Realeza Problemática

1 Capítulo 1 -" A primeira impressão


Notas iniciais
Bom pessoal boa leitura.

O som das malas sendo arrastadas e o barulho das conversas paralelas junto ao choro de uma criança na cadeira de trás apenas aumentava a irritação de Temari. Deveriam ter uma boa razão para a extrapolação absurda do horário, quatro horas plantada naquela estação, quatro entediosas horas sentada numa cadeira nada confortável. Ser esquecida não era uma situação que acontecia muito com Temari e mesmo que o objetivo de te ido para aquela cidade fosse justamente para passar desapercebida, em outras palavras: ser esquecida, não justificava a falta de compromisso e pontualidade de quem a deveria buscar.
Isso que dá confiar tão cegamente nos anúncios e procedimentos via internet, pensou Temari, mas tudo aconteceu tão rápido que nem deu tempo de verificar a veracidade das informações. Jogou a cabeça para trás e fitou o teto da rodoviária, só ela mesma pra abandonar tudo e se jogar numa cidade estranha e pequena. Finalmente estava longe de toda a pressão, nem acreditava ainda que tinha tomado essa decisão, por mais que fosse irresponsável ela precisava desse tempo, fora de tudo.
O grito escandaloso da criança chamou a atenção de Temari que no meio da movimentação reparou no cara peculiar — cabelos presos em forma de rabo de cavalo, calças jeans, blusa cinza e um colete de frio verde musgo — que segurava um papel amassado escrito “Sra. Subaku”.
— Você só pode estar de brincadeira, neh? – falou consigo mesma e foi ao encontro ao cara – Hey, você quis dizer Sabaku eu acho.
— Acho que sim, você é a Temari? – perguntou o cara de forma tediosa.
— Sim e você é?
— Shikamaru Nara, da faculdade. Você só trouxe uma mochila? – perguntou surpreso encarando a mochila nas costas dela.
— O resto vai vir depois. – respondeu Temari tentando esconder a irritação.
— Sabe, no alojamento da faculdade não cabe muitas coisas. – disse Shikamaru – É um cubículo e a estrutura é bem precária, às vezes acho que vai desabar a qualquer momento. Muita coragem querer morar lá
— Não pretendo ficar no alojamento por muito tempo. – disse Temari tentando encurtar a conversa.
— A cidade possui poucos lugares para alugar, cidade pequena, sabe. Não é um ponto turístico, afinal é tudo pacato aqui, nem a faculdade é tão boa, acho até que em pouco tempo irão fecha-la, por conta dos recursos. A maioria dos hotéis aqui são caros. A cidade não é um luxo, mas dá despesa como se fosse uma. — acrescentou Shikamaru.
—Bom, veremos o que eu encontro por aqui. Podemos ir agora? Fiquei esperando por muito tempo. – Temari enfatizou o “muito” – Minha bunda está doendo e estou começando a ficar com fome.
— Ok. – disse Shikamaru decepcionado — Mas primeiro tenho que te levar para reitoria da universidade lá você vai conhecer quem vai ser seu guia por aqui. – seguiram em direção ao estacionamento, o sol do meio dia daqui não era tão intenso quanto ao que estava acostumada. A cidade era simples, mas esbanjava um ambiente calmo, sereno e aconchegante. Entraram num carro simples.
— Sabe se vai demorar muito lá? – perguntou Temari, Shikamaru resmungou alguma coisa – O que?
— Eu espero que não. – respondeu de cara amarrada, Temari bufou ela tinha motivos para estar de cara amarrada, ele não.
— Ótimo. – disse Temari ainda mais irritada, depois de toda aquela demora ainda mandaram aquele cara para busca-la.
