Real King
34 Capítulo 34 - FINAL
— Eu e Seokjin aceitamos uma bebida, vovô. – Namjoon se referiu ao avô, mas olhava o mordomo da família com um olhar afiado, até que o mesmo se retirou em direção ao bar do cômodo. – O Master of Malt, caubói pra mim, e uma taça de tinto pro meu marido. – E fez um gesto de mãos dispensando-o.
— O que quer nos dizer, meu jovem? – O Sr Choi era um senhor de idade, que passara a vida toda tentando ter filhos, e só conseguira no terceiro casamento. Sua esposa, vinte anos mais jovem era uma golpista que tentava se camuflar em um verniz mal criado de elegância, mas qualquer pessoa da alta roda percebia sua falta de traquejo.
— Que sua filha passou o último ano fazendo da minha vida um inferno. – Jin tomou a frente e olhou para o casal sentado ao lado do filho. – Não sei se os senhores sabem, mas Namjoon nunca gostou de mulheres, nunca tentou nada com nenhuma delas, e sua filha o perseguiu tentando algo com ele. – Jin não citou o relacionamento de Nam com o rapaz a sua frente, porque por mais que não gostasse muito do sujeito, não violaria sua intimidade dessa forma. Foi arrancado à força do armário, não desejaria isso a ninguém.
— Dobre sua língua para falar mal da minha filha, seu degenerado! – A Sra Choi se alterou repentinamente, e o Sr. Kim o olhou feio. – Quem você pensa que é?! Desfila para um monte de degenerados ocidentais iguais a você e se acha importante? Minha filha é uma Choi, pertence a uma família de respeito, o nome dela não deveria nem estar na sua boca! – O clima pesou no cômodo e foi na hora exata em que o mordomo chega com uma bandeja e serve o casal. Namjoon pegou seu copo e a taça de Jin e entregou ao marido, cumprimentado o serviçal quando este saiu. Ele calmamente tomou um gole da sua bebida, e dada a qualidade da mesma, foi impressionante aos dois homens mais velhos ele ter sequer esboçado alguma reação.
— Sra Choi, — o casal se virou para Namjoon que calmamente descansava o copo de uísque no braço do sofá e cruzava as pernas de forma vagarosa e elegante. – Seokjin é casado com a maior fortuna da Coréia do Sul. – sua voz estava tão baixa e controlada que a mulher começou a ter um mal pressentimento. – Se formos levar em consideração a hierarquia social de Seoul, a Sra está em um patamar muito abaixo do dele, porque meu marido é o modelo masculino mais bem pago do mundo, e eu sei exatamente quem a senhora era antes de se tornar uma Choi. – Jin sorriu debochado por trás da sua taça.
— Nós não viemos aqui para ser ofendidos! – gritou Sr. Choi encarando o amigo, que estava estranhamente quieto.
— Não, Sr, vocês vieram aqui pra fazer o que fazem desde que sua filha nasceu; puxar o saco do meu avô para conseguir usar sua filha para me amarrar. O que me leva a dizer que vocês dois são em parte responsáveis pelo que nos aconteceu. – Ele tomou mais um gole da sua bebida e suspirou. – Fraude, sequestro, roubo, extorsão, chantagem, tortura, violência física, psicológica e patrimonial. Sua filha tem a cartela cheia, por onde começamos?
— Como ousa acusar minha filha de ser uma criminosa?! – A senhora de idade levantou-se em um rompante e antes que desse um passo em direção ao casal o Sr. Kim deu um soco no tampo da mesa de centro que calou a todos ali.
— Namjoon, você está indo longe demais. Acusar Ji Su de ter feito tudo isso a você sem ela aqui pra se defender é de uma covardia que eu não esperava. – Namjoon olhou para Jin e ambos sorriram.
— A mim, vovô?! Não, as vítimas foram Seokjin e Min Ho. – disse apontando com o dedo para o homem calado a sua frente. Todos na sala se viraram para olhar o Choi mais novo, que deu um suspiro cansado e apenas acenou com a cabeça. – Mas já que o senhor me colocou na roda, vamos falar sobre o crime que Ji Su cometeu contra mim. – Namjoon fechou a cara e encarou o avô com ódio no olhar. – Estupro.
Um silêncio opressor se fez antes dos gritos ensurdecedores. O casal Kim esperou todos ficarem calados, o que aconteceu quando todos perceberam que Namjoon e Min Ho se encaravam intensamente de seus assentos.
