Real world

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Olha que coisa boa, mais um capítulo! Dois capítulos em menos de 5 dias?! :O Hahaha, mas é que não consegui me segurar. Esse capítulo vai matar vocês do coração. BEM, SEM MAIS DELONGAS... Bom capítulo p vcs hahaha

Hoje era sábado. O dia em que eu ia sair com Brian.

Só faltava eu descobrir como.

Eu já tinha pedido para que Pietro me ajudasse, mas ele disse que nunca me ajudaria a me encontrar com um garoto. Se eu realmente quisesse ir, eu que me virasse.

E o pior de tudo é que eu ainda estava sem falar com a Nina. Orgulho? Provavelmente.

Eu meio que evitava beijar Brian na escola, pois não queria pegar suspensão e muito menos queria que minha mãe soubesse. Teria que me encontrar com ele hoje, de qualquer maneira.

Mas enfim, não conseguiria orquestrar um plano deitada. Optei por me levantar e já fui agarrando meu celular. Tinha uma mensagem de Brian.

“Já falou com sua mãe?” —ele enviou.

Respirei fundo e menti:

“Já. Me diga onde e quando nos encontramos.”

“Na balada nova que está fazendo bastante sucesso. Na rua Fleet Street. Ás 7 horas. Pode ser?”

“Pode. Nos encontramos lá. Beijos.”

“Vou enchê-la deles mais tarde haha.”

Ri sozinha. Agora só faltava eu enrolar minha mãe.

...

Eu já tinha tomado um bom banho e colocado uma roupa simples para ficar em casa.

Assim que cheguei na cozinha, vi que todos estavam lá, inclusive Pietro, que pegava um suco de laranja na geladeira.

—Bom dia. –saudei e todos responderam o mesmo. Me sentei ao lado de Pietro e peguei um pedaço de bolo de cenoura.

—Mãe, hoje a noite vou fazer um trabalho lá no Rafa. –informei.

Minha mãe negou com a cabeça.

—De jeito nenhum. Segunda é prova de matemática para os gêmeos, e você vai ajuda-los. –ela disse e tomou um gole de café.

—Não pode ser amanhã? –droga, droga, droga. Meu plano estava indo por água abaixo.

—Não. Fica muito em cima.

—Eu ajudo eles hoje á tarde. –minha voz estava com um pouco de desespero.

—Hoje á tarde eles vão para o dentista. –ela disse e me olhou desconfiada. –Que trabalho é esse que só pode ser feito hoje?

Olhei para Pietro, em busca de ajuda, mas ele nada falou. Apenas arqueou uma sobrancelha, como se dissesse: E agora, maninha?

—É que esse trabalho é o trabalho bimestral de geografia. Se eu tirar nota ruim nele, eu me ferro. E é muito trabalhoso de fazer. –expliquei.

—É pra quando? –ela questionou.

—Segunda-feira. –falei e ela ficou em silêncio por um tempo. –Mãe, se eu tirar nota vermelha, eu posso perder a bolsa. –era minha última jogada.

—Você não poderia ir á tarde?

—Não. Ele vai ter que sair.

—Tudo bem, então. –ela disse, por fim. Meu coração deu pulinhos de alegria. –Pietro, você vai deixar ela lá.

Sorri. Eu consegui enrolar minha mãe. UHU!

...

Atendi o meu celular, que não parava de tocar. Era Rafa.

LIGAÇÃO ON

—Pode me contar o seu bendito plano? —ele começou, sem nem me deixar dizer oi.

—Oi pra você também.

—Ah. Oi Sophia, tudo bem? Como é esse bendito plano?

Ri.

—Você só tem que dizer que estou fazendo trabalho em sua casa, caso minha mãe ligue. E avise á sua mãe, por favor.

—Não parece tão complicado. Você e Brian vão para onde?

—Na balada perto da casa da Nina.

—Cuidado por ali, Soph. Ouvi falar que ali anda muito perigoso.

—Calma, Rafa. Eu não vou sair de dentro da balada.

—E se forem trans...

—A GENTE NÃO VAI FAZER ISSO. –eu praticamente gritei.

—Eu ia dizer transitar, sua pervertida! —ele riu.

—Vou logo desligar, antes que eu te diga umas coisas.

—Pode desligar, sua masoquista.

—Não me chame assim, otário.

LIGAÇÃO OFF

E desliguei, com a risada de Rafa ainda ecoando em meus pensamentos.

