Realmente (Me Chamam de Rei)

11 EPÍLOGO: A eternidade interrompida


Notas iniciais
Um epiloguinho para fechar o que ficou em aberto (hehehe)

Descemos do cavalo nos limites da floresta que cercavam o temido castelo. Não me lembrava muito bem de sua parte externa, mas só a energia sombria me fazia ter certeza.

— Chegamos.

— Sim, mas e agora?

— Agora a gente entra. Ué.

— Mas… Mas e o monstro?

Afastei as folhagens que ainda me impediam de ver completamente a clareira.

— Aquele monstro? — perguntei, apontando para o que havia sobrado. Ele engoliu em seco. — Não tem mais monstro nenhum, é só entrar.

— Mas… Se alguma coisa foi forte o suficiente para matar o Hebi… Essa coisa é ainda mais perigosa, e só pode estar dentro do castelo.

— Deixa de ser frouxo! Não tem nada disso. Vamos entrar.

Desembainhei a espada e puxei-o pela mão, arrastando-o pela clareira. Passamos pelo monstro, tentando não olhar para as nojentas tripas de fora. A aproximação do tenebroso castelo trazia um pouco de receio, mas eu parei apenas por um momento antes de continuar subindo as escadas.

As dobradiças rangeram quando empurrei a porta pesada. O salão principal estava limpo e iluminado, de forma bem diferente da que eu me lembrava. Havia música e pessoas dançando.

— Quê?

Pisei no pé dele para que ficasse quieto. Felizmente, a música estava alta o suficiente para abafar o rangido, então entramos sem ser notados. Fomos nos esgueirando pelas paredes. Eu não tinha mais nenhum medo, já que não havia motivo. O outro, medroso, continuava tremendo. Ficamos observando a dança, ainda chocados, por algum tempo até sermos notados por meu pai, que imediatamente franziu o cenho.

— Sun?

O Lord Baepsae imediatamente parou de dançar e se virou para nos flagrar também. Ele me dava medo, mas não parecia muito aterrorizante naquele momento. Meu pai deu alguns passos em nossa direção.

— O que veio fazer aqui, meu bem? — perguntou ele, amavelmente, enquanto eu me aproximava correndo para abraçá-lo.

— Pai… — o som saiu abafado, meu rosto estava em seu ombro. Ergui a cabeça para encará-lo. — Eu estava preocupada! O senhor estava tão doente e veio embora de repente… Eu sei que aquela poção estranha o fez melhorar, mas mesmo assim...

Meu pai sorriu delicadamente.

— Não havia com o que se preocupar. Veja, eu estou bem! — ele disse, de forma simples e alegre. Eu sorri.

— Eu percebo. Mas não fazia ideia antes de vir para cá. Achei que pudesse estar em perigo.

Ele riu.

— Bom, acho que vocês já se conhecem, mas deixem-me apresentar formalmente. Sunghee, este é Lord Kim Namjoon, o dono da Morte e do meu coração. Nam, essa é a minha filha, a princesa Kim Sunghee.

Houve um pequeno estranhamento, uma leve hesitação. “Dono do meu coração”, foi isso que eu ouvi? Meu pai estava apaixonado? Pelo cara que me sequestrou? Bom, ele não parecia exatamente o mesmo mascarado apavorante que tinha me aterrorizado alguns dias atrás. Não só ele estava diferente, mas meu pai, o próprio castelo, o clima… Eu conseguia sentir que algo incrível tinha acontecido enquanto eu estivera fora. De qualquer modo, eu confiava em meu pai, então sorri, embora meu choque estivesse visível.

— Prazer — eu disse, me curvando. Eu ri um pouco daquilo, e ele também. Ele parecia tão simpático e amigável, nunca diria que era a mesma pessoa.

— Igualmente, alteza — disse ele, curvando-se respeitosamente. Parecia satisfeito, embora um pouco nervoso.

— Trouxe o Tteok? — meu pai parecia um pouco surpreso, porém feliz. Tteok se aproximou timidamente enquanto sorríamos para ele.

