Notas iniciais
Esse capitulo é um flashback... Espero que gostem!

A noite era fria, e ela estava se preparando para deitar-se quando as cortinas da janela do quarto trepidaram e foram afastadas com força, Ema sobressaltou-se e ameaçou gritar, porém a figura que se materializou em sua frente era conhecida.

— Será que dá para pelo menos uma vez na vida ser um cavalheiro normal e decente e se apresentar pela porta? — ralhou ela, com as mãos no peito enquanto puxava o ar com força tentando acalmar-se do susto.

— Esse Hotel só tem gente engomadinha, acha mesmo que iam me deixar entrar nesses trajes? — perguntou-lhe Ernesto apontando para suas próprias roupas.

— Poderia ter vestido-se melhor! — ela respondeu petulante. — Ou apenas ter pedido para algum funcionário me avisar de sua presença e eu autorizaria sua passagem.

Ernesto suspirou revirando os olhos.

— Preferi ganhar tempo e continuar sendo eu mesmo! Um reles ajudante de bar! — ele abriu os braços em seguida fazendo uma exagerada reverencia.

— E o que o nobre "reles ajudante de bar" veio fazer aqui? No meu quarto? Há está hora? – semicerrou os olhos para ele.

— Vim desejar-lhe meus mais sinceros votos de felicidade!

— O que?

— Para o seu casamento!

— Que é amanhã! – informou, achando que ele tinha confundido as datas de alguma maneira.

— Mas, que eu não poderei comparecer!

— O que? Você não irá? – o desapontamento alcançou sua voz tanto quanto ela sabia ter alcançado seus olhos.

Ernesto baixou os olhos, brincando com sua boina nas mãos.

— Pode não parecer, mas eu não sou dado a atos masoquista, baronesinha! — ele a olhou. — Por isso é aqui que me despeço, e lhe desejo toda felicidade do mundo, você merece!

Ela abriu a boca, mas por alguns segundos não emitiu som algum.

— E-ernesto! E-eu...

— Não precisa dizer nada, só aceite meus cumprimentos e... diga que ficará bem! — os olhos dele eram tristes, embora ele ensaiasse um sorriso. Ema sentiu o coração diminuir, como se um peso enorme tivesse se posto em cima e ele a muito custo tentasse suportar.

— E-eu não queria... Não queria...

— Não queria o que? — ele perguntou com os olhos cravados nos seus, a esperança perpassando por eles nitidamente. — Não queria o que?

— Que as coisas ficassem assim... Que...

— Não queria? — ele aproximou-se sem desviar os olhos do dela. — Então por que está fazendo? A decisão só depende de você, baronesinha!

— Não! — ela apenas conseguiu sussurrar, era constrangedor admitir que ele ainda a intimidava. — Existem muitas questões envolvidas e...

— E? — ele estava próximo demais, não a estava deixando pensar.

Desviou o olhar do dele e saiu de seu alcance.

— E nem sempre as coisas são como... como achamos que deveria ser.

Ernesto franziu o cenho para ela.

— É a sua vida! Não é mais criança, então só a senhorita pode decidir.

— Não é bem assim — ela a todo custo fugia dos olhos dele, fugia do alcance das mãos dele, andando de um lado para o outro do recinto, ficando exasperada.

— Ema! — ele disse e ela estancou, sentiu um solavanco no peito, raramente chamava-a pelo nome, então quando o fazia aquilo a aquecia instantaneamente. Ernesto aproximou-se, lhe puxou pelos braços a colocando de frente para ele. — Olhe para mim! — ele esperou, e depois de alguns segundos ela atendeu, seus olhos estavam rasos e ela viu na face dele a evidente pergunta: “Por que?” – Baronesinha... — sua voz era doce. — Se o ama, se o ama de verdade, eu não falarei nada... ou melhor, por mais que doa em mim, direi para seguir em frente, direi que será feliz ao lado dele e direi, com sinceridade, que torcerei pelo resto da minha vida por sua felicidade. — as lágrimas de Ema escorreram, Ernesto, porém já tinha a intimidade com aquelas gotinhas salgadas, enxugou-as delicadamente. — Mas, se não o ama da maneira que deveria, como eu vejo nos seus olhos... — a voz dele embargou. — Não faça isso! Não precisa ficar comigo, sei que somos incompatíveis em muitos sentidos, e não é isso que estou lhe pedindo — ele pigarreou, os olhos também embaçando. — Estou pedindo apenas para lutar pela sua felicidade. Não por convenções, não por um conforto que daqui a pouco tempo lhe trará o maior amargor que lhe acompanhará para o resto de seus dias. — as lágrimas dela caíram novamente, e ela viu compaixão na face dele, beirava a pena. — Não faça isso, Ema! Você não o ama!

