Realidade Insana

1 Única verdade?


Notas iniciais
Essa história é uma das mais diferentes que já escrevi.
Ela era pra ser uma saga, mas a inspiração me abandonou, então resolvi não deixar ela guardada e enfim, depois de anos posta-lá.

— Você é o príncipe herdeiro do planeta Star. Você foi mandado para o planeta Terra para se refugiar da grande guerra. A sua aura verde foi o que me fez te encontrar! Eu vou te ajudar! Vou te ajudar a voltar para casa! — Ela me dizia isso com o olhar mais brilhoso e inocente possível, mas... O que essa louca está dizendo?

Ok! Vamos começar isso por onde deve ser começado, o começo! Me chamo Marvin, tenho 19 anos, claro que moro com meus pais, mas já estou cansado de ouvir suas reclamações, então resolvi entrar em um curso aqui da minha pequena cidade rural.

Até ai pensei que tudo seria normal e pacato, como tudo que envolve minha vida sempre tem sido. Não que eu desgoste dessa situação, pelo contrario, adoro a vida calma e despreocupada que levo, tento ao máximo não me prender a nada e muito menos a ninguém.

Mas para minha surpresa – e desespero – o inesperado acabou me pegando desprevenido. Sim, no meu primeiro dia de aula no curso de desenho, algo estranhamente estranho aconteceu. Sempre achei que humanos eram todos iguais, que criaturas anormais não existiam na vida real, mas eu estava enganado, eu conheci uma alien!

Cabelos cor de ferrugem, totalmente desgrenhados, roupas que – aquilo são roupas? – mais pareciam terem saído de um circo, ou seja lá onde for que tenha um vestuário tão esquisito. Quem usaria meia por cima da calça? Ainda mais cada meia com um tamanho, cores e formas diferentes... Mas o que? Aquela criatura usava antenas! Aqueles arcos de carnaval com anteninhas verdes... Esse ser realmente existia ou eu estava tendo uma visão?

Para minha sorte – ou azar – aquele ser realmente estava lá, pois todos os outros estudantes a olhavam. Olhavam com olhares atravessados, aposto que eles tiveram os mesmos pensamentos que eu. Mas... O que essa criatura fazia se sentando na minha frente? Com tantos lugares sobrando, logo na MINHA frente?

Quando o professor entrou pensei que ele diria que temos um aluno com deficiência mental, ou com algum problema – pois era a única explicação possível para a presença daquele ser ali – mas ele não disse nada, comecei a ficar preocupado. A salvação, pensei comigo, seria a apresentação. Sim! A apresentação dos alunos. O ser se apresentando diria que é ator de circo ou alguma outra coisa lógica. Com certeza tudo seria esclarecido dentro da lógica.

Como fui tolo...

No momento que chegou a apresentação da criatura não identificada, ela se levantou, subiu na cadeira, estendeu os braços para frente, apontando com os indicadores para cima.

— Sou Dayla, tenho 2.300 anos, na idade terrestre tenho 17. Venho do planeta Star. Vim á Terra para resgatar meu príncipe perdido!

Eu realmente estava sóbrio? Aquilo foi demais para minha mente, naquele momento tive certeza que aquela criatura realmente era débil mental!

Meus dias normais tinham acabado. Sim graças aquela criatura. Nos dias seguintes ainda eu pensava que ela seria alguma personalidade que a escola colocou para mexer com nossas mentes, mas... O ser realmente era uma aluna normal – se assim posso dizer -, ela realmente não tinha ligação com a escola, pois o professor tentava ao máximo não dar atenção para aquela criatura, na verdade todos tentavam ignorá-la. Inclusive eu!

Eu não queria me envolver com aquilo. Era demais para minha mente só estar no mesmo ambiente que aquele ser. Mas para meu desespero a criatura falou comigo. Aquilo realmente falou comigo!

— Sua aura é verde. Eu posso ver através de você. — Como eu conseguiria ignorar o ser sentado na minha frente, olhando para mim e falando tamanha asneira? Pois eu tentei, peguei minha prancheta levantei para meu rosto ficar escondido e continuei – com dificuldade – desenhando.

