Real King
4 Capítulo 4
Notas iniciais
— Não adianta, Hoseok, eu não vou me encontrar com esse cara! – já estavam na sexta-feira e J-Hope ainda não conseguira convencer o amigo a encontrar-se com o Jung. – E para já com esse assunto. Parece até um cafetão, eu hein! – o amigo, claramente ofendido parou na hora de andar atras do Kim.
— Nossa, tudo bem, não precisa ofender também... – e saiu aborrecido do apartamento.
— Você não acha que pegou pesado demais, Tae? – perguntou Jin ajeitando o nó da gravata. Já estava quase na hora de sair para a cerimônia de posse de Namjoon e Taehyung estava ajudado o amigo a se vestir. Ele ainda ia passar no apartamento de Jimin para busca-lo, uma vez que Tae não quis ser seu acompanhante aquela noite.
— Não é como se Hoseok tivesse uma sensibilidade tão aflorada assim... – Deu de ombros o moreno. – Agora vai, Jimin deve estar quase botando um ovo de ansioso pra entrar nesse ambiente de ricaços. – Jin riu e se olhou no espelho. Bom, melhor que aquilo não dava pra fazer.
Ao chegarem ao salão, eles foram encaminhados para uma mesa bem próxima do palco, onde já haviam duas pessoas sentadas. Uma delas era Hoseok, e a outra era um rapaz de terno, camisa e gravata pretas, cabelos penteados para trás e um rosto de príncipe encantado da Disney. Jin o achou vagamente familiar.
— Sr. Kim, que bom que chegou! – disse Hoseok se levantando e fazendo uma mesura. Ele acomodou os dois modelos em suas respectivas cadeiras e apresentou o rapaz que estava sentado ao seu lado. – Sr. Kim, Sr. Park, este é Jeon Jungkook, Diretor de operações do grupo Jeon, e um dos melhores amigos do presidente. – Os dois loiros fizeram uma mesura polida para o moreno sério e lhe deram um discreto sorriso. – Jungkook, estes são Kim Seokjin e Park Jimin, modelos. — O moreno fez uma mesura maior ainda, e quando abriu a boca, Jin sentiu o impacto:
— É um prazer conhece-los, sou um grande fã. – disse tímido. Jin reconheceu de cara aquela voz, mas o rapaz a sua frente em nada parecia com o rapaz de óculos, piercings e tatuagens que ele vira no começo da semana. Ele olhou para o lado e se deparou com um Jimin estranhamente quieto. Quando percebeu que os dois morenos se distraíram em uma conversa, cutucou o dongsaeng.
— O que houve, Jimin? – o loirinho olhou pra si parecendo revoltado.
— Isso não é justo, hyung, além de ser podre de rico, ele precisa parecer assim? – Jin teve que segurar a gargalhada que estava subindo a garganta, pois o mestre de cerimônias tinha subido ao palco e iniciado a solenidade.
Depois de todas as falas chatas, todos os envolvidos desceram do palco e Jin pôde ver a família do seu noivo. Um senhor andava ao lado do recém nomeado presidente, e atras deles um casal de meia idade. Namjoon era simpático com o avô e amigável com as pessoas que iam até a mesa para cumprimentá-lo, mas em momento algum ele sorria. Jin podia estar ficando doido, mas sentia falta de ver aquelas covinhas.
Alguns minutos depois, quando a longa fila de pessoas em torno da mesa principal havia diminuído, os dois morenos a sua frente se levantaram e olharam para eles.
— Temos que ir cumprimenta-lo. – disse Hoseok apenas. Jin olhou para o amigo e ambos se levantaram e foram atrás dos morenos.
Ao se aproximarem da mesa, os dois modelos quase não entendiam o dialeto que falavam por lá, eram coisas demais para processar então colocaram um sorriso no rosto e resolveram abstrair. Quando chegou a vez dos quatro jovens, Namjoon pela primeira vez naquela noite teve seu rosto iluminado com algo que lembrava alegria.
— Sr. Presidente executivo, Sr presidente, Sr e Sra Kim. – Hoseok falava e fazia mesuras conforme se dirigia às pessoas ali sentadas, e Jin entendeu que na verdade o secretario estava mostrando ao loiro quem eram e em qual ordem os cumprimentar. – Meus parabéns senhor, ocorreu tudo como o planejado. – Os mais velhos à mesa só retribuíram o cumprimento e Namjoon deu dois tapinhas em suas costas.
— Graças a você, é claro. – Hoseok fez mais uma mesura, agradecendo o elogio e deu espaço para Jungkook passar. Ele fez a mesma coisa que o anterior, e ainda deu um sorrisinho tímido para o amigo quando o parabenizou. Antes de sair e dar lugar aos dois modelos, o avô de Namjoon o chamou.
