – Eu escolho o time – falou de forma infantil e virou-se para Ward, que nunca recusaria nada para aqueles olhos hipnóticos.
△REBEL
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