Notas iniciais
Enfim, o final. acredito que essa seja a primeira historia que eu termino nessa plataforma. Se gostaram, deixem pelo menos um comentário, não dói.

— Kim Namjoon, se você não estiver pronto em dois minutos eu vou te arrancar daí pela orelha! – O noivo além de nervoso ficara impressionado com a ameaça.

— Hyung, como você aguenta esse ditadorzinho? Eu tô a poucas horas à mercê dele e já to com medo! – Yoongi estava sentado em uma poltrona desfrutando do bar bem abastecido do melhor amigo enquanto o via ser ameaçado pelo namorado.

— Deus sabe o que faz, Namjoon, imagina se ele tivesse 15 cm a mais! – o noivo se engasgou com a risada enquanto Jimin acidentalmente – ou nem tanto – apertava mais do que devia a sua gravata.

— Yoongi... – rosnou o loiro o olhando de soslaio.

— O que Deus não te deu de altura, deu de bunda, amor, e por isso eu sou muito grato! – Namjoon estava ficando vermelho tentando conter a gargalhada para não rir na cara do Park e acabar sendo machucado novamente.

— Você tá doido pra ficar solteiro de novo, Min Yoongi. – Jimin ameaçou sequer se dando ao trabalho de olhar o namorado do outro lado da sala. – Você está ótimo, Namjoon hyung, só evite reproduzir o que sai da boca desse imbecil aqui que vai dar tudo certo hoje. – Ele deu um sorriso brilhante de capa de revista para o marido do amigo e se voltou para o moreno sentado no sofá. – E você, seu inútil, já foi checar se está tudo ok com a sua parte? – Yoongi deu de ombros e bebericou mais uma vez do que quer que estivesse naquele copo.

— Sou o presidente da maior empresa de entretenimento desse país, se eu tiver que levantar um dedo pra organizar uma atração musical pra um casamento minha vida toda terá sido em vão. – Jimin suspirou, o namorado estava especialmente desaforado hoje.

— É o casamento do seu melhor amigo, além de ser o primeiro casamento LGBTQIA+ da história do país, você deveria se esforçar um pouco mais, amor.

— Relaxa, anjo, já está tudo certo. – Jimin fechou os olhos em fenda.

— Você sabe que se der alguma coisa errada no casamento do meu hyung você nunca mais vai transar na vida, não sabe?!

— Vai terminar comigo?

— Não, vou cortar seu pau fora. – Namjoon atrás dele não aguentou aquilo e soltou uma gargalhada estrondosa.

— Pelo amor de Deus, parem. Nesse ritmo eu vou morrer antes de dizer o “sim”.

— Tecnicamente, Randa, você já disse. – Jimin revirou os olhos.

— Dá pra ser menos romântico que isso, Yoongi?

— Você é a última pessoa no planeta pra criticar minha suposta falta de romantismo, amor. – Namjoon olhou pra cima e sorriu.

— Sabe, o Hyung tem um ponto Jimin. – O loiro suspirou e foi em direção a porta.

— Que seja, vocês dois se merecem. – Ele abriu a porta do quarto e deu um passo em frente, para logo em seguida voltar fechando a porta com os dois olhos grandes como pratos. – Eu vi o que eu vi? – Namjoon o olhou confuso.

— Você sabe que não está fazendo sentido, né?! – Mas Jimin só tinha olhos para o namorado que ainda estava na sua pose blasé de sempre sentado na poltrona.

— Se você está me dizendo que viu um ou sete idols super famosos passando, então a resposta é sim. – Suga se divertiu com o brilho nos olhos do namorado.

— Você contratou o grupo de Kpop mais famoso de todos os tempos pra cantar no casamento dos nossos amigos? – Yoongi deu de ombros.

— Você me disse que tinha que ser inesquecível, que o casamento era o evento do século. Nada mais apropriado que o ato pop do século. – Ele sorriu quando o namorado abriu aquele sorriso gigante que sumia com seus olhos.

— Você é um gênio, Min Yoongi!

— E você é redundante, amor.

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— Nervoso, hyung? – Jin sorriu para o Kim caçula docemente.

