Notas iniciais
Eu quero pedir mil perdões pela demora no capítulo e por ser um capítulo tão pequeno, mesmo depois de tanto tempo. Mas algumas coisas aconteceram e panz. Mas agora estou aqui 8D (se bem que acho que ninguém me quer depois de tanto tempo de demora). Se serve de consolo, os capítulos virão com mais frequência e provavelmente maiores e mais interessantes, talvez? Bom, eu vou compensá-los por isso. Acho.
Enfim, boa leitura =]

Passo II

Por um momento ele realmente acreditou que aquele dardo o acertaria.

Os olhos ficaram levemente arregalados, a sua atenção agora voltada completamente para o objeto que se deslocava em sua direção, supostamente. Mas fora apenas culpa de um momento de distração — e talvez até pelo fato de sua mente estar exausta — e então ele viu que o dardo acertaria o alvo. Exatamente no centro.

- Eu estou ficando realmente bom nisso. — Ren comentou baixinho, mas o suficiente para que Masato o ouvisse e pensasse que ele poderia trabalhar um pouco a própria humildade, já que, desde que dividiam o mesmo quarto, Masato não o vira ser ruim em atirar dardos, pelo contrário.

Sem dizer nada, Hijirikawa andou a passos lentos até que pudesse colocar os livros que carregava em cima de sua mesa e decidiu tomar um banho antes de qualquer coisa. Ele estava intrigado com o fato de que Ren não fizera qualquer comentário sobre o susto que ele levara, mas não se preocupara realmente com esse detalhe.

Quando saiu do banheiro, Ren estava absorto em pensamentos, enquanto observava o teto. Ele teria sido completamente ignorado, tratado como mais um adorno extravagante se não tivesse chamado a atenção de Hijirikawa com uma tentativa de diálogo.

- Você parece... estressado atualmente... — Começou, procurando as palavras certas. — Mais severo que o normal... — Procurou parecer casual, quase como se não ligasse para o que dizia, mas em verdade aquilo não deixava de ocupar seus pensamentos por alguns minutos que fossem.

Hijirikawa não estava acostumado a deter a atenção de Ren por muito tempo, principalmente quando ele mostrava-se preocupado — embora ele ainda não tivesse certeza de que essa era a palavra adequada, principalmente porque Ren não parecia estar em verdade preocupado com alguma coisa naquele momento, parecendo tão confortável e tranquilo em sua cama.

- Você não precisa perder seu tempo comigo. — A resposta que encontrara parecia adequar-se exatamente à situação que ele imaginava estar à sua frente.

Era verdade que ele andava levemente irritado, resultado de uma série de fatores que o estava afetando mais do que ele gostaria de admitir, até para si mesmo. Ele também sentiu isso quando concluiu sua última composição, quando a tocou ao piano. Ele pôde sentir que algo estava diferente. No entanto — e para chegar a essa conclusão ele se viu pensando no que vinha vivendo nos últimos dias — tudo passaria assim que o estresse sobre os próximos testes diminuísse, assim que estes fossem realizados.

Além disso, ele não queria que justamente Ren o analisasse e pudesse ver aquilo que ele sempre soube esconder muito bem, pelo menos da maioria das pessoas — que não viam realmente ou simplesmente fingiam não ver. Tampouco queria permitir que ele se aproximasse, mesmo que ele não entendesse — ou buscasse entender — esse tipo de reação.

Ren sorriu das palavras ditas de forma quase seca. Ele sabia reconhecer o tom ferido naquela voz ao mesmo tempo suave e levemente amarga, mesmo que Masato se esforçasse para parecer uma pessoa educada.

- Eu estou apenas preocupado comigo mesmo. Sua irritação está me afetando, já que eu divido esse quarto com você... — Deu de ombros, observando o rosto do outro assumir uma expressão levemente irritada, mas logo desfazendo-se, voltando a parecer indiferente.

- Claro, você deve precisar realmente de um ambiente menos estressante se quiser compor alguma coisa, algo com o que você devia verdadeiramente se preocupar. — Comentou esboçando um sorriso irônico.

