Real King

28 Capítulo 28


Notas iniciais
Mores, este é o último cap que eu tenho guardado, portanto a partir daqui ele vai acompanhar as postagens no outro site, o que significa que postarei com um pouco menos de frequência

Jin ficou velando o sono de seu marido até o amanhecer; não quis conversar enquanto Namjoon claramente precisava de descanso, prometera ficar ali até o mais novo acordar, e foi exatamente o que fez.

— Você ficou. – Ainda um pouco grogue, Namjoon piscava pra tentar despertar.

— Claro que fiquei, Nam, eu prometi. – O modelo se aproximou mais da cama e pegou em sua mão. – Como está se sentindo?

— Ainda um pouco grogue, mas melhor que ontem. – O mais velho acenou sorrindo. – Não vai me dar um beijo? – Jin sorriu com o acanhamento do mais novo, por acaso ele achava que Jin não o queria?

— Deixe de ser bobo, só estou respeitando seu espaço. – Namjoon fechou a cara e o encarou.

— Meu espaço é seu Seokjin, invada. – O modelo gargalhou e se aproximou do marido, lhe dando um beijo casto, mas profundo.

— aigoo Namjoon, bateu a cabeça e ficou um bobo romântico. – Os dois riram daquilo e Jin lhe roubou mais um beijo. – Você me fez tanta falta. – Disse em um fio de voz. Namjoon abriu os olhos do beijo e viu os do marido marejados.

— Passou por muita coisa na minha ausência, hein?! – enxugou as lágrimas do mais velho que o encarou sério.

— Passaria cem vezes pelos perrengues com a sua família, com a empresa e tudo o mais, mas te ver nessa cama desacordado... – Ele respirou fundo e algumas lágrimas caíam teimosas. – Não faça isso comigo de novo, Namjoon. – O mais novo riu fraco e segurou sua mão.

— Prometo que vou tentar, meu amor. – Beijou a mão do marido e a manteve encostada na bochecha.

Quando estava sentindo um pouco de sono com aquela tranquilidade toda, seu irmão entra no quarto com Mark ao lado.

— Enfim a bela adormecida dá as caras. – Namjoon sorria de orelha a orelha com a chegada do mais novo. Jackson se aproximou e o abraçou.

— Saudades de você, seu tratante. – Jackson riu e o olhou.

— Você só me visitava quando eu era estudante, e só me traz para a Coreia quando tem problemas. – Namjoon não teve como negar o argumento, então apenas riu.

— Eu sei, mas isso vai mudar. As coisas agora estão mudando. – O mais novo sentou na beira da sua cama e sorriu.

— Eu confio em você hyung; tudo o que você disse que ia acontecer de fato aconteceu. – O Kim mais novo lhe deu um sorriso triste. – Sua recuperação vai te tomar mais algumas semanas, pelo visto. – O irmão concordou com a cabeça. – Precisa que eu fique mais por aqui? – Namjoon lhe segurou a mão e a apertou com firmeza.

— Preciso de você agora, não há dúvida. Mas também gostaria que você considerasse ficar. – Ele viu o irmão fazer uma careta de desgosto. – Qual o problema? Algo o segura no Estados Unidos? – ele percebeu uma troca de olhares entre o irmão e Mark.

— Não exatamente. Só não queria morar em um lugar em que eu não possa viver livre com a minha sexualidade. – Pela primeira vez ele falara abertamente sobre assunto com seu hyung, e estava apreensivo.

— Acha que fiz do meu casamento com Seokjin um circo por quê? – ele riu da reação espantada do irmão. – Você nunca me enganou Jackson, nunca forcei sua vinda pra cá porque sabia que você não se sentia seguro nesse país. Tenho feito de tudo pra mudar isso, vamos receber nossa resposta agora no fim do mês, pelo que vi no noticiário. – Wang permaneceu calado, um pouco emocionado.

— Vou pensar no que você falou, hyung, não sou apenas eu a considerar nessa situação. – Ele deu um olhar discreto para o secretario/segurança que riu.

— Sabe que vou para onde você for. – disse Mark dando de ombros fazendo o outro corar. – Não temos muito tempo, você deveria falar sobre o atentado.

