Real King
24 Capítulo 24
Ao ouvir o namorado andar pelo corredor, Jungkook respira fundo e sucumbe à dor nas costas. Quando tenta voltar para a cama, perde o controle das pernas e despenca no chão. Antes mesmo de pensar em pedir por ajuda, braços fortes o ajudam a levantar.
Um pouco desapontado por não ser quem pensava, ele suspira e luta para se ajeitar na cama.
— O que vocês querem agora? Não tenho nada pra tratar com os dois. – Mesmo mau humorado não conseguia levantar a voz para a própria mãe.
— Não desconte em nós algo que nem é nossa culpa! – disse Eunwoo com os dois braços para cima, fingindo rendição.
— Só que dessa vez é. – ao ver as caras de confusão que a mãe e o irmão fizeram suspirou. – Conversei com Taehyung sobre o seu lado da família e a minha função nela. – Chaerin ficou impressionada.
— Isso quer dizer que ele significa muito pra você. – O filho concordou, tímido. — Por que essa cara então. Ele terminou com você? – ao ver Jungkook fazer uma careta, ela sorriu. – Já tivemos essa conversa JK, paciência e resiliência, quase ninguém entende o papel que prestamos nesse mundo.
— Taehyung é um modelo badalado, mas nasceu no interior, teve uma vida muito simples... As noções de certo e errado dele são tradicionais demais. Acho que não tem volta.
— É uma pena, ele é um garoto muito bom. – disse a mãe em um tom triste.
— Você nunca mais vai encontrar um homem tão bonito como aquele, hyung. – Os dois mais velhos olharam repentinamente o caçula que falava enquanto olhava a tela do celular. Ao ver que os dois o encaravam, ele deu de ombros como se não dissesse nada além do óbvio. – Quer dizer... Eu já o vi dar plantão aqui, ele acordando de pijama surrado, com o cabelo bagunçado e cara amassada... Continua sendo de longe a pessoa mais sexy que eu já vi.
— Muito obrigado por me relembrar isso, Eunwoo, ajudou pra caralho. – Bufou o Jeon irritado. – O que vieram fazer aqui?
— Giancarlo ligou para o Eunwoo atrás de você, viemos aqui saber o que ele te disse. – Jungkook rolou os olhos. Desde o acidente aqueles dois o tratam como se fosse uma criança.
— Eu disse no dia que saí da cirurgia e vou repetir agora: quem cuida da minha vida sou eu.
— Não fale assim com a nossa mãe, hyung, estamos aqui para ajudar.
— Não preciso de ajuda, já tenho tudo sob controle. Tenho tempo de sobra pra investigar tudo o que eu preciso, porque ainda não estou 100% dos movimentos; e vocês sabem que quanto mais tempo eu tenho, mais eu sei.
— Não mude de assunto, o que Giancarlo falou? – Kook se largou na cama frustrado.
— Ele me informou sobre o episodio em Milão com Tehyung e que os Ursos encontraram o motorista do caminhão. – Eunwoo levantou em um salto da cadeira. – Não se animem, o cara é meu. – O irmão murchou na hora, o que fez o Jeon rir. – Vocês não têm que ir, não? Preciso dormir. — Vendo a mãe dar de ombros e se encaminhar até a saída, ele fez um sinal para o irmão esperar. – Sabe que eu te amo, não é?! – o rapaz acenou concordando.
— Eu também te amo, hyung.
— É muito bom saber disso, mas nunca mais chame a minha atenção na frente de outra pessoa, mesmo ela sendo a nossa mãe. – O mais jovem arregalou os olhos com a reprimenda inesperada. – Eu prometi te aprimorar para estar apto a assumir o que é seu por direito, mas mesmo um futuro líder precisa entender e respeitar a hierarquia. Sou seu beta e seu hyung, nunca desafie minha autoridade na frente de outra pessoa. – Ao ver que o irmão ia retrucar ele fez um sinal com a mão para calá-lo. – CL é bem crescidinha e sabe se cuidar melhor que nós dois juntos; ela conhece o próprio limite e se impõe quando a situação precisa. Ela sabe que não tem autoridade nenhuma de mãe sobre mim, que foi relapsa ao me deixar ser criado pela família abusiva que são os Jeons, e por isso ela não retruca ou se ofende quando eu me imponho. Ela não me criou, então não pode me exigir certas coisas, ao contrário do que ela faz com você. Não é porque sou o mais velho nem o beta; é porque ela não é a minha mãe como ela é sua, entende? – o rapaz abaixou a cabeça e assentiu. – Ok, vai cuidar da sua vida, sei que as coisas andam agitadas ultimamente. – Se despediu do irmão com um aceno.
