Real world

33 Capítulo 31


Notas iniciais
Hello, my friends! Voltei com mais um capítulo! Espero que não queiram me matar. AMO VOCÊS ♥

O dia amanheceu cinzento. Deveria estar combinando com meu humor. Sim, eu estava completamente arrasada pelo fato da noite anterior. Sim, eu havia passado a noite em claro. Sim, eu iria gastar boa parte do meu corretivo e do meu pó para esconder as olheiras.

Tomei um banho bem demorado, tanto para refletir um pouco tanto para lavar bem meus cabelos. Eu não deveria estar tão abalada. Luke sempre foi um babaca comigo, apesar de a gente estar ficando. Sempre soube que ele estava com outras meninas e tal... Quer dizer, a última vez que eu o vi ficando com alguém foi há algum tempo atrás... Mas isso não vem ao caso agora. Ele deixou transparecer que queria algo sério comigo para a ilusão ser maior. E meu sofrimento ser maior. Aquele ogro.

Vesti meu uniforme e passei maquiagem. Fora os olhos tristes e o sorriso forçado, eu parecia extremamente normal.

Fui para a cozinha e preparei ovos com bacon pra mim. Peguei um suco de caixa na geladeira e me sentei na mesa para merendar.

Ouvi passos se aproximarem e, ao levantar a cabeça, vi Pietro se sentar de frente para mim. Ele estava apenas com uma calça moletom, exibindo seus músculos definidos.

—Bom dia. –ele saudou e sorriu preguiçosamente.

—Bom dia. –respondi e sorri fraco. –Não vai para a escola hoje?

—Acho que não. Mamãe disse que viria hoje... Mas até agora nada. Não posso deixar os gêmeos sozinhos.

—Entendo. –falei e tomei um gole do meu suco. –Muito responsável da sua parte.

—Alguém aqui tem que ser.

—Espero que essa indireta não seja pra mim.

—Não foi. –ele assegurou. –Foi para mamãe.

—Ela acha que está certa, Pietro. Ela só quer o melhor pra a vovó.

—Mas ela não ouve ninguém e isso me irrita. –ele disse e revirou os olhos. Ele deu uma olhada nos meus ovos com bacon e tirou uma fatia de bacon do prato.

Bati na sua mão de leve e censurei:

—Deixa minha comida em paz.

—Egoísta.

—Não mexa na minha comida. É o que eu sempre digo.

Ele bufou e abriu a geladeira.

—Falando nisso, o que aconteceu? –perguntou, aparentando desinteresse.

—O que quer dizer?

—Eu vi você chorando á noite. O que houve?

—Nada. –respondi e tomei o último gole do meu suco, me levantando em seguida.

—Espero que seja TPM, não sofrimento por causa do Luke.

—Por que eu sofreria por ele?

—Porque ele é, em 99,9% do tempo, um babaca.

—Pode ficar tranquilo, irmão. A babaquice dele não me afeta. –falei e pisquei para ele, pegando minha mochila e indo para o ponto de ônibus.

Não demorou muito para que o transporte chegasse e eu entrasse no mesmo. Sentei em um dos primeiros bancos e encostei a cabeça no assento, fechando os olhos.

Tentei, juro que tentei, impedir meus pensamentos de irem até Luke. Mas foi em vão. Sempre que eu fechava os olhos, eu via aquela foto. Eu lembrava daquela maldita mensagem.

“Você é apenas mais uma na interminável lista de ficantes de Luke, Sophia. Você é apenas mais uma vadia que ele passa a mão.”

Trinquei o maxilar, irritada. Quem quer que tivesse querendo me atingir, não iria conseguir. Eu estava controlada. Não iria mais derramar uma lágrima por Luke. Ele não merecia. Ele não merecia minhas lágrimas.

Assim que cheguei na escola, fui interceptada por Rafa, que me esperava perto do meu armário.

—E aí? –saudou de uma forma amistosa. Sorri pra ele e respondi:

—Diga logo o que quer, Rafinha.

—Não me chame de Rafinha. Parece nome que os fazendeiros dão para as galinhas.

—Diga. –falei e abri meu armário, tirando meu livro de biologia lá de dentro.

—Preciso da sua ajuda.

—Para?

—Vou pedir a Nina em namoro.

—Vejo que levou a sério a nossa conversa.

—Claro que levei. Eu gosto realmente dela e quero fazer disso uma coisa oficial. E tem que ser MUITO especial.

—Então, já tem algo em mente?

—Ela vai viajar semana que vem. Passará 2 dias fora. Quando ela chegar, estarei em seu apartamento, com um buquê, música ao fundo e pétalas de flores no chão.

—E como você vai entrar lá, espertinho?

—Falei com a mãe dela. Ela amou a ideia e disse que sempre soube que eu e Nina daríamos certo algum dia. Falou até que apoiava muito eu com ela e tal.

—Muito bem. E onde eu entro nessa história?

—Você vai me ajudar a ornamentar lá, oras. Ou acha que sou capaz de fazer tudo sozinho?

—Na verdade, não. Você é bem desajeitado para essas coisas.