— Aigoo... não sei o que eu vou fazer de tão nervoso – Taeyung ria do jeito falso e dramático do amigo quando Jungkook entrava no salão. – Algum problema, Kook? – O moreno tatuado fez sua melhor cara de inocente e deu um sorrisinho contido.

— Só alguns convidados perdidos, nada demais. – Jin deu de ombros e desviou sua atenção para o celular, dando tempo o suficiente para Taehyung se comunicar silenciosamente com o namorado. Pela cara de Jungkook, alguma coisa não estava tão certa assim.

Depois de alguns minutos enrolando o noivo, o casal saiu da suíte e ao fechar a porta, o modelo encurralou o tatuado.

— Qual foi o problema? – Jungkook coçou a nuca desconfortável.

— O pai do Jin Hyung tá aqui. Disse que quer falar com o filho, e eu não sei o que fazer. – Taehyung suspirou, frustrado.

— Vai lá no quarto do Namjoon hyung e conta pra ele, e chama o Jimin pra vir pra cá me ajudar a enrolar o Jin hyung. – O mais novo saiu dali na mesma hora para o quarto no fim do corredor.

Ao abrir a porta, Jungkook deu de cara com seus amigos rindo descontraídos. Odiava estragar o clima.

— Kook, aconteceu algo? – Namjoon franziu o cenho para a cara preocupada do maknae.

— Não queria te atrapalhar, hyung, mas é urgente.

— O que foi agora, Roger Rabbit? – Jungkook revirou os olhos para o loiro e o puxou pelo braço.

— Você vai pra suíte do Jin hyung ajudar o Tae a mantê-lo ocupado. – Jimin se deixou levar para o corredor, mesmo não entendendo direito o que o amigo quis dizer.

— Preciso fazer um curso de coelhês urgente... – e Jungkook fechou a porta aos risos.

— Ok, agora que expulsou meu namorado do quarto, vai nos dizer? – o mais novo suspirou e passou a mão o rosto exasperado.

— Hyung, seu sogro está lá embaixo, procurando pelo Jin hyung. Consegui colocá-lo numa salinha pra ele não fazer escândalo em frente à imprensa, mas não sei por quanto tempo posso fazer isso sem recorrer à violência. – Namjoon franziu o cenho surpreso com aquela declaração. – O cara é um babaca. – Entendendo agora o que o amigo queria dizer, ele levantou de sua cadeira e sem vestir o blazer do seu terno seguiu para a porta.

Ao entrar na salinha, ele encarou o sogro de terno e gravata, e um olhar arrogante.

— No que poso ajuda-lo, Sr. Kim?

— Vim ver o meu filho, não você. – Namjoon rolou os olhos, o jeito arrogante era o mesmo.

— É uma pena, senhor, porque só terá a mim. – Ele sentou-se elegantemente na poltrona ao lado do mais velho. Eles ficaram em silêncio se encarando, e Namjoon suspirou quando percebeu o que o mais velho de fato foi fazer ali. – Certo. O que o senhor quer?

O homem se mexeu inquieto no assento, olhou para as mãos, como se pensasse no que falava. Algum tempo depois, aparentemente ele tomou coragem e encarou o genro.

— Vim prestar contas com aquele inútil. – Namjoon franziu o cenho confuso.

— Me desculpe, não entendi. – Os olhos do mais velho eram pura indignação.

— Isso mesmo que você ouviu. Vim prestar contas com o inútil do Jin, quero que ele me ressarça por todo o dinheiro que gastei com esse infeliz durante o tempo que ele viveu sob o meu teto. – Namjoon passou um tempo sem esboçar reação alguma, em choque. – Agora que já sabe, chame aqui aquele imprestável.

Ainda sem expressão no rosto, Namjoon sacou o celular e o encarou. Ficou algum tempo calado e quando se moveu, digitou algumas coisas no celular. Quando o som de notificação soou, o Sr. Kim puxou o celular do bolso e leu a mensagem do banco com o depósito em um valor indecente, que o fez engolir em seco.

