Real world

45 Capítulo 42


Notas iniciais
Oi oi gente! Bem, depois de muito tempo sem postar, voltei!! Não vou mais dizer os motivos pela demora, por que certamente vocês vão tratar apenas como desculpas. Mas, resumindo: 2017 não foi um ano muito bom para mim. 2018 provavelmente virá a ser melhor, mas nem tanto. Então, espero que gostem do capítulo. Fiz com muito amor. ♥

Olhei para Luke, buscando alguma saída. Eu estava totalmente ferrada. Minha mãe acabara de me pegar no flagra.

—A senhora deve ser a mãe de Sophia, estava ansioso para conhecê-la. -Luke diz.

—E quem o senhor pensa que é para estar se agarrando com minha filha, na minha casa, sem meu consentimento?

—Sou o namorado dela. Prazer, Lucas Layght. -ele disse e estendeu a mão, mas minha mãe não a pegou.

—Não autorizei nenhum namoro. -ela falou e cruzou os braços.

—Na verdade, eu vim até aqui para falar com a senhora, só que Sophia disse que estava indisposta. Não quis incomodá-la.

—E do que se trata esta conversa? -minha mãe estava ficando irritada. E eu começando a ficar apreensiva.

—Queria dizer que estou namorando sua filha. E que só tenho boas intenções com ela. A farei muito fel...

—Não autorizo. E por favor daia daqui antes que eu tenha de ser grossa com você.

—Luke... -pedi, esperando que ele entendesse e fosse embora. Porém, ele não o fez.

—Só sairei daqui com a sua permissão. -ele falou, o tom de voz firme.

—Então durma na varanda, se desejar. Só sei que Sophia entrará em casa agora e nenhum namoro irá acontecer. -falou e pegou meu braço, me puxando em direção á porta. então Luke disse:

—A senhora sabe que, você deixando ou não, nós iremos continuar.
Minha mãe olhou rapidamente para Luke, o fuzilando com o olhar.

—Quero só ver. -desafiou.

—Eu gosto muito dela, não vou desistir só por uma bobagem dessas. -ele manteve o tom de voz firme.

—Eu pago para ver, alguém passar por cima da minha autoridade. -ela disse.

No meio da confusão, nem notei que Pietro havia chegado. Só o notei ali depois que ele falou:

—Luke, você sabe que não precisa da permissão de ninguém. Só da de Sophia, e ela já concedeu. -e entrou em casa.

Minha mãe pressionou os lábios, certamente lembrando da discussão de mais cedo. Parecia que meu irmão acabara de desnortear ela. Até Luke notou, por que ele ficou em silêncio.

Depois de um tempo, ela disse:

—Por favor, Sophia, entre. Depois conversaremos com mais calma, senhor Laught.

Luke não insistiu. Ele deve ter percebido a tensão que estava no ar. Se insistisse, seria pior.

Ao entrarmos, em casa, notei que minha avó já tinha ido para o seu quarto, assim como Lydia. A única pessoa que estava na sala era Pietro, e se ele notou nossa presença, não demonstrou. Ele estava totalmente relaxado no sofá, mudando os canais da TV.

—Suba, Sophia. -minha mãe disse.

Eu ia obedecer, mas Pietro retrucou:

—Pare de tentar deixar Sophia de fora de tudo. Ela não é mais uma criança de 5 anos para você mandar ir para o quarto.

—E você pare de tentar retirar minha autoridade. Vocês podem ter 50 anos, mas enquanto eu viver posso mandar vocês irem para o quarto. Entendeu?

—E também tem o poder de impedir os filhos de estudarem para trabalhar mais e pagar contas que poderiam ser pagas de maneiras mais fáceis.

—Eu já disse que vocês façam o que quiserem. Só não achem que eu concordo com isso. -ela falou. -E que o encontro também não seja nessa casa.

—Você está sendo muito imatura, sabia? Está fugindo de um problema que deverá ser enfrentado mais cedo ou mais tarde.

—Sou eu quem estou fugindo? Você saiu de casa e não deu notícias o dia inteiro.

—Mas você sempre fugiu quando se tratava do assunto "pai". Nunca nos disse o real motivo de ele ter ido embora, de ele ter nos deixado.

—Com motivos ou não, ele nos deixou! Me deixou com quatro filhos para criar sozinha! Nenhum motivo tornaria isso plausível.