— Eu nunca vou me perdoar por não ter feito nada, hyung. – Namjoon lhe dirigiu um olhar triste.
— Eu guardei muito rancor de você até perceber que você também era uma vítima. Eu não fui o único dopado naquela noite, não é?! – Min Ho negou com a cabeça enquanto limpava as lágrimas com as mãos. – Nós éramos muito novos, existem coisas nessa idade que não deveríamos saber distinguir. Eu fui muito duro com você, e por isso peço desculpas. – Como se pudesse, o choro do rapaz se intensificou. Namjoon deu um sorriso triste e olhou os demais espectadores daquela conversa. – Quando eu estava em Londres, os gêmeos me fizeram uma visita e depois de uma festa, Ji Su me dopou. – A Sra Choi levantou-se indignada, mas o filho a puxou de volta para o sofá e a mandou ficar quieta. – Apaguei quase que imediatamente, e quando acordei estava amarrado, amordaçado e sob efeito de remédios. Ji Su surgiu com uma história sobre ter que se casar comigo e mesmo que ela soubesse com todas as letras que eu sou gay e que não tinha absolutamente nenhum interesse nela, sua filha quis prosseguir. – Jin fechou os olhos e pegou a mão do marido que descansava ao lado da sua, lhe passando força. – Foram as duas horas mais angustiantes da minha vida. Eu precisei de três tentativas de suicídio fracassadas pra pedir ajuda. Não cheguei a fazer terapia, mas fiquei sob uso de medicações por algum tempo, até meu cérebro bloquear determinadas memórias, que só foram acessadas novamente pouco tempo atrás, quando comecei a fazer terapia e seguir com o meu tratamento da forma correta. – Ele olhou para o avô que o encarava chocado. – Passei muito tempo com vergonha de mim mesmo pelo que me aconteceu, mas nunca tive vergonha de ser quem sou. – Ele olhou para o casal a sua frente. – Sua filha é uma criminosa, ela não conseguiu o que queria naquele dia, que era engravidar, e mesmo sabendo tendo ciência do que fez não parou de me perseguir. Estou aqui para dizer que ela está pagando pelos seus crimes.
— Você está dizendo que minha filha está na prisão? – Jin soltou uma risadinha.
— De onde vocês podem facilmente soltá-la?! – Namjoon tomou o resto do seu uísque em um gole e encarou o casal – Sua filha se aliou a gente da pior espécie, mas se fosse só por isso, talvez ainda estivesse presa. Mas ela foi tão descuidada que acabou se metendo onde não devia.
— Do que você está falando?
— Talvez vocês não saibam, mas o acidente que eu sofri alguns meses atrás, vitimou mais duas pessoas: Meu secretário e homem de confiança, Jung Hoseok, e um dos meus melhores amigos, Jeon Jungkook. Hoseok só quebrou o braço, mas Jungkook ficou temporariamente tetraplégico. – Os três idosos se espantaram com a notícia, nada disso fora divulgado na TV. – Descobri e tenho provas de que sua filha foi uma das mandantes desse incidente. E se fosse apenas por mim, ela estaria atrás das grades, mas os lobos não pensam assim. – Sr. Choi arregalou os olhos e afrouxou o nó de sua gravata, pela primeira vez genuinamente preocupado.
— Como assim, os lobos? – Namjoon olhou para o avô que estava de cenho franzido, a testa brilhando de suor.
— Lee JK estava no carro comigo, vovô. – O velho se ajeitou na ponta no assento, as mãos torcidas de nervosismo.
— O herdeiro? O que você fazia com o n° 2 da máfia coreana no seu carro, Namjoon? – o neto fez uma cara de falsa inocência, piscando seus olhos surpresos para o avô.
— Como o que, vovô?! Ele é um dos meus melhores amigos, já disse, ando com Jungkook o tempo todo, ele é responsável pela minha segurança. – Namjoon percebeu o brilho do avô sumindo rapidamente e percebeu que sua missão ali estava cumprida. Ele olhou para o casal em choque a sua frente e deu um sorriso condescendente. – Não há nada que se possa fazer pela sua filha. Nenhum prestígio é grande o bastante, nenhum dinheiro é suficiente para os Lee. Contentem-se com o fato deles não querem tornar isso público. Sua família não resistiria a uma investida dos lobos. – Ele olhou para Min Ho que soube na hora que sua família fora poupada por causa dele, e fez uma mesura como agradecimento. Namjoon lançou mais um olhar triste para o ex namorado e virou-se para o marido. – Acabou seu vinho? – Jin concordou, deixando a sua taça vazia no aparador ao seu lado. – Se vocês nos dão licença, temos mais alguns convites pra distribuir pessoalmente ainda essa noite. Nos vemos na empresa segunda, vovô?! – e sem esperar resposta, ele piscou para o mais velho e se retirou de mãos dadas com o marido.
