Really Love
7 Capítulo 7
Cobra discou o número escrito no papel e pôs o telefone no ouvido. Jade, que esperava ansiosamente o dia inteiro por essa ligação, levantou — se da cama rapidamente para pegar o celular.
– Alô... — Jade atendeu, mais não obteve resposta. — Oi? Tem alguém aí? Alô! — Insistiu a garota, que desligou o telefone logo depois. — Que estranho. Será que era ele?
O lutador largou o telefone e sentou — se no sofá pensativo. Ainda não tinha coragem de falar com a bailarina, porém ouvir sua voz o deixou feliz. Desligou a televisão e foi para o quarto. Passou horas acordado olhando para o teto, não estava conseguindo dormir. Já era tarde quando o rapaz adormeceu. Jade estava deitada em sua cama com um sorriso no rosto, tinha certeza que era Cobra que havia ligado. "Ele ainda gosta de mim..." pensou.
No dia seguinte, Jade não tinha aula na companhia de dança. Acordou e foi tomar café da manhã.
– Bom dia Sara! — Jade ainda estava de camisola, e sentou — se.
– Bom dia. — Sara sorriu. — Sua mãe ligou hoje cedo.
– O que ela queria? — Jade disse sem ao menos olhar para a mulher, estava concentrada em colocar o café na xícara.
– Ela perguntou como você estava e... — Sara pausou. — Pediu pra eu ficar de olho em você, porque o tal Ricardo está aqui.
Jade parou o que estava fazendo e a encarou.
– Você não disse que eu já encontrei ele, né? — Jade estava com medo da resposta.
– Claro que não! — Jade ficou aliviada. — Mais eu acho que ela devia saber. Jade eu tenho que cuidar de você! Não posso mentir para a Lucrécia.
– Sara por favor! — A expressão de Jade era de preocupação. — É capaz de ela me obrigar a voltar para o Brasil...
– Jade, se ela descobrir vai ser pior!
– Ela não vai descobrir. Por favor. Eu amo o Cobra! A vida está dando uma nova chance para nós dois.
– Tudo bem... — Sara levantou — se da mesa e pegou a bolsa. — Tenho que ir! Tchau. — A mulher beijou a testa da bailarina.
– Tchau. — Jade observou a mulher indo até a porta. — Obrigada... — Sara respondeu com um sorriso.
Enquanto isso, Cobra treinava pesado na nova academia. No segundo dia de treino, o rapaz já estava ganhando um certo destaque, despertando a inveja de alguns veteranos. Ao ouvir provocações de um dos colegas de treino, lembrou — se de quando entrou na academia de Gael. Implicava com Duca, se metia em confusão com todos os alunos, daquela vez seria diferente. Cobra decidiu ignorar completamente o rapaz, que falava um português enrolado. Daquela vez ele queria fazer tudo certo.
Jade assistia televisão. Estava aproveitando ao máximo o dia de folga, já que ensaiava até aos domingos. Ouviu o telefone da casa tocar e o atendeu.
– Alô.
– Mãe? — Disse a pessoa.
– Aqui é Jade Gardel. Quem está falando?
– É... Eu gostaria de falar com a Sara. O meu nome é... — A pessoa pausou. — Bom, ela está aí? É importante.
– Não... Ela saiu. — Jade olhou o relógio. — Acho que não demora a voltar! Quer deixar recado?
– Não precisa, eu ligo depois. — A pessoa desligou o telefone.
– Tchau pra você também! — Jade sentou — se novamente no sofá. A curiosidade lhe atormentava.
Já era noite, Duca estava indo com Cobra até ao apartamento do rapaz. Os dois andavam a pé pelas ruas da cidade. O silêncio reinava, quando Duca resolveu quebra — lo.
– E aí? Ligou pra ela? — Perguntou.
– Ela quem? — Cobra andava olhando para o chão.
– Cobrinha... — Duca sorriu. — Não se faça de desentendido! A Jade cara!
– Ah sim... Não liguei não. — Mentiu.
