Real world

22 Capítulo 21


Notas iniciais
Oi oi gente! Então, vim avisar que minha outra fic já está pronta! O link dela: https://fanfiction.com.br/historia/693040/Predestinado/ Espero que gostem, tanto dela quanto deste novo capítulo!

Rafa havia me chamado para encontra-lo no depósito do zelador.

Caminhei até lá, enquanto meu corpo ainda formigava e meu coração ainda batia acelerado.

Eu ainda não conseguia acreditar que eu estava me pegando com Luke na quadra da escola. Meu Deus, e aquele lance de amizade colorida? Eu estava pirando, completamente.

Mas não posso negar que foi INCRÍVEL.

Sorri sozinha enquanto abria a porta do depósito.

Ah não, Nina estava lá.

—Demorou ein? -Rafa repreendeu.

—Eu estava falando com Brian. -respondi.

—Ele passou aqui faz meia hora. -Rafa semicerrou os olhos. -Com quem você estava?

—Eu falei com o Brian e depois fui pensar um pouco. -menti novamente.

—Aí algum bicho deu uma chupada em seu pescoço. -ele falou e eu senti as bochechas esquentarem. Não acredito que Luke fez isso!

Passei a mão no local do pescoço e senti uma leve dor. AH NÃO.

—Ok, ok. Você me pegou. -joguei as mãos para o alto em sinal de rendição. -Eu estava ficando com um menino do segundo ano.

—Quem? -ele perguntou curioso.

—Alexander. -respondi, lembrando do menino que havia me cantado no início do ano.

—Ahh. -ele sorriu, safado. -Vejo que ele tem pegada.

—E muita. -sorri amarelo.

—Mas vê se não sai pegando todo mundo. Maneira um pouco aí.

—Eu sei, Rafa. Tudo bem. -assegurei. -Mas e aí, pra que você me chamou?

—Você deve saber. -ele ficou sério. -Essa briguinha de vocês duas já foi longe demais.

Cruzei os braços, e Nina fez o mesmo, me encarando.

—Não tenho culpa se a errada da história tem orgulho demais para pedir desculpas. -falei.

—Ela não é a única errada da história, Soph. -Rafa intercedeu a favor dela.

—E o que eu fiz, pelo amor de Deus?! -questionei, exaltada. -Eu não fiz nada!

—Mas eu também errei, lembra? E você já me desculpou. -ele relembrou.

—Mas você veio atrás de mim. Você pediu desculpas.

Olhei de relance para Nina, que ainda continuava na mesma posição. Rafa olhou pra ela e fez gestos para que ela falasse alguma coisa. Nada saiu da boca dela.

—Não posso perder o horário do almoço assim. Vou indo. -falei, sem paciência e já estava na porta quando, de repente, ela falou.

—Desculpa, Soph. -ela começou. -Eu não deveria ter falado com você daquela forma, fazendo com que chamasse muita atenção. Eu estava com raiva e não percebi o que estava fazendo. Mil desculpas.

Fiquei a encarando por um breve momento. Por fim, sorri.

—Tudo bem. -respondi.

Ela suspirou de alívio e veio ao meu encontro, me dando um forte abraço.

—Ainda bem que o plano A funcionou. -ela falou e riu.

—Plano A? -perguntei, confusa.

—Eu tinha um plano B se você não me desculpasse.

—E qual seria ele?

—Te dar um belo tapa.

—Nossa. -fiquei surpresa, mas mesmo assim ri.

Ela me afastou do abraço e disse, pegando sua bolsa.

—Agora vamos dar um jeito nesse chupão aí do seu pescoço. -ela informou enquanto balançava um pote de base na frente do meu rosto.

...

Na saída da escola, me deparei com uma cena interessante. Luke estava se amassando com a Britney em cima do capô do carro dela. O que há de interessante nisso? A mão dela. No... err... no... Dentro das calças dele.

Fiquei horrorizada com aquilo. Tudo bem se fosse dentro de um quarto, ou até mesmo dentro de casa. Mas na escola e na frente de todo mundo?!

Rafa viu minha cara e explicou:

—Ela não tá com a mão dentro da cueca dele, Soph. Está apenas dentro da calça.

—Mesmo assim. Que pouca vergonha!

—Você parece uma avó falando.

Lembrei de mim e Luke se amassando na quadra, como a gente quase saiu do controle.

Se Rafa tivesse visto, ele não diria que eu pareço uma avó. Não mesmo.

Me despedi dele e fui até o ônibus.