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— Jung! Onde está o resto da diretoria? – Hoseok olhou para a porta onde o Sr. Kim entrara como um furacão ao lado de seu secretário.
— Sr. Kim, por favor, sente-se. Vou avisar que o senhor chegou. – Hobi fez uma leve reverência e saiu da sala com seu celular no ouvido.
O patriarca Kim estranhou, entrar na sala de reuniões da sua empresa e encontra-la vazia após ter sido convocado para uma reunião não era comum. Mas não deu muito tempo para pensar nos porquês, pois logo se deparou com o neto entrando na sala acompanhado de seu advogado de confiança e seus dois melhores amigos, Min e Jeon.
— Vovô, pontual como sempre. – Disse Namjoon oferecendo uma cadeira para o idoso sentar-se, com alguma hesitação. – Nós dois somos homens de negócios, por isso não vou me alongar. Félix, por favor. – O advogado apenas estendeu para o senhor uma quantidade considerável de papéis e uma caneta. – Espero que tenha trago seu selo. – Disse olhando para o secretário do avô, que confirmou com um aceno.
— Do que se trata tudo isso...? – O velho aguardava uma resposta quando ao afastar uma das páginas, se depara com um documento em específico que o fez perder toda a cor do rosto. – Mas que absurdo é esse...? – Ainda sem desgrudar os olhos do documento, lia atentamente cada uma das cláusulas. – Você perdeu completamente o juízo, Namjoon. – Ele levantou a cabeça e encarou o neto que lhe dirigia um olhar arrogante.
— Sabe, vovô, foi exatamente isso que eu disse pro Jungkook aqui quando ele me revelou quem bancava toda a operação que culminou no meu acidente. – Jungkook deu um pigarreio forçado e sorriu para o velho.
— Teria sido muito complicado rastrear toda a lavagem de dinheiro que o senhor fez no submundo pra pagar Jeonghoon e trazer Jihoon para dentro da Coreia novamente. Mas para o seu azar, vovô, eu tenho uma relação muito próxima com a tríade, e isso abre mais portas pra mim do que para o senhor. Só precisei grampear todas as suas propriedades pra confirmar seu envolvimento e obter provas. – Ele tirou de dentro do paletó um cartão de memória e o exibiu para o senhor. – Gravações telefônicas, áudios e mensagens de aplicativos com todas as suas interações e ordens aos seus dois capachos. Sem falar das suas conversas gravadas com Choi Ji Su sobre suas tentativas de sequestro dentro e fora do país. Foi se meter com a máfia italiana? – JK sorriu debochado. – Tenho vários amigos lá também.
— Namjoon, eu... – O Kim mais novo ergueu a mão o impedindo de continuar.
— Não há nada que o senhor diga que eu quero ouvir, vovô. Só estou fazendo isso aqui, agora, por consideração ao bem que o senhor me fez tirando minha guarda do meu pai logo depois da morte da mamãe. Aliás, jamais pensei que o senhor chegaria tão baixo se aliando ao homem que matou sua filha. – Ao ver o choque genuíno no rosto enrugado, Namjoon deu uma risada cansada. – Pra que o senhor tinha tanto poder se nem investigou corretamente a morte da mamãe? Jungkook com duas ligações conseguiu descobrir quem estava por trás do acidente dela, aliás, não desconfiou que o meu acidente e o dela eram extremamente parecidos?
— Nunca foi minha intenção que nenhum de vocês morressem, só queríamos deixa-los hospitalizados para poder tomar controle das suas ações. – O Sr Kim apenas balbuciava, se fraco ou por espanto, Namjoon não sabia, não queria saber.
— Nunca pensei que o senhor fosse tão ingênuo... Jungkook trocou nosso carro de última hora pelo carro dele, que é blindado, caso contrário teríamos os três morrido com o alvejamento que houve naquele dia. O caminhão foi só pra distrair todos. Meu pai me queria morto.
