Real Love
20 Incêndio
Notas iniciais

Isaac estava no chão com as mãos nos ouvidos tentando abafar o som muito alto dos gritos e o cheiro muito forte de dor e sofrimento. Não sentiu quando alguém se aproximava dele, apenas notou quando uma mão fria tocou-lhe o ombro e se assustou com o contato já brilhando os olhos para a pessoa.
– Calma lobinho, só quero te ajudar.
Olhou para a linda loira que estava parada ao seu lado, com um rosto um tanto ameaçador, mas ele precisava de ajuda e não iria rejeitar.
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Entraram no castelo feito loucos, o consorte avisou aos seus empregados para que corressem a vila mais próxima para ajudar no que precisassem, foi direto para o quarto do marido, que continuava dormindo. O desespero era tão grande que não se importou em disfarçar que não estava no quarto e o chamou.
– Der, acorda. Acorda amor, está tendo um incêndio na vila. – falou sacudindo o rei.
O rei levantou rápido e agitado, catou as roupas pelo quarto e ambos desceram as escadas em desespero.
– Fique aqui amor, vou ver o que eles precisam.
– Não, eu vou com você.
Derek achou melhor não discutir e levou o marido junto.
Chegando na aldeia os estragos eram nítidos e o desespero das pessoas também. Algumas casas ainda pegavam fogo e os servos do rei e alguns camponeses jogavam baldes e mais baldes de água para conter o fogo.
O rei parecia atordoado, ficou um tempo parado apenas olhando as chamas que não paravam de subir, parecia que tinha congelado diante da cena.
– Amor? O que foi? Algum problema? – O príncipe perguntou preocupado.
– Não! – Respondeu rápido, logo depois concluiu.- Só não gosto de fogo.
Stiles pegou em sua mão e olhou em seus olhos tentando mostrar que estava ali para o que ele precisasse, o rei acenou e foram ver o que podia ser feito.
Crianças queimadas, perdidas e órfãs. Stiles se sentiu mal com tanta tristeza e dor, e procurou acalmar algumas dessas pequenas vitimas. Derek ordenou que os feridos fossem levados para o hospital que ficava perto, e ele mesmo iria cuidar de alguns pacientes ajudando os médicos locais que eram apenas 2.
– Sti, estou indo para o hospital, vou tentar ajudar no que puder. Você vem?
– Claro, me mostre o que precisa fazer.
O rei assentiu e eles foram. Foi uma noite longa, muitos feridos e 3 mortos. O sofrimento daquelas pessoas era palpável, o rei Consorte passava pelas famílias, tentando conforta-las, ajudar no que precisavam. Ajudou o marido a fazer alguns curativos, pois mesmo Derek, não sendo médico sabia dar os primeiros socorros e isso já ajudava muito.
Já estava quase amanhecendo quando voltaram para o castelo, deixando ordens expressas de dar alimento, cobertores e encontrar um abrigo temporário, até a reconstrução das casas ser concluída.
Estavam exaustos, tanto física como psicologicamente. Foram para o quarto e Stiles se jogou na cama de roupa e tudo, com os braços abertos sentindo a maciez do colchão, não pode evitar em pensar nas famílias que não teriam isso nessa noite e seu coração apertou, mas fariam de tudo para que logo tudo fosse reconstruído e as famílias poderem voltar para seus lares.
Derek ficou parado perto da cama, com um olhar perdido e muitas coisas passeando em sua mente.
– Amor?
– Sim Der?
– Tem uma coisa que ainda não entendi direito.
– O que? – O garoto pediu se levantando um pouco e olhando o marido.
– Quando você me chamou não estava de roupa de dormir e parecia vir de fora do quarto. Onde estava uma hora daquela? –Seu tom não era irritado, mas também era firme e desconfiado.
Stiles sentiu um grande bolo na garganta, não queria mentir para o marido, principalmente agora que estavam tão bem, mas também não podia contar a verdade. Sabia o quanto Derek poderia ser ciumento e teria motivos de sobra para isso. Respirou fundo, não poderia mentir pois o outro descobriria, então tentou contar uma meia verdade, pedindo aos céus para que colasse.
– Estava fora do quarto, quando vi a fumaça e as labaredas tomando o ar com força;
– Por que estava fora do quarto?
O garoto começava a ficar nervoso, mas não podia estragar tudo, respirou mais uma vez e continuou.
– Sem sono. – Sorriu para o marido e se pôs de joelhos lhe ajudando a desabotoar a camisa, tentando fugir de mais perguntas.
Derek apenas assentiu, sabia que não era só isso, mas resolveu deixar quieto por enquanto, estavam cansados demais para uma possível discursão. Mas com certeza tentaria descobrir a verdade.
Entraram na tina, mas diferente da outra vez, essa eles apenas tomaram banho. O sol já tinha nascido e ambos estavam caindo de sono.
– Ouvi dizer que há suspeitas de ter sido provocado. Será? – o consorte perguntou enquanto ensaboava o marido.
– Sim, e acredito que sei quem pode ter feito isso. – O rei tinha uma expressão seria e ao mesmo tempo afadigada.
– Você acha que pode ter sido os Argents?
– Tenho quase certeza disso, são os únicos inimigos que tenho.
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Não sabia muito bem onde estava, com a agonia que tomava sua mente, mal reparou no caminho pelo qual foi guiado pela mulher. Mas agora podia notar que se tratava de um galpão antigo, grande, mas pouco mobiliado, na verdade só tinha uma geladeira industrial bem velha, um fogão a lenha no mesmo estado, em um cômodo pequeno onde era a cozinha. Ele estava na sala, sentando em um sofá surrado, com um banco em sua frente, onde a belíssima mulher estava sentada lhe analisando. Ele respirou fundo e tentou acalmar os sentidos super sensíveis , viu quando sua anfitriã se levantou e foi até a geladeira e voltou com um copo nas mãos, lhe oferecendo com um sorriso nos lábios. Mas alguma coisa na mulher não o agradava nada.
– Tome, vai se sentir melhor, você vai ver.
Sorriu e entregou ao visconde o copo com água.
– Obrigado! Mas quem é você?
– Uma amiga. – Sorriu.
– Meus amigos conheço pelo nome, então se puder me dizer o seu, agradeço. -Falou em tom ríspido.
– É Kate. Kate Argent.
O loiro largou o copo e rapidamente se pôs em posição de luta.
– Calma ai, lobinho. Está vendo por que eu não quis lhe dizer meu nome? – Mais um sorriso e Isaac sabia que era de pura falsidade.
– Eu sei o que a sua família é. – Rosnou.
– Sim com certeza sabe. Mas já disse, só quero te ajudar.
– Por que uma caçadora ajudaria a sua presa? – Continuava em posição de ataque.
– Tudo bem, já vi que não irá acreditar em mim. Eu quero a sua ajuda.
– Pra que? E por que eu te ajudaria?
– Por que eu sei que você e o consorte tem um tipo de caso, e eu preciso muito chegar até ele.
– Não se atreva a tocar nele. – Rosnou ainda mais furioso e se transformando de vez.
– Calma lá. Na verdade não é ele que me interessa e sim o rei. – sorriu e se levantou, se aproximando cada vez mais do beta, e alisou seu rosto com cuidado.
– Pense bem, eu quero o rei Derek, você quer o rei Consorte. Podemos nos ajudar. O que acha? -Alisou o peito do loiro, se posicionando atrás dele e terminando a frase em seu ouvido.
Isaac não disse nada, ficou apenas ouvindo a proposta da mulher.
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