— O senhor não tem como saber o que eu sinto? — ela se odiou, pois sua voz saiu miseravelmente suplicante, embargada pelo choro.

Ernesto quase sorriu da ingenuidade dela, mais uma vez enxugando as lágrimas que caiam em seu rosto.

— Eu sei! Eu vejo, eu sempre vi, mas quando você negava... eu era orgulhoso o suficiente para acreditar no que a senhorita dizia e ignorar o que via em você, em seus olhos. — enquanto falava ele lhe acariciava a bochecha e ela fechava os olhos em deleite aquele toque que tanto ansiava desde que o sentira pela primeira vez. — Você não o ama! Não é isso que sente quando está com ele. — ele via o colo dela subir e descer fortemente, denunciando sua busca por ar. — Não fique comigo, é um direito seu. Mas, não case com ele!

Ernesto a soltou a custo precisava fazê-la entender. Ema quase tombou para frente com a falta do toque. Tentou recuperar-se de seu estado entorpecente, apesar das pernas bambearem, engoliu seco e aprumou-se, porém o desespero lhe correu nas veias misturada com a paixão que sentia por ele.

— O senhor não entende! Nunca vai entender porque não tem compromisso com o dever! — ela exasperou-se novamente.

— Dever? — ele se frustrou. — Realmente não tenho! Tenho compromisso com a felicidade.

— Não importa o que isso lhe custe?

— Ema...

— Além de tudo, Jorge é meu amigo — ela voltou a andar de um lado para outro do quarto. — Como poderei não ser feliz ao lado dele? A vida não é apenas desejos e vontades e... Também é calma, mansidão! E é o que eu quero para mim — ela o olhou. — Uma vida calma e serena, não uma eterna aventura. Quero dar uma velhice calma e confortável a meu avô, quero ver meu pai envelhecer com dignidade... Isso me trará felicidade! Sim, isso me fará feliz!

— Você não pode carregar a carga pelas escolhas de seu avô ou de seu pai. — ele insistiu. — Eles tiveram a vida deles, a oportunidade de escolher...

— Eu não vou ser egoísta a esse ponto. – interrompeu-o ela. — O que tenho a minha frente é mais do que eu poderia querer. Muitas jovens casam-se com homens asquerosos em prol de salvar sua família da ruína, a vida colocou Jorge em meu caminho, um amigo a quem tenho muita estima, um homem bondoso e que acima de tudo me ama. Não tem o que pensar! Está decidido. — ela não mais o olhava, parecia falar mais para ela que para o italiano, parecia querer escrever aquilo em sua mente a brasa se fora preciso. — Não me atormente mais, Ernesto. Não me atormente mais! — ela parou de andar, sentou-se na cama, levando às mãos a cabeça em sinal de desespero.

Ernesto então percebeu que não adiantava, que insistir só pioraria a situação. A faria inquieta, a faria senti-se mal em uma batalha árdua entre a razão e a emoção. Ele não queria que ela sofresse, então se ela realmente achava que aquela decisão uma hora a ia fazer feliz, que assim fosse. Oraria pela felicidade dela. Por mais que aquilo lhe deixasse em pedaços, seu amor não era egoísta. Ema tinha uma escolha, e ele tão fã da liberdade, não podia negar a ela seu direito de escolher.

— Está bem, então! — disse ele por fim, vencido. Aproximou-se dela, acocorou-se a seus pés e delicadamente lhe puxou o rosto para que ela o olhasse. — Eu entendo. Então faço o que vim fazer aqui desde o principio. Lhe desejo sinceras felicidades, de todo meu coração. — ele lhe tentou sorrir. — Só lhe digo para nunca, absolutamente nunca duvidar de si mesma! É mais forte do que pensa, baronesinha! — dito isso se aproximou e beijou-lhe delicadamente a bochecha e com uma sutileza e familiaridade incrível, tocou de leve seus lábios no dela, tão leve que Ema sentiu como simplesmente um sopro quente a aquecendo e a arrepiando ao mesmo tempo. Com um último carinho em seus cabelos solto ele afastou-se e saiu janela a fora, deixando-a ali, com o coração nas mãos e o gosto dos lábios dele nos seus, que ela esperava que durasse ali para sempre.

Notas finais
Finalmente nosso Erma em ação!!! Espero ter alcançado o casal! Gente, me deixem saber o que estão achando hein! Beijos! PS.: Capitulo especialmente postado para o grupo ERMA SQUAD.