Eles continuaram falando, como se mal notassem a minha presença ali, no meio dos dois. Mas eu mal os ouvia. Meus ouvidos meio que taparam, ficando com um zunido enorme. Eu não conseguia acreditar. Eles estavam competindo para ver quem fugia mais? Sério isso?

—Deixe ver se eu estou entendendo. -os interrompi. -Vocês me abandonaram em um dia como hoje, com duas crianças e uma idosa para cuidar, comida para fazer... Além de eu também estar sofrendo tanto quanto vocês, se não mais! Aí vocês simplesmente estão fazendo uma competição de quem fugiu mais? Bem, deixa eu ajudar vocês: OS DOIS FUGIRAM, OS DOIS FORAM COVARDES! Então, como juíza dessa competição, declaro empate.

Depois de ter finalmente falado o que eu queria, soltei o ar que nem sabia que estava prendendo. Não sabia quem estava mais perplexo, se era Pietro ou minha mãe.

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu saí dali antes que algum deles falasse mais alguma coisa.

...

Não saí mais do meu quarto naquela noite. Me deitei na cama e virei para o lado da parede, deixando que as lágrimas molhassem meu travesseiro.
E na total escuridão que meus pensamentos estavam, surgiu a imagem de Luke e eu nunca desejei tanto que ele estivesse comigo. Nunca desejei tanto poder sentir os seus braços ao meu redor.

Peguei meu celular e tentei ligar para ele, sem sucesso. Então mandei uma mensagem pedindo desculpas pelo ocorrido com minha mãe.

Então a porta do quarto se abriu e Pietro entrou. Prendi a respiração. Não queria sentir o cheiro dele. Não queria ver ele.

—Soph... -ele disse, fechando a porta.

Mordi meu lábio; eu não iria respondê-lo.

—Soph, não adianta me ignorar. Olha, desculpa. Eu fui um covarde. Não deveria ter te deixado aqui sozinha. Mas você sabe que tu sempre foi melhor de lidar com as coisas do que eu. Você sempre enfrentou tudo, enquanto que eu me escondo. Eu não consigo lidar com essa volta do nosso... -ele fez uma pausa, como se não tivesse certeza do que iria dizer. -pai. -completou.

Balancei a cabeça, para ele perceber que eu não queria conversar e me deixasse em paz.

—Eu só quero o seu bem, sempre. Odeio te ver assim, principalmente pelo motivo ser eu. Me perdoe, Soph.

Eu me virei e olhei para ele, que estava com lágrimas nos olhos.

—Você é a única pessoa que me entende. Que me ajuda. Posso ser o pior irmão do mundo, mas eu te amo mais do que tudo. Você é... -sua voz falhou e lágrimas caíram dos seus olhos. -Você é minha irmãzinha, Sophia. Você é a única coisa estável na minha vida no meio de todo esse caos. Você... -mais lágrimas caíram.

Me levantei e dei um abraço nele. Tenho um coração mole demais. Porém, quem conseguiria se segurar depois de ouvir aquelas palavras?

—Sophia, me desculpe. Me desculpe por eu ser fraco. -ele disse, aos soluços.

Encostei minha cabeça no seu peito. Senti os batimentos acelerados dele.

—A gente tem que enfrentar isso juntos. Sozinha eu não consigo... -falei, a voz abafada.

—Eu nunca mais te deixarei sozinha. Prometo.

Ficamos em silêncio, apenas nos abraçando.

Por fim eu disse:

—Você não é o pior irmão do mundo.

Ele ficou em silêncio.

—Você é meu irmãozinho também. E eu te amo. -falei e ele me abraçou mais forte.

—O que nós iremos fazer, Sophia?

—Não sei. Mas nós daremos um jeito.

...

—Então você e Pietro estão de bem? -Luke perguntou, mordiscando um pedaço do seu sanduíche. Estava na hora do intervalo, e ele decidiu que deveríamos ir no Mc Donald's perto da escola.

—Ao que parece sim. É complicado, mas ele é meu irmão.

—Eu sei. Comigo e Lauren é do mesmo jeito. -ele ajeitou seu casaco do time, como se não acreditasse que voltaria a jogar. -Mas já decidiram o que vão fazer?

—Conversaremos com meu pai hoje a noite. Provavelmente lá em casa.

—Mas sua mãe não havia dito que...