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Hoseok estava atolado de trabalho para fazer, e para não ficar muito tempo no mesmo lugar, teve que levar trabalho para casa. A única vantagem nisso é que Yoongi sempre que podia estava lá com ele o ajudando a estudar documentos e pôr em dia tudo o que ainda faltava.
— Eu falava mal de Namjoon mas tenho que reconhecer que o trabalho pesado é todo ele quem faz. – Yoongi, que estava sentado no chão folheando um monte de papeis riu do amigo.
— Isso porque esse é o trabalho do CEO, imagino o que Jackson não está passando.
— Eu não me preocupo com ele, Mark é um cara muito inteligente, sempre agiu como secretário desde que Jackson se formou.
— Há um ano, você quer dizer. – Troçou o Min.
— Você não é o único com diploma duplo, Sr. “Estudei na Suíça”, ele também tem diploma de administração. Se formou há três anos atrás.
— Esses Kims de cérebros privilegiados... – reclamou o mais pálido, pegando um marcador de texto e destacando uma parte que lia. – Onde estão os garotos?
— Taehyung e Jimin saíram pra trabalhar e ainda não voltaram, não tenho tido notícias de Jungkook, o que quer dizer que ele está bem. Jin está enlouquecendo Hwasa por ter arranjado praticamente uma turnê de compromissos pela Europa só pra ocupa-lo. – Suga riu e fechou os papéis em suas mãos.
— Vou ao banheiro rapidinho. – disse indo pelo corredor rumo ao banheiro social.
Alguns segundos depois, Taehyung entra no apartamento, o telefone colado no ouvido.
— Eu ainda acho uma péssima ideia, Jimin, você deveria – se calou ao ouvir o que o outro falava. – Ok, eu não vou mais me meter, quem sabe da sua vida é você. Eu vou desligar porque já tô atrasado. – disse fechando o flip do celular e encarando o outro amigo. – Hobi! A essa hora aqui?
— Trabalho acumulado em todo canto, vim pra onde é mais confortável. – O modelo concordou com a cabeça entrando na sala. – Estava falando com o Jimin?
— Sim, ele tem sofrido represarias fortes por conta daquele boato ainda, essa semana ele ia fazer uma campanha de perfume de casal e a mãe da modelo disse que não queria que a filha fizesse campanha com um prostituto. Ele pediu pra ela não o chamar assim, daquele jeitinho calmo dele de quando está acuado, e ela lhe deu um tapa na cara por ter dirigido a palavra a ela. – Hoseok o encarava horrorizado. – Eu não estava lá, ninguém do staff se prontificou a defende-lo. Eu disse a ele que contasse ao Yoongi ou a você, até mesmo ao Jeon. – Ele fez uma careta ao falar o ultimo nome. – Mas ele insiste que não quer ninguém o defendendo, que ele vai resolver os próprios assuntos... Como se tudo o que ele está passando fosse culpa dele. – disse chateado. — Vou tomar banho que eu estou atrasado. – comentou enquanto se dirigia pra o quarto.
— Vai sair?
— Tenho um encontro. – disse piscando, um sorrisinho mínimo estampando a boca enquanto fechava a porta.
Ainda chocado com as duas informações que ouviu, ele percebeu Yoongi surgir à sua frente.
— Ouviu o que o Tae disse?
— Sobre o meu namorado estar sendo mal tratado e não me contar ou sobre ele ter terminado com o meu melhor amigo há poucas semanas e já estar indo a encontros? – Hoseok teve que rir, o humor ácido de Suga nunca falhava. – O que merda o Jimin pensa que ta fazendo?
— Eu sei que você está chateado, mas pensa pelo lado dele: O cara veio de lugar nenhum sozinho, tinha uma carreira bem sucedida, aí ele é acusado de se prostituir; acha mesmo que o que ele quer é alguém poderoso intercedendo por ele? Pra dizerem que ele está se vendendo por proteção? – Yoongi coçou a nuca, frustrado.
