Realeza Problemática
4 Capítulo 4 - Que, você também? Achei que fosse o único"
Notas iniciais
Talvez a decisão de ficar não tenha sido a mais prudente, porém ele não conseguiu dizer não. A casa estava arrumada de uma forma que Shikamaru nunca tinha visto e da cozinha vinha um cheiro tão bom que ficou realmente difícil não querer ficar. A ideia de Temari cozinhar o fez rir.
— O que foi? – perguntou Temari.
— Nada. – respondeu Shikamaru mantendo sua piada interna.
— Vou pegar o xadrez, pode tirar as coisas da mesa? – perguntou a garota, ele assentiu.
Era a primeira vez que ele via aquela mesa de sala se bem que não frequentava muito essa casa, mas não foi a única coisa que ele notou de diferente e novo ali. A começar pela organização dos móveis e novas coisas.
O clima da primeira partida foi tenso, Temari nem olhava para o adversário quanto mais falar alguma coisa, na segunda partida começou a resmungar alguma coisa, na terceira partida ela parecia já não se importava com mais nada além de jogar as peças pra fora do tabuleiro.
— Acho que xadrez não é o que você quer jogar agora. – disse finalmente Shikamaru.
— É claro que é. – respondeu Temari ríspida – Eu só não quero pegar o rei. – Shikamaru arqueou a sobrancelha.
— Acha mesmo que esse é o problema? – perguntou Shikamaru provocativo – Você nunca conseguiria.
— Capturaria seu rei quando quisesse. – disse Temari.
— Então que tal uma pequena demonstração. – disse Shikamaru arrumando o tabuleiro.
Essa partida foi diferente Temari transferiu a raiva para outra fonte. Shikamaru de certa forma ria internamente com isso, ela não conseguia esconder o que sentia, mas lutava para não demonstrar, porém o mais surpreendente foi a proposta a seguir.
— Ok, que tal melhorarmos isso. – disse Temari, Shikamaru a encorajou a continuar – Quem perder tem que tomar uma dose. — Shikamaru a olhou sem entender — Eu já ia beber de qualquer forma só queria ter uma desculpa pra começar agora.
— Hum... Ok, mas o ganhador também tem o direito de fazer um pergunta que deverá ter resposta. – disse Shikamaru.
— Nós sempre tivemos uma pulga atrás da orelha em relação de um pro outro. Por que não deixar isso em pratos limpos, neh? – comentou a loira.
— Exato. – concordou Shikamaru, há tempo queria saber a verdade – Mas ia ficar injusto só poder fazer um pergunta a cada partida.
— Só se você vencer.
— Eu vou vencer. – disse Shikamaru.
— Veremos. – disse Temari irritada com as palavras vangloriosas do moreno. A partida estava equilibrada, mas numa encurralada Shikamaru levou vantagem e ganhou
— Por que você veio pra Konoha? De verdade. – perguntou.
— Por que eu precisava de um tempo pra mim, longe de tudo e meus pais sempre gostaram do país do fogo, quis saber o por que. – respondeu Temari depois de tomar um gole, mas Shikamaru sabia que alguma coisa ainda estava escondida.
— Longe de que? – insistiu Shikamaru.
— Desculpa, mas apenas uma pergunta por partida. – mas ela teve que responder na partida seguinte e seguinte até já estar falando do ex-namorado – Ok, qual era o jeito justo que você ia propôr?
— Qual é, você estava indo bem. – disse o moreno recebendo um olhar furioso em troca – Uma pergunta por peça capturada e a partida ganha fica como um bônus, um combo de duas perguntas. Vai ficar mais disputado.
Shikamaru pensou que ela desistiria depois de terem falado dos rompimentos dos relacionamentos de ambo e do mau relacionamento dela com a avó, mas ela apenas continuou e trouxe mais uma garrafa de vodka, uma nova regra foi posta. O que quer ela quisesse saber deveria estar encucada com isso há tempos.
— Por que você a Ino estão estranhos? – perguntou a menina, Shikamaru demorou a responder.
— Por causa de você. – respondeu Shikamaru e tomou uma dose de vodka, torcendo para que a próxima pergunta estivesse longe e talvez isso o tenha distraído e assim mais uma peça se foi.
— Como assim por causa de mim? – perguntou Temari.
— Ahn. – Shikamaru arrumou sua postura – Ela acha que eu estou transferindo alguns afetos pra você, por você parecer com a Sakura. – tomou outro gole, Temari ficou quieta por um tempo.
— Ahn... Bem... Isso foi repentino. – disse Temari tomando um gole de vodka – Ninguém fala muito dela, mas pelas fotos... Nem o mesmo tom de verde dos nossos olhos é semelhante.
—- Não fisicamente. – Shikamaru se explicou – Às vezes, você age como ela. Sabe o temperamento explosivo. – tomou outro gole, Temari o acompanhou na bebida.
— E você está? – perguntou Temari – Transferindo.
— Você fez isso? Quando viu algum cara parecido com o seu ex?
— Não! Eu costumo ficar longe de qualquer cara que lembre ele. – disse Temari preocupada – Você acha que eu me pareço com ela?
