Real Love 2.0
21 Fim da festa
Notas iniciais
Sebastian estava feliz demais, para quem tinha ido para aquela festa apenas por obrigação. Ela acabara se tornando muito útil a seus planos. Passara o evento todo conversando com Enrico, um tio avô do rei Derek, que apesar de ser um velho chato e resmungão na opinião de Sebastian, lhe deu informações verdadeiramente úteis.
Mas sua conversa fora interrompida por uma travessura de um dos príncipes, o peste do Liam. Sebastian havia nutrido ódio por todos os Hales durante aqueles dois anos, mas o príncipe mais novo superava qualquer um, já que este estava sempre a aprontar e era desaforado demais, já tendo respondido mal ao próprio Sebastian logo quando chegara a corte e o garoto que na época, não passava dos seus seis anos, lhe disse que não gostava de Sebastian, pois ele cheirava a coisa ruim.
Bem, ele não podia o culpar, já que realmente nunca fora bonzinho e agora muito menos.
Como todo o salão ficou em grande alvoroço, graças aos sapos que o garoto havia jogado no local, ele fora impedido de terminar a conversa, mas marcara um encontro no outro dia com Enrico, antes que o velho voltasse a sua casa um pouco longe dali.
No momento ele estava intrigado com duas coisas que o velho tinha deixado no ar, pois além de ser resmungão, o homem gordo tinha a mania de falar entre charadas e nem sempre dava a respostas das mesmas, o que obviamente deixava o Spire terrivelmente furioso, algo que ele não demonstraria, afinal, destruiria seu plano.
A primeira coisa, foi o fato do homem ter mencionado o passado do rei Derek antes de casar com o príncipe de Blitzo. Ele não entendera muito bem, mas pelo visto o “grande” rei escondia alguma coisa e isso seria um bom começo para ele.
Já tinha um pequeno plano. Primeiro desestruturaria o casamento “tão lindo” dos reis para que eles ficassem abalados, depois colocaria seus filhos contra eles e por último o povo que tanto o amava, e no fim daria o xeque mate, sem brechas alguma de uma contra jogada.
Já que não entendera o sobre o passado de Derek, precisaria pesquisar e perguntar mais sobre, e depois quem sabe se aproximar do príncipe e lhe envenenar um pouco? Sorriu sozinho grato por ter uma mente tão maquiavélica.
A segunda coisa que ainda lhe rodava a cabeça, fora o fato do homem falar sobre o nascimentos dos herdeiros. Parecia que não eram crianças normais e ele não sabia o porquê. Já tinha ouvido pelos cantos do castelo que Derek e Stiles eram companheiros de almas e o menor, era Gama do rei, ou algo do gênero, coisas de lobo que lhe embrulhavam o estomago.
Mas algo realmente lhe interessou em toda aquela conversa. Se era verdade que eles tinham uma espécie de poder ou algo do tipo, o povo não sabia, e bem... Se o povo, que confiava tanto em seu rei, descobrisse que ele havia os enganado, traído, aquilo não seria algo muito bom não é?
Apesar de tudo de ruim que aconteceu em sua vida, Sebastian sempre se gabara de ter muita sorte e nos últimos tempos aquilo só se comprovava ainda mais.
Estava voltando aos seus aposentos no terceiro andar, o que era uma verdadeira humilhação na opinião dele, não que o quarto fosse ruim ou algo parecido, pelo contrário era imenso, mas não se encontrava no andar da família como ele achava que deveria ser. Mas ele sabia que seu “querido” primo estava escondendo seus laços sanguíneos e se lhe desse um quarto no primeiro andar, as suspeitas nasceriam.
Antes de chegar no andar do seu quarto, ele viu algo que no mínimo era interessante por isso mesmo se escondeu atrás de uma das pilastras e ficou em silêncio apenas observando o que estava acontecendo.
– Está doendo? – A princesa Laura perguntava a uma garotinha que tinha os olhos cheios de lágrimas e os joelhos arranhados, por ter tropeçado e caído com a agonia causada pelos sapos.
– Sim... – Respondeu chorosa.
A princesa olhou para os lados em busca de algum olhar curioso e achando não haver nenhum colocou a mão sobre o joelho da menina e lhe curou o machucado.
A garota não se assustou. Meredith, filha de Lydia, sabia que sua prima era diferente, não por alguém ter lhe contado, apenas podia sentir, já que herdara os poderes da mãe.
A princesa sorriu vendo a prima curada e recebeu um beijo no rosto como recompensa. Laura gostava de saber que podia curar as pessoas, fazer o bem, mas sempre fora obrigada a esconder seu dom. Sabia que os pais o faziam para seu bem, mas não podia evitar de pensar que poderia ter ajudado muitas pessoas.
Levantou-se e foi ao encontro do seu amado, que lhe esperava no primeiro andar.
Sebastian teve que tapar a boca com a mão afim de evitar um grito surpresa por causa do que tinha visto. Já sabia um dos dons dos príncipes e perfeitamente como usá-lo da maneira certa e na hora certa.
Laura riu uma última vez antes de subir as escadas, e olhar toda a bagunça que seu irmão caçula havia feito. Não tinha ficado brava por Liam ter arruinado sua festa, já que ele esperara até o fim para aprontar, sem dizer que nada lhe tiraria a felicidade que estava no momento ao olhar para o dedo, onde tinha o anel de compromisso dado por Chris.
Só tinha pena do que aconteceria ao irmão, os pais não estavam nada contentes com o que ele havia feito e o castigo não seria nada leve.
