Real King

29 Capítulo 29


— Olá Wonho, — Jimin apenas se deu ao trabalho de o cumprimentar, e seguiu em frente rumo ao estúdio.

— Agora que tá com um cara famoso não fala com os humildes? – Jimin virou pra ele com os olhos comprimidos por trás dos óculos.

— Não se esqueça quem deixou de falar com quem aqui depois da fama. – Falou tão baixo que apenas o idol conseguiu escutar. Ele olhou admirado o modelo deslizar para o estúdio com a atitude afrontosa que sempre invejou.

Quando todos estavam dentro do estúdio, os apresentadores cumprimentaram Jimin de forma tranquila, e depois de algumas conversas informais ali ele entendeu como se daria a dinâmica daquele programa: a co-host do programa, uma ex idol e produtora de sucesso, seria a pessoa que focaria mais na carreira dos entrevistados, e o ex rapper que dividia os holofotes com ela era quem apimentava as coisas, e não necessariamente de uma forma positiva; Jimin percebera que era com ele que deveria tomar cuidado.

Todos se sentaram em seus respectivos lugares, Jimin seria um dos três convidados ali, junto a Wonho, seu ex-namorado e uma Idol rookie que estava sob um grande holofote por ter se envolvido em um escândalo de namoro com um dos maiores solistas do país.

Tudo começou de maneira leve, a entrevistadora era quem levava a parte séria do show, com perguntas interessantes e pertinentes, e se não fosse pelo palhaço do seu colega, pensou Jimin, talvez ele gostasse muito daquela entrevista. Os dois Idols consigo responderam às perguntas direcionadas a eles com muita desenvoltura, o ex de Jimin por ser mais velho na indústria com muito mais charme, mas a garota não se saiu mal. Quando chegou a sua vez, ele estava tranquilo para fazer a sua parte. Ela apresentou o último convidado, Jimin agradeceu de forma polida e sorriu para todos.

— Vamos a pergunta que os coreanos mais fizeram essa manhã: É você o cantor de Serendipity? – Jimin sorriu tímido e olhou para a radialista que, apesar de não saber, também simpatizara consigo.

— Bom, eu não tenho como negar isso. – Os dois hosts e algumas pessoas da produção o olharam admirado. – Eu não tinha ideia que a música ia fazer esse sucesso todo, apenas fiz um favor para um amigo. – A moça ao seu lado, que também era convidada o olhou com os olhos brilhando.

— Sua voz é muito bonita, Oppa! – Jimin ficou corado de verdade, e fez uma mesura para a moça agradecendo.

— É mesmo, Jimin-ssi, quem pensaria que você conseguiria cantar assim sem técnica? – Minho olhou para o idol dentro do estúdio com a cara fechada. – Não me levem a mal, mas nós, Idols, levamos anos treinando arduamente para chegar lá, é impressionante o que ele fez sem treino. – Jimin abriu um sorriso venenoso para Wonho e se aproximou de seu microfone.

— Agradeço o elogio, Wonho-ssi, mas eu não o mereço. – Todos ficaram atentos com a falta de formalidade no discurso de Jimin, uma vez que o idol é mais velho que ele. – Eu não sonharia em ter esse talento nato; eu treinei muito duramente também pela minha técnica vocal, apenas não tive a sua sorte de ter debutado como idol. – A produção na cabine ao lado enlouquecera. Uma notícia dessas era bombástica.

— Você já foi um trainee, Park? – O apresentador mal intencionado perguntou de forma tão debochada que a sua colega o olhou feio.

— Sim, já fui. Passei por um período de pouco mais de dois anos em uma empresa, cheguei a gravar uma música com o meu grupo, mas pouco antes de marcarem a data do debut, eu fui cortado. – As duas mulheres fizeram feições tristes e os dois homens o olharam debochado.

— Bom, ser idol não é pra qualquer um – disse o apresentador. – Mas você se deu bem na carreira de modelo, não?! – Jimin engoliu aquele sapo e sorriu forçado.

— Sim. Apesar das frustrações consegui trilhar um bom caminho que deu muito orgulho aos meus pais. – As duas moças ali no estúdio e algumas pessoas na cabine sorriam para ele.

— Não é o que algumas pessoas dizem. – Jimin encarou o apresentador debochado e pelo canto de olho viu seu ex soltar uma risadinha divertida.

— Bom, essas pessoas não sabem nada sobre a minha vida e não falam por meus pais. — Para mudar o clima ali, a apresentadora dirigiu mais algumas perguntas para os dois idols ali presentes.

