Novembro passou rapidamente, a escola animadíssima com os resultados da primeira prova do Torneio Tribruxo. Dezembro chegou e com ele, as férias tão desejadas.

– Gente, eu vou sentir saudades de vocês. – disse Rebecca para os amigos. – Vou voltar só no dia primeiro.

– Bem, eu e Kamina vamos ficar pela escola mesmo vigiando o que acontece e treinando um pouco. – disse Ástimus.

– Até parece que vocês vão ficar só treinando. – disse Gim, tomando, logo em seguida, uma cotovelada de Rebecca. – Eu também devo voltar só dia primeiro mesmo.

Ástimus e Kamina foram para um canto e Rebecca, Gim, Riego e Katheryn foram andando para a árvore onde sempre ficavam conversando.

– Poxa, Reb, vai ser um saco aturar a Meggan sem você por perto. – disse Katy, tristonha.

– Como assim? – perguntou Riego.

– Vocês não sabem, mas em famílias antigas como a minha é costume prometer a mão da filha em casamento...

– Eu sabia! – gritou Gim. – Sabia que Demmyzinho era estranho. Ainda bem que nunca troquei de roupa na frente dele.

– Cala a boca Gim! – gritou Rebecca. – Continua Katy.

– Bem, acontece que a família da Meggan é muito amiga da minha e eles prometeram a mão dela pro Demetry quando ela nasceu.

– E você, tem alguém prometido para ser seu noivo, Katy? – perguntou Riego aparentemente tenso.

– Bem, não, pois eu acabei sobrando na minha familia sabe. Nós só casamos entre primos.

– Você é prima daquelazinha? – perguntou Rebecca com desdém.

– Infelizmente. – disse Katy.

– Sabe, Jacker – disse Demetry que surgiu de tras da árvore, fazendo todos tomarem um susto. – Não ficaria feliz com o fato dela nao ter um noivo ainda.

– Como assim? – perguntaram Rebecca e Riego en uníssono.

– Bem, Katy não tá com a moral muito alta com a nossa família. Desde que ela tem andado com vocês, ela tem sido mal vista lá em casa.

– E o que tem isso, Demetry? – disse Rebecca começando a ficar nervosa.

– Só estou dizendo que eu não me surpreenderia se de uma hora para outra arranjassem um noivo pra Katy pra poder firmar uma aliança entre duas famílias.

– Ai garoto, sai daqui! – gritou Rebecca.

Ela não conseguia entender por que Demetry estava agindo daquela maneira. Até uma semana atrás eles estavam conversando como amigos. Ela achou que depois de todos os semi-aurores cumprirem detenção por tanto tempo juntos, ele seria mais proximo do grupo, ainda mais depois de tudo que aconteceu na floresta. Mas parece que as longas noites de dentenção que os oito passaram juntos não foi suficiente pra fazer Demetry ficar menos esnobe e insensível.

– Demetry, por que você ta falando isso? – perguntou Katy.

– Apenas estou sendo realista irmãzinha. – disse ele fechando os olhos e fazendo cara de sínico. – Agora temos que ir. Tem uma carruagem lá no portão da escola esperando pela gente. Suas coisas já foram levadas.

Demetry levantou-se e saiu andando. Todos miraram suas costas se afastando por um momento e depois começaram a se despedir de Katy. Rebecca foi a que mais se demorou olhando o menino. Não era possivel que de uma hora pra outra ele voltasse a ser o mesmo idiota que era antes dos semi-aurores. Ela notou que em certo ponto o menino olhou para trás e seus olhos se encontraram. Por alguns segundos eles se olharam e depois Demetry voltou a virar o rosto para frente. Rebecca despediu-se de Katy e a desejou sorte. Viu Katy correr para alcançar o irmão e logo depois Meggan juntar-se aos dois.

– Cara, o Demetry é realmente estranho. – disse Gim. – Vocês viram aquele cordão no pescoço dele?

Diante da falta de resposta por parte de Riego, que ainda estava tristonho com a notícia sobre Katy, e Rebecca, Gim continuou.

– Sabe, acho que vou buscar minhas coisas pra ir embora. – disse ele.

– Como você vai? – perguntou Riego.

