Realmente pode me ver?

2 Podia e não podia estar aqui!


Notas iniciais
more one!!!

Voávamos bem rápido por cima de casas, prédios, campos congelados, florestas com um cobertor de neve por cima e, sem que eu notasse, me deparei com uma terra coberta por gelo que parecia eterno. Eu tava completamente colada ao garoto-geada, pois só vestia o pijama de frio amarelo de flanela e a fina manta que tive tempo de pegar no guarda roupa de Leo e mesmo assim tava congelando. Tudo tinha sido muito rápido, Jack disse que precisávamos ver um tal de Norte, depois disse que não tínhamos muito tempo e antes que eu pudesse ver o quão encrencada tava nos já sobrevoávamos a cidade adormecida.

Mesmo longe podia ver uma imensa casa no pico de um penhasco com muitas luzes acesas, a aurora boreal brilhava com suas cores lindas por cima da construção. Senti Jack segurar minha cintura com mais firmeza o que me fez olhar para ele, pude ver uma leve coloração rosada em suas bochechas, no entanto, ao olhar para mim seu sorriso e seus olhos exibiam um ar travesso. Ele fala:

–-É melhor se segurar bem e se quiser feche os olhos também. Vamos descer!

E antes que eu pudesse dizer qualquer coisa senti o corpo cair em queda livre, um grito ficou entalado e eu me acheguei o máximo que pude ao corpo dele e escondi o rosto em seu peito. Pude ouvir uma risadinha, mas não tava nem ai, porque eu tava caindo em alta velocidade e então calor e um chão debaixo dos pés. Assim que ele me soltou desmontei no chão respirando pesadamente, o garoto-geada se abaixou rapidamente na minha frente e me abraçou me levando de encontro ao seu ombro, diz:

–-Desculpa... devia ter ido mais devagar. Te assustei né?

–-Quase tive um ataque cardíaco, mas... já... já tive susto piores... alem do mais, você não ia me deixar cair, não é? acrescentei essa ultima parte vendo nos olhos dele puro arrependimento.

Ele sorriu e para meu choque beijou minha testa, se levantou e disse:

–-Claro que não! Agora fica aqui um pouquinho Sarah, vou procurar o Norte.

E lá se foi ele me deixando sozinha em um lugar estranho e encantador, olhando para todos os lados com todas aquelas ferramentas e muitas caixas espalhadas, me sentia na fabrica do papai Noel. Me levantei e fui meio cambaleante me aventurar por ali e logo me deparei com...

–-Homens das neves...sussurei, mas ainda assim eles me ouviram e se viraram para mim.

Antes que eu pudesse me conter soltei uma risadinha infantil e corri para o mais próximo que dava os toques finais em um caminhão de bombeiros, as mãozorras claramente fazendo um bom e delicado trabalho. Este por sua vez se virou inteiramente para mim, ficando de frente com seus incontáveis metros a mais que eu, e ainda com um ímpeto infantil me joguei em seu pelo macio e quente dando risada.

Olhei para cima e vi o que poderia ser um sorriso, ele me puxou de suas pernas, que era o máximo onde eu conseguia alcançar e me aninhou nos braços próximo ao seu rosto. Passei a mão por toda a extensão de seu rosto como uma criança curiosa, podia ouvir um barulhinho vindo dele como se gostasse do que eu tava fazendo, os pelos brancos e macios faziam cosquinhas.

–-MAS QUEM É ELA? FROST VOCÊ A TROUXE?

Uma voz que mais parecia uma trovoada veio de trás de mim e senti quando o ieti me apertou junto ao pescoço, cheirava uma estranha mistura de biscoitos de gengibre e pelo molhado, não conseguia ver nada por causa da gigantesca mão que me segurava, mas podia ouvir passos e a voz de Jack:

–-Norte eu já te expliquei! Ela pode me ver, entendeu! Ela vê a mim, o cara que por tanto tempo nunca mais foi visto desde... deixa pra lá! O que importa é......

–-O QUE IMPORTA É QUE ELA NÃO DEVIA ESTAR AQUI FROST! SERÁ QUE VOCÊ ENTENDEU? PARA OS MORTAIS TEMOS QUE SER APENAS SONHOS E NÃO UMA REALIDADE, PODE SER PERIGOSO PARA A NOSSA EXISTENCIA E, PRINCIPALMENTE, A DELES! E O NOSSO DEVER É DEIXÁ-LOS SEGUROS DE AMEAÇAS E VOCÊ NESSE MOMENTO ESTA FAZENDO O OPOSTO DE PROTEGER, SERÁ QUE SE ESQUECEU DA ULTIMA VEZ QUE TENTOU SE APROXIMAR DE ALGUEM QUE TE VIA?

De repente senti o silencio mortal e dolorido de Jack, como se o tal Norte tivesse lhe contado a pior das verdades e de um jeito desajeitado me arrumei no colo do Senhor Casaco de pele e vi...