Quando perguntado sobre sua carreira solo, Wonho não deixou a oportunidade de alfinetar o ex passar:

— Ainda não estou trabalhando em projetos solo, foi muito custoso manter o grupo íntegro com todos os problemas na mídia e escândalos envolvendo outras celebridades, além do mais, preciso me aperfeiçoar muito para uma carreira solo, não tive a sorte do Jimin-ssi de nascer abençoado com um talento nato. – O apresentador riu junto dele e Jimin respirou fundo, fazendo sua melhor cara de paisagem. Sentiu seu celular vibrar em seu colo.

~Gatinho

Qual o problema desse cara com você?

~Jimin

Não reconhece? Um corpo menos bombado e cabelos negros.

~Gatinho

É a porra do seu ex?

Caralho Jimin, como conseguiu passar tanto tempo com esse cara?

Jimin riu e respondeu.

~Jimin

Culpa sua, que não se declarou antes.

Ele olhou para a cabine da produção e viu Yoongi o encarando de cara fechada.

~Gatinho

Você ta merecendo umas boas palmadas.

~Jimin

Promete?

O modelo bloqueou a tela sabendo que o namorado não o responderia, pelo menos por enquanto. Focou novamente no programa, porque agora que seu gatinho estava lá, seu ânimo estava renovado. Estava distraído com a figura engravatada no outro cômodo e só pegou o final da pergunta para a moça ao seu lado.

— ... como membro mais popular do grupo, você nunca pensou em não fazer parte dele e ter debutado solo desde o começo? Não lhe deram essa opção? – Jimin franziu o cenho indignado. Aquele cara queria destruir a carreira dela? Não se conteve, virou-se para a moça e abriu um sorriso simpático, mas seus olhos carregados de alertas. Desbloqueou seu celular e abrindo um bloco de notas digitou bem grande um “tenha cuidado”.

— Aigooo que tipo de pergunta é essa? – Ele virou a tela para ela por baixo da mesa e a cantora o encarou espantada.

— O que foi, Jimin-ssi? Você achou essa pergunta muito forte? – O locutor estava o encarando com uma sobrancelha erguida.

— Acho ela muito complicada para fazer a uma rookie, você quer coloca-la em maus lençóis? – Ele deu dois tapinhas afetuosos no ombro da idol e virou-se de frente para os apresentadores. – Se indispor com seus membros ou com a empresa? Que dúvida cruel. – Ele sorriu sacana para o host que deu de ombros, inocente.

— Certo, eu peço desculpas, Srta Kim. – O apresentador fez uma mesura pequena e sorriu falso para a moça. – Jimin-ssi, você é um veterano na indústria, vamos então direcionar nossas perguntas difíceis a você. – Jimin ergueu uma das sobrancelhas em desafio. – Já que você admitiu ser o cantor de Serendipity, podemos assumir que a música foi feita para você? – Sua colega de microfone o olhou feio, mas ele deu de ombros como se nada fosse acontecer consigo. Jimin sorriu conformado e deu uma piscadinha à produtora que o olhou preocupada.

— Geralmente não gosto, mas não tenho problemas em falar sobre a minha vida pessoal. – Ele se ajeitou na cadeira e encarou o entrevistador. – Sim, a música foi feita pra mim. Quando gravei eu não fazia ideia, até ouvi-la pela primeira vez no lançamento.

— Como você grava a música e não sabe que não é pra você? Agust D claramente lhe deu a letra e você a gravou como ele queria. – A coapresentadora amarrou a cara com a grosseria do colega e pegou o microfone para si.

— Acredito que Agust D não estava no momento da gravação, certo?! – Jimin sorriu para ela e concordou coma cabeça. – Você pode nos contar sobre o processo de gravação dessa música? – Jimin sorriu agradecido para a mulher a sua frente, ela entendia a caça às bruxas que estava acontecendo ali e queria a todo custo evitar.

— Bom, um dia eu estava na paz da minha casa e Min Yoongi me chamou. – Todos o olham espantados.

— O CEO da MS? – Jimin concordou com a cabeça.

— Ele mesmo. Fomos à gravadora e ele me disse que tinha um favor pra me pedir. Me deu a letra da música e pediu que eu gravasse uma demo.

— E você gravou a demo? – Ninguém piscava no estúdio.

— Nem foi uma demo que eu gravei, foi essa versão final que vocês conhecem. Yoongi hyung é conhecido por ser muito exigente, e como fazia muito tempo que eu não pisava em um estúdio eu achei que ele só estava sendo muito perfeccionista.

— Eu imagino o terror que foi não ser mais parte da indústria e gravar uma música para o Suga. – disse a mulher rindo.

— E foi mesmo. Ele só me convenceu porque era uma composição do Agust D.

— Então se você já sabia que a música era do Agust D, como não sabia que era para você? – Jimin percebeu que o outro apresentador queria pega-lo no pulo.