– Vou de vassoura. – declarou Gim. – Eu nao moro muito longe daqui. De vassoura vou levar algumas horas pra chegar. Faço umas paradas e chego em casa antes do jantar. Você vai como?

– Eu não vou sair da escola. – disse Riego, em voz baixa. – Meus pais nao tem dinheiro pra pagar a passagem.

– Não precisa dizer isso baixo, – disse Rebecca. – Não é vergonha nenhuma. Nem todo mundo tem dinheiro, e daí. Kamina e Ástimus também vão ficar aqui, não é?

– É, mas eles vão ficar porque querem. – disse Riego, ainda em voz baixa.

– Para com isso Riego, não é vergonha nenhuma isso. – disse Gim.

Rebecca surpreendeu-se com o comentário. Nunca vira Gim agindo dessa forma, consolando alguém.

– E você, Rebecca, você vai pra casa dos seus avós né? – perguntou ele.

– Eles não são bem meus avós, mas acho que posso chamá-los assim.

– Como você vai?

– Meu pai me mandou uma carta falando que já estava lá e que mandou a melhor e mais rapida carruagem pra me buscar. Ele só nao sabia que horas a carruagem iria che...

– Olha aquilo!!! – gritou um menino do segundo ano a alguns metros deles.

No céu era possivel ver uma mancha negra com asas que sobiam e desciam. A mancha foi ficando maior rapidamente e logo todos puderam ver o dragão norueguês cor de vinho chegando. A imagem da fera descendo no jardim da escola gerou um certo alvoroço. Hagrid, o guarda-caça da escola, se dirigiu ao dragão e passou a mão em sua cabeça. O animal retribuiu com uma lambida. Nas costas do dragão era possivel ver uma cabine que poderia abrigar no máximo duas pessoas. Ela lembrava muito a cabine de um avião bimoto. De dentro dela surgiu um garoto de uns desesseis anos de idade e cabelo cor de vinho avermelhado que combinava com a pele do dragão. O rapaz desceu das costas do dragão e abraçou Hagrid. Eles conversaram um pouco e o rapaz puxou a varinha. Ele a apontou para o próprio pescoço e pronunciou algo inaldivel aos ouvidos de Rebecca.

– SENHORITA REBECCA!!! – gritou ele.

Rebecca não podia acreditar. Ela corou e tentou se esconder atrás de Riego. Todos que estavam no lado de fora do castelo voltaram sua atenção para o adolescente berrador. Até mesmo alguns professores e alunos que estavam dentro do castelo surgiram às portas de madeira para ver do que se tratava aquela gritaria.

– SENHORITA REBECCA FIDGEMAN. – gritou ele novamente.

– Acho que ela está ali perto dá árvore. – disse Hagrid para o rapaz.

– REBECCA, SAIA DE TRÁS DESSE MENINO E VENHA ATÉ AQUI!!! – disse o rapaz, fazendo alguns estudantes rirem. O rosto de Rebecca estava tão quente que ela pensou que estivesse pegando fogo. Ela queria ter uma capa de invisibilidade para poder simplesmente desaparecer.

– Rebecca, você nao vai responder? – perguntou Gim.

– Não. – respondeu a menina.

– Acho que vai ser pior.

– REBECCA, VOCÊ ME FORÇA A TIRÁ-LA DAÍ. – continuou gritando o rapaz de cabelos cor de vinho. – Wingardium Leviosa!

Rebecca ergueu-se do chão e levitou até o rapaz.

– Me põe nao chão agora! – ordenou ela.

– Nossa. Você é bonita e mandona. – riu o garoto. – Gostei.

– Seu idiota. – disse Rebecca sacando a própria varinha e apontando para sí mesma. – Impedimenta!

A menina foi arremeçada longe.

– Acho melhor você não brincar com ela. – disse Hagrid. – Pelo que ouvi, ela é uma das melhores duelistas da história de Hogwarts.

– Não liga não, ela é da família. – disse o rapaz. – Apenas estou dando as boas...

Um relampago azul quase acertou o menino.

– Eu avisei – disse Hagrid.

– Estupefaça! – gritou rapaz.

– Estupefaça! – gritou Rebecca.

Os raios vermelhos se chocaram no ar. Rebecca percebeu que o garoto estava brincando, mas ela nao iria perder para ele.

