Realeza Problemática
8 Capítulo 8 - "Eu não tenho ninguém em casa para conversar
Notas iniciais
As ruas de Konoha nessa época do ano atingiam um novo nível de charme e calmaria, o branco da neve junto aos enfeites e as iluminárias de natal davam um aspecto mais aconchegante que nunca e como de costume a cidade toda estava enfeitada, as casas, as ruas e as praças. As pessoas até pareciam mais elegantes com seus suéteres.
Era o primeiro natal de Temari em Konoha e todos os amigos queriam fazer algo especial para que a garota não se sentisse mal embora todos tivessem seus respectivos planos para data e até mesmo ela parecia ter um. Todavia isso não importava naquela manhã, os cinco amigos enfeitavam sua casa – casa dela já havia virado o point deles, visto que mais nenhum outro tinha casa própria.
— Onde eu coloco essas luzinhas? – perguntou Shikamaru com as mãos cheias de fios.
— Quando terminar de desembaraçá-las pode colocar na janela lá de fora. – respondeu Temari deixando uma caneca de chocolate quente – E isso é de cortesia. – foi distribuir o resto das canecas.
A arte de desembaraçar fios não era o forte de Shikamaru que ficou ali mais tempo que precisava, Ino estava arrumando a árvore de natal comentando com Temari sobre os seus planos para o natal, Sai parecia tranquilo arrumando as meias e o presépio e Chouji com outro par de fios também não parecia estar se dando muito bem, mas estava perto dos biscoitos de açúcar então nem ligava.
— Acho que vai precisar de ajuda com esses fios. – disse Temari se aproximando com mais fios nas mãos, percebeu o olhar de Shikamaru em suas mãos – Peguei os do Chouji. – balançou a mão – Ele e Ino foram buscar uns ramens pra gente. – se sentou ao lado do moreno.
— Ok. – disse Shikamaru – Ainda tem mais chocolate quente?
— Sim, tá lá na cozinha, só pegar. – respondeu Temari.
— Acho que mais tarde. – disse Shikamaru – E então agora com toda essa decoração, quais os seus planos pro natal?
— Eu não te contei? – perguntou Temari, Shikamaru negou com cabeça – Meus irmãos virão. – Shikamaru a encarou preocupado – Não precisa me olhar assim, eles vão vir e dessa vez, é certeza.
— E na outra não era? – perguntou Shikamaru, Temari o olhou de cara fechada.
— Quer saber não vou brigar com você, é natal. – respondeu Temari.
— Tecnicamente ainda faltam alguns dias para o natal.
— Esquece. – disse Temari, bufou e foi sentar no outro sofá. Ela não o dirigiu mais nenhuma palavra ou olhar, isso o incomodou não queira bancar o idiota de novo, mas apenas disse os fatos ,talvez, fosse coisa mesquinha, porém possuía antipatia pelos irmãos de Temari desde o último encontro furado por eles.
Por mais que ela tentasse não transparecer Shikamaru sabia que ela tava ansiosa pela vinda dos irmãos, até mais que da última vez.
— Não quis parecer indelicado. – disse Shikamaru se aproximando de Temari – Já sabe o que vai fazer de comer? Porque você sabe que é uma ceia de natal e não pode ser algo esquentado no microondas. – caçoou.
— Sem problema, eu já pensei em tudo. – respondeu Temari – Ino está me ajudando com as comidas.
— Céus, coitados dos seus irmãos. – comentou Shikamaru rindo.
—Idiota. – começou a loira – Cada um tem seus planos Ino e Sai vão passar o natal fora, Chouji com a família, Hinata vai passar com a irmã, embora eu ache que mesmo pedindo ela não viria, mas e você? O que vai fazer no natal?
— O mesmo de sempre, ficar em casa com os meus pais. Natal é uma festa familiar, não acha?- disse Shikamaru, Temari assentiu — Por isso Hinata não viria, é o primeiro natal sem a mãe dela e eu acho que você mais do que eu entende isso.
— Eu não sabia. – falou Temari surpresa.
— Ela morreu ano passado, um pouco antes das aulas começarem, pouco antes de você chegar.
— Por isso ela estava tão abatida quando nos conhecemos. – lembrou Temari de semblante abalado – O primeiro ano é sempre o mais difícil.
— Hum – disse Shikamaru a abraçando sem jeito – A gente precisa colocar essas coisas na janela. – e assim o fizeram.
