Real Love
10 Conversas
Notas iniciais
Derek já estava ali a longos minutos, mas não sentia o tempo passar, olhava fixamente para as flores que estavam a sua frente, podia ver algumas rosas vermelhas, rosas brancas, as favoritas de sua mãe, e bem no meio do canteiro uma em especial, uma Wolfsbane roxa, uma planta extremamente linda e rara, que fora plantada por ele e a mãe. De certa forma essa planta se parecia um pouco com ele, tão linda por fora, delicada, meiga, parecia uma obra completa dos deuses, mas por dentro escondia um mal terrível, um veneno poderoso que machucaria ou até mataria sem dor nem compaixão os que se metessem com ela.
Ele se sentia assim, como tendo um monstro dentro de si, sabia controlar a licantropia desde novo e nunca a virá como um mal ou algo do tipo, mas agora, tinha certeza que era uma das mais terríveis maldições, por culpa dela machucara a pessoa que mais amava, não tinha conseguido se controlar e não entendia o porque, já lutara batalhas violentas e muito mais difíceis e nunca perdera o controle, mas dessa vez foi incapaz de impedir o lobo de fazer o que queria, e isso lhe machucava a alma de um jeito que nunca imaginara.
Sentia as lágrimas escorrerem pelo seu rosto e fitando as flores perguntava silenciosamente a opinião da mãe sobre tudo aquilo. Ele sabia que ela não estava mais ali com ele a anos, mas se sentia ligado a ela naquele lugar de um jeito inexplicável. Fechou os olhos e ouviu o vento manso e delicioso passar por seu rosto como se murmurasse algo em seus ouvidos. Sua mente começou a projetar pensamentos, como se alguém tivesse a conversar com ele, dizendo o que fazer. Continuava em silencio mais sua mente estava um barulho só, pensamentos vinham de toda a parte, imagens do que acontecera se misturavam com as lagrimas que caiam sem impedimento algum. Até que algo chamou sua atenção, uma imagem em particular, e começou a revive-la. O momento em que conversava com Peter e bebia algo que ele lhe dera, estava feliz demais para pensar o que era e a bebeu, sentido um cheiro diferente mais ignorando, e lembrou-se também que logo depois de tomar a bebida, começara a se sentir estranho, mais a raiva se apossou do seu corpo que não viu mais nada depois. Então era isso? seu tio lhe dera algo o fazendo perder seu controle. Olhou mais uma vez para a planta e levantando os olhos para o céu agradeceu mentalmente a mãe pela ajuda que dera. Um fio de esperança brilhou em sua mente e saiu do lugar o mais rápido que podia a procura do tio.
Mas por um capricho do destino ele entrou pela porta do fundo do salão principal ao mesmo tempo em que seu tio saíra pela porta da frente, indo ao encontro do jovem príncipe que continuava sentado no banco.
Cora disse que precisava ir, tinha algumas obrigações a cumprir, ele resolveu ficar ali por mais um tempo, era bom sentir o calor do sol sobre seu corpo, lhe lembrava que ainda estava vivo e que apesar de sua dor, ainda continuaria assim por um bom tempo. Não sentiu a presença do outro até que parou em sua frente.
– está melhor? – perguntou com a voz grossa, e um tanto arrogante.
– oh, que susto.- Massageou o peito e continuou a falar. – sim estou, obrigado.
Viu a presença masculina sentar ao seu lado, e com um sorriso um tanto malicioso nos lábios falou.
– e ai como está a vida de recém-casado?
– acredito que você já sabe. – respondeu não se importado com o fato de parecer duro ou não.
– hum, pensei que tinha melhorado um pouco. Nem depois da ajuda que eu dei? – perguntou sarcástico.
– que ajuda? – não estava entendendo aonde o arquiduque queria chegar com aquela conversa.
– bem achei que uma bebida ajudaria a seu esposo. Humm.. como posso dizer? ... esquentar as coisas?
Sorriu perversamente e saiu deixando o garoto sem entender uma virgula se quer daquela conversa. Depois de pensar um pouco percebeu que aquilo não faria o menor sentido e decidiu esquecer voltando ao quarto para escrever uma carta para seu grande amigo Scott, apesar do pouco tempo estava com saudade dele, e de ter alguém para conversar mais abertamente do que poderia com Cora, também era o único a quem poderia pedir noticias do seu amado loiro.