Um silêncio pesado se fez naquela sala, e Namjoon respirou fundo.
— Suas ações, e controle total sobre todo o seu patrimônio. Vamos leva-lo para uma casa de repouso bem afastada daqui e sem comunicação com Seoul. Esse é o meu preço. – O homem o encarou com lágrimas de fúria nos olhos.
— E se eu não concordar?
— Aí o grupo Bangtan vai passar por uma crise sem precedentes. Porque tudo o que o Jungkook reuniu que eu não puder usar como provas legais, vou divulgar na internet, e aí lá se vai toda a reputação dessa empresa. Um avô aplicando golpe no próprio neto e se aliando ao homem que matou a sua filha para tentar matar seu único herdeiro? Parece um Drama de péssima qualidade, mas é só a história final da família mais importante do país. – O senhor a sua frente hiperventilava, olhava ao redor em busca de alguma saída, mas estava cercado pelos homens de seu neto, não dele.
— Vai destruir todo o seu patrimônio por isso?
— Não, vovô, vou destruir o seu. Não tenho nem 30 anos ainda, sou jovem, um administrador capaz; tenho mais dinheiro do que consigo gastar em vida, e mesmo que não tivesse, sou casado com um homem rico, que pode me proporcionar uma vida muito confortável. Não preciso do senhor há muito tempo, a sua arrogância nunca o deixou ver isso.
Derrotado, o Sr. Kim apenas abaixou a cabeça e começou a assinar os documentos em um silêncio muito significativo para todos ali.
Na saída, os quatro amigos acompanharam o senhor até o carro, onde seu secretário foi instruído de leva-lo para casa e arrumar suas malas para partir para Jeju, onde a casa de repouso em que já estava inscrito se encontrava. O jatinho estava o aguardando e alguns homens da equipe de Kai o aguardavam para escolta-lo até seu destino.
Antes de entrar no carro, porém, o velho Kim se virou de supetão e abraçou o neto.
— Você vai pelo menos me visitar de vez em quando? – Ele se assustou quando sentiu o aperto dos braços fortes do mais novo, e ficou atento quando neto encostou a boca próxima a seu ouvido.
— O senhor nunca mais vai me ver pessoalmente. Assim como eu durante toda a minha infância e adolescência, o senhor só terá noticias minhas pelos jornais. E outra: Eu e Seokjin teremos filhos, mas o senhor nunca conhecerá seus bisnetos, jamais obrigaria meu marido e minhas crianças a suportar a sua presença. O senhor ficou arrogante e se descuidou, e mesmo não querendo, criou uma criança esperta e amarga com a própria família. Seja o homem responsável que sempre disse ser e colha o que plantou. – O abraço se desfez, e o Sr. Kim sentiu além do vento frio do vazio do corpo do neto, aquele sorriso falso e condescendente se distanciando à medida que entrara no caro e este se afastava do prédio da empresa.
— Ok, isso foi divertido. – Disse Yoongi pela primeira vez naquela tarde. – Só não entendo por que eu estava lá. – Jungkook soltou uma risada abafada e Hoseok o encarou.
— RM queria encerrar um ciclo, Suga, não percebeu?! E ainda se acha rapper... um tapado desses. – Jungkook gargalhou mais alto ainda e se virou para entrar no prédio ao lado dos amigos.
— Eu, tapado?! Quem desconfiou que tinha um financiador por trás de tudo?! – E enquanto o duo encrenqueiro discutia quem era mais esperto, Namjoon recebeu uma mensagem no celular.
— Gente, Seokjin convidou todos vocês pra jantar lá em casa hoje. – Os três amigos o olharam e sorriram.
— Nunca perco uma boca livre... se for comida do Jin hyung, melhor ainda – disse Jungkook quase saltitando feliz. Yoongi o encarou e sorriu.
— Às vezes essa sua dualidade me deixa apavorado, pirralho. – Ele olhou pra Namjoon e sorriu. – Vou buscar Jimin no aeroporto e depois vamos pra lá. – O Kim concordou e todos se despediram para enfim separar-se.
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— Jin hyung, por que meu macarrão não fica no ponto igual ao seu? – Yoongi ria do bico fofo do namorado que fazia manha por não ter as habilidades culinárias do amigo.
— Porque isso se chama talento, Jimin naja, e talento não se cria, apenas nascemos com ele. – A piscadinha final do Kim tirou o baixinho loiro do sério, no que culminou numa discussão sobre o quanto o hyung era convencido e Jin cada vez mais encrencando com o mais novo.