— Eu sempre fui fã do Agust D, só que na época eu não sabia a identidade dele. – Um coro de “Aaaah” reverberou o seu autofalante e ele riu. – Eu e ele já estávamos juntos, mas eu nem desconfiava que ele era o rapper que eu tanto admirava.

— E o produtor Suga? Eu estou nessa indústria há anos e nunca consegui trabalhar com ele. Como você conseguiu? – Wonho não escondia a sua indignação.

— Suga hyung e eu temos alguns amigos em comum. Nos conhecemos através deles e vez ou outra nos esbarramos nas festas e aniversários da vida. Ele é muito amigo do Agust que contou a ele que eu já tinha sido um trainee e aí quando o projeto foi criado, Suga hyung já sabia como me encontrar – A idol ao seu lado o encarou os olhos brilhantes.

— Eu estou com tanta inveja de você, oppa, Suga sunbae é o sonho de todo cantor aqui na Coreia. – Jimin quase apertou as bochechas daquela garota, ela não deveria estar nesse antro de bichos peçonhentos que era aquele estúdio.

— Posso te apresentar ele quando sairmos. – Sussurrou apontando para o vidro que dava acesso ao estúdio. Os dois idols ali arregalaram os olhos ao dar de cara com Min Yoongi de terno e cara amarrada do outro lado do vidro. Ele apenas fez uma mesura e continuou com seu semblante fechado. O host retomou a direção das perguntas.

— Ah sim, tinha esquecido que você é amigo do casal Kim – Jimin sorriu e acenou com a cabeça.

— Ser amigo da realeza abre muitas portas nesse país. – Wonho sorriu para Jimin que pela primeira vez o encarou aborrecido. – Conhecer o rei e a rainha lhe levou até o Suga Sunbae, não?!

— Se você se refere ao casal Kim, o termo correto é “rei consorte”, Wonho-ssi. Jin hyung é gay, mas continua sendo um homem. – O clima estava mais que pesado ali, mas Jimin não faria nada para mudar isso. Vendo que tinha sido colocado em uma saia justa, o idol tentou se sair como humilde.

— Me desculpe, Jimin-ssi, não quis ofendê-lo. – fez sua melhor cara de coitado, mas sabia que com o ex isso não colaria.

— Não acho que tenha ofendido, no máximo conseguiu o feito impressionante de ser misógino e homofóbico na mesa frase. – O sorriso aberto e o piscar falsamente inocente de Jimin o irritara demais, mas sabia que ali ele não conseguiria ganhar. A língua do Park era afiada demais para si.

A radialista desconversou e pediu para Wonho cantar uma das músicas do seu grupo que estava fazendo muito sucesso naquele momento e o idol o fez.

A última parte da entrevista foi mais focada na idol que depois do aviso de Jimin se tornou mais cautelosa com suas respostas, e quando estava prestes a dar o horário de encerramento, o apresentador inconveniente deu mais um bote:

— Mas Jimin, como última pergunta, não podíamos deixar de lado o escândalo em que você se envolveu. Agust D não se importa com isso? – Jimin teve que admirar a coragem daquele cara. Seu programa era polêmico porque além de ele ser super inconveniente o horário também permitia certos assuntos, o que levou Jimin a uma abordagem realmente agressiva.

— Bom, eu e Agust D já estávamos juntos muito antes dessas falsas acusações começarem a repercutir, então não tem como ele acreditar em algo do tipo.

— Estão juntos há muito tempo? — Surpreendentemente, a pergunta veio da apresentadora, porém sem um pingo de maldade.

— Sim. Já havíamos nos conhecido há alguns anos atrás, mas não sabia que ele era o Agust e também não tínhamos nada sério ou certo. Fingíamos ser pessoas que se odiavam, mas sempre acabávamos ficando juntos. – As duas mulheres riram, como se entendessem do que ele falava. – Aí eu comecei a namorar. Fiquei em um relacionamento por dois anos, onde eu me privei de ver algumas pessoas, ele inclusive, por conta dos ciúmes do meu ex. O curioso foi que o pé na bunda que eu levei desse namorado foi justamente o que me lançou de volta para os braços do Agust. Passamos três anos nos enrolando, até que ele se declarasse. – As meninas deram risinhos empolgadas e os dois homens permaneceram com suas feições neutras. – Éramos amigos antes do namoro, temos bases sólidas demais pra cair em qualquer boato infundado de internet.

— Mas houveram legações que faziam muito sentido nas denúncias. – Jimin estava de saco cheio daquele cara. – É difícil explicar como um modelo fotográfico veterano de sucesso ainda vive de aluguel ou divide o apartamento com um colega. – Jimin olhou pela parede de vidro e encarou o agente que de tão furioso, pareci estar soltando raios pelos olhos.