A viagem não demorou muito e logo já estavam no campus que não era esplendido, muito menos grande. Parecia um conjunto de prédios dentro de um condomínio, a reitoria era um casebre perto do que seria biblioteca, a estrutura por dentro chegava a ser surpreendente pelas inúmeras divisões, o mesmo lugar parecia ser usado para varias coisas, porém apenas duas pessoas se encontravam ali. Duas mulheres conversavam seriamente, estavam sentadas nos bancos encostados na parede. Uma tinha cabelos pretos azulados longos e lisos, pele bem branca e olhos cinza. A outra tinha cabelos castanhos amarrados em um coque, pele branca e olhos bem castanhos que quando avistaram Shikamaru ficaram franzidos.
— O que você está fazendo aqui? Já era pra você ter ido buscar a aluna de intercâmbio. – perguntou a mulher de coque.
— E busquei. – Shikamaru apontou para Temari que não estava nem um pouco feliz, a mulher de coque mudou de expressão, tentando parecer amigável – Ela veio para se encontrar com o guia dela.
— Como assim o guia? – perguntou a mulher, olhando fixamente para Shikamaru, então bufou – Desculpe Sra. Sabaku, mas eu preciso ter uma conversinha rápida com o Shikamaru, daqui a pouco eu volto pra gente conversar. – disse educadamente e puxou Shikamaru para uma dentro de uma sala – Essa é Hinata, ela vai te fazer companhia. Já volto. – fechou a porta.
Hinata olhou sem graça para a loira que aparentemente não estava bem.
— Oi, você quer se sentar? – perguntou Hinata.
Antes que Temari pudesse responder a gritaria da sala à frente a interrompeu.
— QUE HISTÓRIA É ESSA DE "ENCONTRAR O GUIA DELA" SHIKAMARU? JÁ NÃO BASTA TER FICADO AQUI POR QUASE DUAS HORAS ENCHENDO MEU SACO...
— Essa é a Tenten. – disse Hinata constrangida – Ela não é sempre assim.
— Eu disse que não ia fazer isso. – disse Shikamaru.
— ESSA É A SUA FUNÇÃO, VOCÊ QUIS TRABALHAR AQUI POR QUE QUIS E VAI EXECUTA-LA. ENTENDEU? VOCÊ PRECISA DESSES CRÉDITO EXTRAS MAIS DO QUE EU ENTÃO PARA DE RESMUNGAR. – disse Tenten, a porta abriu e os dois saíram de cara amarrada, Tenten respirou fundo e olhou para Temari.
— Desculpe a demora, tanto para ir buscá-la quanto agora, tivemos alguns problemas de comunicação. — olhou com desgosto para Shikamaru — Seja bem vinda a universidade de Konoha, eu me chamo Tenten coordeno as atividades de integração dos novos alunos aqui. Bem você vai ter um guia/instrutor que irá lhe ajudar nas coisas acadêmicas e te ajudar a se instalar aqui até que você pegue o ritmo, sempre que precisar de algo será com ele que irá pedir e etc.
— Pois bem, então cadê ele? Ou ela? – Temari impaciente, olhou para Hinata esperando que ela se manifestasse.
— Bem, você já o conheceu. Shikamaru será o seu guia. Eu espero que vocês se dêem bem. – respondeu Tenten.
— O que? – perguntou Temari indignada – Além de me fazer esperar além do compreensivo na rodoviária, colocam esse cara como meu guia? Vocês são o que?
— Acredite você não é a única descontente. – respondeu Shikamaru.
— Silêncio Shikamaru. – disse Tenten – Eu sei que é um incômodo, por isso te peço desculpas, mas ele é o único guia disponível.
— E ela? — Temari apontou para Hinata.
— Desculpe, eu não trabalho aqui. – respondeu Hinata.
— Eu não fui muito clara Sra. Sabaku, Shikamaru é o único guia da universidade. Como eu disse, ele só vai te instruir até você se adaptar e depois quase nunca vai vê-lo. Quanto o mais rápido você se adaptar mais rápido vai se livrar dele.
— Ok. – disse Temari se segurando, não podia fazer um escândalo no primeiro dia, muita atenção, respirou fundo. – Já que eu estou aqui, onde eu faço a minha matrícula?
— Acabei de passar na secretaria, está fechada horário de almoço. – disse Hinata, Temari suspirou.
— Almoço! –disse Tenten como se tivesse tido uma ideia – Pra compensar esse embaraço, a gente pode te pagar o almoço.