–-Papai Noel... o som não saiu dos meus lábios, o choque de ver que ele não era exatamente o bom velhinho tinha me feito ficar muda.

Mas quando vi o garoto-geada meio curvado encontrei minha voz de novo, afinal aquele tal Norte papai Noel que não era o bom velhinho nunca saberia o que é ficar tanto tempo sozinho sem ninguém para se dar conta que você existe, alias nem mesmo eu sabia, mas falei mesmo assim:

–-Escuta aqui o bom velhinho! O Jack me trouxe aqui por dois ótimos motivos, um: o bicho papão apareceu lá em casa e eu vi ele; e dois: acho que ele vai voltar a dar trabalho pra mim! Entendeu senhor Norte? Seu dever é proteger certo? Então faz seu serviço e... me fala uma coisa!me lembrei do que Pitch tinha falado antes de pular a janela O que tem o homem na lua... ou da lua? O cara pesadelo falou dele.

Ele me encara surpreso e meio com medo, como se eu tivesse acabado de contar que uma bomba atômica ia cair ali daqui algumas horas, mas antes que ele pudesse falar algo uma moça muito bonita que parecia um beija-flor.

–-Ho pelo homem na lua o que Sarah Wilson faz aqui? ela pergunta se aproximando de mim e esticando os braços para me pegar.

O homem da neves me entrega gentilmente a ela que assim que me tem nos braços começa a fazer uma inspeção minuciosa dentro da minha boca, enquanto falava:

–-Ah que dentes branquinhos... tão bem cuidados... aposto que seu dentista tem muito orgulho de cuidar da sua saúde bucal... cada centavo por cada dente seu que lhe dei valeu super a pena!

–-Fada acho que você ta assustando ela! Jack apareceu em meu auxilio na hora certa.

–-Acho que ela já esta assustada mais do que o suficiente tendo sido trazida para cá, não acha? do nada aparece um coelho forte e enorme.

–-Aaah o coelho da páscoa!me soltei rapidamente dos braços da mulher passarinho e corri para ele o abraçando.

Ele era o meu personagem fictício favorito e poder abraçá-lo era muito bom, ele cheira a primavera e infância.

–-Hã... oi... oi pequena! olhei para ele e vi que estava sem graça.

–-Sabe... comecei, mas uma luz intensa vindo da parte aberta do teto chamou a intenção de todos.

O coelho me faz largá-lo e me pegando pela mão corre atrás de Norte e dos outros, eu podia sentir Jack a centímetros de mim com se um imã o puxasse para mim. A luz se dissipa antes mesmo de chegarmos perto dela e um homem rechonchudo e que parecia ser feito de pó dourado tinha uma folha nas mãos, era Sandman o portador dos sonhos.

–-O que é isso, Sandy? a fada dos dentes pergunta chegando próximo a ele.

Sandy entrega a folha para ela, parecia pertencer a um livro de historias muito antigo e conforme ela vai lendo mais ainda vai parecendo horrorizada. Norte e o coelhão atrás dela pareciam compartilhar do mesmo sentimento, Jack havia ficado do meu lado segurando minha mão como se algo ruim fosse sair daquilo, apesar de nem termos idéia do que aquela pagina continha. Ate mesmo Sandy ficou protetoramente ao meu lado.

Desde tempos antigos Breu, ou bicho papão, tem um inimigo muito poderoso. É alguém que com simples palavras ou gestos gera risadas, sonhos e esperanças. Destruindo qualquer obra que o outro faça. Mas um dia essa pessoa se apaixonou por um simples mortal e por ter entregado seu coração á essa pessoa se tornou mortal, assim envelhecendo e posteriormente vindo a falecer.

É o mais velho dos guardiões, mas por ser um andarilho por natureza os outros guardiões apenas o conheciam por nome, ele é extremamente poderoso, mas com um coração e alma ingênuos demais. Pode ser uma criatura facilmente irritável e de certo modo influenciável Breu sempre quis influenciá-lo, mas como são lados opostos da mesma moeda isso nunca foi possível.

O amor desse guardião com um mortal gerou um tipo de maldição mesmo que ninguém soubesse ate o ultimo instante: o medo destrói e o amor salva. Esse pesar caiu sobre sua própria família e esse guardião voltaria a nascer para reparar esse erro.

O guardião, na verdade guardiã, é a tecedora de sonhos, a contadora de historias... mamãe ganso...

Quando os três terminam de ler em voz alta olham para mim, senti um frio escorrem pela minha espinha, mais uma vez a luz da lua nos banha e um grande livro desce ate mim, solto a mão de Jack e sem ter certeza o pego. Apesar de ser realmente grande não pesava mais do que um caderno brochura, tinha correias e um cadeado que o fechava fortemente, parecia uma mochila. Vou ate Norte e ofereço o livro, ele apenas abana a cabeça e virando a pagina para mim fala:

–-O livro é seu!

Na pagina me encarando com um sorriso doce e sereno tinha... eu mesma.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.