– Prazer Rebecca Fidgeman. Meu nome é Code Fidgeman e eu sou, de certa forma, seu primo.

Rebecca espantou-se, o que fez ela se descontrar e quaser ser atingida. O raio vermelho atingiu uma barreira invisivel criada em sua frente. Rebecca Olhou em volta e viu Ástimos, com a varinha levantada, e Kamina. Gim sacou a varinha, que logo se trasformou em uma rosa e a brandiu na direção de Code. A varinha espandiu-se e se tornou um chicote de cipó que agarrou o braço direito de Code.

– Amigo, chega de brincadeiras. – disse Ástimos. – Aqui é uma escola e você nao é aluno.

– Okay, okay. Só estava testando se minha prima estava esperta. Mas pelo visto ela tem bons amigos que a protegem. – dizendo isso, Code se transformou em chamas e sumiu, o que imprecionou a todos. Ele reapareceu ao lado e Rebecca e colocou a mão em seu ombro.

Rebecca, em movimento rapido demais para Code conseguir impedir, girou o corpo e arremeçou o rapaz de costas no chão.

– Eu sei me defender sozinha também. – disse ela, lembrando-se das aulas dos semi-aurores e agradescendo mentalmente a Halena por tê-los ensinado defesa pessoal.

– Bem, – disse Code se levantando. – Vamos parar de brincadeira e ir logo pra casa. Estamos atrasados.

– Você muda de atitude rapido assim sempre, ou hoje você ta inspirado? – perguntou Rebecca.

– Não, geralmente eu sou assim mesmo. – respondeu Code rindo. – Suas malas estão prontas? – perguntou ele.

– Sim, estão dentro do meu dormitório. Vou buscá-las. – disse Rebecca começando a se locomover e sendo parada pelo braço de Code.

– Não precisa. Você colocou aqueles selos que o seu pai te enviou nas malas? – perguntou Code.

– Coloquei sim, por que? – perguntou Rebecca.

– Por causa disso. – disse o garoto estalando os delos. Duas labaredas surgiram no gramado e as malas de Rebecca materializaram-se atravez das chamas.

– Uou. Isso foi legal. – admirou-se Rebecca.

– Não é a toa que nosso brazão é uma salamandra em chamas. Os Fidgeman adoram fogo, vulcões e tudo relacionado a explosivos.

– Por favor – disse Rebecca enquanto os dois iam na direção do dragão. – Não me diga que vamos voar nesse dragão.

– Nao chame ele de "dragão" como se ele fosse um dragão qualquer. Esse é o dragão da Vó e vai ser meu quando eu fizer dezessete anos. O nome dele é Vulco.

– Nome apropriado. – ironizou Rebecca.

– Quando chegar-mos lá você pode escolher um pra você. – disse Code apreciando a cara de horror que Rebecca fez. – Estão todos ansiosos pra te conhecer. Tio Albert fala muito de você. Diz que você só da orgulho pra ele e que é uma ótima bruxa.

Rebecca corou. Ela não sabia que seu pai adotivo sentia tanto orgulho dela. Isso a deixou feliz. Ela e Code colocaram as malas no bagageiro e a menina se despediu de todos. Quando estava pronta para ir embora, Code já estava dentro da cabine nas costas do dragão. Vulco abaixou a asa para que Rebecca pudesse subir. Uma vez nas costas do dragão, Rebecca percebeu que a cabine era realmente de um avião bimotor que havia sido adaptada para dar nas costas de um dragão. Ela entrou no segundo acento e fechou o vidro sobre sua cabeça.

– Coloque os cintos por favor. – pediu Code.

Assim que Rebecca atendeu ao pedido o dragao levantou vôo e Rebecca nao teve nem tempo de sentir medo. Antes que pudesse sentir estava voando. Ela finalmente achara um jeito, incomum, mas prático de voar sem sentir medo ou enjoar.

Depois de alguns momentos de vôo, Rebecca decidiu quebrar o silêncio.

– Meu pai nunca falou de vocês. – disse ela.

– É que ele não sabia como a Vó reagiria em sua relação. – explicou Code. – A Vó tem uma personalidade forte e ela gostava muito da antiga neta dela. Meu tio não sabia se ela iria aceitar você como filha dele.

– O que aconteceu com a filha do meu pai?