— Esse é o triplo do valor que uma família coreana de classe média gasta com a educação de uma criança, incluindo os gastos usuais com educação, que eu sei que o senhor não gastou com Seokjin. Eu e o seu filho temos algo em comum, Sr. Kim. Somos órfãos de mãe e nossos pais já tentaram nos matar. – Ao ver o mais velho arregalar os olhos ele sorriu. – Meu pai já não está mais entre nós, o que é uma fatalidade. – Ele quase riu ao ver o sogro ficar com as mãos trêmulas ante o tom de ironia que Namjoon usou ao se referir ao próprio pai. – E o senhor vai sumir pra sempre da vida do seu filho a partir de hoje. Lhe dei dinheiro suficiente pra isso. Não me faça recorrer à outra alternativa.

— Você não tem o direito de me impedir de ver o meu filho. – Namjoon deu uma risada alta e ajeitou a própria gravata.

— Eu literalmente estou me valendo de um direito que me será concedido em alguns minutos, Sr. Kim, mas que já me pertence há seis anos. Mas mesmo que não tivesse casado com ele, faria a mesma coisa. Sabe por que?! Você não merece sequer respirar o mesmo ar que o meu Seokjin. Eu poderia pagar alguém para dar um fim ao senhor, mas não acho que esse seja o castigo adequado. Veja bem, Sr. Kim, o filho que o senhor rejeitou e espancou aos 14 anos é agora a celebridade mais relevante da Ásia, o modelo mais bem pago do mundo e o marido do homem mais rico da Coreia do Sul. — Disse apontando para si mesmo. – E o senhor vai passar o restante dessa sua vidinha digna de pena com essa esmola que eu acabei de lhe dar e se remoer dia após dia sozinho no meio de um monte de gente que não liga o mínimo pro senhor sabendo que a criança que o senhor renegou além de tudo é o homem mais amado habitando a terra.

— E porque você acha que eu ligaria pra isso?

— Porque a idade vai chegar, e suas prioridades vão mudar. Esse dinheiro que eu lhe dei futuramente não vai significar nada, e o senhor não vai ter contato nenhum com seu único parente vivo além das inúmeras vezes que o verá na televisão. Acredite, eu já vi isso com meus próprios olhos.

— Você muito se engana se acha que eu ligo pra isso, seu imbecil, Jin nunca me serviu de nada, é um degenerado, é um favor que ele me faz se afastando de vez de mim.

— Então que bom que estamos conversados. – Disse Namjoon fingindo ser simpático. Ele fez um gesto de mãos e Kai apareceu ao seu lado pronto para o escoltar. – Certifique-se que ele não entre mais neste prédio hoje. – O segurança assentiu e fez um gesto em direção à porta para o Sr. Kim. Antes do senhor de meia idade sair completamente do recinto, Namjoon o chamou. – O dinheiro pro qual o senhor arregalou os olhos? – O empresário sorriu debochado. – Seu filho faz em um mês fraco de trabalho. – Ao ver a fúria tomar o semblante do mais velho ele acenou se despedindo. – Se mantenha saudável, Sr. Kim, viva muito tempo pra se arrepender do ser humano de merda que é e de ver o quanto eu farei seu filho feliz.

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— Pelo poder que foi concedido a mim pela República da Coreia, eu vos declaro casados. – Namjoon sequer pediu autorização do Juiz de paz para puxar Jin para si e beijá-lo. Algumas pessoas riram e outras aplaudiram entusiasticamente, e Jin lhe deu um tapa no peito quando o marido o soltou do beijo cinematográfico. Ainda sorridente, ele pegou o microfone das mãos do Juiz e olhou para a multidão que o encarava no salão.

— Para todos vocês que foram convidados para essa união e para a imprensa que veio nos prestigiar, temos uma festa os esperando nos jardins. – Todos se espantaram com a declaração, pois o salão já tinha uma decoração suntuosa o suficiente para a festa acontecer. Alguns minutos depois, quando todos já estavam se encaminhando para o jardim, perceberam que além da enorme pista de dança tinha um palco imenso. Todos se sentaram em suas respectivas mesas, e a mesa dos noivos continham apenas o casal Kim e seus amigos mais próximos; com Jimin e Tae sentados lado a lado conversando sobre algo entre eles e Yoongi saindo com Jungkook para o palco, além de Hoseok e Hwasa com sua barriga já saliente e Jackson sentado ao lado de Mark fechando o grupo.