—Então... Vai me ajudar ou não? –perguntou, ansioso.

—Vou pensar no seu caso... –falei e ele bufou.

—Deixa de ser chata, Soph. –falou e revirou os olhos. Gargalhei e fechei meu armário.

Ao olhar para o outro lado do corredor, vi uma pessoa que não gostaria de ver hoje. Luke.

Minha gargalhada sumiu e eu desviei o olhar.

—Vamos. –chamei e Rafa percebeu algo.

—O que foi?

—Digamos que não quero falar com Luke hoje.

—Vocês brigaram?

—Não. Foi coisa pior. –falei e ele me seguiu.

Caminhamos até a sala onde assistiríamos a aula de biologia, que seria nas primeiras aulas. Nos sentamos em cadeiras próximas e ficamos quietos por um momento.

—Soube da nova? –ele perguntou, querendo quebrar o silêncio.

—Qual?

—Brian voltou.

—E ele tinha ido embora?

—Ao que parece teve que resolver umas pendências. Não sei muito bem.

—Está virando fofoqueiro, Rafael?

—Nina é bem informada, querida. –ele falou e deu língua. –Além do mais, achei que você gostaria de saber notícias do seu ex-paquera.

—Vamos esquecer esse infortúnio. –pedi e sorri forçadamente.

—Ah, já ia esquecendo. –ele falou e bateu na cabeça. –Você vai me ajudar a escrever algo bem bonito pra Nina. Bem romântico também.

—Você sabe que não sou romântica, nem nada disso.

—Só é fingir que é pro Luke...

Dei um tapa no ombro dele.

—Esse é um nome proibido hoje na roda de conversas, okay? –falei séria e ele assentiu.

—Tudo bem, tudo bem. Então, vai me ajudar a fazer?

—Sei lá. Você já tem alguma ideia?

—Na verdade, comecei a fazer um texto... Só que não sei se ele está muito bom.

—Leia-o pra mim. –pedi e ele pegou uma folha amassada de dentro da bolsa.

Ele pigarreou e eu sorri. Palhaço.

—“Dizem que o amor é a coisa mais inexplicável que existe. Por ele você é capaz de matar. Por ele você é capaz de morrer. No entanto, o que todos sabem mas ninguém quer admitir, é que é o melhor sentimento que alguém poderia sentir por outra pessoa. O amor cura qualquer ferida, remenda a alma. Faz com que sejamos felizes apenas por ver outra pessoa feliz.” –ele leu e sorriu, tímido.

—Você é um verdadeiro poeta. –elogiei. –Nunca seria capaz de fazer uma coisa dessas.

—Quando você sentir o amor pela primeira vez, você escreverá coisas melhores, acredite. –ele falou e guardou a folha.

—Então... Como você sabe que ama a Nina? –perguntei, pressionando os lábios.

—Não consigo explicar como cheguei nessa conclusão. Só sei que eu amo ela. Apesar dos milhares de defeitos dela, apesar de tudo. E eu acho que amar é isso: você amar, mais do que as qualidades, os defeitos de uma pessoa. E saber lidar com cada um deles e não querer muda-la por causa disso.

Meus olhos institivamente se encheram de lágrimas.

—Odeio ter que te aturar apaixonado, Rafael. –falei e esfreguei os olhos.

—Não chore. –ele falou e franziu a testa em preocupação. –Já quer dizer o que houve com você e Luke?

O sinal tocou. Suspirei.

—Teremos bastante tempo para conversar agora. –falei e ele riu.

...

Na hora do almoço, nos encontramos com Nina no refeitório.

—Não vi vocês hoje de manhã. –ela reclamou.

—Não fomos comer. Decidimos ir na biblioteca ver uns livros pro trabalho de biologia. –Rafa explicou e deu um beijo na bochecha dela, que sorriu.

—Da próxima, avise. Fiquei esperando vocês por muito tempo. –ela falou e entramos na fila.

Colocamos a comida e fomos nos sentar na mesa de sempre.

—Você vai viajar? –indaguei, me dirigindo para Nina.

—Sim. Vou pra Espanha semana que vem. –ela respondeu. –Por quê? Já quer encomendar lembrancinhas?

—Quero. –respondi. –Trás umas bem bonitinhas pra mim, por favorrrr. –falei e nós rimos.

—Só irei passar dois míseros dias. –ela revirou os olhos. –Pedi pra a mamãe para passarmos pelo menos uma semana, mas ela disse que eu não posso perder tanta aula.

—Agradeça por pelo menos sair daqui por 2 dias. –falei e me concentrei na comida, que por sinal estava deliciosa.

Estava deliciando a comida quando alguém chegou por trás e

tapou meus olhos com as mãos. Só pelo cheiro sabia quem era.

—Sai, Luke. –falei e lembrei dos acontecimentos da noite anterior. De quando ele me abraçou, da sua vontade de ser meu “super-herói”, da morte de sua mãe e de quando eu jurei que ele ia dizer seus sentimentos por mim. Mas depois me lembrei da foto que eu havia recebido, dele beijando Britney. Um nó se formou em minha garganta, e eu senti vontade de chorar. Ele não vale suas lágrimas, lembrei.