— Majestade — curvou-se ao se aproximar. — Que bom revê-lo em segurança.

— Para com esse negócio de majestade, Tteok. Eu não sou mais rei.

— Como assim não é mais rei? — perguntei, meio chocada. — O senhor… pretende ficar aqui para sempre?

Meu pai suspirou, me observando.

— É mais complexo do que parece, Sunny.

— Mas… Nós precisamos do senhor.

— Não, vocês precisam de um governante. Era para eu estar morto agora, então como as coisas ficariam? Omelas seria governado pela sua mãe, com a ajuda do seu tio, tenho certeza. Não é como se o reino fosse acabar sem mim.

— Eu entendo. É que… Pai, eu entendo que queira ficar aqui, eu só estranho porque eu… Sempre aprendi a colocar o reino acima de minhas próprias vontades.

— Eu fiz isso durante muito tempo. Foi por isso que permiti seu casamento com alguém que nem conhece. Mas… Sunny, pela primeira vez eu amo alguém. Pela primeira vez eu sinto que pertenço a algum lugar. A verdade é que eu nunca fui feliz em Omelas, e agora eu sou.

— Eu quero que o senhor seja feliz. O senhor merece, pai. Sempre deu tudo de si pela felicidade da nossa família. Agora… Chegou a vez do senhor. Eu ficarei feliz por saber que o senhor está realizado. Voltará para casa em meu coração.

— O que vamos fazer? — cochichou Tteok, como se ainda fosse um espião.

— Vamos voltar e dizer que o rei de Omelas está morto. Eles terão que lidar com isso, da mesma forma que teriam que lidar se fosse verdade, e poderia ser.

— E então você vai embora?

Eu parei. Por um momento havia me esquecido. Todo aquele tumulto com o sequestro, a substituição… Tudo aquilo estava apenas adiando algo que eu não poderia evitar por muito mais tempo. Poderia usar o “luto” para adiar o casamento por alguns meses, mas não era a melhor opção no momento.

— Eu preciso. Você sabe que nós precisamos de poder bélico para nos defender dos exilioninos. Essa união é a única coisa que pode nos salvar da destruição.

Eu senti Tteok voltando a criar aquela pequena camada de frieza que tinha colocado antes. O reino podia não ter defesa, mas ele tinha.

— Calma, gente — disse Kim Namjoon, do nada, surpreendentemente chamando nossa atenção. — Poder bélico. Acho que… — ele segurou os ombros do meu pai. — Nós temos poder bélico, bae.

— Aigoo, é verdade! Eu não tinha pensado nisso!

— Gente? O que houve? — perguntei, confusa.

— Sunny, não case com Yugyeom — disse meu pai, alarmado. — Nós temos outra solução.

— O quê, vocês têm um exército? Espero que aqueles dois rapazes não sejam o que vocês chamam de exército.

— Hoseok e Taehyung já devem estar a uma boa distância daqui — garantiu Namjoon. — Os mandei esperar que Hebi me devorassem antes que pudessem colocar Jin Hyung na carroça e depois fugir para outro reino.

— Espera… O senhor foi devorado por Hebi?

— Devorado não — corrigiu meu pai, sorridente. — Engolido.

— Engraçadinho. É isso aí. E o seu pai matou o Hebi e me tirou de dentro dele.

— Eu não tô crendo — eu disse, abismada. — Está dizendo que meu pai lhe salvou?

— Aigoo, parece até que não sou capaz de tal feito.

Eu ri.

— Não duvido, meu pai, estou apenas surpresa. Mas voltem ao assunto, que poder bélico é esse?

Namjoon sorriu.

— Vossa alteza não tem nada contra monstros, tem?

Notas finais
(hihi) Bom, foi isso. Gente, espero que tenham gostado dessa história curtinha, não deixem de comentar o que acharam. Caso queiram, podem recomendar também. Obrigada por terem acompanhado até aqui!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!