Quando o mais novo pegou o microfone, deu duas batidinhas para chamar a atenção, todos silenciaram, dentro do que era possível numa festa daquele tamanho, e prestaram atenção em si, o que estranhamente o fez corar.

— Bom... supõe-se que alguns padrinhos façam os brindes na festa, e como apenas eu de todos os padrinhos não compareci ao primeiro casamento, fui convencido a subir aqui. – Algumas pessoas riram e Namjoon abriu um sorriso acolhedor pra seu dongsaeng. – Namjoon hyung, como alguns aqui sabem, é o amigo mais antigo que eu tenho. Eu costumava ser um garoto fraco e pequeno pra idade, extremamente tímido e inseguro, e sofria muito bullying na escola. Ele me acolheu e me fez enxergar todo o potencial que eu estava desperdiçando apenas por falta de confiança. E só por isso, eu me tornei o adulto que sou hoje. – Ele respirou fundo e resistiu a vontade de piscar devido a tantos flashes. – Pode ser algo muito duro de se falar, mas durante muito tempo, Namjoon hyung foi a minha única família, e eu a dele. – O mais novo sustentou o olhar duro do Kim, que refletia o mais puro orgulho. – Até o Jin hyung chegar. Obviamente éramos um grupo de amigos muito unidos, eu, Hobi hyung, Suga hyung e Namjoon hyung, mas com a chegada do Jin hyung e o relacionamento deles, a noção de “família” se tornou mais clara pra mim. Eu conheci o Jimin hyung, que é um dos amigos mais preciosos que alguém pode ter, e pude conhecer pessoalmente o Taehyung hyung, que viria a se tornar meu companheiro de vida. – Ele dirigiu um olhar doce ao namorado que lhe jogou um beijo. – Mas também pude ver, pela primeira vez em mais de vinte anos de amizade, meu hyung feliz, genuinamente feliz. Então, Jin hyung, — Ele encarou o outro noivo que lhe olhava com uma feição de puro afeto. – Você é incrível, continue o bom trabalho. – Os demais riram e aplaudiram o moreno nervoso. Yoongi pegou o microfone da sua mão e esperou que todos se calassem.

— Sou um homem de gestos, não de palavras. Esse é meu presente de casamento pra vocês, hyungs. – E com um gesto de mãos, a cortina atrás deles se abriu e o maior grupo idol do mundo começou a cantar seu mais recente sucesso, levando os convidados e a imprensa à loucura.

— Como o Yoongi conseguiu eles pra nossa festa de casamento? Eles não são a concorrência? – Namjoon ria do entusiasmo do marido que dançava desengonçado ao seu lado.

— Aparentemente ele é muito amigo da rap line do grupo. – Ao ver Jin o olhar com estranheza ele deu de ombros. – Ele apresentou o líder do grupo pro CEO da empresa e convenceu o coroa a fazer uma audição com o garoto. E o Main dancer ali? – Disse apontando para o segundo rapper. – Fez uma audição pra empresa do pai do Yoongi e não passou, aí o Suga o incentivou a fazer uma audição pra mesma empresa que ele já tinha indicado o líder e o outro rapper.

— O baixinho?

— Sim, nós o conhecíamos das batalhas de rap que frequentávamos quando adolescentes e um dia ele reconheceu o Suga hyung e perguntou se a empresa do pai dele tava aceitando rappers, e o hyung disse que não, mas que conhecia uma empresa que tava fazendo audições pra um grupo de hip-hop, e aí ele foi na fé.

— Então o Yoongi é em parte responsável pela união dos caras? – Namjoon sorriu com a cara de surpreso de Jin.

— Ele não fala sobre isso, mas tem parte da responsabilidade. Na empresa dos garotos o Yoongi hyung é uma lenda, ele é muito conhecido por ter um toque de midas. Sempre que ele indica alguém pra qualquer empresa, a pessoa vira um hit absurdo. Sem falar que ele já compôs pros garotos algumas vezes. – Jin estava oficialmente impressionado. – Vou te deixar aqui, porque preciso fazer o meu discurso. – O mais velho o olhara confuso e percebeu que a cerimonialista fazia um sinal para Namjoon por trás do palco.