— Meu agente está me olhado como se dissesse pra eu não responder mais nada, porque de fato você passou dos limites há algumas perguntas atrás. Mas eu não tenho medo de você, e não tenho medo da verdade. – Ele ajeitou sua postura e encarou o apresentador que ainda mantinha uma postura debochada. – Eu explico o embaixador global da Chanel não ter casa própria mesmo depois de ser um veterano na indústria com o fato de não ter nascido com uma colher de ouro a boca. O primeiro grande montante de dinheiro que eu ganhei na minha carreira foi gasto dando entrada para uma casa grande e confortável para os meus pais em Busan. Assim que quitei a casa, comprei um prédio novo para a minha família reinaugurar seu restaurante em nossa cidade natal, e quando paguei por todo o investimento e quitei o prédio, minha irmã mais nova foi diagnosticada com Osteosarcoma, que é um tipo de câncer ósseo, muito agressivo e letal se não for diagnosticado precocemente. Não sei se todos sabem, mas tratamento de câncer no nosso país é uma fortuna, e meus pais não tinham condições de bancar totalmente com o seguro miserável que eles conseguiam pagar. Então sim, moro no apartamento do namorado do meu melhor amigo porque o tratamento do câncer da minha irmãzinha apesar de estar no final, ainda não terminou. – Todos ali estavam com seus semblantes abatidos, principalmente Wonho, que sabia sobre a irmã de Jimin.

— Me desculpe, eu não sabia – Jimin levantou a mão para silenciar o radialista.

— Esse é o problema de quem dissemina o boato sem checar os fatos: Vocês não sabem. Eu sou um modelo fotográfico sul-coreano homossexual; levar minha carreira ao topo já é difícil sem ter alguém dizendo por aí que eu me prostituo só porque no meu ramo de trabalho tenho a fama de ser sensual. Mas quero lembrar a todos que vocês consomem o meu trabalho; se não gostassem de mim sensualizando, eu não trabalharia.

— Você acha que quem espalhou esses boatos pode ser alguém que lhe inveje? Seu ex namorado, talvez? – A locutora estava muito indignada com aquelas perguntas e decidira tomar de vez a frente do programa.

— Acho que não, meu ex não é uma pessoa vil. Ele apenas é um frustrado que nunca vai ter coragem de sair do armário. – Ele notou pela visão periférica Wonho o fuzilando com o olhar — Tenho uma equipe trabalhando para responsabilizar e levar à justiça quem está envolvido nesse esquema calunioso, então não me preocupo muito. – Ele sorriu para a mulher e lhe deu uma piscadinha, recebendo outro sorriso em resposta.

Na saída do estúdio, ele percebera Minho vermelho, como se tivesse gritado com alguém, e Yoongi ao seu lado com um sorriso divertido.

— Eu não sei pra quê você tem um agente se não faz o que o seu agente diz pra você fazer. – Jimin já chegou ali rindo da birra do manager.

— Me desculpe Minho hyung, mas você me disse pra ser eu mesmo na entrevista. – O mais velho negou com a cabeça e foi só aí que Jimin cumprimentou Yoongi. – Suga hyung. – Fez uma mesura pequena.

— Você acha que tem as costas quentes só porque namora o Agust? – Jimin deu de ombros. – Cuidado onde pisa, Park. Se fosse meu levaria uma surra quando chegasse em casa pela petulância. – Deu as costas aos dois e saiu. Jimin olhava as costas bem vestidas com um sorrisinho malicioso na boca carnuda.

— Ele faz a gente imaginar cada coisa... – Disse baixinho.

— Jimin! – repreendeu o agente. – Modos!

— O quê? Eu tenho olhos na cara hyung. – Com um sorriso mais sacana ainda ele seguiu o mais velho.

No estacionamento ele ouviu mais alguns minutos de sermão do Lee, e o assegurou que ia sozinho para casa, e que o agente não precisava se preocupar. Logo que o manager foi embora, ele percebeu a sombra de alguém se aproximando.

— Sabia que você estava desesperado, mas não a ponto de cair tão baixo. – Jimin olhou divertido Wonho se aproximar com o semblante fechado. – Tem noção do que me acusou? E que papo é esse de eu ser frustrado? – O Park cruzou os braços sobre o peito e o olhou debochado.

— Primeiro: não o acusei de nada que você não seja; o que por si só já é uma vergonha. – O idol se aproximou perigosamente dele. – Segundo, você é o gay mais frustrado que eu conheço, Wonho, você pode negar pra qualquer um, menos pra mim. – Quando o cantor chegou perigosamente perto dele, Jimin percebeu a fúria fria do outro.

— Não entendo como você pode ser tão petulante quando todo mundo vê que está por um fio. – Rosnou perto do seu ouvido. – Tome muito cuidado por onde anda, Park, você pode topar em algo que te derrube.

