Reasons

1 Capítulo 1 - Já era.


Notas iniciais
Boa leitura!

Já se passavam cinco meses desde a morte dos meus pais, e eu estava naquele “orfanato” ―demorei um tempo pra entender que orfanatos não eram só pra criancinhas― desde de que um assistente social, dois dias depois da tragédia, insistiu que eu fosse.

Eu morava em Nova York, tinha amigos ―estudava em um colégio tão caro que se juntasse dois meses dos salários dos meus antigos vizinhos da esquerda ainda não pagaria a Oliver Benz School― mas na minha linda vida de riquinho havia algo que me incomodava e muito: Minha casa. Se éramos ricos, tínhamos uma casa de verão imensa fora da cidade, pra quê diabo morar em um apartamentozinho fuleiro num bairro acabado? Cheguei a pensar que os mendigos defecavam na porta do meu prédio, porque toda vez que eu saia a única vontade era de ter nascido sem nariz. Mas minha mãe parecia adorar ver a minha cara de nojo, ela me olhava rindo e as vezes tapando as narinas também, vez ou outra sussurrava pra que meu pai não ouvisse que “isso não vai ser para sempre” mas nunca chegava e me responder porque morávamos ali. Nunca levei amigos para casa, meus pais desde sempre me disseram que não era pra levar, e convenhamos que morando em um bairro daqueles eu nunca levaria mesmo. Sempre antes de chegar em casa, quando eles dois, todos os dias, iam me buscar no Corolla prateado no colégio, eu tirava a farda ou a cobria com um casaco, não podia mostrar aos vizinhos, meus pais me ordenaram não dar informações, como o colégio em que eu estudava entre outras coisas, desde sempre. Éramos fantasmas da sociedade por algum motivo que não cheguei a conhecer ainda, eu não tinha nem carteira de identidade, e num país como os Estados Unidos um adolescente de 16 anos não ter identidade ainda é praticamente uma prova de o quão invisível eu era. Lógico que eu sabia meu nome, e a cada vez que um dos professores fazia a chamada eu me sentia mais Thomas Michael Harris e menos indigente. Não vou dizer que minha vida era horrível com tanta privação, mas sim que era “solitária fisicamente” pelo menos era assim que meu pai classificava quando discutíamos sobre essa prisão fedorenta em forma de bairro, toda noite na hora do jantar. Eu sabia o que ele queria dizer com aquilo e era algo como “pago sua internet, te compro videogames e tudo que você quer e só te peço pra ficar longe de outras pessoas” e que ele não falaria sobre garotas na frente da minha mãe, pelo menos não sobre as garotas que ele sabe que eu conheço, que são todas de filmes pornôs.

Até que em um dia comum como esses, me vi no colégio em meio aos meus amigos ―todos cheirosos a perfumes caros, eu diria que são podre de ricos, mas esses perfumes importados não deixam― sendo o motivo da discussão, um debate bem comum pra mim, que todo ano era o único que não anunciava pra onde ia no natal, esse ano fiz amizade com Tobby e Cauãn, que agora estavam também entre Chester e Bruno cada um tentando me convencer de quem era a melhor casa pra se passar o natal. A cada ano eu fingia que um deles ganhava essa briga, mas nunca ia, sempre matava alguém da família ―na verdade não conhecia ninguém, nem sabia se já estavam mortos mesmo― pra usar como desculpa. Nunca me senti tão afetado com os convites, achava divertido um monte de gente brigando pela minha atenção, imaginava cada detalhe de uma festa de natal, eles falavam por dias e mais dias, tentando me levar a alguma e eu sabia que meus pais não concordavam. Eles não tinham religião, nem uma crencinha se quer, nem superstição. Nada. Mas que mal faria se eu fosse a uma festinha? Eu não voltaria com terço na mão, rezando ave-marias nem cantando aquelas músicas sobre apocalipses, nem gritaria que Jesus vai voltar pelas calçadas daquele bairro imundo ―mas eu só abro a boca ali pra vomitar mesmo― Foi aí que eu os convenci a fazer o que mais tarde destruiria a vida deles e me traria a essa casa para órfãos.

Notas finais
EAI, GOSTOU? Pelo amor de GDragon, se tiver odiado guarda pra ti! ahsuhahuhuhuahsu
Com amor, L.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.