— Eu sei quem você é de verdade. Você pode não se lembrar, mas eu vou te ajudar. — Aquela criatura não conseguia notar que eu não queria papo com ela?

Felizmente o sinal do intervalo tocou. E eu sai rapidamente para fugir da criatura. Que papo era aquele? De quem eu sou? De eu não lembrar? De me ajudar? Comecei a ficar confuso, então preferi não pensar muito nas palavras do ser, era demais para minha mente.

Procurei o lugar mais calmo para continuar meu desenho, acabei indo parar na arquibancada do mini estádio de futebol vazio. Silencio. Uma coisa que tanto gosto, pude apreciar por alguns – míseros – instantes, pois o ser brotou na minha frente como num passe de mágica.

— Meu senhor da aura verde por que foges de mim? — Ela realmente precisava que eu respondesse a essa pergunta? Novamente continuei calado, apenas desenhando, desenhando para não ouvir a criatura.

— Meu senhor seus desenhos são realmente intrigantes. O que são essas bolhas coloridas que saem da sua folha? — A criatura continuava me atormentando. Será que era pedir muito um pouco de paz? Mas... Bolhas! Bolhas coloridas saindo da minha folha! Sim! Realmente tinha bolhas coloridas que flutuavam saindo da minha folha. Mas o que...?

— Ah, agora entendi meu senhor. Essas são bolhuns, você depositou magia de Starciuns no seu desenho. — A criatura sentando do meu lado se aproximou de mim para olhar meu desenho... Do que ela estava falando? O que diabos são “bolhuns” e “Starciuns”? E essas bolhas? Eu só podia estar atormentado. Será que meus pais tinham colocado alucinógenos no meu suco do café da manhã?

— Ora, é verdade! O senhor ainda não se lembra da magia de Starciuns. Como fui tola. Perdoe-me senhor da aura verde. — Por que ela falava essas coisas me olhando com esses olhos esverdeados, vidrados e anormais? O que essa criatura queria de mim? “Qualé” dessas bolhas? Será que eu estava brisado e não notei?

Ah! Já sei! Tudo isso só poderia ser um sonho, tinha que ser um sonho! Pois quando eu a olhei diretamente nos olhos, vi o resto do campo da minha visão ficar tudo cor de rosa. Bolhas flutuavam por ai. O mini estádio ficou amolecido, com uma espessura gosmenta e escorregadia revestida. Senti a arquibancada se mexendo.

A criatura me puxou para ela. — Venha meu senhor! Vou te levar para minha casa, o pequeno planeta Nepi. — Vi tudo a minha volta girar tão rápido que senti meu corpo se partindo. Quando me dei conta eu estava em um lugar inacreditável!

Um planeta, um planeta muito pequeno! Sim, eu poderia dar a volta nele com poucos minutos de caminhada. Isso era irracional! Nele havia uma casa redonda, com janelas redondas, parecia uma bola toda colorida socada na areia. Não tinha céu, se via o espaço, escuro, mas cheio de brilhos distantes!

— Esse é o pequeno planeta onde moro, o planeta Nepi. Minha casa é pequena comparada com a grandeza que o senhor merece, mas... Sinta-se a vontade meu senhor.

Eu honestamente não sabia o que pensar... Mas o que era tudo aquilo? Eu sentia minha cabeça rachando... Não tinha como tudo isso entrar na minha mente. Isso tudo é loucura! Isso foge da lógica racional!

E agora me deparo em um planeta estranho – e minúsculo – chamado Nepi. Junto de uma criatura esquisita que diz ser uma alien...

— Você é o príncipe herdeiro do planeta Star. Você foi mandado para o planeta Terra para se refugiar da grande guerra. A sua aura verde foi o que me fez te encontrar! Eu vou te ajudar! Vou te ajudar a voltar para casa! — Ela me dizia isso com o olhar mais brilhoso e inocente possível, mas... O que essa louca está dizendo?

Eu não sei o que fazer... Mas tenho duas opções de escolha: Finjo que estou sonhando e me mudo de cidade? Ou entro em contato com esse ser...?

Não tem como eu fingir que nada aconteceu, pois já está registrada no meu cérebro toda essa asneira. Creio que dificilmente conseguirei apagar essas lembranças... Mas sinto que se eu criar um primeiro contato com essa criatura não terei mais volta... Tenho que escolher... Sei que vou me arrepender no futuro, mas...