— Quem está por um fio aqui não é o Park. – Os dois se viraram para um Yoongi sério com as duas mãos dentro dos bolsos do sobretudo. – Tem certeza que sabe por onde tem andado? Porque eu acho que não. – Ele começou a andar em direção aos dois.

— Sr. Min, não tinha lhe visto aí. – Yoongi abriu um sorriso irônico para o cantor.

— Claramente não. Vocês só têm o costume de ofender e intimidar os outros quando os adultos não estão por perto. – Ele parou ao lado de Jimin e lhe deu a chave do carro. – Entre, com você eu falo na viagem. – Jimin pegou a chave e saiu em direção do carro esportivo com um sorriso debochado no rosto.

— Eu diria que foi um prazer, Wonho, mas nunca foi. – Deu uma piscadinha e virou de costas.

— Park Jimin, entra na porra do carro! – Rosnou o produtor, arrancando uma risadinha do namorado, que entrou em seguida no veículo.

— Sr. Min, eu não tinha a intençã– Qual foi a sua surpresa ao ser calado com um soco.

— Não imagina a quanto tempo eu quero socar esse rostinho bonito. – Sorriu o produtor sádico. — Você ficou muito confortável falando o que não deve naquela entrevista, agora vou te ensinar a principal lição da indústria do entretenimento: aprender a ficar calado – Yoongi esfregou os punhos e ajeitou as abotoaduras. – Não entendo o prazer cruel que você teve de ver o Park tendo sua vida familiar escrachada e sua intimidade sendo exposta dessa maneira; eu imagino o desapontamento dele ao ver o ex namorado que sabia sobre a doença da irmã não o defender... – Wonho arregalou os olhos espantado com o quão bem informado Suga estava. – Se não fosse defendê-lo, que pelo menos calasse a porra da boca, mas é inútil até pra isso.

— Sr Min, e-eu – Yoongi virou de costas para ele encerrando aquela conversa. Antes de entrar no carro, parou e ficou alguns segundos pensativo.

— Sabe, pensei em te pôr na blacklist, mas não seria justo com o resto do seu grupo. – O idol arfou apavorado. – Então nem pense em debutar solo, porque eu estou de olho. – Ainda sem olhar para o cantor, ele entrou no carro, deu partida e saiu dali.

— Tá puto comigo por que, gatinho? – Jimin sorria provocante para o namorado que não lhe dirigia a palavra enquanto corria pelas ruas de Seul. Ainda sem respostas, o loiro se inclinou para encostar a boca no ouvido dele. – Amor? Não vai falar comigo? – Ele observou divertido o namorado apertar os dedos no volante.

— Tá pronto pra ficar sem andar amanhã, anjo? – Jimin soltou uma gargalhada ainda no pé de seu ouvido e lhe deu uma mordida no pescoço. – Quanto mais me provocar, vai ser pior pra você, Jimin.

— Isso é apenas uma questão de ponto de vista, baby – Mordeu por fim sua orelha e voltou a se encostar no assento. – Por que ficou com raiva, Yoon?

— Você se expôs demais, Jimin, não devia ter feito isso. – O loiro deu de ombros e olhou pela janela.

— Eu só quero me ver livre disso; ser hostilizado todo dia cansa. – Respondeu num fio de voz.

— Amanhã você vai dividir as atenções com o Wonho e suas acusações de misoginia e homofobia. – Jimin soltou um risinho. – O pessoal da empresa dele vai fazer hora extra hoje. Muito cruel da sua parte Jimin. – Os dois riram e Yoongi respirou fundo. – Você foi muito bem, tenho que admitir. – Jimin sorriu abertamente.

— Sou um sobrevivente, Yoon, sei me defender. – Yoongi concordou com a cabeça.

— Tem que começar a mudar esse pensamento de sobrevivente, Jimin, e começar a pensar como um predador. – Quando percebeu o olhar concentrado do namorado sobre si ele o encarou de volta por alguns segundos. – A melhor defesa é o ataque. – E como se fosse planejado, o celular do Min toca. Ele olhou no painel do carro quem o contatava e fez um sinal com o dedo para Jimin fazer silêncio, apertando o botão no volante para atender. – Min Yoongi falando.

— Sr. Min, aqui é a secretária do Sr. Han. Ele deseja falar com o senhor. Posso repassar a chamada? – Jimin olhou o namorado surpreso. Aquele era o sobrenome do dono da rádio da qual acabaram de sair.

— Claro, pode passar. – Alguns segundos se passaram e uma voz grave o cumprimentou.

— Min! Soube que você veio até a minha rádio, por que não passou aqui comigo? – Yoongi rolou os olhos, o que divertiu o loiro ao seu lado.