Assim que chegou ao enorme corredor que tinha lindas portas grandes de madeira envernizadas onde se encontrava o símbolo da família Hale, comprovando assim serem os quartos da família, viu seu lindo jovem castanho, em pé diante de uma das portas, com os braços cruzados e uma das pernas dobradas na parede. Não pôde evitar de seu coração bater mais rápido, o estranho reboliço nos estômago e o rosto se aquecendo. Agradeceu aos céus por ela ter os poderes lupinos e não ele, ou descobriria tudo que estava sentindo no momento. E tamanha fora sua alegria ao perceber que o garoto sentira as mesmas coisas que ela.
– Onde estavas querida? – Perguntou carinhoso se afastando da parede.
– Cuidando de Meredith, a pobrezinha machucou o joelho. – Sorriu corada ao sentir o outro se aproximando.
– Hum. Fez sua mágica? – Brincou. Adorava dizer que Laura era uma feiticeira do bem, como nos livros por causa dos seus poderes, e esse fora um dos motivos da escolha de sua fantasia por mago.
– Sim. – Riu baixinho abaixando as vistas.
– Gostaria de saber se posso comunicar amanhã.
– Comunicar o que? – Perguntou confusa.
– Nosso compromisso Laura.
– Acho melhor não.
– Estas arrependida? – Tinha um semblante triste que partiu o coração da jovem.
– Não é isso. É só que acho que será difícil para o pai Der, aceitar sabe? Ele não consegue entender que já crescemos.
– Mas ele terá que entender um dia, ou ficaremos para sempre nas sombras? – Tentou não perecer tão irritado.
– Eu sei, mas amanhã ele ainda estará irritado com a travessura do Liam e não será um bom momento.
Chris entendeu o argumento da princesa e acenou em concordância.
– Mas quando então?
– Quando irás embora?
– Daqui a uma semana, pedi aos meus pais para ir depois. Eles partirão a amanhã, mas ficarei. – Sorriu encantando ainda mais a menina.
– Então teremos tempo antes que vá.
Mais uma vez o príncipe assentiu sorridente.
– Bem, vim apenas lhe desejar uma boa noite. – O príncipe sorriu e se aproximou do rosto da garota par lhe dar um beijo, quando essa se afastou.
– O que foi? Não posso?
– Desculpa. – Sorriu tímida e voltou para mais perto do outro aceitando enfim os lábios alheios.
A sensação ainda era nova para a garota e sentia o corpo todo pinicar, mas de uma forma muito boa. Interrompeu o beijo quando achou que perderia o chão e sorrindo desejou uma boa noite e deu tchau ao amado e entrou em seu quarto, apenas para se jogar de braços abertos na cama e sonhar com tudo que tinha acontecido.
Os reis estavam furiosos com seu filho caçula. Liam sempre foi muito agitado e travesso, duas vezes pior do que os gêmeos, mas dessa vez ele passara dos limites.
Todo o salão estava arruinado. Algumas pessoas saíram feridas e outras completamente envergonhadas. Seus cumplices, Malia e Mason, também receberiam seus castigos, por isso os três foram levados a uma sala mais reservada acompanhados por seus pais.
– Estamos esperando as explicações. – Bradou o rei John, olhando especialmente sua filha que tinha cara de inocência e já começava a querer chorar.
– E não comece a chorar pois, te conhecemos muito bem senhorita Malia e temos certeza de que és tão culpada quanto os garotos.- Melissa advertiu, vendo garota engoli em seco.
– Vamos Mason. Agora ficas calado? Mas até poucos instantes atrás estava se contorcendo de tanto rir não foi? – Jackson exclamou irritado.
Cora não quis dizer nada, já que sempre tivera o espírito de travessura dos garotos e até tinha se divertido com a travessura e estava achando um pouco exagerada aquela bronca toda. Porém, sabia que a era única que pensava daquele jeito, então preferiu não dizer nada.
– Já que parecem ter perdido a língua, eu falarei então... – Rei Derek começou. – Se todos os adultos aqui presentes, estiverem de acordo, acredito que uma boa lição para os três será arrumar todos os estragos que foram feitos e depois se desculparem com cada moça que sofreu com a brincadeira nada divertida de vocês.
Todos concordaram com o rei e os garotos até acharam a pena leve, ainda do rei continuar.
– E como tenho certeza de que meu filho foi o mentor de tudo... – Mason e Malia abriram a boca para defender o primo e sobrinho, mas foram interrompidos.- E não adiantam gastarem seus argumentos. – Lançou lhes um olhar sério e continuou. – Você Liam, estará confinado em seu quarto por um mês. – O garoto gritou não e também foi interrompido quando ia protestar agora pelo seu pai mais novo.
– Sem passeios a cavalo, jogos, ou qualquer outra coisa de que goste, só saíra para fazer as refeições em família e suas aulas práticas com os tutores, pois até as aulas teóricas serão feitas no quarto, para que não tenha tempo para maquinar mais nada.
Os reis acharam a punição dura demais, mas tinham que dar o exemplo e Liam não podia sair ileso mesmo sendo príncipe.
Os três saíram de cabeça baixa e não disseram mais nada a noite toda, foram cada um para seu quarto já que na manhã seguinte teriam muito que arrumar.
– Fomos duros? – Derek perguntou já no quarto deitado com o marido na cama.
– Era preciso. – O consorte se aconchegou nos braços do marido.
– Podemos diminuir a pena depois não é? – Podia ser o alpha, ter a cara zangada muitas vezes e até um olhar intimidador, mas com certeza o rei tinha um coração mais derretido do que o do marido, quando se tratava de punir os filhos, já que o príncipe acreditava que era preciso manter a palavra e as rédeas curtas numa boa educação.
– Veremos. – Stiles respondeu e beijando o marido adormeceu.
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