Realidade Alternativa
1 Capítulo 1
Numa noite de tempestade Felipa olhava tristemente para fora do seu quarto através de uma janela escura, que se tornava ainda mais escura combinando com o céu que jorrava raios e trovões demonstrando seu poder.
- Felipa! Vamos menina, desça! O jantar já está na mesa, e tem séculos que estou te chamando!
Felipa desce ainda meio desatenta, estava com a cabeça no mundo da lua se me permitem a expressão. A mesa de jantar estava lindíssima, muito bem posta e com diferentes aperitivos que pareciam deliciosos aos olhos de qualquer um, exceto Felipa.
- Me recuso a comer mamãe. Não estou com fome agora. Talvez mais tarde... Quem sabe...
- Vai acabar morrendo de tão magra menina! Nunca estás com fome? Oque andas aprontando?
- Nada mamãe, deixe-me ir, quero voltar ao meu quarto.
A mãe assentiu com a cabeça, já não sabia mais oque fazer com sua filha que andava assim diferente há algum tempo. Felipa chegou a seu quarto, olhou-se no espelho, estava mesmo magra, e com olheiras profundas, encarou sua imagem refletida por um tempo, e jogou-se na cama com ar de decepção. Ela já não sabia oque sentir, levava a vida como o mar leva algo em suas ondas, simplesmente não a interessava mais o que iria acontecer no final. Ela virou-se para a cabeceira da cama, onde seu notebook estava aberto, e onde nele a sua paixão de escola havia acabado de entrar em uma das muitas redes sociais que possuía. Com um suspiro profundo, uma lagrima escorre de seu rosto, e ela diz com um meio sorriso:
- Seja bem vindo a minha vida, só não quebre meu coração em dois como já foi feito por vários, estou te dando uma chance de me mostrar que é diferente, aproveite.
Após pronunciar essas palavras pegou seu diário e começou a escrever seus planos impossíveis, sonhos improváveis e historias que gostava de inventar. Ao acabar, Felipa começou a reler suas antigas historias, e com um olhar de saudade e melancolia guardou o diário embaixo da cama, afinal ali naquele diário, é o único lugar onde ela realmente pode ter privacidade.
- Felipa! Sua idiota! Venha cá agora mesmo! –gritou a irmã mais velha de Felipa, a Mel.
Felipa levanta de sua cama assustada, desce as escadas correndo, sem entender o porquê de tanta gritaria naquela casa. O nome da irmã da Felipa é Mel, mas a Felipa bem sabe que de doce ela não tem nada, só que de tanto conviver com a irmã, acabou acostumando-se com todas as situações criadas por ela para supostamente infernizar sua vida.
- Oque foi Mal? Quis dizer, Mel?
- Ah, não venha com brincadeiras, você sabe muito bem o que é! Você roubou meu sapato da Gucci, você roubou sua vaca!
Felipa revira os olhos pensando como poderia ter uma irmã assim tão fútil, ela não estava nem ai pra qual era a marca do sapato, e respondeu com pequenas palavras olhando nos olhos da irmã:
- Você os emprestou pra sua melhor amiga na festa passada Melissa, não consegues lembrar nada que não sejam marcas ou modelos?
Ao perceber que Felipa tinha razão, Melissa saiu enfurecida bufando escada acima por ter que montar um novo visual agora. Felipa sabia que mesmo com apenas quinze anos, tem muito mais consciência em todos os sentidos em apenas um fio de seu cabelo, do que sua irmã de dezoito tinha na cabeça inteira. Felipa subiu novamente para seu quarto, imaginando o dia seguinte, naquela mesma escola, sonhando acordada com seu possível príncipe. Estava distraída, quando recebeu uma ligação, era Kelly, sua melhor amiga.
- Amiga? E ai tudo bem?
-Sim, e com você Kehl?
Kelly havia notado que Felipa não estava bem pela sua voz, conhecia a melhor amiga como a palma de sua própria mão, talvez até mais.
- Não, você não está nada bem, pode me dizer o que está acontecendo? Eu conheço sua voz Lia!
Felipa realmente não estava se sentindo bem naquele dia, algo estava perturbando sua mente, algo que nem ela sabia exatamente o que era.
- Ah, não é nada não Kelly! Você se preocupa demais! Vá dormir! Tchau!
Felipa desligou o telefone com raiva, mas depois ficou com raiva pelo que fizera com a amiga, não queria magoa-la, estava apenas se sentindo mal e queria um pouco de paz. Felipa desligou as luzes do quarto, e acendeu uma pequena lanterna, se escondeu embaixo do cobertor, e pegou seu livro favorito pra ler, “Para sempre os imortais”. Ela gostava da serie inteira, mas o primeiro livro seria sempre seu favorito. As horas se passaram rapidamente, e por volta digamos das três da manhã, Felipa ouviu um barulho, imaginou cenas estranhas, ouviu gritos e vozes. Seria Mel e seu namorado que haviam chegado? Depois de um tempo com essa duvida e ainda a ouvir as estranhezas, desmaiou com a lanterna e o livro na mão. Ao acordar às nove horas da manhã, percebeu que seu despertador não havia tocado, e que estava muito atrasada para escola. Enquanto se arrumava sentiu um estranho calafrio percorrer seu corpo e um cheiro doce pairando no ar, sua cabeça começou a doer de repente e as memorias da noite vieram à mente. O que seria tudo aquilo ela se perguntava? Havia realmente enlouquecido depois de todo esse tempo? Já havia passado por tanta coisa, não seria agora que resolveria enlouquecer... Ou seria? Vestiu-se rápido, tentando chegar a tempo para o terceiro período, montou em sua bicicleta e foi pedalando, a escola não era muito longe. Chegou à escola e foi mandada direta a sala da diretora, já havia se atrasado muito durante o semestre, corria risco de perder o ano. A conversa foi rápida, aquilo meio que já havia virado rotina.
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