Depois de contar todos os pormenores do que ocorreu na ponte sobre o Rio Han, e como apenas a perícia de Mark conseguira tirá-los de lá com vida, Jackson se despediu do irmão com a promessa de que pensaria em sua proposta e de que voltaria no dia seguinte depois de sair da empresa.

Depois do almoço, Jin saíra para devolver a bandeja da refeição de ambos e ir na cafeteria do hospital comprar seu precioso late, deixando Namjoon sozinho com a televisão. Ele tinha assistido muitas coisas estranhas por aqueles poucos dias acordado, mas a mais estranha certamente eram as notícias sobre si. Muitas especulações giravam em torno do incidente que culminara em seu coma, e como apenas Hoseok fora linkado como vítima juto a ele, e o secretario saíra quase ileso do “acidente” havia uma especulação de que o próprio Jung atentara contra a sua vida, e essa teoria era a que mais divertia o Kim. A outra era que Namjoon havia sido vítima de um atentado terrorista por militantes anti-LGBTQIA+, uma vez que a mídia sempre reforçava que a cada nova celebridade saindo do armário, a lei Kim teria seu lugar garantido na aprovação do congresso coreano no final daquele mês. Namjoon achava essa a teoria mais plausível, até porque Seokjin fugiu para Londres um mês depois do marido ser hospitalizado, o que fazia todos entenderem que o modelo também temia pela própria vida.

Infelizmente, ninguém chegou perto da verdade. E a verdade acabara de entrar em seu quarto acompanhado de seu avô. Justamente quando estava sozinho, sem o marido para apoiá-lo.

— Namjoon. – O tom solene do avô não mudara nunca. Os três rostos atrás dele o encaram em falsa felicidade.

— Vovô. – disse comedido, fazendo uma mesura pequena. – Imagino que vocês estejam proibidos de entrar aqui. – Disse aos três indivíduos calados. Seu avô fechou a carranca e bufou.

— Como se uma equipezinha qualquer de hospital fosse me barrar... – Namjoon lhe dirigiu um sorriso amargo.

— Então por que essa é a sua primeira vez vindo aqui? – Fazia muito tempo que RM não via o avô corar.

— Aquele desqualificado já veio fazer fofoca para o Namjoon, sogro. – Disse o pai atrás de si. Namjoon absteve-se de responder com a entrada do marido no quarto. Ao absorver o que ocorria ali, Jin aproximou-se tranquilamente da sua cama e sentou-se na poltrona ao lado do marido.

— O “desqualificado” não se deu ao trabalho de lembrar que vocês existem. – disse Jin tranquilamente. E antes de qualquer um falar ali, Namjoon levantou as mãos pedindo silêncio.

— Cuidado com o que falam sobre meu marido na minha frente. – Sibilou Namjoon de forma perigosa. – Vovô, eu sei que o senhor não veio porque simplesmente o conheço bem. – Ele encarou o velho de forma solene, assustando um pouco o patriarca Kim. – Desde que me entendo por gente, é sempre assim que o senhor age, como se eu não fosse prioridade para o senhor. – Ele ajeitou o lençol sobre as pernas e suspirou. – O único motivo para eu não guardar mágoas do senhor é por ter me livrado de ser criado por meu pai. – Jin arregalou os olhos, jamais pensaria que Namjoon falaria assim com o avô.

— Você é mesmo um ingrato! Como tem coragem de me dizer isso, depois de tudo o que te dei? – Namjoon sorriu amargo para o avô e o modelo entendeu que os tempos de manipulação acabaram.