Se sentou na banquinha de escrita e elaborou uma bela carta, tentando ao máximo disfarçar as palavras para que apenas seu amigo pudesse entender o que ele queria de fato saber, caso alguém a abrisse antes de chegar ao seu destino. Assim que acabou de escrever, ouviu batidas na porta e mandou que entrasse.
A porta se abriu lentamente e Stiles olhou para o moreno que passava por ela calmamente, seus olhos estavam inchados e se não tivesse visto toda a cena no jardim, só em olhar para eles nesse momento teria certeza que tinha chorado.
O silencio era mortal, nenhum dos dois sabia o que fazer ou como agir.
O rei decidiu se sentar na poltrona ao seu lado, e tentar uma conversa pelo menos amigável.
– bom, não sei muito bem o que fazer, essa situação é muito estranha e confusa para mim, mas queria te pedi desculpa mais uma vez. Abaixou o rosto tentando esconder as lagrimas que teimavam em cair.
– não precisa se desculpar de novo rei, eu sei que o que fez foi dominado pela raiva, e bem aprendi desde pequeno que os maridos tem autoridade sobre sua esposa, ou esposo e que podem... foi interrompido pelo dedo do mais velho calando sua boca.
– não Stiles, eu nunca compartilhei dessa ideia, sempre aprendi com meus pais, que em um casamento deve haver respeito mutuo e carinho, perdi o controle e fui totalmente estupido e isso não tem perdão.
Stiles sentiu um bolo se formar em sua garganta, e não conseguiu dizer nada ao homem triste a sua frente, que apenas continuou.
– bem o que vou dizer agora parece ser uma desculpa lavada pelo que fiz, mas juro pela minha família que é verdade e acabei de confirma-la; ele sorriu de leve e o príncipe esperou que continuasse.
– bem existe uma planta chamada Acônito ou ...
– Wofsbane. O garoto completou mostrando que sabia sobre o assunto.
– isso, -prosseguiu.
– bem existem varias espécies dela e na sua grande maioria são letais para a minha raça, mas uma delas em especial, causa apenas alucinações ou pode ser usada como afrodisíaco se misturada a alguma bebida.
Stiles assentiu não entendendo onde o lobo queria chegar com toda aquela conversa.
– bem, meu querido tio... Suas palavras pingavam sarcasmo e raiva. – colocou-a em minha bebida, que segundo ele era para “animar as coisas”.- fez aspas com os dedos, e ficando corado com o assunto fazendo o garoto a sua frente corar também. – só que como fiquei com raiva pelo que tinha acontecido ao invés de provocar prazer, fez com que perdesse o controle do meu lobo, algum que nunca tinha acontecido antes.
O príncipe corou ainda mais com toda a conversa, aquele era um assunto que ainda mexia muito consigo. Mas de repente algo brilhou em sua mente, finalmente entendera o que o arquiduque tinha dito.
– não quero te obrigar a entender ou me perdoar, mas achei que precisava saber. – o lobo fez menção de levantar, quando sentiu uma mão segurar seu braço.
– eu acredito! Os olhos do moreno faiscaram a ouvir aquelas palavras.
– de verdade? – pediu incrédulo.
– sim seu tio me confessou isso mais cedo um pouco, não tinha entendido, mas agora faz todo sentido.
Derek abriu um sorriso largo, o que fez o coração do menor bater um pouco mais rápido.
– queria te pedir apenas uma coisa. — Stiles falou
– o que quiser. – Derek voltou a ser o cara gentil de antes, mesmo que ainda sentisse a dor da traição.
– vamos esquecer tudo isso? por uma pedra nesse assunto. Certo?
O outro assentiu.
– e como será daqui para frente? -Não se conteve e perguntou.
– não sei! – era a pura verdade. – mas o tempo é o melhor remédio, não é o que dizem? — Deu um leve sorriso e o outro acenou.
Se encararam por mais um tempo, até que o rei precisou sair sendo chamado por um dos servos. E Stiles estava mais uma vez sozinho e agora uma duvida pairava em sua mente.
– E agora como será?
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