– Ela e a mãe foram mortas por Comensais da Morte durante a ultima Grande Guerra. Elas estavam ajudando a Ordem da Fenix porquê meu tio havia sido aprisinonado pelos comensais e ela estava com medo que o matassem, então ela deu abrigo e suporte para agirem contra Voldemort. O problema é que os Comensais descobriram o que ela estava fazendo e dois deles foram até a casa dela e a mataram junto com a filha. Sei que o nome de uma Comensal era Belatriz, só isso. Quando a guerra acabou e Voldemort caiu, acharam e soltaram meu tio, mas ele desejou morrer quando soube o que tinha acontecido. O Ministério aposentou ele, mas ele ainda faz umas missões de espionagem de vez enquanto. Por isso o chamam de Farejador-Fidge.

– Entendo. Deve ser dificil falar disso pra ele. – disse Rebecca, triste pela perda de seu pai. – Ele sempre passa uma imagem feliz pra mim, e sempre que estou triste ele me alegra. Eu nao podia imaginar que talvez ele estivesse triste por dentro.

– Olha, se ele estava triste por dentro, eu nao sei, mas ele estava feliz como nunca quando chegou lá em casa ante-ontem. Não o via sorrir daquele jeito há anos. Gosto muito dele. Ele sempre foi meu heroi. Meu pai tem até um pouco de ciúme dele.

Rebecca soltou um risinho.

– Olha, você sabe rir também. – brincou Code.

– Como você fez aquilo lá em Hogwarts? – perguntou Rebecca. – Sei que nao foi aparatação, por é impossivel aparatar em Hogwarts. – acrescentou Rebecca, lembrando-se de perguntar ao Sr. Potter da proxima vez que o encontrasse como ele conseguira aparatar dentro da escola.

– Os feitiços do seu livro de feitiços e dos livros da biblioteca nao são os unicos existentes. Nossa família é muito antiga, assim como os Devon, os Lust e os Mellford, e por isso temos nossos próprios feitiços, que nao estão catalogados em lugar nenhum senão na mente daqueles de nossa família que se dispôe a aprende-los. Eu sou um iniciante ainda. Não sei muita coisa. Só consigo me locomover curtas distâncias e locomover objetos que tenham aquele adesivo mágico que meu tio te enviou.

– Caramba, eu ja acho isso muita coisa. Por que você nao frequenta Hogwards?

– Não gosto da formalidade de Hogwards. Tudo que eu aprenderia lá eu posso aprender em casa. Nossa família é grande. Veja só o seu pai, ele é mestre em transfiguração e localização de pessoas ou objetos. Meu pai é um auror. Minha tia prepara poçoes como ninguem. Meu primo cuida de animais como um mãe cuida dos filhos. O que eu quero dizer é que eu posso aprender tudo o que preciso em casa.

– Mas como você estuda História da Magia? – perguntou Rebecca. – É preciso um fantasma...

– Ou uma Vó de cento e vinte anos e uma biblioteca absurda em casa. Eu estudo apenas a parte da história que eu gostar. Agora estou lendo um livro da estante de "Livros Antigos e Muito Antigos" que fala sobre feitiços para imprecionar garotas na antiguidade.

Rebecca bufou.

– Eu realmente nao acredito que algo assim existe.

– Pode acreditar que existe, minha priminha, – riu Code. – e funciona. Por exemplo: hoje eu fiz aquele cena toda lá no seu colégio. Tá tudo na lição vinte e um: "Fazer escandalo e chamar a atenção". Você nao percebeu, mas algumas meninas do quinto e do sexto ano nao tiraram os olhos de mim. Quando eu te trouxer de volta vou pegar o endereço delas.

Rebecca de um tapa na cabeça de Code.

– De onde conheçe o Hagrid?

– Conheci ele há uns dois anos, quando saí pra comprar comida de dragão com meu pai. Hagrid puxou assunto e então ele, meu pai e eu conversamos por horas sobre dragões noruegueses. Agora é minha vez. Aquele garoto com a rosa é seu namorado?

– Abaffiato. – Code pode ouvir Rebecca dizer e depois silêncio absoluto.

Rebecca pode fazer leitura labial em Code e entender ele dizer "Para com isso garota.", o que a fez sorrir. O resto da viagem foi silênciosa e calma para Rebecca.