— Não pode jogar na minha cara ter me dado o que sempre foi meu por direito. – Os quatro visitantes arregalaram os olhos surpresos. – O senhor só tem o império que tem porque tem alguém para herdá-lo. Pare de me ameaçar quando ambos sabemos que nunca pretendeu me deserdar. Só porque não sou o homem que o senhor queria que eu fosse não quer dizer que eu não seja o suficiente para ser seu neto. – Ele encarou o marido que sorria orgulhoso para si. – O fato de eu gostar de homens o distraiu ao ponto de não perceber que me tornei melhor que o senhor. Quer me ameaçar? Tirar tudo de mim? – Ele olhou ameaçador para o idoso. – Vamos tentar então. Tirei o senhor do poder do conselho estando em coma profundo, o senhor imagina o que eu posso fazer desperto e cheio de raiva?! – Com todos ainda calados do choque, Namjoon viu a sua oportunidade de se livrar daquela dor de cabeça. – Seokjin, por favor, acompanhe-os até a porta. – E se encostou no muro de travesseiros atrás de si, fechando os olhos.

— Mas nós nem falamos com você ainda Oppa. – Disse Ji Su com a voz fina, fingindo choro.

— Não há nada no mundo que eu pense que você tenha para me dizer que me interessa ouvir. – respondeu o Kim mais novo ainda de olhos fechados. Jin levantou-se e abriu a porta, olhando sério para todos.

— Eu tenho muito o que conversar com você, Ji Su, mas não acho que você vá gostar do teor da prosa. – Deu um sorrisinho cínico e antes que a mesma se retirasse totalmente do quarto, ele falou em alto e bom som. – Você tem duas horas pra devolver o celular do Namjoon, senão eu peço pro Jungkook ir pessoalmente buscar. – A palidez repentina no rosto da loira confirmou a suspeita dele.

— Não sei do que você está falando... – E antes mesmo de ter tempo para reagir, sua bolsa fora arrancada de sua mão, e pra seu terror absoluto, duas mãos tatuadas a seguravam.

— Se fazer de sonsa a essa altura do campeonato com Jin Hyung irritado e comigo mais puto que nunca não é o movimento mais inteligente, Choi. – Jungkook abriu a bolsa de marca sem a menor cerimônia e arrancou de lá um smartphone que Jin reconhecera na hora como sendo do marido. O Jeon jogou o celular para o modelo e empurrou a bolsa sem delicadeza nenhuma de volta a sua dona.

— Hey, você não pode fazer isso! – Gritou a Sra. Kim indignada. – Ela é uma moça, você não tem esse direito! – E se calou imediatamente quando os orbes negros a encararam.

— E você é quem exatamente pra dirigir a palavra a mim? – Quando a chinesa se encolheu e se escondeu atrás da figura do marido, ele sorriu. – Exatamente.

— Desde quando você é um troglodita sem modos desse jeito, Jeon? – Jungkook encarou o avô de seu amigo e o velho não acreditava que aqueles olhos tão inocentes outrora pudessem ser tão hostis.

— Não venha bancar o velho moralista pro meu lado, Sr. Kim, sei mais a seu respeito do que o senhor imagina. – O velho arregalou os olhos e tossiu. – Engulo a sua hipocrisia por respeito ao seu neto, mas nem o senhor tem poder de me censurar ou me dar ordens aqui. – Ele olhou para as três figuras que o velho estava protegendo. – Me deixar momentaneamente tetraplégico? Eu até poderia perdoar, porque entendi que fui apenas um efeito colateral. Mas espancar Taehyung? – ele deu um sorriso desacreditado. – Yah, isso é um erro colossal, imperdoável, e vocês vão pagar por aquele rostinho perfeito machucado com a vida de vocês. – Ele deu as costas aos quatro e entrou com Jin no quarto de Namjoon, fechando a porta atrás de si.

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Jimin não podia acreditar na maré de azar em que estava. Precisava urgentemente ir num xamã pegar algum amuleto pra se proteger, porque olha...

— Repete, Hyung, por favor, que eu ainda não consegui processar. – O agente, exasperado, respirou fundo e repetiu a péssima noticia que tinha acabado de dar.

— Descobriram que você é a pessoa que canta “Serendipity”. – Anunciou. – E os boatos são de que você namora o tal Agust D.

— Essa merda tá acontecendo mesmo? – O loiro sentou derrotado e encarou seu agente. – Quais as minhas opções?