—Está de mau humor? –ele perguntou e se sentou ao meu lado.

—Não. Só estou cansada. –respondi sem olhar para ele. Pelo canto do olho, vi sua expressão murchar.

—Aconteceu alguma coisa? –ele perguntou e eu olhei para seu rosto. Ele estava com aquela carinha de preocupado, quando suas sobrancelhas se uniam e sua boca se transformava em uma linha fina. Eu estava com nojo daquela carinha teatral.

—Só... saia daqui. –tentei fazer com que minha voz saísse normal, forte. Mas ela saiu mais como uma murmuração. Além disso, senti que iria chorar a qualquer momento. E eu não queria dar aquele gosto a Luke. Não queria e nem iria.

Ele me olhou, franzindo a testa. Porém, ao que pareceu, entendeu o recado.

Assim que ele saiu, Nina me olhou, apreensiva.

—Que droga foi essa que aconteceu aqui? –perguntou.

—Nada. –minha voz sumiu.

Nina olhou para Rafa, atrás de respostas.

—Não olhe pra mim. –ele falou e jogou as mãos para cima. –Assim que ela quiser, ela te conta, Nina.

—Não acredito que sempre vai ser assim agora! Os dois escondendo coisas de mim! –ela estava irritada.

—Só não quero ter que explicar nada agora, está bem? –expliquei. –Fala pra ela, Rafa.

Então Rafa contou um pequeno resumo do que eu havia lhe contado mais cedo. Nina me olhou, com raiva no olhar.

—Espero que essa pessoa que mandou essa foto esteja bem escondida, por que se eu achar, eu mato! –essa era a minha amiga, querendo resolver tudo na porrada.

—Não é assim, Nina... –suspirei.

—Não acredito que alguém teve coragem de fazer isso com você. –ela balançou a cabeça, como se não acreditasse.

—Isso foi até bom. Me fez abrir os olhos. Eu e Luke não formamos um “nós”. Seja lá o que tiver acontecendo entre eu e ele, acabará hoje. –falei e afastei o prato. –Vocês podem levar o prato por mim?

Eles assentiram.

Saí do refeitório e segui para um lugar que eu tinha certeza de que ficaria sozinha. A verdade é que eu não queria pôr um fim naquilo que estávamos tendo. Apesar de tudo, ele me fazia um bem tão grande...

Só queria chorar sozinha. Depois resolveria o que iria fazer.

Fui para a quadra e percebi que ela estava vazia. Graças a Deus.

Me sentei na parte mais afastada das arquibancadas e chorei.

Por que eu era tão fraca? Por que eu não conseguia ficar perto dele sem sentir tanta dor? Se isso é apaixonar-se, não quer irro para mim. Que raios de doença que parece destruir nosso coração de dentro para fora?

É nisso que dá, se apaixonar por um imbecil como Luke. Odeio sentir isso. Logo por ele, que é um idiota, um babaca, um cretino...

—Cupcake? –uma voz me chamou. Só alguém me chama desse jeito.

Olhei para a frente e vi Luke parado na entrada da quadra.

Ele correu até onde eu estava e ficou de frente para mim.

—Saia daqui, por favor. –pedi pela segunda vez no dia.

—Agora você vai me dizer o que aconteceu? –ele perguntou e fez aquela mesma carinha de antes.

—Você aconteceu, caramba! –exclamei e bati no seu peitoral.

—É, eu aconteci. –ele falou e ainda teve a audácia de sorrir.

—Você é um idiota, Luke. –falei e enxuguei minhas lágrimas. Ele não me merecia. Estava se divertindo com meu sofrimento. Idiota. –E eu sou uma idiota ainda maior por estar com você!

—Sophia... –ele tentou segurar minha mão, mas eu desviei.

—E nem venha com aquela ladainha de “amizade colorida”. Isso sempre foi um truque para me pegar. SEMPRE.

—O quê? Não! –ele parecia incrédulo.

—E eu, ingênua do jeito que sou, acreditei que você queria me proteger. Que você sentia algo por mim. Mas você deve ter usado essa tática com tantas outras garotas... Fazendo-as acreditar que elas eram especiais, que você iria mudar por elas... Para depois mostrar o verdadeiro babaca que você é e...

—Eu não te trato igual a elas. –ele me interrompeu.

—Não Luke, tudo bem. –respondo e procuro seu olhar. –Só sei que chega.

—O quê?

—Seja lá o que a gente tinha, chega! –falo e várias lágrimas escorrem pela minha bochecha. Antes de ele falar mais algo, começo a andar para a saída da quadra.

Antes de alcançar a porta, escuto sua voz perguntar:

—Por que isso agora?

Respirei fundo e, antes que eu pensasse duas vezes, escapou da minha boca:

—Por que eu estou apaixonada por você. E eu não mereço isso. Você é muito pouco pra mim. –antes que ocorra mais algo, saio correndo.

Se antes meu coração estava destruído, agora ele estava reduzido a pó.

Continua...

Notas finais
não me matem, pleaseeeeeee