— Me desculpe Han, fui acompanhar um amigo que estava dando entrevistas, não sabia que estava no prédio. Prometo que da próxima vez passo aí com você para tomarmos um chá. – Ele fez uma careta desgostosa. Yoongi odiava chá.

— Sem problemas. Soube que o programa de hoje deu muito o que falar. O rapaz Park, que você estava acompanhando, se saiu muito bem. – Yoongi aguardou alguns segundos para responder.

— Sim, só fiquei surpreso por ele ter precisado. – Ao notar o silêncio do outro lado da linha ele resolveu se fazer mais claro. – Lembra do favor que lhe fiz há alguns anos atrás?

— Não precisa esfregar na minha cara que me deu o cargo no qual estou hoje, Yoongi, o que quer? – Suga riu e virou o pescoço de um lado para o outro, o estalando.

— O apresentador do programa? – O empresário fez um som como para demostrar que estava ouvindo. – Ele tá fora. – Jimin pensou que seus olhos iam soltar para fora do rosto de tão espantado que estava. Do outro lado da linha mais alguns segundos de silêncio se fizeram até que o empresário respondesse.

— Será feito. Você não é de me pedir essas coisas, ele deve ter te irritado demais.

— Ele é nocivo demais em uma indústria já muito brutal; desnecessário alguém assim na sua rádio. – Ele ligou a seta para entrar na rua da sua casa.

— Certo. Ponho ele na blacklist? – Yoongi abaixava o vidro do carro para se identificar ao segurança do portão e ao fechar, olhou para o namorado que o encarava chocado.

— Claro, por que não?! Alguém precisa servir de exemplo. – Estacionou o carro e pegou sua pasta, desligado o contato do carro. – Preciso desligar Han, se precisar de mim sabe onde me encontrar.

— Certo, às ordens, Min. – a chamada fora encerrada e o moreno saiu do carro como se nada houvesse.

Ao ver que o loiro não o seguia ele olhou para trás e riu da cara de perdido do namorado.

— Não vai vir, Jiminie? – como se tivesse sido despertado, Jimin o olhou e foi até ele.

— Me distraí com a sua pose de fodão. – O moreno riu e abriu a porta. – É errado eu ter ficado excitado com essa ligação? – Yoongi ergueu a sobrancelha em descrença.

— Contanto que não tenha sido pela voz do Han... – Jimin gargalhou e observou o namorado tirar o sobretudo, jogando sobre o sofá.

— Idiota... foi essa sua repentina demonstração de poder que me deixou desconsertado. Você não costuma ser assim. – Suga deu de ombros e desfez o nó da gravata, sentando-se no sofá.

— Não gosto de perseguir ninguém estando num lugar de poder como o que eu me encontro hoje em dia, mas algumas pessoas não deveriam ter tanta influência na indústria do entretenimento, onde uma palavra pode destruir anos de trabalho. – Ele viu Jimin fazer um bico concentrado e sorriu, chamando a atenção do mais novo. – Vem aqui. – Disse batendo na própria coxa. Quando a bunda farta do namorado se acomodou ali, ele se aproximou para cheirar seu pescoço. – Chanel n° 5 e Park Jimin, ainda não patentearam esse cheiro por quê? – O loiro sorriu e o beijou na boca.

— Só você tem acesso a ele, qual a graça em patentear? – Yoongi riu e sorrateiramente apertou as nádegas do namorado.

— Não pense que me bajulando vai escapar do que eu te prometi mais cedo, Minie. – Jimin deu um pulinho assustado com o tapa que levou no mesmo lugar do apertão e gargalhou de novo.

— Tá brincando, gatinho? Eu estava ansioso por isso!

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Jin estava no quarto de Namjoon ouvindo o marido tagarelar ao telefone com alguém que ele não fazia ideia de quem era, toda hora checava seu celular e nada aparecia em sua tela. Quando o marido desligou olhou o modelo preocupado.

— O que houve, Seokjin? Está há um tempão olhando inquieto pra esse celular.

— Hwasa não é de se atrasar. Eu fico preocupado porque se ela percebe que pode se atrasar me liga. Fazem vinte minutos que era pra ela ter chegado, mas nem notícias.

— Liga pra ela então.

— Já tentei, e tá desligado. – Namjoon franziu o cenho, aquilo não estava cheirando bem.

Mais alguns minutos de tentativas de ligação frustradas, a secretária entra o quarto de hospital de Namjoon totalmente descabelada e segurando a lateral do tronco.

— Me desculpe, Jin, Sr. Kim, eu estou atrasada. – Os dois se levantaram apavorados, ela tinha manchas roxas no rosto e sua camisa social branca estava manchada de sangue.