Procurei um lugar onde não tivesse ninguém e sentei na cadeira perto da janela. Fechei os olhos e tentei tirar aquele peso da consciência.

Será que Luke estava namorando com Britney e eu estava meio que ajudando-o a trair ela? Apesar dela ser uma vadia, eu não queria servir de amante a ninguém.

Eu estava tão concentrada, que nem percebi quando alguém sentou do meu lado.

—Está pensando em quê? -Luke perguntou.

—Várias coisas. -respondi.

—Compreendo.

—E o que você faz aqui? -era estranho, Luke tinha carro.

—Meu pai chegou de viagem e viu tudo o que eu tinha aprontado. Disse que vai me deixar sem carro durante 1 mês.

—E por que não te vi no ônibus de manhã cedo?

—Perdi a hora. Cheguei 1 hora depois do horário.

Ficamos um tempo em silêncio, até que minha curiosidade falou mais alto.

—Você está namorando com a Britney? -perguntei.

Ele olhou surpreso pra mim, e deixou escapar uma risada.

—Nós temos um caso complicado. Mas, definitivamente não é um namoro. -explicou.

—Ah.

—Por quê? Não quer ser a minha amante?

—Fale baixo! -exigi e ele riu.

—Sophia, eu já expliquei. Somos só amigos. Que se pegam. Ás vezes.

—Eu sei, Luke. Só que eu não gostaria de ser uma amante, nem que fosse da Britney.

—Pelo o que ela diz sobre você, eu levei a crer que você a odiava.

—Eu não a odeio. Mas também não gosto dela. Ela jogou uma bola de basquete no meio da minha cara.

Ele riu novamente.

—Ah eu lembro. Você vomitou quase em cima de mim. -ele falou e eu ri. Aquele dia foi horrível.

—Mas você não falou comigo, então fingi que você nem estava lá.

—Mas eu estava. E vi aquele monte de comida saindo da sua boca e... Argh! Foi nojento.

—E você estava todo soado porque estava com falta de ar. -relembrei e ele deu um sorriso amarelo.

—Eu tenho asma desde bem pequeno.

—Mas mesmo assim joga futebol.

—Não mais. Um palhaço pegou meu lugar no time. -ele falou e desfez o sorriso.

—Pensava que você gostava de música...

—E gosto. Só que entre música e futebol, sempre escolherei futebol.

—Ah.

Antes de eu falar outra coisa, uma pessoa chamou minha atenção ao entrar no ônibus. Ah não.

—Ali é o Brian? -questionei.

—Ao que parece é. -ele observou e deu de ombros. -Minhas fontes me disseram que a irmã dele está aqui, em Londres, e que veio buscar o carro dele.

—Nossa. -exclamei. -Deixou o coitado a pé!

—O coitado? -ele pareceu incrédulo.

—Luke...

—Ele te deixou lá na balada sozinha, falou um monte de coisa hoje pra você, e ainda chama ele de coitado?

—Ele não teve culpa.

—Mas foi um idiota.

—Não disse que ele deixou de ser idiota. Só disse que ele é um coitado.

Luke revirou aqueles incríveis olhos azuis.

—Tanto faz. Chame quem quiser de coitado, mesmo quem não mereça. -resmungou e colocou os fones de ouvido.

Peraí, Luke estava com raiva?

Já ia começar a falar um monte de coisa pra ele, quando senti um olhar em cima de mim.

Olhei para frente e vi que Brian me olhava, decepcionado. Ao invés de desviar o olhar, sustentei-o. Queria deixar bem claro que eu não me importava mais com ele, que ele poderia morrer que não faria falta.

Ele não suportou olhar tanto tempo. Logo desviou o olhar. Covarde.

Então, me foquei novamente em Luke.

Tirei os fones de ouvido dele e falei a primeira coisa que veio á minha mente:

—Sabia que as aulas de música vão voltar? E dessa vez pra valer?

—E tinha parado? -ele ironizou.

—Deixa de ser palhaço, idiota! -dei um murro de leve em seu ombro. -Estou falando sério.

—Eu sei. Britney disse que pararam por uma semana por causa de um pequeno problema. Mas vai voltar tudo ao normal a partir de amanhã.

—Britney te conta tudo, né?

—Digamos que eu tenho que ouvir tudo. De vez em quando sai até umas notícias legais... Mas tem vezes que são só fofocas.

—E por que você simplesmente não diz que não quer ouvir?

—Porque ela é uma das únicas pessoas que me ouve. Principalmente agora que o Nathan viajou. Não posso tratar minha única amiga como um lixo.

—Mas agora você tem a mim.

—Você não conhece nem metade da minha história, Cupcake.