— Você cresceu muito desde a última vez que eu te vi, Jeon. – O mais jovem abaixou a cabeça em cumprimento. – Uma pena que não vai herdar a empresa do seu pai, do jeito que vive arrumando confusão. Fura a cara como bem quer e tem o corpo todo riscado. – Jungkook riu da bronca que levava do mais velho.
— O senhor não está vendo nenhum furo na minha cara e nenhum risco na minha pele agora, Haraboji. – brincou sorrindo. Jimin quase teve um colapso de fofura com aquilo.
— aish! Ainda por cima é sonso! Eu sei muito bem que você foi dispensado do exército por causa das suas tatuagens, seu delinquente! – falou alto o mais velho, daquele jeito que velhos sempre fazem achando que metem medo em alguém. Jungkook ficou sério na hora e abriu bem os olhos, fazendo uma cara de inocente que convencia todo mundo e se abaixou para ficar na altura do senhor.
— Haraboji, quando eu tentei me alistar, minha pele era imaculada. – E se levantou dando um sorrisinho singelo que deixou algumas pessoas incomodadas e outras com medo. Afinal, o motivo para o Jeon ter sido dispensado do alistamento obrigatório era uma das maiores incógnitas daquele país.
A dupla logo atras dele cumprimentou a todos e encantou todas as mulheres ao redor.
— E quem são vocês? – perguntou o velho, já um pouco rabugento.
— São meus convidados, vovô. — disse Namjoon simpático. – O mais alto se chama Kim Seokjin e o mais baixo é o Park Jimin, são personalidades muito influentes aqui no país, e meus amigos — disse o Kim polido.
O Velho os analisou da cabeça aos pés. O mais alto vestido em um terno vinho, de corte excelente com blusa e gravata brancas. Os cabelos loiros mais naturais, com uma pequena franja que lhe cobria a testa. Era um jovem muito bonito, e tinha uma postura excelente. Com certeza era ator. O outro, apesar de mais baixo, era o que mais chamava a atenção das mulheres do salão. O rosto exótico, lábios cheios, e para espanto do mais velho, pintados, o terno cinza com a blusa branca de gola rolê o deixava diferente de todos os outros homens ali. Gostava da confiança dos dois, eram parecidos com seu neto nesse aspecto.
— Espero que se divirtam, meus jovens — disse educado. Os dois sorriram simpáticos, o que gerou uma inesperada chuva de flashes, e saíram de lá.
Quando chegaram de volta a sua mesa, dessa vez com o próprio anfitrião da noite, Jimim sentou-se com a mão no peito.
— Com todo o respeito, Kim, mas seu avô é assustador. – Jungkook fez um bico e concordou com a cabeça.
— Você é mesmo um sonso Kook! O meu avô te mete medo? Você, com 20 anos e metade do corpo tatuado disse pra todo mundo ouvir que não foram as suas tatuagens o motivo de dispensa do exército. – O moreno mais novo deu de ombros e desconversou.
— Não entendo o fascínio de vocês por uma história tão chata. Não tem comida de verdade aqui não?
— Você sabe que essas cerimônias chatas nunca têm. – disse Hoseok bebendo um gole de seu vinho.
— Quando as pessoas começarem a sair eu libero a cozinha pra você. – disse Namjoon também bebericando sua taça, e quase cuspiu o vinho quando viu o sorrisinho de dentinhos proeminentes do amigo. – Eu já te disse que você fofo me assusta até o último fio de cabelo, Kook! — E gargalhando o mais novo virou seu copo de uísque.
— Não tenho culpa se você é tão impressionável, hyung. – disse desconversando.
Conforme o salão ia esvaziando, as pessoas s sentiam mais compelidas a ir embora. A família Kim foi uma das primeiras a sair, e agora só restavam uns poucos funcionários bêbados da empresa. Assim, Namjoon pediu ao staff que limpassem tudo e deixassem a cozinha livre para ele e os amigos.
Ao entrar na cozinha industrial, todos se acomodaram em banquetas próximas a uma ilha, e a dupla de loiros assistiu embasbacados o mais jovem do grupo tirar seu terno, sua gravata, abrir alguns botões da camisa e arregaçar as mangas, exibindo o que eles consideravam ser dois braços fechados de tatuagens e as pontas de algum desenho surgindo pelo pouco peitoral – definido- que surgia. Jimin estava no paraíso, não podia negar, e Jin estava muito confuso, porque aquele sorriso fofo não combinava com esse homem na sua frente.