O restante da tarde eles passaram curtindo a companhia uns dos outros, fizeram uma espécie de ceia de natal, apenas faltou a troca de presentes, mas isso combinaram de fazer depois e como de costume acabaram indo ao bar Ichiraku.
***
O lugar estava praticamente a mesma coisa com exceção de uma arvorezinha no canto do estabelecimento e umas guirlandas, o aquecedor estava ligado proporcionando a qualquer um que entrasse conforto e abrigo contra o frio. O grupo de amigos logo se acomodou em uma das poucas mesas livres e apressaram se logo a fazer seus pedidos. Mediante a tantas pessoas uma casal chamou a atenção de Temari.
— Aconteceu algo entre a Tenten e a Sakura? No colégio? – perguntou Temari discretamente para Shikamaru.
— Não, não no colégio. – respondeu Shikamaru estranhando a pergunta – Nem teria como, enquanto a gente entrava no ensino médio ela estava saindo.
— Ah. – disse Temari confusa – Elas trabalhavam juntas ou algo do tipo?
— Também não.
— Por que elas não se davam bem então? – perguntou Temari.
— O que os dois estão cochichando? –perguntou Ino curiosa, mas Temari parecia meio receosa em responder.
— Besteira. – mentiu Temari, Ino deu nos ombros enquanto Shikamaru encarava a problemática – Fica quieto, por favor. – sussurrou de volta e assim ele ficou.
***
Duas mesas pra frente, o casal de amigos nem sequer imaginava que fora motivo de alguns cochichos e nem sequer se importariam se soubessem. As canecas junto com alguns petiscos e uns papéis enfeitavam a mesa do casal.
— E então o que você acha? Tenho alguma chance nessa ação? – perguntou Neji.
— Com certeza. – disse Tenten terminando de ler algumas folhas – Na verdade uma boa chance e tem algumas brechas que você vai poder explorar, tipo, é quase a violação de quatro artigos, mas isso seu advogado iria te explicar melhor. – Tenten ajeitou os papéis.
— Na verdade ainda não contratei um. – confessou Neji – Queria saber se tinha chance e foi uma boa desculpa pra voltar.
— Ah. – arfou Tenten surpresa.
— Você quer mais uma caneca?
— Eu adoraria. – disse Tenten – Mas eu tenho que ir, muito trabalho pra fazer.
— Claro. – comentou Neji desanimado – Não somos mais um bando de desocupados no ensino médio. – eles riram.
— Acho que crescemos, é a juventude se esvaindo. – disse Tenten se levantando – Eu preciso ir.
— Eu te acompanho. – disse Neji colocando os papéis numa pasta – Onde você vai passar o natal?
— Eu não sei ainda. Você vai passar aqui? — Perguntou Tenten, Neji assentiu — Pensei que você voltaria pra casa no natal.
— Natal é para se passado com as pessoas que você gosta, pelo menos pra mim. –falou Neji pegando os casacos – E a maioria dessas pessoas estão aqui em Konoha. – ajudou Tenten com a por o seu casaco – Por que você não passa o natal comigo e com a Hinata?
— Está chamando para passar o natal na casa da minha melhor amiga?! – comentou rindo.
— Eu estou te chamando pra ir comigo pra casa da sua melhor amiga. – corrigiu Neji.
— Ah. – disse Tenten surpresa com a proposta, Neji a encarava com a cara enigmática que a garota já estava habituada, fazendo a lembrar de quando estavam no ensino médio e essa mesma expressão a fazia suspirar pelos cantos – Ok. – respondeu por fim.
— Que bom. – disse Neji sorrindo – Eu te busco as sete?
— A sete está bom. – respondeu a garota – Até mais. –se despediram num abraço prolongado talvez por causa do frio que lá fora fazia ou talvez por eles terem esperado muito tempo para fazerem isso.
***
Um tradicional jantar da família Nara era agradável por si só, mas conseguia se tornar mais agitado com a presença de vários outros Naras, a família toda reunida. As histórias comprometedoras da avó ou os comentários da coisas boas e ruins que os primos haviam feito, não conseguiam fazer Shikamaru tirar a problemática da cabeça.
As perguntas não paravam surgir, como ela estaria? Os irmão já teriam chegado? Será que ela conseguiu cozinhar certo o peru? E a preocupação apenas aumentava o deixando inquieto, ele nunca ficava inquieto.