— Hwasa! O que houve com você? – Jin foi o primeiro a chegar até ela, e como se seu corpo sentisse que podia confiar no chefe, Hwasa desmaiou. Amparando a secretária, Jin saiu com a mulher em seus braços pelo corredor gritando por ajuda; a levou à emergência com a ajuda de uma das enfermeiras e olhou ao redor espantado enquanto a moça era atendida por uma equipe. Namjoon estava no corredor, com seu pijama de hospital ridículo e o telefone no ouvido; e vendo que passaria mais tempo lá com a também amiga, ligou para seu segurança.

— Kai, aconteceu uma emergência, preciso que venha ficar com Namjoon. Eu sei que é seu dia de folga, mas não tenho a quem recorrer agora. – Kai prontamente o atendeu, e ele desligou. Quando o médico solicitou que ele saísse da sala, foi de encontro ao marido no corredor.

— Ligou para Hoseok? – Namjoon acenou afirmativamente.

— Ele está a caminho. O que houve? – Jin notou a mão do marido que segurava o telefone tremendo. Foi lá e o abraçou.

— Não creio que seja grave, não se preocupe. – Namjoon concordou com um resmungo. – Acho que você deveria ligar para o Jungkook.

— Não será preciso. – Disse o Jeon atrás deles. – Eu já estava a caminho daqui quando recebi o alerta. – Jin franziu o cenho.

— Que alerta?

— Todos os agentes treinados pela Jeons têm um botão do pânico no celular que acionam quando se encontram em perigo ou vão ficar incomunicáveis. Hwasa acionou o dela há vinte e cinco minutos atrás e logo depois ficou incomunicável. – Ele olhou para o casal abraçado e sorriu. – Não se preocupem, quem quer que seja a pessoa que o atacou será pega, Hwasa não é uma amadora. – Deu dois tapinhas no ombro de Namjoon e entrou na sala em que a secretária era atendida. Saiu de lá com a bolsa dela, de onde tirou um celular todo quebrado. – Vou sair agora, se precisarem de mim é só ligar. – Ele abriu um sorriso enorme e olhou para Jin.

— Por que você está tão feliz?

— Hwasa noona está bem, os médicos disseram que as feridas são superficiais, e eles cometeram o erro que eu esperei esse tempo todo! – Saiu quase saltitando da vista do casal Kim, deixando ambos confusos.

Mais alguns minutos Hoseok chega desesperado no corredor, com Kai em seu encalço.

— Como ela está? – Namjoon o amparou, ele se dobrou sobre os joelhos recuperando o fôlego.

— Está fora de perigo Hobi, Kook entrou lá pra checar, o médico disse que ela sofreu contusões e ferimentos superficiais, não há com o que se preocupar. – Hope acenou afirmativamente e olhou pela janela de vidro a noiva desacordada.

— Se ela está bem, porque ainda está inconsciente? – Ele ajeitou sua postura quando a equipe médica saiu do quarto.

— Algum responsável pela paciente? – Hoseok deu um passo a frente e o médico o cumprimentou. – Ela está bem, não sofreu nenhum ferimento grave, o corte no tronco foi prontamente suturado e o curativo está bem feito, tivemos alguns problemas para fazer exames de imagem para constatar fraturas por conta do feto, mas depois de examinar mais minuciosamente pudemos descartar qualquer outra lesão. Ela e o bebê estão bem. – Os quatro receberam a notícia em completo silêncio.

— Desculpe, ela e quem? – Hoseok achara que tinha ouvido errado.

— O bebê. Constatamos a gravidez acidentalmente quando fiemos a ultrassom em seu abdômen, e imediatamente fomos checar se o feto estava bem; ele continua perfeitamente seguro. – Ao perceber que o homem responsável pela paciente empalideceu repentinamente ele deu uma risada leve. – O senhor é o pai?

— Eu sou? – Ele olhou confuso para Namjoon que ainda rindo acenou com a cabeça.

— Ele está um pouco chocado, doutor. Quer dizer que ambos estão bem?

— Sim. Traumas geralmente causam mais riscos de abortos espontâneos em gestantes até o primeiro trimestre, mas a paciente possui 16 semanas de gestação, então não foi necessariamente um risco, já que o trauma foi pequeno.

— 16 semanas? – Hobi ainda confuso, precia um papagaio de pirata.

— Quatro meses, seu inútil. É um administrador e não sabe fazer conta, inferno? – Jin estava sem paciência. – Podemos vê-la, doutor? – O médico ria da interação dos amigos e acenou com a cabeça.

— Podem sim. Ela logo acordará. Está um pouco desidratada apenas, então deverá terminar o soro antes de ser dispensada. Ah, precisamos de alguém para acertar a papelada de entrada. – Os três olharam para Hoseok, que estava distraído observando a noiva dormir. O médico riu novamente e se retirou.