Agora só faltava chegar a hora.

...

—Sophia, cuida! –Pietro chamou pela milésima vez.

—Já estou indo! –falei e terminei de arrumar minha bolsa. Qual é, eu não poderia ir toda arrumada para a casa do Rafa né?

Pietro disse que eu poderia me trocar na lanchonete e, apesar de o banheiro de lá ser imundo, eu iria me trocar lá mesmo.

Arrumei a bolsa nas costas e desci para a sala. Já eram 6 e meia, e se eu não corresse, iria chegar atrasada.

Minha mãe estava sentada no sofá, com Lydia em seu colo.

—Vai chegar que horas? –minha mãe perguntou.

—Não sei. Eu ligo para Pietro ir buscar.

—E essa bolsa? –Lydia perguntou e eu fiquei com vontade de dar uns belos tapas nela.

—Pietro me deixou levar o notebook dele. E também estou levando uns livros. Mais alguma pergunta?

—Não. Mas lembre-se que amanhã você vai ajudar os gêmeos.

—Não me esquecerei. –respondi e saí.

Pietro praticamente voou até a lanchonete. Entrei lá correndo e fui direto para o banheiro. Estava um pouco sujo, mas serviu.

Tirei meu short que estava vestindo e coloquei uma mini saia jeans, que batia na metade da coxa. Coloquei um camisão de botão e amarrei na frente. Por fim, calcei meus saltos pretos e fui para frente do espelho para me maquiar. Passei pó, sombra, rímel, um fino delineado e um batom vermelho. Soltei meus cabelos e balancei a cabeça, para ficar o mais natural possível.

Quando saí do banheiro, Pietro me analisou de cima a baixo e teceu um comentário:

—Espero que ele se comporte direito. –e fomos para o carro.

No caminho, fiquei bastante nervosa. Não me pergunte por quê.

Pietro estacionou de frente á boate e eu me despedi.

—Assim que acabar, me liga! –ele disse e foi embora.

Eu entrei na boate e vi que estava bastante lotada. Uma banda tocava e eu reconhecia aquela voz de algum lugar...

Meu celular vibrou. Era uma mensagem do Brian.

“Vou me atrasar um pouco. Chego em 10 minutos.”

Ah, ótimo. Para o primeiro encontro...

Suspirei e mandei um O.K. pra ele.

Fui para o barzinho que ficava de frente para o palco e comprei um refrigerante, apenas para passar o tempo. Dei uma olhada no palco e percebi por quê a voz soar tão familiar. Era a voz de Lucas.

CARAMBA, AQUELE MENINO TAVA ME PERSEGUINDO?

E o pior é que ele estava apenas de regata, mostrando seus braços fortes. E suado. Ele estava suado. Meu Deus, ele era realmente muito lindo.

Ele cantava uma música que eu não conhecia, mas vi que era muito bonita. Nunca me passaria pela cabeça que Lucas cantava em boates. Será que aquela era a banda dele?

Acho que o encarei por muito tempo, pois seu olhar recaiu sobre mim. Um sorriso se formou em seu rosto, e não pude deixar de retribuir também. Ele começou a cantar Love Yourself de Justin Bieber.

“For all the times that you rained on my parade (Por todas as vezes que você estragou meu dia )

And all the clubs you get in using my name (E todas as baladas que você usa meu nome para entrar)

You think you broke my heart, oh girl for goodness sake (Você pensa que quebrou meu coração, ah garota, pelo amor de Deus)

You think I'm crying on my own, well I ain't (Você acha que estou chorando sozinho, bem, não estou)”

A voz dele era tão melodiosa e suave. Nem parecia aquele garoto irritante que espalhou uma mentira sobre mim e minha mãe.

Ele parecia tão... normal.

...

Brian disse que chegaria em 10 minutos. Já era 8 e meia e nada. Lucas já tinha parado de tocar fazia pouco tempo, e tinha simplesmente desaparecido. Deveria estar se comendo com alguém agora. Enquanto isso, eu mexia no celular e mandava mil mensagens para Brian perguntando onde ele estava. Ele não respondeu nenhuma.

Poderia ser algum problema maior, mas não pude deixar de sentir raiva.

Me levantei da cadeira onde eu estava sentada e saí da boate. Liguei para o Rafa e ele disse que estava em casa. Ele informou que tinha um ônibus que passava ali que ia para a rua dele.

