Real King
11 Capítulo 11
Taehyung perdia as contas de quantas coisas quebrara ao entrar em casa. Não queria se desgrudar daquela boca macia que o devorava, então acender as luzes não era um luxo que ele poderia se permitir. Na terceira topada que dera em algum móvel, Jungkook perdeu a paciência.
— Chaga, Tae, desse jeito você não chega inteiro na cama. – O mais velho, aborrecido por terem interrompido o beijo, dá uma mordida em seu pescoço. – Ai! Virou canibal agora?
— Se tá tão incomodado comigo esbarrando nas coisas, é só me levar no colo, Jeon, pra que serve esse monte de músculos? – e quase gritou de susto ao ser içado na mesma hora. Seu quadril foi de encontro com a ereção dura de Jungkook e ele sem a menor vergonha se esfregou ali.
— Se continuar atiçando desse jeito, a gente não passa nem do sofá. – o mais novo se arrepiou todo quando o Kim aproximou a boca de seu ouvido e sussurrou com sua voz rouca:
— Você vem prometendo isso desde semana passada, bunny, vai continuar me iludindo?
— Bunny? – passando pelo corredor iluminado, Taehyung viu a testa vincada do mais novo o encarando.
— Ninguém nunca te chamou assim? Com esse sorrisinho fofo de coelhinho?
— Eu não sou fofo, Taehyung. – O modelo gargalhou enquanto beijava aquele bico emburrado.
— Esse é o quarto do Hoseok, Kook, porta errada. – Estavam se divertindo porque enquanto um tentava cegamente carregar ambos para o quarto certo, o outro só provocava e brincava com o corpo do mais novo que não tinha como se defender.
— Se você continuar com isso, eu vou te comer contra a parede, Taehyung, não to brincando! – Tae adorou o rosnado vindo logo abaixo do seu queixo, seguido de uma mordida de aviso.
— Você só promete... – e gargalhou quando, sem paciência, o mais novo abriu a porta do quarto correto com um chute.
Deitou o mais velho sem delicadeza alguma na cama, para chegar ao interruptor e ligar a luz. Tae, todo desgrenhado deitado na cama, fechou os olhos com a claridade.
—Precisava ligar a luz? – e sem resposta, abriu os olhos para ver o que acontecia. Jungkook estava desabotoando a camisa, o peito exposto.
— Quero ver você. – Com a camisa aberta, ele se debruçou sobre o moreno já deitado, o beijando. – Quando eu estiver dentro de você quero poder olhar nos seus olhos e saborear todas as expressões que você fizer.
— Você fala cada coisa que me deixa sem fôlego. – disse Tae tentando fazer carinho no rosto do mais novo.
— Você me deixa sem fôlego sem nem precisar falar. Sempre foi assim. – os dois sorriram cúmplices e voltaram a se beijar.
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Jin entrou na cozinha de casa já pensando em como sua agenda para a semana que vem estaria lotada. Tirar uma semana de folga o ajudou muito, mas agora tinha que compensar os compromissos adiados.
— De pé a essa hora? – a voz grave o assustou e ele olhou para o marido sentado na bancada tomando uma xícara de café.
— Quer ficar viúvo cedo, inferno? – o mais novo riu enquanto tomava um gole fumegante de sua xícara e olhava o tablet. – Nem aos sábados você consegue relaxar? A mesma rotina de café, jornal e trabalho? – Namjoon deu de ombros, tirando sua atenção da tela e encarando o homem a sua frente.
— Não sou um assalariado, Seokjin, sou o dono da empresa. – Jin rolou os olhos e foi para o armário. – Vai fazer café da manhã?
— Vou, só você tem esse hábito horroroso de não comer de manhã cedo.
Eles conversavam enquanto Jin preparava uma refeição. Há uma semana gozavam de uma intimidade nunca antes desfrutada. Se viam mais, sorriam mais um pro outro, se tocavam com mais frequência.
Depois de comerem em um clima de camaradagem, Namjoon lavava a louça com os protestos constantes de Jin.
— Se você cozinhou, o mínimo que eu posso fazer é lavar.
— Você vai se atrasar pro trabalho, Nam. – O maior deu de ombros, debochado.
— Eu sou o meu chefe, Seokjin. – O mais velho rolou os olhos. – Você rolou os olhos pra mim, Sr. Kim?! – Jin não entendeu até ver a mão ensaboada próxima ao seu rosto.