— Você está bem? – perguntou Yoshino.
— Sim mãe. – mentiu Shikamaru.
— Eu sou sua mãe, sei quando esta mentindo. O que está acontecendo Shikamaru?
— Bem. – Shikamaru cedeu – É uma garota, a garota que eu tenho que tomar conta.
— Espera é a garota que você dormiu na casa dela, a intercambista? A que você deu piti quando viu com um cara? E a que você tem passado muito tempo junto? – perguntou Yoshino, Shikamaru a encarou abismado – Eu conversei com a Ino esses dias.
— Ah sim. – disse Shikamaru balançando a cabeça aliviado – Mãe, não é o que parece ser.
— Não? – disse Yoshino incrédula — Então o que é? — Shikamaru ficou em silêncio — Se você não quer falar sobre isso agora tudo bem. O que está te chateando então? – o moreno contou toda a história e sobre a sua preocupação com a loira – Acho que você deveria ir.
— Sério?
— Tenho certeza que você iria mesmo se eu não dissesse. – disse Yoshino – Vá, afinal você está entediado aqui e quem sabe lá você fique mais animado?
— Mãe. – Shikamaru repreendeu a mãe.
— Apenas vá e volte antes do amanhecer, viu? – disse Yoshino – Aproveite a noite com sua namorada e na próxima vez traga ela pra cá. – Shikamaru franziu a testa com o comentário da mãe enquanto ia embora – E não se esqueça, eu sei quando você está mentindo. – disse para si mesma.
***
A expressão de decepcionada que Temari vez ao ver o amigo em sua porta, fez com que as preocupações de Shikamaru se confirmassem. Acanhada ela o convidou para entrar, o silêncio se estabeleceu até que um deles decidiu terminar com isso.
— Ok, você pode dizer a qualquer momento. – disse Temari – Eu não me importo, eles não vieram mais uma vez e fui estúpida de novo em me preparar e ficar ansiosa. Então aqui estou eu, na mesma, e muito mais raivosa.
— Eu não ia dizer nada, mas acho que você está precisando de algumas lições de como relaxar de novo, só que dessa vez na versão natalina. – disse Shikamaru, a loira o encarou com um sorriso de lado – Sabe o que eu mais gosto no natal? – Temari negou com a cabeça – Os filmes.
— Sério? – perguntou Temari incrédula.
— Sério. – respondeu Shikamaru – Pode rir se quiser, mas é a minha opinião. E acho que deveríamos começar por aqui. – ele pegou o controle e procurou por algum filme – Esse é bom. – Shikamaru virou-se para a garota que a um tempo o encarava, as vezes ela fazia isso o encarava de uma forma diferente como se tentasse decifrá-lo, por um tempo ele se incomodou, mas agora qualquer minuto a mais que ele pudesse olhar para aqueles olhos verdes, ele aproveitaria – Pode ser?
— Por mim tudo bem. – disse Temari dando nos ombros – Que tal uns biscoitos?
— Seria fantástico. – disse Shikamaru e cinco minutos depois Temari voltou com os biscoitos e duas canecas com chocolate quente, se ajeitaram no sofá e como naquela tarde em que ficaram deitados sem fazer nada no campus Temari se acomodou no ombro do moreno.
— Obrigado. – disse Temari entre uns momentos do filme, ela engasgou em algumas letras, agradecer não era muito o forte dela – Por estar aqui. — disse a garota o encarando de novo, só que agora eles tavam bem mais próximos, essa proximidade já não os incomodava, mas a distância sim.
Antes que ele pudesse responder o filme foi interrompido por uma notícia relâmpago, algumas estradas tinham sido bloqueadas pela neve, mas em algumas horas o tráfego voltaria ao normal e os viajantes poderiam voltar a seguir seus caminhos. Mostraram algumas imagens da estrada e da fila de carros que se formava.
Temari levantou num pulo e foi em busca do celular, após checar o telefone encarou o Shikamaru contente.
— Eles vieram. – disse extasiada – Eles vieram, a mensagem chegou. Eles ficaram presos na estrada. – ela não parava de sorrir – Daqui a algumas horas eles irão chegar, eu não consigo acredita. – Temari encarou Shikamaru e no impulso da situação ela selou seus lábios aos dele.
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