Fui para o ponto de ônibus, que ficava a uns 10 metros da boate, e me sentei. Passaram uns 3 ônibus, mas nenhum era o certo.

Poucas pessoas transitavam por ali. E teve uma hora que simplesmente fiquei sozinha.

Vi pelo canto do olho que um homem se aproximar e sentar ao meu lado.

Ele olhou descaradamente para as minhas coxas e depositou sua mão lá.

Eu olhei para ele na intenção de falar umas coisas, quando ele pegou uma faca e disse:

—Se você gritar, eu corto sua garganta.

Engoli em seco. Aquilo não podia estar acontecendo comigo. Não. Não. Não. Era só um pesadelo. Acorda, Sophia! Acorda!

Ele, com a faca ainda em mãos, me puxou até um beco que tinha ali perto. Me jogou no chão, totalmente sem jeito, e eu senti que tinha me cortado com alguma coisa. Meu braço latejava demais.

—Não acha que essa roupa está provocativa demais? –ele lambeu os lábios de um jeito nojento. –Você vai aprender como se vestir de agora em diante.

Eu gritei. E daí que ele tava com uma faca?

O homem se jogou em cima de mim e tentou desfazer o nó da minha blusa, sem sucesso. Com certa impaciência, ele rasgou-a no meio, me deixando apenas de sutiã.

Gritei novamente. Não conseguia mais ver a faca dele. Ele devia ter largado ela em algum lugar. Comecei a me espernear, na tentativa de ele sair de cima de mim. Mas ou ele era muito forte, ou o medo que eu sentia me deixou fraca.

Ele começou a me lamber e eu senti vontade de vomitar. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo.

—Por favor, pare! –implorei, sentindo alguma coisa quente molhar minhas bochechas. Eu estava chorando?

—Cale a boca! –ele ordenou e prendeu minhas mãos no chão, com muita força. Estava machucando. Muito.

—Me solte! Está machucando! –gritei e cuspi na cara dele. –ME SOLTA!

Ele, ainda segurando um dos meus braços, desabotoou sua calça e a minha saia. Pude ver o seu membro completamente ereto, já que ele não estava de cueca.

—NÃO! –gritei. E tentei chutar aquela coisa, mas ele prendeu minhas pernas.

—Chega. –ele sussurrou. E riu, um riso de escárnio.

Então senti seu membro roçar minha calcinha.

—Por... favor... –eu já estava sem energia para gritar.

Foi aí que escutei uma pancada. Algo como uma barra de ferro. O homem caiu inconsciente por cima de mim, seu membro roçando minhas pernas.

Gritei de nojo.

O meu suposto salvador me pegou no colo, e eu não tive coragem de abrir os olhos. Aquele cheiro... Não era Brian.

As lágrimas estavam descendo rapidamente. Eu me sentia tão envergonhada. Tão suja.

O meu salvador abriu a porta de um carro e me colocou gentilmente no banco. Então abri os olhos. Não era o carro do Brian.

Olhei para o lado e vi Lucas ligar o carro.

Lucas me salvou.

Um soluço saiu da minha garganta e eu não consegui frear as lágrimas que desciam. Lucas parou o carro no meio de uma rua deserta e me olhou.

—Se acalme. –ele se aproximou e secou as lágrimas das minhas bochechas. –Você está com frio?

Eu não tinha percebido que estava tremendo. Não sei se era de frio ou por causa do que aconteceu. Mas eu assenti.

Ele tirou sua jaqueta de couro e colocou por cima de meus ombros, sem desviar o olhar uma única vez para meus seios quase á mostra. Seu olhar estava preso ao meu.

Ele olhou para a parte de baixo do meu corpo e vi que a saia ainda estava desabotoada. Seus olhos, porém, estavam analisando minhas pernas, que estavam cortadas.

—Vou te levar para o hospital. Depois vamos para a delegacia. –ele informou e deu a partida no carro.

—Não. Por favor. –pedi, a voz embargada pelo choro.

—Sophia, você está machucada.

—Eu não quero ir pro hospital. Muito menos delegacia. –falei e solucei.

—Tudo bem. –ele suspirou, e pude ver tensão em seu modo de agir. –E para onde você quer ir?

—Nárnia seria interessante. –falei e ele riu, nervoso.

—Tudo bem então. Vamos procurar um guarda-roupa por aí. –ele disse e eu sorri, apesar de tudo.