—Se você me contasse, eu saberia.

—Peraí, você me odiava até sábado. Não posso ter certeza de que voltará a me odiar.

Cruzei os braços, irritada.

—Não vou voltar a te odiar. Eu nem te odiava. -expliquei, impaciente.

—Ah, agora você está com raiva? -ele se virou pra mim.

—E se eu estiver?

—Problema seu. -ele se virou novamente pra frente.

—Você é muito irritante! -reclamei.

—E você é muito enjoada.

—Enjoada? -fiquei boquiaberta.

—Nunca te disseram isso antes?

—Não.

—Pois ainda bem que fui o primeiro. Adoro ser o primeiro. Em vários quesitos. -ele piscou pra mim.

Virei pra frente. Não falei mais nada. Não adiantava mesmo.

Demorou cerca de 15 minutos para que o ônibus parasse de frente á minha casa.

Peguei minha mochila e pedi:

—Luke, com licença.

Ele levantou e me deu passagem.

Antes de eu passar por ele, ele falou:

—Thau, Cupcake.

Revirei os olhos, mas um sorriso bobo surgiu em meus lábios. Pare com isso Sophia. Pare.

Entrei em casa e fui recebida por Juan, que veio correndo preocupado em minha direção.

—A vovó sumiu de novo! -ele informou, nervoso.

Soltei minha mochila rapidamente no sofá e perguntei:

—Cadê o Pietro?

—Foi procura-la. -ele respondeu. -Ele nem ligou para a mamãe, para que ela não se preocupe a toa.

—Mas e se ele não achar a vovó? Vamos ter que avisar a mamãe de qualquer forma.

—Pietro vai achar ela. Calma.

—Cadê Lydia?

—Na casa da Marian. Ela também ainda não sabe.

—Como a vovó sumiu?

—Não sei. Eu dormi a tarde inteira. Acordei com Pietro berrando comigo.

—Ah meu Deus. -murmurei. Massageei as têmporas para colocar as ideias no lugar.

Fui até o meu quarto e peguei meu celular. Disquei o número de Pietro, que atendeu em dois toques.

LIGAÇÃO ON

—A vovó apareceu aí? —ele perguntou.

—Não! -respondi. -Pietro, temos que avisar a mamãe!

—Ela vai querer matar Juan.

—Juan não é babá de ninguém.

—Mas você sabe como ela é.

—Mesmo assim. Ligue pra ela agora e a avise. Imagina se a vovó não aparece?

—... —ele não respondeu nada.

—Pietro?

—...

—PIETRO? -perguntei, quase gritando.

LIGAÇÃO OFF

AGORA EU ESTAVA DESESPERADA.

Juan me esperava na sala de estar, e quando viu meu estado, se alarmou.

—O que foi? -perguntou.

—Não sei. -falei e senti as lágrimas caírem. -Eu estava falando com Pietro e a ligação caiu.

—Deve ter sido algum corte...

—Não, não foi. -tentei enxugar as lágrimas e, por incrível que pareça, Juan veio e me abraçou.

—Calma, Soph. Você nunca foi de se descontrolar assim.

Balancei a cabeça, confirmando.

—É só que não quero perder a vovó, entende? -falei respirei fundo.

A porta se abriu e Lydia entrou.

—O que aconteceu com a vovó? -perguntou, com os olhos cheios de lágrimas.

—Ela sumiu. -Juan explicou e abraçou-a.

Meu celular tocou novamente e eu atendi. Era Pietro.

LIGAÇÃO ON

—Pietro, pelo amor de Deus, o que houve? -perguntei, com a voz ainda embargada.

—Eu encontrei a vovó.

—Graças a Deus! E onde ela estava?

—Ela foi atropelada, Soph.

Comecei a chorar novamente.

—Ah meu Deus, Pietro. E como ela está? -solucei.

—Ela está bem mal... —sua voz falhou. —Mas os médicos dizem que ela vai sobreviver, Talvez tenha algumas sequelas...

—Eu quero ir pra aí!

—Eu já liguei pra a mamãe. Não preciso de duas mulheres nervosas aqui. Sua missão é cuidar dos gêmeos. Não se descontrole, Soph. Conto com você.

—Mas...

—Mas nada, Sophia! Vou ter que desligar. Se cuida.

LIGAÇÃO OFF

Quando bloqueei a tela do celular, vi meus irmãos com olhares assombrados pra mim.

Engoli em seco, dei o meu melhor sorriso e disse:

—Quem quer pipoca?

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem, favoritem, recomendem, acompanhem!