Rebecca estava dentro de uma sala escura, mas conseguia ver sombras ainda mais negras rondando ela, como se quisessem se aproximar. Ouviu uma voz chamando seu nome. Rebecca procurou de onde a voz vinha, mas não encontrou. Ela perguntou quem era e as sombras que a rondavam foram se aproximando e engolindo ela. Ela gritou e então tudo parou. Ela abriu os olhos e percebeu que suas colegas de quarto já estavam de pé, se arrumando para descer para o Salão Principal. Ela percebeu também que todas olhavam em sua direção.

– Rebecca...er...Você está bem? – perguntou Romilda.

– To sim, foi só um pesadelo. – Rebecca notou as feições assustadas nos rostos de duas de suas colegas de quarto.

– Bem, acho melhor nós descermos e irmos para o Salão Principal. Quer que esperemos você, Rebecca? – perguntou Romilda.

– Ah não precisa, vou demorar aqui. Podem ir à frente. – respondeu Rebecca.

Depois que as meninas saíram do quarto Rebecca deitou-se novamente e começou a pensar no que havia sonhado. Mal se passaram dois minutos e Febes entrou voando pela janela na forma de many. Rebecca sorriu ao ver a amiga.

– O que foi Reb? – perguntou Febes pousando cama, ao lado de Rebecca.

– Tive um sonho bem estranho. – contou Rebecca. – Um pesadelo na verdade.

Nenhuma das duas falou nada por um instante.

– Olha, Febes, se você quiser andar por ai, tem que ficar invisível e se você for ficar comigo, precisa ficar desse jeito, – disse Rebecca referindo-se à forma de many que Febes estava. – porque só é permitido trazer corujas, sapos ou gatos pra escola, não sei se você pode ficar em Hogwarts.

– Está bem! Mas Reb, não fica assim por causa de um sonho idiota, você é a melhor bruxa que eu conheço e tenho certeza de que pode vencer todo mundo! – e se jogou em cima de Rebecca abraçando seu rosto, ou melhor, seu nariz. Rebecca riu e pediu pra ela ficar sempre escondida em suas vestes ou em seus cabelos. Aprontou-se e desceu para o Salão Principal.

Chegando ao salão principal, Rebecca viu uma aglomeração em torno da mesa da grifinória e viu Katheryn no meio dela. Aproximou-se e perguntou à sua amiga o que estava acontecendo.

– Ah Reb, olha só o profeta do Diário.

Rebecca pegou o jornal e leu. Tinha uma reportagem na capa falando de um ataque dos dementadores à uma vila bruxa, onde só sobraram corpos sem alma.

– Que horror! – exclamou Rebecca.

– É, eu sei.

– Um ataque em massa de dementadores. Dá até um frio na espinha. – disse uma menina.

– Sentem-se todos! – exclamou a diretora McGonagall, assustando a todos. – Tenho um comunicado a dar a vocês antes de irem para as suas aulas.

Todos correram para suas próprias mesas e aguardaram a diretora falar.

– Todos já devem ter visto as noticias no Profeta do Diário e, visando a proteção dos alunos de Hogwarts, o Ministro da Magia providenciou um grupo de aurores para guardar nossa escola. Ministro, por favor, entre.

Um homem alto e corpulento entrou acompanhado de uma mulher de longos cabelos prateados, e uma beleza sem igual. Atrás dos dois vinham bruxos e bruxas com roupas pretas andando numa fileira, dando a possibilidade de Rebecca contá-los; eram onze, junto com a mulher e o ministro. Pararam em frente à diretora, e o ministro se adiantou.

– Minha cara diretora McGonagall, como vai?

– Estou muito bem, Primeiro Ministro.

– Bom, não sei se conhece a Senhora Weasley. Ela ficará em Hogwarts para comandar meus aurores e qualquer problema ela resolverá. – virou-se para Senhora Weasley. – Fleur?

– Estou muito feliz por defender Hogwarts diretora, apesar de não ter estudado aqui, sinto como se tivesse, afinal, passei momentos gloriosos aqui. – Olhou para os alunos. – A primeira vez que estive aqui foi para participar do torneio tribruxo. Depois vim aqui para batalhar na Segunda Grande Guerra, contra o maior bruxo das trevas que já houve. Como ele foi derrotado, não sabemos o porquê todos esses ataques de dementadores ou como eles ficaram tão fortes e nem quem é o responsável por isso, se é que existe um. Estamos aqui para assegurar que nenhum daqueles seres asquerosos e nojentos ataquem vocês. – e virou-se novamente para a diretora. – Diretora, vou me retirar agora para levar os aurores aos seus postos. – virou-se para o ministro. – Ministro, até a próxima.

A mulher virou-se e caminhou para fora do salão principal, seguida pelos aurores.

– Bom, não há nada pra fazer aqui, então até a próxima diretora. – levantou o chapéu para a diretora, cumprimentou os professores e foi embora.

– Aurores! Então realmente tem alguma coisa grande acontecendo! – Exclamou Rebecca para Katheryn e Riego, quando iam para o Salão Principal na hora do almoço.

– Você tem razão, Reb. Mas o quê exatamente? – perguntou Riego.

– Eu não sei, mas meu pai esta trabalhando nisso há meses. – disse Rebecca.

– Bom, seja lá o que for, – disse Katheryn – Acho realmente bom que iremos aprender esse feitiço que a Reb nos falou este ano e acho que todos deveriam também.

– Você tem razão Kathy. – disse Riego.

E realmente Katheryn estava certa. Na segunda aula de Rebecca, DCAT (Defesa Contra as Artes das Trevas), a professora Parkinson falou sobre o feitiço.

– Turma, alguém sabe o que é o feitiço do Patrono? – perguntou a professora. Rebecca levantou a mão. – Sim srta. Fidgeman?