— Essa porra de pesadelo não vai acabar nunca? – e como se tivesse invocado, o seu telefone toca. Olhou a tela confuso, IU não costumava ligar para ele a noite. – IU? O que houve? – perguntou atendendo. Uma enxurrada de informações com soluços e uma voz rouca e chorosa irrompeu seu auto falante. – Calma, garota, preciso entender esse dialeto que você tá cuspindo em mim! – alguns segundos de silencio depois, a cantora se explicou com a voz calma e de forma comedida. – Ele fez O QUÊ? – Hoseok se assustou com o grito repentino. – Fique na sua casa e aguarde notícias minhas. Não faça nada nem vá a lugar nenhum com ninguém antes de falar comigo, entendeu? – ao ouvir a resposta do outro lado da linha, ele encerrou a chamada. – A desgraça sempre vem acompanhada...
— O que houve?
— A porra do presidente da MS, aquele acéfalo, está espalhando para todos os veículos de imprensa que eu tenho um caso com a IU, porque ele aparentemente descobriu que um dos meus artistas tem credencias superiores à dele na empresa. – Hoseok ergueu as sobrancelhas impressionado.
— Você deu uma credencial platina à IU? – Yoongi o olhou desanimado.
— Claro que não, Hobi, é do Jimin. – Entendendo enfim a situação, J-hope viu o tamanho do problema.
— Ele ta caçando a garota por achar que você está cedendo privilégios a ela?
— Ele é um megalomaníaco, não aceita que não vai herdar nada do meu pai, então faz de tudo pra mostrar poder dentro da empresa. É um saco, na verdade, porque nem todo mundo sabe que eu sou o filho do presidente, e ele usa isso pra me humilhar lá dentro e fica manchando a imagem dos meus artistas também. Mas esse nem é o problema.
— Qual é então?
— Ele marcou um ensaio sensual pra ela numa revista masculina. – Hoseok o encarou sem acreditar. – A menina não tem coragem de colocar o pé pra fora de casa. Ele entrou em contato com ela mais cedo e disse que amanhã à tarde ele vai pessoalmente busca-la pra sessão, e se ela se recusar vai ser entendido como quebra de contrato. Ela vai perder os direitos às músicas, produções e qualquer outra coisa que ela fez dentro da MS. Além da multa, que é astronômica. – O Jung estava chocado demais para comentar. – Vou ter que te deixar na mão, Hope, tenho dois pepinos grandes pra resolver. – O mais novo acenou concordando.
— Não esquenta, mas não acho que você deva resolver o problema do Jimin agora. – Yoongi viu o brilho nos olhos do amigo e percebeu que a sua mente maquiavélica estava em ação.
— O que você sugere?
— Isso é estratégia básica, Yoongi: Para você proteger quem ama, precisa ter poder. – Ao ver a cara confusa do amigo ele riu – Acha que Namjoon largou o rap porque gosta de fazer conta? Está na hora de se aproveitar da rede de proteção que nós quatro construímos juntos desde a adolescência. Tome o que é seu por direito, dê um tempo na produção, Yoon, tempos difíceis demandam decisões difíceis.
— Você está me saindo um general em guerra, Hoseok.
— Gosto de pensar em mim mesmo como um conselheiro real. – Os dois riram e Yoongi pegou suas chaves e seu casaco.
— Então o que me aconselha? – Hoseok o olhou como se ele fosse um idiota.
— Como o que? Reclame seu trono!
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Jackson estava saindo da antessala da UTI do hospital universitário de Seul, mesmo exausto, ia visitar o irmão todo dia, para ligar para o cunhado depois e atualizá-lo.
— Veio visitar o reizinho? – Se surpreendeu com a cara de pau do pai e da mãe que estavam ali o esperando. Ele odiava aquele apelido que o pai usava para denominar o irmão mais velho – Vai manter essa palhaçada de restrição à visitação?
— Não sou eu quem mantenho, Jin hyung quem faz isso, eu não posso passar por cima de uma decisão dele. – A feição inocente entregava que ele estava se divertindo.
— Não entendo qual o seu joguinho, Jackson. – disse a mãe com uma voz ofendida.
— Eu não faço jogos, mamãe, estou em Seul por Namjoon hyung, e apenas por ele, não consigo ser mais claro que isso.
— Você é um ingrato! Depois de tudo o que fizemos por você! – Jackson teve que rir daquele choro da mãe.
— E o que vocês fizeram por mim exatamente? – Ao ver o quão chocados com a pergunta seus pis ficaram, ele riu novamente.