—Digamos que a gente não anda ligando muito para o que nossa mãe diz. Além do mais, onde iríamos falar com ele?

—É... Mas sei lá, parece errado colocar um cara como esse dentro de casa. Se ponha um momento no lugar da sua mãe.

—Eu entendo ela, mas não vejo outra saída. E chega desse assunto, tá bem? Vamos falar sobre o time.

—Não sabia que se interessava por futebol.

—Tudo que envolve você me interessa. -falei e dei um selinho nele. -Seus lábios estão com gosto de bacon.

—Bem, eu estou comendo um sanduíche, Sophia. Mas, o time está bem. Só a zaga que está precisando de alguns ajustes, mas nada que eu não possa fazer.

—E você virou técnico agora?

—Não, mas sou o capitão. Posso fazer isso.

—Mas não esqueça dos estudos.

—Tá bem, papai. -ele brincou e eu ri.

—Falando em papai, o que ele irá achar quando você for chamado pra jogar em um time profissional? Acho que não ficará muito feliz.

—É muito difícil eu ser chamado.

—Mas e se for?

—Eu vou. Não ligo para o que o velho vai dizer. E acho que você deveria fazer a mesma coisa a respeito de sua mãe.

—Como assim?

—Você não queria fazer jornalismo? Deveria seguir esse seu sonho.

—É mais complicado, Luke.

—Por que?

—Porque sim. Mas nem ligo muito. Só quero ter um trabalho para ajudar em casa, não para realizar sonhos.

—Isso é muito injusto.

—Enfim, Luke. Vamos deixar de achar um jeito de virar a conversa para o meu lado? Não gosto disso.

—Tá bem. Me desculpe.

—E agora eu acabei de me lembrar de uma coisa.

—O que?

—Você não vai mais para a aula de música.

—Ah, mas você tem que entender que...

—Eu entendo, Luke. -falei e sorri. -Só que eu queria me apresentar com você no show de talentos.

—Ah Cupcake... -ele disse e me olhou com os olhos tristes.

—Mas não se preocupe. Sei que pode me recompensar de outra forma.

—Tipo?

Dei um sorrisinho.

—Vocêsabe muito bem.

...

Minha mãe iria me matar. Não, matar seria muito leve. Provavelmente ela iria me torturar até perto da morte, me curar, depois me torturar novamente, até se cansar. Ora, o por quê disso? Eu estava fazendo o que ela sempre havia me proibido de fazer: Matar aula.

Mas eu não ligava mesmo. Eu estava muito ocupada no momento. Bem ocupada mesmo. Na cama de Luke.

Não sei como fomos parar lá, uma vez que estávamos sentados no sofá da sala dele. Só sei que agora estávamos aqui, com ele por cima de mim e eu completamente louca.

Luke me beijava com intensidade, e quando não estava na boca, trabalhava no meu pescoço, na minha orelha. Sua língua fazia um trabalho maravilhoso, e no meio do beijo eu não conseguia não suspirar. Eu adorava beijar Luke. Eu adorava Luke.

Devido a posição que estávamos, conseguia sentir seu volume pulsando dentro de sua cueca, o que me despertou um medo antigo. Me lembrei do dia em que quase fui estrupada, e um desespero começou a tomar conta de mim. Tentei não demonstrar isso, afinal era Luke que estava ali. Meu namorado. Ele não faria mal nenhum a mim. Não me forçaria a nada.

A mão dele pegou a minha e guiou até lá na região pulsante, a colocando lá e pressionando-a. Retirei institivamente. O que diabos ele queria que eu fizesse?

Luke parou de me beijar e me olhou.

—O que foi? -perguntou.

—Eu não entendo o que você quer que eu faça. -respondi e me sentei na cama, deixando Luke totalmente confuso. Olhei para as minhas mãos e notei que estava tremendo.

—Creio que você entende sim, só não quer fazer.

—Eu nunca fiz essas coisas, Luke. Não sei como fazer.

—Todo mundo nasce sabendo fazer isso. É puro instinto.

—E por que eu não sei?

—Você sabe, só não se sente confortável para fazer. E eu te entendo, tudo bem? Não precisa ter vergonha de admitir.