Namjoon olhava aquela mesa cheia e alegre com um sorriso no rosto. Hoseok, ao seu lado o flagrou admirando aquela alegria toda.
— Se alguém dissesse que naquele dia que fui na casa do Seok estaríamos aqui... eu juro que não acreditaria. – Namjoon se assustou por ter sido pego e sorriu para o velho amigo desconsertado.
— Nunca me passou pela cabeça. – disse Namjoon envergonhado.
— Não te passou o que, amor? – O sorriso de covinhas vinha inconscientemente toda vez que Jin o chamava assim.
— Que estaríamos todos aqui, assim. – A mesa ficou em silêncio o observando. – Hoseok era um galinha convicto, agora está noivo e tem um bebê a caminho. – Hobi fechou a cara, mas logo um sorriso suavizou seu rosto quando Hwasa lhe roubou um beijo. – Jungkook achou que jamais teria uma chance com seu crush supremo, que só via pela internet. – Tae sorriu e apertou a mão do namorado ao seu lado. – E eu morreria jurando que Yoongi era hétero, mas olha só como a vida é. – E todos riram quando Jimin tossiu um “hetero de Taubaté” e Yoongi lhe deu um tapa na bunda por baixo da mesa. – Mas tudo acontece como tem que ser, não é?! – ele ergueu a taça de vinho e olhou seus amigos e seu amor. – Um brinde ao destino. – Todos brindaram e Hoseok foi o último a baixar a taça.
— Seok, sabia que Namjoon te rejeitou de primeira? – Todos olharam para o moreno que bebericava lentamente seu vinho.
— Como assim? – Namjoon olhava a cara de bravo do marido e suava frio.
— Quando mostrei sua foto pra ele, ele me perguntou se não tinha outro. – E apenas deixou assim, jogou a informação no ar e deixou que o amigo se virasse pra se explicar.
— Eu achei você bonito demais, é isso. – disse o empresário meio irritado. Jin sorriu meio sacana para ele.
— Sou muita areia pro seu caminhão, Nam?! – O Kim riu e lhe deu um beijo na bochecha, sussurrado um “sim” soprado. – Ainda bem que você tem mãos grandes. – Namjoon abriu um sorriso gigante e concordou com o marido.
— Também trabalho muito duro. – E ao som das gargalhadas de Jin, e das reclamações dos seus amigos, entre elas alguns gritos de “arrumem um quarto” ou “isso é uma reunião de família, pelo amor de deus!” Namjoon encerrou o que seria dali pra frente a tradição mais gostosa da sua vida, jantar com a sua família.
Família
Seu irmão estava no exterior, terminando negócios antes de voltar de vez para Seoul, chegaria a tempo para o casamento, o que o deixava feliz. Jungkook estava ocupado com a transferência de poder na família da mãe, tinha pouco tempo ajudando o irmão a tomar posse de tudo e quase não se viam, mas sabia que assim que tudo estivesse certo com os lobos ele voltaria a ser o JK grudento e seu irmão mais novo de sempre. Yoongi estava super ocupado tratando de coisas da empresa, seu pai dava sinais de que em breve se aposentaria e ele herdaria tudo, para a sua infelicidade, e em contramão disso, recebeu uma enxurrada de indicações para as maiores premiações musicais do mundo, e estava acertando sua agenda para ver se conseguiria ir em pelo menos uma. Hoseok estava negociando com ele uma licença paternidade, que ele concederá de bom grado se Hwasa assegurar para ele que o amigo em casa não a deixará maluca.
Tudo tranquilo e normal em sua vida pela primeira vez desde sempre, e Namjoon não estava acostumado com aquilo. Ele se acostumara ao cansaço existencial, a duvidar de tudo, e a viver sozinho. Era uma mudança radical de vida, mas era muito bem-vinda.
— Eu acho que com um marido estonteante como eu ao seu lado, você não deveria estar com a cabeça em outro lugar. – Namjoon nem precisou olhá-lo para abrir um sorriso. Amava a confiança de Jin, era uma das muitas coisas sexys em seu marido.
— Me desculpe. – disse apenas. Sentiu a mão longa e elegante segurar a sua, e ser carregada até os lábios grossos em um delicado beijo.
— Isso se chama felicidade, Nam, é estranha pra mim também, mas vamos descobri-la juntos.
FIM.
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