Quando menos esperava, um par pesado de mãos começou a desferir tapas nele.

— Ai, que diabos...? – ele percebeu que Jin estava com uma cara nem um pouco satisfeita e realmente ia machuca-lo se ele permitisse. – Seok, por que está me batendo?

— Quem você acha que é, Jung Hoseok, pra engravidar minha secretária sem pôr a porra de uma aliança de casamento no dedo dela? – Namjoon soltou uma gargalhada atrás de si e depois segurou o marido. – Me solta Nam! – Olhou feio para o marido e se voltou para Hobi de novo. – Vá preencher a papelada do hospital enquanto ela ainda está dormindo, eu vou entrar primeiro. – Olhou para o marido e depois para o segurança. – Kai, leve Namjoon de volta pro quarto, ele não tá totalmente recuperado pra ficar batendo perna por aí. – Kai fez uma mesura e saiu escoltando Namjoon e Hoseok que tomou o mesmo caminho. Antes de entrar no quarto ouviu Hope sussurrar um “você criou um monstro” para o marido, que o respondeu com um “você que me apresentou pra ele” despreocupado.

***** Bônus*****

Taehyung sentia que ia enlouquecer naquele quarto. As horas não passavam e nem o namorado nem o melhor amigo estavam. Saiu para a cozinha para beliscar algo e deu de cara com a cozinheira trabalhando no seu almoço; resolveu sentar-se na bancada da ilha para pelo menos desfrutar da companhia. Apoiou sua muleta no móvel e descansou o rosto ainda machucado em uma das mãos.

— Menino Kim, quer que eu prepare algo para você beliscar? – O modelo sorriu tranquilo para a senhora.

— Não se preocupe, só vim atrás de companhia. – A mulher lhe sorriu simpática e se voltou para o fogão. – Minha vida está um tédio ajuma, me conte alguma novidade. – Ouviu a risada gostosa da senhorinha.

— Não há nada de novidade na minha vida, menino, mas há muita coisa acontecendo no meu bairro. Quer ouvir sobre? – Vendo a cara de entusiasmado do mais novo ela deu uma risadinha. – Então, ontem pegaram um rapaz no bairro vizinho, que é advogado. Encontraram ele na lixeira de um beco, todo machucado e com tatuagens da organização. – Taehyung franziu o cenho.

— Que organização? – a mulher o olhou condescendente.

— Aigooo, esqueci que você é do interior, não sabe como as coisas são nos bairros mais pobres de Seul. Existe uma organização que comanda o submundo da cidade; chamamos eles de lobos, não ousamos chamá-los pelo nome. – Taehyung arregalou os olhos. – Eles nunca se envolveram conosco, pelo que sei não são autorizados a mexer com cidadãos inocentes. – Ela abriu um sorrisinho singelo. – Aparentemente há honra até entre bandidos. – Ela olhou o Kim concentrado nela e balançou a cabeça. – Estou divagando aqui menino. O caso é, ontem um advogado apareceu com a marca dessa organização. Se você recebe uma tatuagem de luas em seu corpo, coisa boa não é. – Ela se virou para supervisionar sua panela e continuou. – Uma lua, você está em treinamento, mas a partir de duas luas, se você não tiver um lobo, é porque você é um alvo.

— O que significam duas luas? – ela ficou alguns segundo e silêncio, como se pensasse.

— Duas luas significam que você é um criminoso e que a organização está de olho em você. – Tae acenou concentrado. – E três luas significa que você é um criminoso que está com os dias contados.

— Então ele foi tatuado pela organização. Vocês não sabiam que esse advogado era criminoso, ajuma? – a mulher o olhou e acenou positivamente.

— Sim, mas essas marcas são comuns, por mais estranho que seja, a organização mantem os bairros da periferia seguros, de certa forma. Mas as marcas dele eram muito incomuns. Esse advogado estava com quatro luas tatuadas no peito. – Tae arfou e a mulher pensou ser por causa da excitação da fofoca.

— E o que quatro luas significam? – Ela fez uma cara confusa.

— Não sei, nunca soube de quatro luas. Meu vizinho me contou que só quem pode marcar quatro luas são os filhotes.

— Filhotes?

— Sim, os filhos do chefe. Aparentemente ele tem dois. As quatro luas significam a ninhada. – Ela fez uma cara pensativa e deu de ombros. – Levando em consideração que nem a polícia quis ajudá-lo eu acho que isso é uma informação correta. Um dos filhos do chefe quer a cabeça do advogado. E é compreensível se a outra marca for verdade. – Tae a olhou confuso.

— Que outra marca? – a senhora o olhou e riu.

— Eu acabei pulando essa informação. Ele tinha duas tatuagens quando o encontraram. Uma no peito com quatro luas, e uma na testa, com a palavra “Estuprador”.