— Podemos transformar isso em oportunidade, Jimin. – Vendo o olhar descreditado do mais novo ele riu. – É sério, olha: o fato de você estar em um relacionamento sério e tão romântico com uma pessoa que muitos admiram pode ajudar a abafar de vez o escândalo que te atormenta. Isso é, se você estiver mesmo namorado o tal rapper. – Jimin encarou muito sério Minho e rosnou, frustrado.

— Estou. – Disse apenas. Não gostou nem um pouco do sorriso que o Lee dirigiu a si.

— Há quanto tempo? – O modelo fechou os olhinhos em fenda, que para o agente significava que não era da sua conta. – Desculpe, Jimin, mas quanto mais antigo, maior a credibilidade. – O rosto do Park transparecia contrariedade.

— Muito tempo. – Foi só o que disse, e foi só o que bastou para o manager, que deu pulinhos de felicidade. Seu pior pesadelo de RP estava quase no fim.

— Tenho uma proposta para você: quando a noticia se espalhou hoje de manhã, o maior programa de entrevistas musicais de radio de Seul entrou em contato comigo perguntando se você não poderia ir lá hoje a noite conversar sobre a música e como o projeto foi feito.

— Sabe que eles não vão perguntar só sobre isso, né?! – Minho riu do modelo carrancudo.

— Claro que sei, e é por isso que essa oportunidade é perfeita, Jimin! Eles vão te perguntar sobre a sua vida pessoal, o que vai dar margem para as pessoas saberem mais sobre você. Você é super carismático e comunicativo, além de conquistador, vão ter alguns convidados além de você, o que vai mostrar a todos que você é muito sociável e que outros famosos não têm vergonha de estar ao seu lado. – Aquele argumento bateu forte em Jimin, ele estava cada dia mais incomodado com as pessoas da indústria o tratando como se tivesse uma doença contagiosa; seu agente tinha razão, ele precisava agir para que isso cessasse.

— Certo. Vou ligar pro Yo – se interrompeu na hora e mudou o nome antes que o agente percebesse sua gafe. – Agust ver o que ele acha, e se ele concordar, eu vou. – Vendo que o mais velho concordava, ele pegou o celular e discou o número do namorado. O agente fez sinal para pôr no viva voz.

— Amor? Tudo bem com você? Pensei que estivesse trabalhando. – Minho achou a voz vagamente familiar, mas não soube identificar. Jimin sorriu com aquela frase. Como um ogro que nem Yoongi conseguia ser tão atencioso?!

— Baby, estou no viva voz, meu agente está comigo. – Ao perceber o silêncio do Min ele prosseguiu. – Houve um exposed na internet e me linkaram como o vocalista de Serendipity, e ele acha que isso é uma boa oportunidade para reverter a imagem que o último escândalo causou. Fui convidado para um programa de rádio hoje e ele quer que eu vá. – Mais alguns segundos de silêncio em que os dois estavam em expectativa.

— Acho que é uma boa ideia, Jiminie. – Os dois sorriram um para o outro. – E se me ligou, é porque também acha. Então por que me ligou? – Jimin respirou fundo e resolveu jogar logo tudo de uma vez.

— Porque junto com o exposed se formou a teoria de que eu estou namorando Agust D.

— Uma teoria correta, por sinal. – Acrescentou Yoongi, o que fez o Lee sorrir. – Ainda não entendi o seu ponto, anjo.

— Bom, como Agust D. não é uma figura pública, o que eu falar é a única versão que todos terão. Confia em mim pra isso?

— Porra Jimin, que pergunta mais boba. – O Park riu da irritação do namorado. – Eu te dei carta branca pra me assumir publicamente, você não faz porque não quer. – Minho levantou a sobrancelha espantado, ele não estava ciente daquela informação. Jimin percebendo isso, sorriu amarelo. – Mas eu entendo que você queira preservar nosso relacionamento. Se assumir o Agust é o máximo que consegue chegar, então faça. Só tenho uma condição. — Os dois aguardaram atentamente. – Leve alguém com você.

— O Minho hyung vai comigo. – Disse o loiro olhando para o mais velho que sorria para ele confirmando.