***

O percurso até o restaurante foi uma mine tour pela cidade, a praça principal cheia de adolescentes e crianças, o comércio sem muita agitação, a prefeitura com sua arquitetura antiga. Pouca agitação. As meninas não paravam de falar que nas festividades da universidade as coisas se agitavam e que tinha um barzinho que era o point dos universitários. Tenten já era veterana do curso de direito enquanto Hinata estava no segundo semestre de Arquitetura, embora ela não parecesse muito contente com a escolha tentou falar os pontos positivos da universidade e da cidade – que parecia muito pacata- em controvérsia Shikamaru detonava com tudo. O restaurante que entraram tinha uma aparência bem simples, mas a comida era uma delícia.]
— Mas e você Temari, com certeza você é uma incógnita. A maioria das pessoas que sair daqui e não vir para cá. – Tenten sorriu e olhou para Hinata – Qual a sua história?
A loira forasteira havia formulado milhares de respostas para essa pergunta, sabia que mais cedo ou mais tarde fariam essa indagação, procurou a resposta mais concreta que não precisasse de muitas explicações.
— Eu quis fugir da tradição da minha família, frequentar a mesma faculdade que meus pais e etc, eu buscava um lugar calmo que desce pra relaxar.
— Então você escolheu vir Konoha? – perguntou Shikamaru.
— Uhum.
— Por quê? – perguntou Shikamaru intrigado — Existem milhões de cidades calmas por aí.
— Meus pais gostavam daqui.
— Eles já moraram aqui? – indagou novamente Shikamaru.
— Não, na capital.
— E por que você não está com eles? – pergunto Shikamaru curioso.
— Eles estão mortos. – disse Temari, Shikamaru ficou estático — Fui criada pela minha avó paterna no país da chuva.
— Meus pêsames. – disse Tenten depois de chutar a perna de Shikamaru – Espero que goste do tempo que ficar aqui.
— Eu também. – disse Temari, logo após os pratos chegaram, a comida era ótima.
Depois do almoço Hinata se despediu, tinha que voltar para o trabalho, Tenten voltou para reitoria restando Temari e Shikamaru. Desde o incidente das perguntas o moreno não arriscou uma palavra.
— Eu estava pensando em ir pro alojamento e deixar a matrícula para amanhã. – disse a loira cortando o silêncio.
— Ok, eu te levo até lá.
O alojamento não era tão horrendo como a descrição de Shikamaru, mas com certeza deixava a desejar, era um quadrado que tinha um banheiro, uma janela, uma cama, um guarda roupa e uma escrivaninha. Nada de mais, porém que com certeza não caberia todas as coisas da loira. O colega do quarto ao lado parecia ser legal, explicou-lhe as regras e as normas de segurança.
— Bem, acho que essa é a minha deixa. Aqui estão todos os números que você pode ligar para pedir ajuda informação ou ajuda. – Shikamaru deixou um papel em cima da escrivaninha – O alojamento geralmente é usado como uma extensão dos laboratórios dos professores e também como se fosse uma espécie de albergue, por isso não se assuste se escutar alguns barulhos.
— Ok.
— Bob, o moço do lado, ele é um cara confiável, não se preocupe, então se precisar de algo muito urgente pode perguntar ou pedir pra ele. – disse por fim Shikamaru – A propósito me desculpe, por hoje mais cedo, em relação aos seus pais.
— Desculpas aceitas, agora se você não se importa eu gostaria de ficar sozinha. Dia estressante.
— Claro. – Shikamaru saiu do quarto.
— E só pra deixar esclarecido, eu sei o que você está fazendo, eu não vou ir embora e não importa o que você disser sobre a cidade, ou até mesmo ser ela for tão horrível assim. Eu não vou sair daqui, então é melhor você se conformar com isso, meu guia. – disse Temari com desgosto.
— É o que veremos.

Notas finais
Obrigado pela leitura^^Captulo 2 em breve.