— Você não ousaria... – Namjoon deu uma risada maligna e espalmou as duas mãos no rosto do marido. A expressão chocada com a boca em forma de "o" e os olhos arregalados foram a melhor parte da brincadeira. – KIM NAMJOON, eu não acredito!
Jin quase não conseguiu reagir a tempo, ficou abobado admirando as covinhas de Namjoon. Em um lapso de lucidez, pegou a torneira e direcionou no engravatado.
— SEOKJIN! – a gargalhada do modelo morreu quando percebeu a camisa social do marido molhada. Aquele abdômen era a sua kryptonita. – Por que você está encarando a minha blusa?
— Porque é a minha vista preferida. – respondeu baixinho.
— Minha camisa?
— Sua camisa molhada. – Quando Jin subiu os olhos em direção ao rosto de Namjoon percebeu que o marido o encarava com uma expressão que ele julgava ser parecida com a sua.
Não disseram nada, não precisavam. Jin voou no paletó do outro e o arrancou enquanto Namjoon atacava sua boca. Quando o maior percebeu que ia mesmo acontecer, apartou o beijo e levantou a blusa do modelo pela barra, e surpreendeu-se com o calmo, controlado e contido Jin abrir sua blusa com um puxão, arrancando os botões no processo.
— Seokjin...?
— Cala a boca, Nam, se você estragar tudo dessa vez eu te mato. – E rindo desacreditado, ele contemplou o rosto do marido concentrado em beijar seu peitoral. Nunca sentiu aquilo antes, a sensação de ser adorado. Jin deslizou a língua entre seu peitoral e desceu para os gominhos do seu abdômen. Uma mordida próxima ao cós de sua calça o fez despertar do torpor, pegando o queixo de Jin e trazendo aquele rosto perfeito para perto do seu. Beijava a boca carnuda com tanta vontade que sabia que o mais velho reclamaria no dia seguinte, mas não ligava pra isso. Só conseguia pensar sobre suas mãos passeando sobre o corpo magro e torneado do amado, parando em seu traseiro redondo e apertando. O gemidinho contido foi um bônus, imaginou se ele conseguiria se conter quando estivesse dentro de si.
— Você quer ir pro quarto...? – Jin esfregou sua ereção na dele, acabando com o impasse. – Entendi. – Quando o risinho mal intencionado passou perto do seu ouvido, ele sentiu todos os seus pelos eriçarem. A língua atrevida brincou em sua orelha antes de provoca-lo.
— Quero que você se sente aqui nesse banco, que dessa vez eu vou te chupar direito. – O mais novo o obedeceu, confuso.
— Na última vez você me chupou direito. – Jin o encarou com uma expressão que ele nunca vira antes. Era predatória, os olhos estavam semicerrados, o cabelo uma bagunça e os lábios inchados estavam desenhados em um sorriso irônico.
— Acredito que não, Nam. Mas vamos consertar isso. – Ele desafivelava o cinto e o encarava, o arfar excitado não combinava com a expressão mau humorada. – Dessa vez eu vou te chupar tão forte, Namjoon, que vou deixar a sua cabeça em branco e você não vai se lembrar de ser um completo babaca comigo depois. – O empresário fechou os olhos, sabendo que merecia aquela alfinetada. Sentiu seu membro sair da boxer e a maciez molhada da boca de Jin abrigá-lo.
Namjoon gemeu tão baixo que Jin só sentiu a vibração do som. Fazia um tempo que não via o marido nu, mas ele gostara das pequenas mudanças naquele corpo. Começou um vai e vem sutil tentando a cada volta colocar um pouco mais do falo dentro de sua boca; mas já sabia que não conseguiria abriga-lo completamente. Quando fechou uma mão em torno da base, sentiu outra vibração de gemido do marido, e decidiu que não gostava daquilo. Tirou o pau de dentro da boca e ficou encarando o marido, esperando-o se tocar que tinha parado. Quando finalmente se fez ser notado, viu Namjoon quase enfartando com a visão de si com os lábios vermelhos e inchados, e uma das sobrancelhas erguida em desafio.
— Você vai me fazer o favor de gemer que nem gente. Não sou a puta que você come às escondidas, sou a porra do seu marido e estamos em nossa casa. Eu quero ouvi-lo. – quando um Namjoon sem palavras concordou com a cabeça ele emendou. – E fique de olhos abertos, meu bem. Sou lindo demais pra ser ignorado no meu melhor ângulo. – E acabara de matar Namjoon com o sorriso safado voltando a pôr o membro duro do Kim na boca.