— Me desculpe por interromper o show. – O noivo olhava se desculpando com os idols em cima do palco que sorriam e diziam que a festa era dele, que tinha todo o direito de interromper. – A cerimonialista disse que era a hora dos discursos dos noivos, porque depois vocês vão incendiar o palco e ninguém vai estar mais nem aí pra gente. – Tanto os músicos quanto os convidados riram e se calaram. – Bom... acho que tenho que começar do princípio, não é?! – Alguns concordaram e ele deu um suspiro resignado. – Eu sempre fui um garoto solitário. Mesmo cercado de muita gente e com todo o sobrenome Kim pesando em minhas costas, eu sempre fui solitário. Conheci meu único irmão aos 9 anos, mas só nos aproximamos quando eu já era adulto; e só comecei a me sentir de fato um garoto normal quando me aproximei de meus amigos. Sou ciente que tenho muita sorte em tê-los ao meu lado até hoje, o trio de palhaços mais leais que alguém pode ter. – Como se tivessem ensaiado, Hoseok, Yoongi e Jungkook levantaram suas taças, e todos caíram na risada. – Quando me tornei adulto, percebi que tinha que tomar nas mãos as rédeas da minha vida, e o vazio que a família me deixava era de minha inteira responsabilidade preencher.

O silêncio ao redor daquele discurso era ensurdecedor, ninguém jamais tinha visto a faceta vulnerável de Kim Namjoon, já muito conhecido por ser um dos empresários mais impetuosos do país.

— Eu já tinha meus três amigos, sendo Jungkook meu dongseng de coração, então fui atrás do único parente consanguíneo com quem eu me importava de fato; e fiz tudo para Jackson não ter uma adolescência como a minha. Mas mesmo cuidando dos meus irmãos mais novos e trabalhando para subir na hierarquia da empresa e ter poder suficiente para protege-los, eu sentia que me faltava algo, sempre me faltou. – Ele encarou o marido que o olhava sério da plateia. – Seokjin foi um furacão na minha vida. A primeira vez que eu o vi foi na televisão, acredito que no primeiro drama que ele atuou. Era um papel pequeno, então ele tinha pouco tempo de tela, mas incrivelmente eu assisti cada capítulo atentamente, esperando que ele aparecesse de novo. — Algumas pessoas riram, incluindo o próprio Namjoon. – Eu sempre tive certeza da minha sexualidade, mas depois de vê-lo pela primeira vez, eu me senti verdadeiramente grato por gostar de homens. – As gargalhadas dessa vez foram mais altas. – E quando eu o conheci pessoalmente foi o momento mais constrangedor da minha vida. Eu sentia meus membros pesados e fiquei com medo de derrubar alguma coisa em cima dele. Lembro que ele estava de cara limpa, e a única coisa que passava pela minha cabeça era: “Por que diabos precisam maquiar esse rosto?” – Alguns suspiros vindos da plateia o deixaram constrangido. – E eu realmente o achei bonito demais pra mim, tanto que disse ao amigo que queria me apresentar a ele que não queria, achei até que ele fosse hetero.

Jin rolou os olhos e riu do Kim em cima do palco.

— Mas as coisas aconteceram como tiveram que acontecer, e quando eu voltei para a Coreia sabia que tinha que protege-lo a todo custo, por isso nos apressamos em nos casar. Seis anos se passaram desde então e eu não me arrependo um dia sequer. Nem com as nossas brigas épicas, nem com o preconceito das pessoas, nem com a mídia tentando fazer o inferno no nosso relacionamento, e nem com as dúvidas que sempre nos rondaram. Você é, e sempre foi a peça que faltava pra completar a minha família. Eu nunca me senti tão acolhido e cuidado quanto quando estou com você. Nas nossas brigas você costuma jogar na minha cara que eu sou um mimado e que tenho tudo que quero de mão beijada. – Jin ficou vermelho e sorriu constrangido – Mas não há nada que eu queria mais nessa e em outras vidas do que envelhecer ao seu lado, e espero que eu tenha o privilégio de ter isso também. Obrigado por me dizer “sim” pela segunda vez. – Jin enxugava as lágrimas dos olhos enquanto subia no palco e abraçava o marido, depois pegou o microfone da mão dele e o encarou.