Por um instante, Masato achou que o assunto se encerraria daquele modo, devido ao silêncio que se seguiu às suas palavras. Mas soube que estava errado quando pôde ouvir mais uma vez a voz de Ren.

- Você está preocupado comigo? — Ele perguntou após algum tempo, encarando-o com um olhar intenso, do qual Masato achou difícil escapar, desviar o próprio olhar.

Ren se lembrava perfeitamente bem do dia em que deveria compor uma música ou seria expulso da escola. Ele achou que não conseguiria, mas Haruka o ajudara muito, não desistira dele — algo pelo qual ele estava realmente grato. Lembrava-se também da repreensão que levou de Hijirikawa, como se ele estivesse realmente preocupado com o que lhe pudesse acontecer, fato que não saiu da cabeça de Ren um dia sequer desde então, embora muitas vezes considerasse a possibilidade de ter sido apenas uma alucinação de sua cabeça.

- É claro que não. — Masato respondeu por fim, sabendo que não estava sendo sincero consigo mesmo, porque era uma coisa que, por mais que ele tentasse evitar e não admitisse, estava ali, aquela preocupação, mesclada com um pouco de inveja e amor pela música. — É apenas uma questão de desafio. — Apressou-se em dizer. — Eu o vencerei de forma muito fácil se você continuar sem se importar com essa escola.

- Acha mesmo que tudo é uma competição?

Foram condicionados a buscar sempre o que fosse mais apropriado para garantir os interesses das produtoras das quais eram herdeiros — mesmo que Ren não fosse o primeiro filho da família Jinguji. Parecia natural que eles travassem algum tipo de competição entre si, fato que no fim das contas colaborou para que eles se distanciassem.

Entretanto, por mais que Ren muitas vezes demonstrasse acreditar ser esse o caminho certo a ser seguido, ele não acreditava verdadeiramente que isso deveria dominar-lhe a vida e interferir em seus relacionamentos pessoais.

- Você sempre fez parecer como se fosse. — A resposta de Hijirikawa não o surpreendeu. Na verdade, ele até esperava que ele dissesse algo do gênero. Não como se ele tivesse jogando a culpa em outra pessoa, eles não eram culpados, em verdade.

- Você parecia gostar disso. — Ele sabia que aquela competição a princípio era apenas uma brincadeira entre eles, quando o mundo para ambos, não se resumia a entender em minúcias no que implicava ser o herdeiro, quando o mundo não parecia tão competitivo e ambicioso.

Masato sempre ria quando eles apostavam alguma coisa e ele ganhava ou um empate era o resultado. E Ren chegou a pensar uma vez que ele poderia deixá-lo ganhar se era para vê-lo sorrir.

“Acha que um dia poderemos apostar algo que não seja quem vai inventar a desculpa para estarmos tão sujos de lama após brincar?” Ele perguntou uma vez com os olhos brilhando.

“Talvez”. E Ren sorria do entusiasmo que ele poderia demonstrar quando estavam somente os dois.

- Eu gostava de brincar com você... — Ren comentou distraidamente após soltar um suspiro que poderia ser descrito como cansado, os olhos piscavam de forma um pouco lenta, como se ele estivesse em “modo de flerte”, ou apenas com muito sono.

Hijirikawa fechou a mão como se estivesse prestes a dar um soco em alguém, após estremecer levemente lembrando-se das brincadeiras e das apostas que faziam. Eram lembranças bonitas, mas que podiam machucar.

- Por que você está falando sobre isso agora?

- As coisas mudaram bastante, não é? — Ignorou a pergunta que lhe fora feita enquanto sua mente comparava o passado e o presente em uma tentativa de entender.

Hijiirkawa também não fez qualquer comentário sobre o que Jinguji dissera, ele apenas observou o papel em que tencionava escrever alguma coisa à sua frente na mesa que ficava no centro da sua parte do dormitório, em branco. Talvez fosse uma boa ideia escrever algo relacionado a memórias ou algo do gênero.

“Vamos ver quem faz a maior bola de sabão!”

E dois pequenos globos de cores surgiam e cresciam até que explodissem em milhares de gotículas, enquanto eles lamentavam o fato de não terem conseguido medir e decidir quem fizer a maior delas, mas fechavam os olhos e sorriam da sensação refrescante e suave que os atingia no rosto.