— O-o que realmente está acontecendo aqui? Isso tudo realmente é real? — Não acredito que entrei em contato com a criatura.

— Oh! Meu senhor pode falar! — Não me diga que essa demente achou que eu era mudo.

— Meu senhor, o que o senhor acredita ser real?

— Que pergunta óbvia! Real é o que condiz com a lógica imposta.

A criatura chegou bem próxima de mim, e novamente me fitou com os olhos verdes fissurados. — Quem impôs essa sua lógica?

— Ora, claro que foi... — Espera! Quem impôs essa lógica?

— Meu senhor o real não existe! Pois cada um faz o seu próprio real. Isso é bem pessoal.

— A ciência humana e todo o aprendizado nos provam o que é realmente a lógica do real.

— E como ela prova que está realmente certa? Simplesmente por levar em consideração o que bem se quer?

O que essa criatura está querendo?

— Foi você mesma que disse que é o que se quer.

— Meu senhor, eu disse que o real cada um faz o seu, mas provar estar certa é outra história. A certeza é absoluta, já o real depende de um planeta, de uma população ou de uma própria pessoa.

— Então você está querendo me dizer que isso tudo pode ser e pode não ser real? Para você é real, mas se eu disser que isso é apenas um sonho, será apenas um sonho?

— Se meu senhor acreditar que isso é o real!

— Isso tudo não faz sentido! — Não tem como fazer sentindo, essa criatura está querendo me confundir! Aposto que ela é só parte da minha alucinação.

— Fazer ou não fazer sentido, não muda o fato de que você é o príncipe herdeiro de Stars.

— Eu não sou príncipe de nada. Sou apenas um cara normal, com uma vida calma e sem graça. Não estou interessado em coisas sem noção, sendo elas verídicas ou não.

— Eu entendo meu senhor, é tudo muito confuso para você ainda, sua memória não voltou. Não se preocupe. Te darei essa chave, você poderá entrar nesse planeta quando quiser, é só usar a chave que o portal se abrirá a qualquer hora e a qualquer lugar.

— Eu não quero droga de chave nenhuma, eu só quero voltar para... — A criatura puxou meu braço direito e abriu minha mão a força. Ela virou a palma da minha mão para cima e pegou a chave. Colou a chave em pé em cima da minha mão. Surgiram uns clarões esverdeados e uma dor intensa na palma da minha mão me dominou. Eu gritei de dor e agonia, a sensação é horrível.

Essa criatura esquisita, o que fez com minha mão? Dói tanto! Que droga, meus olhos estão até lacrimejantes.

— Por enquanto você pode ir meu senhor. — Ela faz umas poses estranhas e abre um circulo colorido no ar. Parece uma poça de gosma colorida. Pelo jeito terei que entrar nisso para voltar a minha realidade... Horripilante!

“Meu senhor”, essa frase já está me irritando. Esse ser é muito irritante.

— Chega dessa droga de “meu senhor”! Meu nome é Marvin e eu exijo ser chamado de Marvin! — Gritei isso para a criatura, e ela arregalou mais ainda os olhos esverdeados, que pareciam que ia saltar para fora do seu rosto. E ficou me olhando igual a uma demente.

Então pulei na gosma! O que mais quero é voltar para minha vida e isso tudo ser só um sonho – pesadelo –, chega dessa loucura toda.

Mas que estranho acabei de ouvir o sinal tocando... Mas o que estou fazendo sentado aqui? Estou no meu lugar, na sala de aula. Esse sinal será que foi a volta do intervalo?

Todos entram na sala e voltam para seus lugares, o professor também volta, e a aula continua normal, mas... Tem algo errado! Cadê a criatura? Ela não está aqui! Ela tinha um monte de coisas estranhas na mesa, mas o lugar dela agora está vazio... Ninguém parece que percebeu...

Será que eu realmente estava sonhando? Não acredito que meus pais colocaram alucinógenos no meu suco!

Notas finais
E foi isso, obrigada por ler!
Quem sabe um dia eu volte com muitos capítulos para essa história!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!