– Por que? — Duca parou de andar de repente. -
– Porque a gente não tem nada pra conversar! A Jade é passado.... Um passado que eu já esqueci. — Cobra virou — se e continuou andando.
"Idiota" pensou Duca.
Sara chegou no apartamento e Jade saiu correndo do quarto em direção a sala.
– O que houve? — Perguntou Sara.
– Um mulher ligou... Acho que é a sua filha.
– Minha filha? — Sara sentou — se assustada. — Não é possível. Tem certeza que era ela?
– Tenho! Quando eu atendi o telefone ela falou mãe. Depois perguntou por você! Disse que era importante, e não quis dizer o nome.
– Nossa... — Sara sorriu surpresa. — Ela deixou número, alguma coisa?
– Não. Ela disse que ligava depois! — Jade levantou — se. — Boa noite! Vou dormir que amanhã tem ensaio cedo. Beijos!
– Beijos! — Jade saiu deixando uma Sara pensativa. Minutos depois a mulher caiu no choro.
Duas semanas depois...
Chegou o grande dia, o dia mais importante para Jade. Já havia se apresentado várias vezes desde que se mudara do Brasil, mais aquela era a primeira apresentação como protagonista. Desde aquela noite, a mulher que se dizia filha de Sara nunca mais havia ligado, talvez desistiu de falar com a mãe. Cobra continuava com seus treinos, havia ligado novamente para Jade, mais não falou com a garota, apenas ouviu sua voz. Nunca tirou Jade da cabeça, assim como ela, que não parava de pensar no rapaz.
A vontade de Jade era ir atrás de Cobra, e explicar tudo o que havia acontecido dois anos atrás, porém estava muito ocupada com a apresentação. Jade estava extremamente nervosa, seu coração estava acelerado e não havia dormido a noite inteira.
– Jade, se acalma! Você está muito nervosa. — A professora tentava acalmar a aluna, na tarde do último ensaio. — Acredite... Vai dar tudo certo!
– Vai... — Jade respondeu.
– Isso... Pense positivo! Agora vamos passar a coreografia!
Naquele dia, Cobra treinara apenas pela manhã. Estava indo para o apartamento, quando colocou as mãos no bolso e sentiu um papel. Tirou o mesmo do bolso e o desamassou. Olhou para o ingresso que Jade havia dado a Duca junto com o seu telefone. Viu a data do espetáculo e arregalou os olhos quando viu. Sempre quis ver Jade brilhando no palco, e aquela era a oportunidade. Guardou o ingresso no bolso e depois de tanto pensar, estava decidido em ir naquele espetáculo.
Faltava exatamente quatro horas para a apresentação. Jade foi para casa descansar.
– Olha quem chegou! — Sara estava animada. — Hoje é o seu grande dia!
– É... — Jade aparentava nervosismo. — Não dormi nada esta noite, não está nem na hora da apresentação e já estou me tremendo. Ai Sara! Estou morrendo de medo!
– Não precisa ter medo! Você é talentosa, dedicada... Vai dar tudo certo! Vou estar lá na plateia, te mandando energia positiva. Orando por você! — Jade sorriu emocionada. — Agora vai descansar! E Tenta dormir um pouco...
Jade se dirigiu até o quarto. Estava nervosa por causa da apresentação, mais também não parava de pensar em Cobra. "Será se ele vai estar lá?" pensou.
Já estava quase na hora, e o nervosismo de Jade só aumentava. A garota se arrumava no camarim e quase não escutava a bagunça dos outros colegas. Faltava poucos minutos para entrarem no palco, quando o grupo fez uma oração.
Havia várias pessoas na plateia. Cobra entrou no local e sentou — se no meio. Estava ansioso para ver Jade no palco. Apesar de tudo, estava feliz por ela, o amor que ele sentia era maior do que a raiva de achar que ela havia o deixado.
Jade ficou sozinha no camarim, se olhava no espelho tentando conter o nervosismo. "Você vai conseguir Jade!".
– Claro que vai. — Alguém entrou no local e Jade virou — se imediatamente.
– Mãe? — A garota estava surpresa.
Fale com o autor