— Não. Você é completamente diferente dela. – respondeu Shikamaru.
— Mas você disse que a Ino... – Temari foi interrompida.
— E ela disse e eu apenas falei que algumas coisas que vocês tinham em comum e são poucas. – explicou Shikamaru, mas Temari ainda parecia confusa – Olha, eu não estou transferindo qualquer tipo de sentimento romântico pra você. – ela pareceu aliviada – Talvez Ino sim.
— O que? – disse Temari surpresa, Shikamaru riu.
— Escolhi as palavras erradas. – disse o moreno ainda rindo – Não transferindo um sentimento romântico, mas uma expectativa de que você preenchesse a lacuna que Sakura deixou e quando ela viu que você não ia ser assim veio me falar. Ela ficou preocupada com você, não queria que se machucasse com algo que eu pudesse fazer, como se eu pudesse fazer algo. Patético.
— Entendi. – disse Temari encostando-se no sofá.
— Meus amigos realmente gostam de você, de você.
— E eu realmente gosto dos seus amigos. – confessou Temari o encarando, o encarando um bom tempo.
— O que houve? – perguntou Shikamaru.
— O que nós somos? – perguntou Temari – Colegas? Parceiros de xadrez?... Amigos?
— Hum... Sinceramente eu não sei.
— Tipo você é bem mais legal depois que bebe algumas doses de vodka. – disse Temari e ambos sorriram.
— Sabe, acho que eu sei um jogo que pode ser mais útil que xadrez. Espere um minuto. – disse Shikamaru, pouco tempo depois ele chegou com o seu notebook – É um jogo online onde você tem que capturar a base inimiga e durante isso você tem que matar os monstros e os oponentes. Sabe, é bem relaxante e divertido, eu e os garotos temos um time e se você gostar a gente marca de jogar juntos. Ok, só tente jogar. – ele passou o notebook para Temari, mostrou os botões e atalhos.
No inicio foi difícil Temari pegar as manhas do jogo, mas com o passar do tempo foi melhorando e as suas reações a cada monstro ou adversário morto eram as melhores, até os nomeava. Suas feições melhoram.
— Quer saber, esse é o tipo de coisa que Sakura não faria. Jogar um RPG não era o tipo de coisa dela. – confessou Shikamaru.
— Xadrez? – perguntou Temari ainda focada no jogo.
— Também não, ela não era muito paciente. Principalmente quando perdia.
— Má perdedora?
— Terrível na verdade. – disse Shikamaru.
— Morra infeliz. – gritou Temari erguendo os braços, Shikamaru começou a rir.
— Eu pensei que a essa altura você estaria chorando pelo o que quer que tenha acontecido com os seus irmãos.
— Ahn. – disse Temari parando de jogar – Está tão cara assim?
— Bem, eles não estão aqui. – falou Shikamaru – E a sua cara basicamente estampa uma mágoa. – Temari sorriu sem graça fechou o notebook e ficou frente a frente com o moreno.
— Tudo que me restou foram os meus irmãos e estando aqui distante deles. – disse Temari envergonhada – Bem...Ainda bem que eles não vão ouvir, mas eu sinto muito a falta deles. E sabia que ia ser difícil eles me visitarem, mas ainda machuca. E não preciso de lágrimas pra mostrar isso, muito menos com visitas. – Temari ficou encarando o menino e assim ficou por um bom tempo.
— O que foi? – perguntou Shikamaru.
— Nada, é só que... Não achei que você fosse de se importar.
— Com grande parte das coisas eu não me importo, mas meus amigos não são uma dessas coisas. – disse Shikamaru – Então pronta para enfrentar um adversário a altura?
— Sempre. – respondeu Temari, ficaram jogando pela madrugada intercalando entre as conversas e as comidas e tudo mais.
***
A vibração insistente no bolso fez com que Shikamaru acordasse, a luz que vinha da janela machucou os seus olhos, teve que fazer um maior esforço para levantar a cabeça que parecia bem mais pesada agora. “O que eu bebi?” pensou, ohou o lugar que não parecia seu quarto, nem um quarto parecia. Ele estava no sofá e não era seu sofá.
— Bom dia, preguiçoso. – disse Temari na cozinha, Shikamaru a olhou confuso – Você apagou ontem, na verdade nos dois apagamos.
— Desculpa. – disse o moreno – Minha mãe vai me matar.
— Provavelmente, seu celular não para de vibrar.
— Eu preciso ir. – disse Shikamaru.
— Uhum. – disse Temari meio sem jeito – Noite passada... Até que foi legal.
— Uhum. – disse Shikamaru – Devíamos repetir qualquer dia, talvez sem as bebidas. – Temari riu.
— Seria legal. – disse Temari, o celular de Shikamaru vibrou de novo – É melhor você ir, tchau.
Apesar dos sermões, da canseira, da dor de cabeça e até da pequena ressaca a única coisa que Shikamaru pensava era quão errado ele estava sobre a loira problemática. Ela não parecia nem um pouco com a Sakura, quem sabe ela era até melhor só não queria admitir.
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