— Não. – Os dois olharam espantados para o celular na mão de Jimin. – Com todo o respeito, Sr. Lee, mas caras da rádio são abutres, você vai precisar de toda a ajuda que puder. – Os dois se olhavam curiosos. – Vou pedir para o Yoongi ir com você. – O mais velho ali tossiu nervoso.

— O CEO da MS? – Jimin o olhou se saber como reagir. – Não é um pouco extremo?

— Ele é o meu agente, e foi ele quem convenceu Jimin a gravar a música, além de ser poderoso o suficiente para proteger o Jimin. — O Lee teve que concordar, Min Yoongi era conhecido por toda a Coreia como um produtor muito protetor com seus artistas e bem intimidador quando queria.

— Não vejo objeções. – Disse o agente para o loiro.

— Ótimo, me passe os detalhes por mensagem que eu ligo pra ele. – Jimin acenou como se o namorado conseguisse vê-lo. – Você está bem? – Jimin sorriu derretido com seu gatinho atencioso.

— Estou, não se preocupe comigo. – Ouviu divertido o namorado bufar.

— Como se eu conseguisse fazer outra coisa da minha vida. – Minho riu daquela interação. – Se cuide, baby, qualquer coisa me ligue. — Completou encerrando a ligação.

Mais tarde, naquela noite, Jimin entrara na rádio sob o escrutínio de muitas pessoas, ele parecia ser a atração daquele lugar. Levando em consideração que o boato do dia era que ele namorava o artista mais quente e misterioso da Ásia, não era pra menos, mas a sensação de ser uma atração de circo o incomodava demais.

Já dentro do estúdio, ele foi para a maquiagem, uma vez que o programa tinha um canal nas plataformas digitais e todas as entrevistas saiam filmadas por lá também. Seu agente estava agitado; Yoongi ainda não dera as caras, mas Jimin parecia tranquilo quanto a isso, imaginava que eles tivessem algum nível de amizade, uma vez que confiava tanto no produtor.

A maquiadora trabalhou em Jimin em um silêncio absoluto; o Park entendeu na hora que ela era da parte da população que acreditou nos boatos: ao final da maquiagem o loiro estava com a pele mais escura que seu tom e os olhos muito pesados, além da boca vermelha demais. Vulgar, era a palavra que Jimin estava procurando. Ele olhou no espelho, respirou fundo e encarou a mulher através do reflexo.

— Esta não é a maquiagem que combinamos. – Disse calmamente. – Meu agente entrou em contato e pediu uma maquiagem que deixasse minha pele o mais próximo possível do natural. – A mulher ergueu uma sobrancelha e lhe deu um sorriso de escárnio.

— A maquiagem me parece bem natural daqui. – Algumas pessoas que estavam no camarim riram e o Park olhou para seu agente, que ia abrir a boca para começar a brigar. Ele apenas levantou uma mão, pedindo ao mesmo ficar quieto e encarou novamente a mulher.

— Se você não sabe ser profissional, aprenda então essa lição: — Ele puxou o celular do bolso e abriu no app de lives, iniciando uma. – Hello my mochis!! Vim rapidinho aqui pra avisar vocês que logo mais estarei dando uma entrevista neste programa que está marcado aqui no cantinho da tela e se você não puder acessar a live é só sintonizar na rádio. – Ele abriu um sorriso brilhante e puxou o cabelo para trás com uma das mãos. – Photoshoot? Não, por que?! – Ele sorriu e ficou lendo os comentários dos fãs online. – Ah, isso aqui? – perguntou apontando para o próprio rosto. – A maquiadora do programa que errou no tom da base. – Ele sorriu todo inocente. – A sombra tá pesada? Vocês acham? – Ele virou o rosto de um lado para o outro, fazendo a maquiagem reluzir em diferentes luzes, comprovando para quem via que todas eram péssimas. – Eu gostei, sabia?! Mas acho que não combina com o meu compromisso, não é?! — Outra risada inocente e despreocupada e ele leu mais um comentário. – Pois é, eu achei essa técnica de escurecer e aumentar os lábios fantástica, mas para as minhas proporções ficou meio exagerado, não?! – ele leu mais alguns comentários e encostou o celular no espelho, deixando as mãos livres e pegando um pacote de lenços demaquilantes. – Não vou dizer o nome dela para vocês, gente, ela não trabalha pra mim, é funcionária da rádio. Deem um desconto a ela, deve estar no começo da carreira, não trabalhou tempo o suficiente para entender que existem maquiagens específicas para todas as ocasiões, não sejam tão duros com elas, mochis! – Ele olhou pelo reflexo do espelho o ângulo do cômodo que sua câmera não pegava, a mulher totalmente apavorada. – Vamos fazer aqui o truquinho básico que eu sempre faço quando estou com pressa pra sair e vocês vivem me pedindo para ensinar. – Ele deu uma piscadinha para a câmera e começou a remover a maquiagem, enquanto ensinava sobre skincare e métodos para disfarçar olheiras e espinhas sem deixar a pele pesada.