Namjoon sentou ao seu lado e ficou mexendo no celular enquanto o Jeon mexia nos armários e tirava os utensílios e ingredientes. Hoseok distribuiu novas taças a todos e começou a servir vinho.
Quando o empresário terminou de checar seus e-mails deu de cara com o noivo observando atentamente o amigo cozinhando.
— O que houve, Seokjin? – Jin se assustou, não esperava com a conversa repentina.
— Ah... ele me deixa confuso – disse apontando para Jungkook.
— Eu o conheço desde que ele usava fraldas e vai por mim... não tente entende-lo. Com o Kook você só pode fazer uma coisa:
— E qual é?
— Ser muito grato por ele gostar de você. – Jin não entendeu aquela frase, e o noivo percebeu. – Os Jeon's são especialistas em segurança. De qualquer tipo. Jungkook é o caçula de três filhos, e é o único que não tem cargo administrativo na empresa.
— E o que isso tem a ver com o medo que vocês incutem na gente sobre ele?
— Ele é um prodígio quando falamos a respeito de segurança pessoal. Não é guarda costas porque a família é rica, mas sempre se interessou por isso. Atividades físicas em geral, ele domina. É faixa preta em tantas artes marciais que eu nem me interesso mais em decorar, tem instintos assustadores, e entende muito de tecnologia. Não fez e nem pretende fazer faculdade, mas dá um baile em muito engenheiro de software por aí. – OK, Jin agora estava impressionado. – Quando ele fez dezoito anos, tentou se alistar, mas foi dispensado na mesma hora. A parte mais estranha disso tudo é que ele é um instrutor convidado das forças especiais da polícia de Seul, ele dá cursos de tiro e de direção defensiva por lá. É raro, mas é o curso mais disputado da academia. – Jin voltou sua atenção ao moreno de sorriso fofo que estava totalmente focado em picar alimentos no balcão próximo dali. – Na verdade ele é bom com qualquer arma, e outras coisas que a gente não faz ideia. – Quando viu o olhar assustado do modelo, Namjoon esclareceu. – Quando fui pra Inglaterra estudar, eu tinha 17 e ele 14. Jungkook sumiu até completar 18 e tentar se alistar. Nem a família dele sabe o que ele fez nesse tempo, e ele nunca conta pra ninguém. Depois que foi dispensado, ele fez um intensivo pra se formar no ensino médio e disse pros pais que só trabalharia na empresa em algum cargo que envolvesse diretamente as operações.
— Ele parece muito ligado a você. – disse Jin observador. O Kim mais novo deu um sorriso sincero, olhando o amigo cozinhando.
— Ele não se dá bem com a família, e isso nós temos em comum. Eu sou a família dele e ele é a minha. – Jin entendeu tocado. – Foi ele quem resolveu seu problema. – Revelou o empresário.
— Bem que eu achei que tinha visto ele no elevador da empresa... – o outro riu e bebericou seu vinho. – O que vai acontecer com o Jihoo? – Namjoon largou sua taça e encarou muito sério o Kim.
— Você quer mesmo saber? – a voz baixa ficou ainda mais rouca e deu arrepios involuntários no mais velho.
— Na verdade não, mas não quero que você ou Jungkook cometam algum crime por minha causa. – Acenando com o entendimento, Namjoon lhe deu um sorriso simpático, mostrando as covinhas que Jin tanto sentia falta.
— Não se preocupe com isso, não precisamos recorrer a nada do tipo. – Satisfeito, o modelo se concentrou na própria taça, até que conseguiu ouvir a conversa do seu lado.
— Não adianta, Park, ele tá fora de cogitação pra você. – Dizia um Hoseok como se explicasse pra uma criança birrenta que ela não podia comer doces antes do jantar.
— Mas eu quero ele, Hyung! Ele é muto gostoso! – assustado com a cara de pau do amigo, Jin procurou a direção do olhar de Jimin, e percebeu que ele encarava Jungkook cozinhando. Correção: ele encarava a bunda de Jungkook cozinhando. Ele olhou de novo pro amigo, que agora encarava o Jung com um biquinho indignado. – Porque ele tá fora de cogitação? Ele é hétero? Isso não é um problema pra mim! – disse passando a mão no cabelo e puxando pra trás. Jin gargalhou com aquilo o que chamou a atenção de todos.
— Eu tinha que ter filmado isso pra mandar pro Tae! – e assim que falou ouviu o barulho de algo caindo. – Tudo bem aí, Jeon? – perguntou para o mais novo que estava juntando a espátula do chão.