Ficamos um tempo em silêncio e ele o quebra:

—Sophia, não fique sozinha nestes locais. Imagina se eu não tivesse chegado... –ele não completou a frase, mas nem precisava.

Só de imaginar o que teria acontecido, eu comecei a tremer novamente.

—Eu sei. –respondi apenas.

—O que você estava fazendo lá?

—Levei bolo de um garoto. –falei e cruzei os braços, como se fosse para me auto proteger.

—Brian?

—Não é da sua conta.

—Desculpe. –era a primeira vez que eu ouvia aquelas palavrinhas saírem da boca de Lucas.

Mas minha mente nem processou muito. Ela estava concentrada em outros fatos.

Depois de muitos anos sem derramar uma lágrima, parecia que elas queriam tirar o atraso. Todos os sentimentos que eu havia guardado dentro de mim estavam saindo por aquelas lágrimas.

Por que meu pai foi embora?

Por que minha mãe brigava tanto comigo?

Por que meu avô reagiu ao assalto?

Por que minha avó estava esquecendo as coisas?

Por que Lucas tinha espalhado aquela mentira?

Por que a Nina tinha explodido daquele jeito no refeitório?

Por que Brian tinha me deixado plantada na boate esperando por ele?

Por que aquele homem queria me estuprar?

Por que? Por que?

Sem conseguir mais me segurar, gritei. Todos essas angústias estavam me partindo ao meio. Eu não conseguia respirar. Eu não conseguia mais pensar. Tudo estava tão confuso.

—Sophia? –Lucas parou o carro novamente.

Abri a porta do carro sem nem pensar duas vezes e corri. Tropecei e caí no chão com tudo. Senti uma dor no joelho e gemi.

Olhei ao redor e vi que estávamos fora da cidade, no meio do nada. Só conseguia ver árvores e alguns barulhos de animais.

—Onde estamos? –perguntei, ouvindo os passos de Lucas ecoarem atrás de mim.

—Você disse que não sabia para onde queria ir. Achei que sair da cidade te ajudaria um pouco.

Balancei a cabeça, confirmando. Senti meu joelho arder e analisei-o. Estava sangrando.

—Você definitivamente precisa ir para um hospital. Essas feridas podem infeccionar. –ele observou.

—Eu só quero um momento sozinha.

—Não vou te deixar sozinha aqui. Você pode tentar fugir de novo.

Ele sentou-se ao meu lado e suspirou.

—Eu sei que isso foi difícil, Sophia. –ele olhou pra mim. –Mas você não pode ficar assim.

Balancei a cabeça, como se confirmasse.

—O pior já passou. –ele puxou meu queixo pra cima. Seus polegares acariciaram minhas bochechas. –Agora é só seguir em frente.

Assenti.

—Quer ir agora? –ele perguntou.

Assenti novamente.

—Vai para onde?

—Rafa. –respondi, sem hesitar. Ele era o único que poderia me ajudar agora.

Voltamos para o carro e passamos o caminho inteiro sem dizer uma única palavra.

...

Lucas estacionou de frente á casa do Rafa e desceu do carro para abrir a porta pra mim.

—Pode pegar sua jaqueta. –já ia tirando, mas Lucas balançou a cabeça.

—Você não vai ficar nua. Pode ficar com ela. Segunda você me devolve.

Assenti e dei as costas para ele, avançando em direção á casa do Rafa. Porém, esqueci de dizer algo.

Me virei e vi que ele ainda estava me observando, como se certificasse que eu entrasse na casa em segurança.

Fui até onde ele estava e disse:

—Obrigada.

—Pelo quê?

—Por ter me ajudado. Mesmo nós sendo... Inimigos. Serei eternamente grata, Lucas.

—Pode me chamar de Luke. –ele sorriu.

—Obrigada, Luke. –falei e dei um meio sorriso.

—E, a respeito de sermos inimigos... –ele riu. –Vamos esquecer essa parte.

—Já esqueci há muito tempo.

Ele sorriu e olhou para seus sapatos. Essa era minha deixa. Me virei e já ia andar para casa, quando ele me chamou.

Olhei para ele, e ele se aproximou de mim.

Deu um beijo na minha testa e falou, sorrindo:

—Se cuida, Cupcake.

Que a ciência explique porque meu estômago se embrulhou inteiro nessa hora.

Continua...

Notas finais
Como estão seus corações? Comentem o que acharam! ;)