— Seu malditinho, ninguém me falou nada de discursos. – As risadas reverberaram pelo extenso jardim. – Todos nós carregamos uma história sofrida dentro da nossa comunidade. – Ele encarou as pessoas da plateia e algumas câmeras. – Eu fui expulso de casa aos 14 anos, depois de ter sido espancado quase até a morte. – Algumas pessoas cobriam as bocas em choque, e outras tinham os olhos marejados. – Eu nunca me senti pertencente a algo ou a alguém antes, até encontrar a minha família. Ele olhou carinhoso para Jimin e Taehyung que choravam abraçados. – Meus queridos dongsaengs que também tinham marcas de violência no corpo e na alma, e ao consolar e cuidar uns dos outros, descobrimos o amor que alguns de nós não tivemos em casa. – Sua voz embargou no final, e ele respirou fundo. – Alguns me conhecem por ser um modelo muito autoconfiante e pregar o amor próprio por aí, mas eu nem sempre fui assim. Eu já me odiei, já me submeti a relacionamentos extremamente abusivos por não me enxergar como alguém digno de quaisquer sentimentos positivos, ou puro, ou nobre. Me tornei uma pessoa melhor depois que conheci meus nenéns, Jimin e Taehyung, mas na época eu cheguei à conclusão de que eu só era bonito; ninguém enxergaria em mim nada além dessa casca polida e refinada que eu exibia por aí. Não me levem a mal, eu estava feliz, tinha descoberto na amizade sentimentos que me faziam seguir em frente, dia após dia, e torcer pelos meus dois dongsaengs foi o que me fez acordar todo dia de manhã por muito tempo.

Ele sentiu o aperto da mão de Namjoon e encarou o marido que já estava com os olhos cheios de lágrimas.

— Conhecer o Namjoon foi como revisitar a minha infância. Ali estava na minha frente um príncipe encantado, com cavalo branco e tudo; sendo gentil, cortês, e me respeitando mais do que qualquer outra pessoa que eu já conhecera. Namjoon cuidou de mim, me protegeu, lutou por mim e abriu mão de muita coisa para estar ao meu lado; e isso não acontece com frequência com homens na posição dele. Eu nunca me senti tão bonito, tão feliz, tão eu mesmo, do que quando eu estou com você, meu coalinha. – Todos se derreteram com o apelido carinhoso e Namjoon ficou vermelho instantaneamente. – Obrigado por aparecer na minha vida, e saiba que eu vou te dizer sim quantas vezes você me perguntar. – O modelo largou o microfone e segurou a lapela do terno do marido para encenar o beijo mais emblemático de Seoul naquela década.

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— ... Eu agradeço a todos vocês por terem me felicitado, fico muito feliz por dividir um dos dias mais felizes da minha vida com as pessoas que eu amo e que me amam também. Até outro dia meus amores! – Jin sorriu dando um tchau para a câmera do seu celular, suando frio e se concentrando em não desfazer a feição feliz, além de manter o enquadramento acima do seu pescoço. Quando encerrou a live, desligou o celular e olhou furioso pra baixo. – Sério, Namjoon, acha que na hora da minha live é uma boa hora pra me chupar? – O Kim mais novo tirou seu falo da boca e lhe deu um sorriso falsamente inocente.

— O problema é inteiramente seu que resolveu fazer live no dia do nosso casamento. Estamos na nossa noite de núpcias, Seokjin, sua atenção deveria ser toda minha. – E ao terminar de falar, ocupou sua boca novamente, arrancando um gemido profundo do marido.

