Realidade

1 Capítulo Único


Rogério estava indo sem pressa para o trabalho. Corria com o carro acima da velocidade permitida, ao som bem alto de Guns N' Roses que estremecia as ruas da pequena cidade onde morava. Ele estava indo para outra cidade, pois trabalhava na capital, e eram 5 da manhã. Não ligou se os vizinhos se sentiam incomodados ou se queriam dormir.

Um morador de rua que estava dormindo, acordou assustado com o som do carro, e logo começou a reclamar, dizendo que ia pra polícia denunciar Rogério. Ele não ligou. Apenas pisou fundo no acelerador e foi embora.

Quando chegou na capital, Rogério percebeu que precisava ir para o shopping comprar uma maleta de ir trabalhar nova, afinal a sua, que só tinha apenas 5 meses de uso, estava suja.

Chegou lá. Estava lotado como sempre. Até as vagas de deficientes estavam lotadas, mas, reluzindo como ouro — para Rogério — ele viu uma vaga de deficiente. Sem pensar duas vezes, estacionou lá.

Saiu do seu veículo, quando um carro que vinha dirigindo parou na frente do carro de Rogério. Lá, saiu uma mulher e um cadeirante, que tinha as pernas muito finas. A mulher começou a falar com Rogério, mas Rogério apenas disse que o carro é dele e ele estacionava onde quiser e foi embora.

Comprou sua maleta. Quando foi pagar o estacionamento, havia uma fila gigante. Rogério apenas dirigiu-se para o começo da fila, furando-a. Todos começaram a discutir, mas ele fingiu que não ouviu. Pagou o estacionamento, e viu que tinha recebido troco a mais. Ao invés de dizer que o troco estava errado, ele simplesmente guardou o troco na carteira e foi embora.

Saiu do shopping. Viu que estava atrasado, e acelerou o carro. Um cachorro vira-lata, que atravessava a rua, se assustou com o carro e saiu correndo, tentando chegar no outro lado, mas Rogério não parou. O coitado do animal quebrou uma pata, mas o homem sem coração, o que fez? Não fez nada. Apenas continuou acelerando.

Chegou no trabalho. Passou horas trabalhando, ou melhor, resmungando e mal-dizendo o trabalho. Pensava toda hora que só trabalhava com aquilo porque o salário era altíssimo.

Rogério então, ao sair do trabalho, faminto, foi para uma lanchonete que tinha ao lado. Viu uma criança carente, pedindo dinheiro pra comprar comida, mas ele disse que não tinha nada, e foi pra fila da lanchonete. O garotinho ficou só observando, e percebeu que, Rogério, enquanto falava que não tinha nada, tinha comprado um master-buguer, um saco de batatas-fritas, dois milk-shakes, uma banana-split e um cheesebuger. Comeu apenas a metade do que pediu e foi embora, desperdiçando a comida, apenas levando o milk-shake. O garotinho ficou com raiva, e foi comer o que ele desperdiçou.

Retornando pra sua cidade, enquanto tomava o seu milk-shake de chocolate, estava passando por um rio imenso. Logo, quando a sua bebida acabou, abriu a janela do carro e jogou a embalagem pra fora, que voou até cair no rio. Pensou que só uma embalagem não fazia mal, e foi embora.

Chegou em casa, tomou um banho que levou horas, sem desligar o chuveiro por um segundo, jogando a água de ralo abaixo.

Rogério foi dormir. Acordou, e tudo se repetiu.

Essa é a realidade atual. Não só Rogério faz isso, mas milhões e milhões de pessoas do mundo.

A sociedade atual é um lixo. Uma porcaria. Não pensam em suas atitudes diárias. Só imagine se todos jogassem embalagens no rio, como Rogério fez, por exemplo, e dissessem que só uma vez só não fazia mal? E se todos os dias todos dissessem isso? Será que não sabem que a escassez de água está grande? Que está destruindo o essencial para a vida?

Não seja como Rogério, seja diferente. Uma pequena atitude pode mudar o mundo. Faça a diferença.

Aliás, nunca se sabe quando o mundo irá virar de cabeça pra baixo, mas é previsível, que, logo logo isso vai acontecer.

Hoje você pode fazer aquilo e, amanhã, o mundo pode estar um caos por causa dessa pequena atitude.

É a realidade. Por isso, temos que fazer a diferença.

Notas finais
Você leu até aqui? Obrigada mesmo :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!