— Si-sim, Hyung... desculpem por isso. – Jin sorriu simpático para ele e voltou a olhar para o amigo. Jimin novamente estava olhando o moreno tatuado, mas agora com uma expressão séria. Depois encarou o outro moreno ao seu lado que estava com uma cara de "eu não disse?!" e bufou indignado.
— Ok, entendi o recado, Hoseok... posso ser muita coisa, mas talarico não é uma delas. – disse dando de ombros, derrotado.
— Do que diabos eles tão falando? – sussurrou Jin confuso. O moreno ao seu lado deu uma risadinha e chamou a sua atenção.
— Hoseok me disse que seu amigo Taehyung se recusou a encontrar-se com um fã. – Jin balançou a cabeça concordando. Namjoon apontou o indicador pro amigo cozinheiro. – Ele é o fã.
— Uau. A cada segundo isso fica mais estranho. – Os dois riram baixo. – Tae vai se arrepender muito quando vê-lo. – O Kim ao seu lado lhe olhou surpreso. – O que?! Só um cego não diria que ele é deslumbrante! E o Tae tem um fraco por bad boys. – Ainda sob o olhar chocado do noivo, ele suspirou. – Primeiro: ele é novo demais pra mim, e segundo, ele é fofo demais.
— Não gosta de caras fofos? – Jin balançou a cabeça negando.
— Já sabemos que eu tenho o dedo podre. – Namjoon concordou com a cabeça – mas na verdade os nerds e o caras mais sérios que fazem meu tipo. – E o Kim mais novo não teve como não abrir um sorriso ante aquilo, que sem saber, encantou o mais velho.
Cortando totalmente o clima, Jungkook aparece colocando alguns pratos de massa com um cheiro incrível na sua frente.
— Uau, Kook! Você está inspirado hoje! – disse Namjoon já enrolando seu macarrão. Quando viu os dois modelos desanimados olhando seus pratos, ficou confuso.
— Os de vocês são com massa integral e os ingredientes do molho são todos vegetarianos. Comer isso uma vez na vida não vai mata-los, hyungs. – disse o Jeon já colocando uma garfada na boca. Jimin deu de ombros e começou a comer, e Jin ficou tocado com o quão atencioso o tatuado foi. Era um cara assim que seu amigo merecia.
Horas depois, Taehyung ouve a porta de seu apartamento abrindo e se depara com seus três amigos bêbados.
— Eu espero que nenhum de vocês tenha dirigido. – disse entediado amparando Jin que estava tropeçando para tirar seus sapatos.
— Não, o motorista do Sr. Kim nos trouxe – disse Hoseok ajudando Jimin que estava quase desligando de bêbado.
— E ele foi como? – perguntou o moreno mais novo. Jimin abriu um sorriso enorme pra responder:
— Foi com o goxtoooo- Hoseok deu um cotovelada no loirinho e o interrompeu.
— Ele foi com um amigo dele que estava lá. – Tae assentiu e voltou sua atenção para Jin, que estava desmaiado no sofá.
— Suponho que esses dois vão dormir aqui, hein?! – Hoseok deu de ombros rindo. – Ok, vou ajeitar o Jin hyung aqui e essa coisinha aí você leva pro meu quarto. – Hobi concordou e apoiou um Jimin cambaleante rumo ao quarto do amigo.
Quando os dois loiros bêbados estavam dormindo, Taehyung encontra o colega de apartamento no banheiro escovando os dentes.
— Hyung – chamou acanhado. Hoseok se virou pra ele, a boca cheia de creme dental. – Queria te pedir desculpas pela forma como falei com você antes de sair. Eu tô um pouco irritado e triste porque o Bogun não me procurou ainda, mas isso não justifica eu ter te tratado daquela forma. – Hope deu de ombros, dando a entender que não tinha importância. – Se você quiser eu posso me encontrar com esse seu amigo, me desculpe, eu não dei a devida importância pra isso, pra você me pedir era porque devia ser importante... – o mais velho enxaguou a boca e interrompeu o amigo.
— Não precisa, Tae, esquece isso.
— Mas – O Jung apoiou as duas mãos nos ombros do dongsaeng e foi encaminhando-o para o próprio quarto.
— É sério, não precisa. Eu não deveria ter insistido, você ficou desconfortável. E o meu amigo é meio obcecado com consentimento, então no primeiro "não" ele desistiu. De verdade, taetae, tá tudo bem. – disse ele saindo do quarto do modelo e fechando a porta.
— E foi você quem saiu perdendo, otário. – Resmungou um Jimin dormindo. Tae não deu bola pro amigo bêbado, mas não deixou de se sentir um pouco arrependido.
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