— Puta merda, Kim, você carente depois de seis anos de casamento é demais pra minha cabeça. – Ele sentiu a risada reverberando pelo seu pau e respirou fundo. – Tá querendo compensar a lua de mel de merda do primeiro casamento? – Deu outro gemido alto quando sentiu o marido sugar sua alma de seu corpo. – Ok, ok, desculpa... assunto delicado. – Ele passou uma das mãos pelos cabelos macios de Namjoon enquanto o encarava e começou a sentir algumas fisgadas em seu baixo ventre. – A sua boca é uma delícia amor, eu tô quase lá. – E percebendo que o outro se esforçou ainda mais na felação depois disso, entendeu o recado. – Quer que eu goze na sua boca, Nam?! – Com um aceno de cabeça o mais novo se fez claro. – Certo... então abre bem essa boquinha pro hyung. – Namjoon grunhiu com a última parte, adorava quando Jin ficava meio selvagem daquele jeito. O Kim levantou-se da cama onde estava sentado e acariciou o rosto do marido, para em seguida segurar seus cabelos no topo da cabeça e usá-los para auxiliar as estocadas que dava na boca do outro. – Caralho Namjoon, você me tira do eixo quando faz isso. – Sentiu o falo seguir até o fim da garganta do marido, vendo seus olhos marejarem. Estocou mais algumas vezes, sempre atento para não extrapolar nenhum limite. – Põe a língua pra fora, amor. – Orientou, o que Namjoon fez de bom grado, sentindo o líquido quente invadindo sua língua e descendo pela garganta. – Puta merda, Namjoon, você me deixou fraco. – Jin desabou na cama, encarando o empresário que ainda de joelhos na sua frente, limpava a boca.

— Você é um grande gostoso, Seokjin, não me culpe por degusta-lo como merece. – Jin sorriu pra ele e observou o mais novo levantar-se e começar a se livrar da roupa. Retirou o blazer, desfez a gravata borboleta e desabotoou a camisa; no entanto, deixou os suspensórios no lugar, assim como a camisa para dentro da calça. Sentou-se no sofá da luxuosa suíte em que se hospedaram de pernas bem afastadas, abriu o botão da calça, em seguida descendo o zíper. Percebendo o modelo hipnotizado por cada gesto seu, ele abriu um sorriso cafajeste, e o chamou com o dedo. – Vem cá, hyung, vem sentar no seu marido.

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O dia raiava sob o olhar atento de Namjoon. Ainda estava tentando controlar a respiração depois da última rodada com o marido e ouvia a respiração de Jin acompanhar a sua, batendo em seu pescoço. Sabia que o outro adorava deitar naquela posição; parcialmente sobre si, com o rosto colado ao seu ombro e de preferencia cheirando seu pescoço. Aquilo era estranhamente fofo e familiar.

— Obrigado. – O mais novo estranhou o tom baixo e envergonhado do marido, percebendo ali que ele não estava falando do que acabara de acontecer. O conhecendo como conhecia, resolveu esperar o resto. – Eu sei que o meu pai apareceu hoje na cerimônia, obrigado por cuidar de tudo pra mim. – Namjoon, que o abraçava parcialmente, intensificou seu aperto ao redor do modelo e suspirou pesaroso. – Eu sei que você deu dinheiro pra ele, eu ouvi o que vocês conversaram.

— Jimin e Tae não conseguiram segurar você, hein?! – Jin sorriu baixinho e se aconchegou mais no marido.

— Óbvio que não. – Os dois riram e suspiraram. – Por um lado eu me sinto muito aliviado por você ter resolvido isso por mim, mas por outro, eu sinto muita vergonha por ele ser minha família.

— Sua família sou eu, Seokjin. – o mais velho se arrepiou com aquela afirmação. – E não tente me agradecer, faria quantas vezes fossem necessárias, daria tudo o que eu tenho pra te proteger. – Jin acariciou levemente seu peito, e ele ronronou. – Não sei se tenho o direito de te pedir isso, mas quero que de hoje em diante, esqueça esse homem, e todas as outras pessoas do seu passado que te fizeram sofrer. Não da forma ingênua de se apagar más lembranças, mas da forma otimista que te dá a certeza que você terá muitas lembranças bonitas para substituí-las de agora em diante. – Ele ficou tenso quando sentiu seu ombro molhar. – Amor...?

— Eu te amo tanto Namjoon, você foi a melhor escolha da minha vida. – Namjoon usou o braço que o rodeava para trazê-lo para si, ficando ambos cara a cara.

— Casar com você me trouxe de volta à vida; eu era uma casca vazia que sabia apenas trabalhar, e você trouxe uma paleta complexa de cores pra minha existência. Eu nunca vou conseguir te agradecer o suficiente, mas por hora vamos dormir, temos o resto das nossas vidas pra eu te mostrar o quão grato eu sou. – Jin sorriu e lhe beijou a boca, e ambos comtemplaram o nascer do sol antes de caírem num sono tranquilo e confortador.