“Vamos tentar de novo!”

- Você... — Começou, incerto se deveria alongar ainda mais aquele assunto. — Realmente sente falta?

- Principalmente quando você age como se nunca tivesse dito que gostava de mim... — Hijirikawa sentiu o rosto esquentar levemente, constrangido com a lembrança a que Ren se referia, de quando eles se encontraram certa vez para tomar um sorvete e Masato deixara escapar o quanto gostava do tempo que passava com Ren, mesmo que não estivesse acostumado a revelar o que sentia para as pessoas.

Ren o observou mexer-se nervosamente e deixou que um sorriso algo malicioso surgisse em seus lábios. Hijirikawa não mudara em absoluto naquele aspecto, aquele comedimento e timidez que o fazia parecer uma criança apática por vezes.

“Ah, você não gosta de sorvete de chocolate?”

“Eu prefiro... sorvete de morango.”

Ren o observou parecer meio constrangido. Ele sabia que era raro alguém não gostar de sorvete de chocolate, mas não o julgou por isso.

“Tudo bem...” Masato o olhou com um pouco de admiração, enquanto Ren sorria-lhe, cúmplice.

“Você é tão legal... E eu... gosto... Realmente gosto de você...”

- Como você disse, as coisas mudaram e não faz sentido ficar lembrando isso agora. — Tentou esconder um pouco do embaraço.

Eram apenas crianças, repetia para si mesmo. Crianças inocentes que pouco entendiam o que acontecia ao seu redor.

- Você diz isso, mas ainda lembra, certo? — E mais uma vez sua pergunta fora ignorada.

Ren ainda o observou começar a escrever algo em um papel, com calma e precisão. Perguntou-se se aquilo era perfeccionismo ou simples excesso de concentração em algo irrelevante para não pensar em algo que o incomodava. Pelo que ele lembrava, Masato poderia ser detalhista, mas essa nunca tinha sido uma regra seguida com tanto afinco quanto naquele momento. Ele aparentava serenidade, mesmo que tivesse demonstrado desconcerto, sinal de que evoluíra com relação ao controle de suas próprias emoções.

Perguntou-se ainda o quanto ele havia mudado e o quanto ainda permanecia igual nele. Sua aparência mudara, claro, mas o que mais?

Aos olhos de alguém que os visse, poderia parecer fácil a convivência entre eles dois, mas ele sabia o quanto era difícil. Talvez justamente por conta de tudo o que surgira entre eles durante todo o tempo em que estiveram distantes.

Conviver em silêncio não era exatamente o problema, como a maioria das pessoas poderia pensar. Poderiam permanecer em silêncio, cada um com seus respectivos pensamentos por horas e não haveria incômodo algum pela falta de conversas e risos. Mas havia tanta coisa a ser dita, tantas palavras depois de tanto tempo, que ficava difícil controlar os próprios pensamentos.

E as barreiras que estavam erguidas entre eles era o maior impedimento para o restabelecimento da harmonia que eles sabiam existir entre eles e que precisava apenas de um pouco de revitalização.

- Você não é tão indiferente quanto quer fazer parecer... — Ren comentou andando em direção ao alvo na parede onde todos os seus dardos estavam fixados, recolhendo-os para voltar a lançá-los em seguida.

Hijirikawa teve sua atenção atraída para os movimentos de Ren quando as palavras dele chegaram-lhe aos ouvidos. Ele esperou pacientemente que algo mais fosse dito, mas nada mais fora pronunciado e então ele pode voltar ao que estava fazendo. Eles voltaram à rotina tranquila que se estabelecera desde que descobriram que dividiriam o mesmo quarto.

Como se nada do que havia sido dito naquela noite tivesse sido capaz de destruir sua paz imperturbável.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Eu particularmente gosto desse capítulo, porque eu pude brincar um pouco com o passado dos personanges e colocá-los para ter um contato direto um com o outro, além de um diálogo.
Bom, mais uma vez desculpem a demora >w
Até qualquer dia,
Dark L. :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.