— Você acha engraçado nos ridicularizar? Somos seus pais! Nós trouxemos você a esse mundo!
— Querem que eu aplauda vocês por uma trepada pelas costas da Sra Kim? Tudo bem. – E aplaudiu os pais com um sorriso irônico. Ao ver o pai avançar pra cima de si, ele fez um sinal para o mesmo parar, o sorriso aumentando. – Se eu fosse o senhor não faria isso. – Disse apontando para um ponto atrás de si. O casal Kim reconheceu seu segurança surgindo de alguma sombra no corredor. – Mark não é muito de fazer promessas, mas ele cumpre as poucas que faz. – E como se enfatizasse sua presença ali, o secretário parou logo atrás do Wang.
— Esse troglodita fica em cima de você o tempo inteiro? – perguntou Jeonghoon irritado. Mesmo sem querer demonstrar, aquela figura o intimidava.
— O senhor não faz ideia, papai. – disse Jackson dando um sorrisinho sugestivo para o mais velho. – Acho melhor vocês saírem, a segurança logo chega para manda-los embora. – Virou-se de costas e piscou para Mark. – Vou espera-lo no carro. – Sussurrou para o outro e saiu sem se despedir.
Mark se aproximou alguns passos do casal e os encarou.
— Sr Kim, Sra Kim, boa noite. – Fez uma mesura polida e deu um sorriso simpático. – Por prezar muito pelo bem estar da Família do Sr. Wang, eu peço encarecidamente que os senhores parem de tentar essa visitação ao Presidente Kim. O responsável pelo acidente do seu filho mais velho está detido na Rússia, e está sob interrogatório... – olhou para o relógio para confirmar. — ...Neste exato momento. – Ele olhou para o casal novamente e viu um pouco da cor dos dois sumirem.
— E o que a nossa visitação tem a ver com isso? – perguntou o mais velho, ainda petulante.
— Eu posso ser um simples segurança ignorante, senhor, mas sei o básico de como as coisas funcionam aqui na Coreia. E acho que o senhor, não. Um dos homens mais temidos do país se machucou muito feio nessa brincadeira de tentar matar o presidente da Bangtan. – O pai de Jackson começou a suar frio.
— E o que o interrogatório da polícia da Rússia tem a ver comigo? – Mark soltou uma gargalhada sem querer.
— Eu entendo que o senhor é da alta classe senhor Kim, mas nem esse nível de amadorismo eu esperaria do senhor. – Ao ver o outro se irritar ele prosseguiu. – Não é a polícia que o está interrogando. – O frio que subiu a espinha de Jeonghoon não era desse mundo. – A polícia não ousou chegar perto do cara que quase matou um filhote de lobo. – Ao ouvir a referência, as pernas do Kim tremeram. – Entendeu agora? Você sem querer mexeu num vespeiro que vai te matar. Não envolva Jackson no processo por favor, senão eu o entrego pessoalmente aos Lee. – disse se virando e deixando o casal a sós. Quase no fim do corredor, ele virou para a duas figuras pálidas e completou. – O senhor é tão mal preparado para essa vida que não teve competência nem para dar o golpe no seu sogro, pois oportunidades não faltaram. Agora ouça com atenção. – Ele colocou as mãos nos bolsos da calça e olhou ameaçadoramente para eles. – Jeon o subestimou porque ele o achava burro demais pra ameaçar o “reizinho” – usou a própria menção pejorativa que o Kim denominou o primogênito. – Eu não subestimo gente burra, eu não subestimo ninguém. Não tenho o poder que os Lee têm, mas eu não preciso de muito pra tirar de circulação gente como o senhor. Tentou com o rei e não deu certo, não ouse tentar com o príncipe herdeiro.
Alguns andares longe dali Jungkook jogava xadrez com seu irmão caçula quando chega uma notificação em seu celular. Ele leu a mensagem que chegara e sorriu para Eunwoo.
— Eles acabaram de saber sobre nós. – disse fazendo um movimento no tabuleiro.
— E agora? – o mais novo fez uma careta para a jogada que o irmão fizera.
— Agora é ter paciência, moleque, agora que estão com medo vão se desesperar, e as maiores merdas a gente faz no desespero. Eu só preciso de um erro específico para pegar todo mundo. – disse, subtraindo a rainha do irmão no tabuleiro. – Prepare-se para partir essa madrugada, você vai para a Rússia em meu nome.
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