Luke se levantou e vestiu a camisa. Ele parecia meio chateado, e eu não o culpava por isso. A gente começou a namorar fazia pouco tempo, mas já fazia um tempinho que a gente ficava. E toda vez que ele tentava dar um passo a mais no relacionamento, eu o impedia. Aquele medo maldito me invadia sempre que ele tentava algo. Na minha cabeça, só conseguia imaginar aquele cara me segurando e me forçando a fazer as coisas. Além disso, eu tinha um ínfimo medo de não fazer bem o suficiente e Luke finalmente se tocar de que eu não era a garota certa para ele. Que Britney seria mais eficaz e tudo mais.

—Desculpa. -falei.

—Não precisa pedir desculpa. Eu é que tenho de pedir. Estou apressando as coisas demais.

—É que você já é tipo... acostumado a fazer essas coisas. Mas eu não, Luke.

—Eu sei, Cupcake. Não fique assim, tá bem? Eu espero o tempo que for necessário. -ele se aproximou e deu um beijo na minha testa. -E agora vou fazer algo pra a gente comer. Que tal assistir um filme?

Meu coração doeu, mas não por causa de um sentimento ruim. Eu me senti tão segura ali, com Luke. Eu queria dizer para ele o quão ele era incrível e o quão ele me fazia feliz. Mas as palavras não saíam. Então simplesmente assenti.

Quando ele saiu, me deitei na cama dele e agarrei seu casaco do time que estava na cabeceira. Inspirei fundo e consegui sentir o cheiro dele, me sentindo cada vez mais segura. Eu só queria que aquele medo idiota fosse embora. Eu só queria conseguir ser a garota que Luke precisava.

As lágrimas começaram a cair e eu senti nojo de mim mesma. Eu era fraca demais. Eu era idiota demais. Como Luke não poderia perceber que existiam milhões de garotas melhores que eu?

Comecei a soluçar, mas fiz o possível para sair baixinho. Me levantei e fui até o banheiro que havia no quarto de Luke. Lavei meu rosto e tentei me acalmar. Mas sabe aquele momento que você se vê chorando no espelho e dá tanta pena que você só faz chorar mais? Eu estava daquela forma. Mas ele não podia me ver naquele estado. Tranquei a porta do banheiro e sentei no vaso.

Passei as mãos no rosto e respirei fundo. Diziam que isso costuma acalmar as pessoas. Mas não estava funcionando.

—Cupcake? -a voz de Luke soou atrás da porta do banheiro.

Ele deveria ter ouvido minhas tentativas falhas de me acalmar.

—Oi. -falei, tentando deixar minha voz o mais normal possível.

—Abre a porta, por favor. -ele pediu.

—Eu estou usando o banheiro, espere só uns minutinhos. -menti.

—Eu sei que você não está usando o banheiro, Sophia. Por favor, abre a porta, fale comigo.

—Não, Luke. -falei e a voz embargou.

—Me diga o que está acontecendo, por favor. Deixe eu te ajudar.

Não sei o que deu em mim, mas abri a porta. Então me joguei nos seus braços, e ele me abraçou com força. Ele não perguntou mais nada, apenas ficou ali, me servindo de apoio e sussurrando que tudo ia ficar bem.

—Eu queria esquecer daquela noite, Luke. -falei. -Só isso.

Ele passou um tempo em silêncio, como se tentasse assimilar a história com o que estava acontecendo agora. Por fim ele disse:

—Sophia, isso é um trauma. Não tem como esquecer. Mas tem como você tratar para que ele não faça você sentir essas coisas. Você sabe que nunca mais eu deixarei algo desse tipo te acontecer. Então não precisa ter medo. Eu sou seu super-herói. Ou melhor, sou o príncipe que salva a princesa.

Sorri, ainda com o rosto no peito dele.

—Mas não quero sentir isso. Eu me sinto insegura de fazer qualquer coisa com você.

—Não precisa sentir isso, você sabe que eu nunca faria nada para te machucar.

—Eu sei. Mas é mais forte que eu, Luke.

—E, Sophia, eu não estou falando nisso por que quero que você faça comigo. Por que quero força-la a isso. Estou falando por que estou preocupado com você. E eu odeio ver você assim, com medo.

—O que você acha que eu deveria fazer?

—Eu poderia falar com Lauren. Ela poderia ajudar.

Assenti.

—Eu vou salvar você dessa escuridão, Sophia. E isso é uma promessa.

Continua...

Notas finais
Obrigada a todos! ♥