– Expectum Patrono é um feitiço usado para combater dementadores. Para usá-lo, é necessário um pensamento feliz, e quando o bruxo tem grande poder, o patrono assume a forma de um animal.

–Muito bem, cinco pontos para a srta. Fidgeman. Bem turma,este ano todos os alunos estarão aprendendo este feitiço bastante dificil, até mesmo os alunos do 1° ao 5° ano. Estarei ensinando o feitiço do Patrono para prepará-los a uma situação de perigo futura. Esse feitiço é bastante difícil de se fazer, portanto não esperem aprender de primeira e o mais importante, esforcem-se. Repitam comigo: Expectum Patrono.

A turma repetiu a professora.

– Agora quero que pensem numa lembrança feliz. Uma situação, uma pessoa ou algo que lhe faça feliz. O mais difícil nesse feitiço é você conseguir pensar numa coisa feliz quando está preste a ser atacado por um dementador, portanto não pode ser qualquer pensamento de quando vocês ganharam um presentinho da vovó. – a professora virou-se para a turma. – Agora quero que se separem e pratiquem. Pensem numa coisa boa e repitam o feitiço. Agora.

A turma se espalhou e começaram as tentativas. Rebecca não sabia no que pensar. Sua infância no orfanato não fora boa. Talvez sua lembrança mais feliz foi ser adotada pelo senhor Fidgeman. Tentou o feitiço, fazendo apenas um brilhozinho sair de sua varinha. “Outro pensamento, mas qual?”, pensou. Rebecca pensou em suas férias e um brilho mais forte apareceu de sua varinha, porém nem se comparava ao pequeno brilho de Febes. Pensou em Febes, onde ela deveria estar? Torceu para que estivesse dormindo dentro de sua mala. Rebecca olhou a sua volta. Varias pessoas estavam fazendo cara feia por tentar pensar em alguma coisa, outras conseguiam algum brilho e uma garota da sonserina ao lado de Rebecca conseguiu fazer um brilho forte.

– Muito bem srta. Lust, dez pontos!

Lust sorriu para a professora e olhou para Rebecca com desprezo. Virou-se para a amiga ao lado e disse bem alto, para que Rebecca pudesse ouvir.

– Sabe no que eu pensei, Ryn? Em como sou melhor, mais elegante e bonita que esses sangues ruins que ficam infestando o nosso mundo. Tais bruxos que nem sabem fazer uma azaração, alias, nem se deve chamá-los de bruxos.

As duas riram e Rebecca não pode se agüentar. Virou-se para a garota e ordenou:

– Cara-de-lesma!

A garota foi atingida e caiu no chão. Sua amiga abaixou para socorrê-la, porém ela começou a vomitar lesmas. Rebecca começou a rir, mas logo parou quando a professora se aproximou.

– O que está acontecendo aqui? Oh meu Deus! – ela viu a menina vomitando lesmas. – Quem foi o responsável?

– Foi ela professora! – disse a amiga de Lust apontando para Rebecca.

– Eu sempre soube que essas espertinhas não tinham nada de santas! Você receberá uma detenção com o sr. Filch, tenho certeza que ele irá adorar! – virou-se para a menina amiga de Lust – Leve-a para a Madame Pomfrey. Turma, dispensados! — e saiu andando para fora da sala.

Rebecca pegou seu material e correu para longe da sala e acabou esbarrando em Riego.

– Ai garota! Você tem algum prazer em esbarrar em mim, não tem? – Riego viu a cara de Rebecca e perguntou – O que aconteceu, Reb?

Rebecca contou a ele o que tinha acontecido com ela. Antes que Riego pudesse falar alguma coisa, sr. Filch em pessoa apareceu diante deles.

– Bem senhorita, espero você na minha sala às oito horas em ponto. Espero que não se atrase, ou os troféus da escola não ficaram limpos tão cedo. – e saiu se arrastando.

– Bom Reb, pense pelo lado positivo.

– Qual?

– Seu castigo não pode ser tão ruim limpando troféus, pode?

Rebecca concordou com seu amigo, porém ao entrar na sala do sr. Filch ela voltou em sua palavra rapidamente, porque junto com o sr. Filch estava o irmão de Katheryn, Demetry. Ele olhou-a com cara de desprezo. Será que todos da sonserina olhariam assim pra ela?

– Que bom que se juntou a nós srta. Fidgeman, vocês dois podem pegar esses panos aqui e começarem a limpar os troféus, e é claro, sem magia. Os dois pegaram os tais panos e se puseram a limpar. No terceiro ano de Rebecca na escola, ela acabara salvando a vida de Demetry acidentalmente na frente da maior jornalista esportiva do mundo bruxo para a qual ele estava se mostrando e acabara também por fundar um pequeno desprezo por parte dele. Porém Rebecca não queria continuar com essa rixa, então se aproximou de Demetry e tentou puxar assunto.

–Hã...

– Nem tente puxar assunto comigo, eu só não lhe estuporo aqui porque não posso.

– Você ainda está chateado comigo?

– Chateado? Não, não corinha. Eu não estou chateado. – disse a ultima palavra com uma entonação que dizia exatamente o contrario.

– Do que me chamou?

– De corinha. Ou vai me dizer que não come mais livros?

Rebecca encheu a boca para responder, mas o sr. Filch gritou para que calassem a boca e eles ficaram a noite toda calados olhando com cara emburrada um para o outro quando se esbarravam. Quando chegou meia noite, sr. Filch os liberou e, sem trocar uma palavra, cada um foi para seus dormitórios. Rebecca, quando chegou ao seu, encontrou Febes dormindo em sua cama. Após se trocar, ela deitou ao lado da many e adormeceu.