Alguns minutos depois, tudo o que Jimin fez foi preencher as sobrancelhas, passar um lápis simples no olho e um lip tint nos lábios. Sua pele estava sem produto algum, e com exceção de uma pequena e quase imperceptível espinha perto da testa que ele disfarçava com a franja, seu rosto estava impecável. Ele passou um spray hidratante sobre as maçãs, dando um glow a mais na pele e se despediu dos fãs.

O camarim estava em um silêncio absoluto, Minho queria rir, mas sabia que se o fizesse Jimin o mataria. O modelo colocou seus óculos de grau de armação redondas, ajeitou o cabelo para que ficasse toda a franja cobrindo a testa; levantou-se da cadeira e foi em direção à porta, e ao passar pela maquiadora ele parou e abaixou um pouco a cabeça para encará-la.

— A sua sorte é que eu não sou vingativo. A primeira lição que a gente aprende nessa indústria é em quais calos você não deve pisar. E o meu com certeza é um deles. Se quer ser arrogante e presunçosa, faça jus ao seu narizinho arrebitado – Ele lançou a ela seu melhor olhar de desprezo. – Um sorriso debochado em uma cara de alguém que não transa há anos e está com prisão de ventre não te garantem o status de boss bitch. – E antes de chegar à porta, o rapaz que Jimin reconheceu como sendo um dos cabelereiros que riu minutos atrás da maquiagem vulgar que a outra fizera em si o chamou.

— Sr. Park, o senhor não vai fazer seu cabelo? – O loiro o encarou como se o rapaz sofresse de algum grau de atraso cognitivo e passou a mãos nos cabelos platinados ajeitando a franjinha.

— Com você? Não mesmo. E além do mais, não preciso. – Voltou a olhar a maquiadora e lhe deu uma piscadinha. – Viu como faz? – E saiu na sua maior pose diva que conseguiu.

No corredor, com o agente chorando de rir ele tentava se concentrar na tela do celular esperando uma resposta do namorado.

— Tente se controlar, hyung, você é um profissional. – O Lee ainda soluçava de rir e tentava controlar sua respiração.

— Me desculpa, mas aquilo foi muito a sua cara, eu devia ter filmado para mandar pro Tae! – O loiro riu ainda concentrado na tela. – Aliás, me desculpe por não ter checado a maquiadora. – O modelo deu de ombros e enfim olhou para o agente.

— Faz parte, hyung, eu até estava achando estranho tanta hospitalidade. – Os dois sorriram amarelo um para o outro. – Quando você disse que nessa profissão eu tinha que matar um leão por dia, não sabia que era na base da unha! – o agente riu um pouco mais e de repente seu semblante fechou.

— Esqueci de dizer que tem mais uma coisa pra acrescentar no show de horror. – Jimin riu e olhou para o celular novamente, não dando muita importância para o que viria da boca do mais velho.

— Então manda, já to no inferno mesmo, tenho que abraçar o capeta. – E antes de ouvir o que Minho tinha a dizer uma voz muito conhecida por si os interrompeu:

— Ora se não é Park Jimin, a celebridade do momento! – De costas para a voz, Jimin fechou os olhos consternado. Por que levantara da cama naquela manhã mesmo?

Certo, amanhã sem falta procuraria um xamã.