As lembranças do empresário o traiam, ele sabia que a primeira vez deles juntos tinha sido incrível, mas o álcool e a forma como terminou no dia seguinte nublou boa parte da lembrança do dia do seu casamento. Agora ele podia lembrar em primeira mão por que era tão obcecado pela boca de Seokjin. Aqueles lábios cheios, vermelhos e inchados em torno de si era tudo o que poderia querer. Quando sentiu uma das mãos fazendo carinho em suas bolas, resolveu que aquilo tinha que parar. Não ia durar muito tempo e precisava de mais do que aquilo.
— Seokjin... – ele passou a mão carinhosamente pelos cabelos negros e viu os dois orbes escuros encará-lo. – Não quero gozar na sua boca, não hoje. – Entendendo o recado, Jin se despediu de seu falo com um beijinho carinhoso na glande e levantou-se. Admirou-se com a rapidez com que Namjoon o pegara pela cintura e o rodara de costas para si. Ele riu ao ser encostado no balcão e as mãos do mais novo puxando suas calças e cueca de uma vez para baixo. Antes mesmo de dizer qualquer coisa, sentiu a mordida na bunda, e deu um gritinho vergonhoso de susto.
— Porra, Nam! – ouviu a risada maliciosa e sentiu a língua passear sobre a mordida. As duas mãos grandes se espalmaram pelo traseiro e abriram as bandas, e o segundo susto veio mais rápido ainda, quando sentiu que o marido estava lhe dando um beijo grego.
Ele não sabia como conseguiria se manter em pé diante disso. Suas pernas viraram gelatina, e não tinha coragem de dizer para o maior parar. Quando sentiu um dedo entrando em si, ele resolveu interromper.
— Você não precisa me preparar... eu brinquei com o meu vibrador quando acordei. – O gemido que Namjoon deu ao ouvi-lo o fez sorrir. Sentiu o marido levantar-se e encostar-se às suas costas.
— Não temos preservativo aqui... – Jin respirou fundo e resolveu logo resolver aquele assunto.
— Eu estou limpo. Não transo com ninguém desde antes de nos casarmos, e fiz exames recentemente. – Ficou apreensivo com a falta de reação do empresário. – E você?
— Sou demissexual, e apaixonado por você desde que casamos. Então somos eu e a minha mão há bons cinco anos. – Jin deu uma risada mesmo sem querer e suspirou. – Vou só pegar lubrificante. – Jin não sabia o que tinha sido quilo, mas com certeza o clima deu uma boa esfriada. Depois ia pensar sobre o que acabara de ouvir, mas agora precisava mesmo cuidar daquele tesão acumulado, ou ele e Namjoon acabariam matando um ao outro.
Ouviu passos chegando no cômodo e riu. Por que diabos não foi pro quarto com ele? Pareciam dois adolescentes fazendo sexo perigoso. Admirou o marido se aproximando de si nu, o corpo esculpido, e o frasquinho de lubrificante em mãos. Assistiu hipnotizado o maior abraça-lo, e envolve-lo em um beijo que lhe tirou o chão.
Clima morto? Onde?
Ouviu a tampinha do frasco ser aberta e em seguida a sensação gelada em sua entrada. Não conseguia se concentrar totalmente no trabalho dos dedos de Namjoon porque sua boca lhe tirava toda a sua atenção. Quando os dedos dele pararam de trabalhar em si, sentiu as duas mãos fortes o segurá-lo pelo traseiro e içá-lo para cima do balcão. Ao ver a posição que o mais novo pretendia, Jin contestou.
— Vai me foder de frente, Nam? Pensei que você fizesse o tipo que pegava forte por trás. – O rosnado surgiu antes da cara fechada do marido. Ele sentiu o membro entrando em si, com calma, com cuidado. Olhou pra frente e Namjoon o encarava tão intensamente que por um segundo esqueceu que estava o provocando. Quando finalmente entrou todo, Namjoon se debruçou sobre ele e sussurrou em seu ouvido:
— Sou um homem casado, Seokjin, e sou louco pelo meu marido. Se é forte ou é fraco, pela frente ou por trás, não importa; eu não fodo, eu faço amor. Se habitue a isso. – Terminou com uma estocava funda que lhe tirou o fôlego.
Enquanto Jin se acostumava com o vai e vem de Nam, o Kim mais novo aproveitava pra gravar em sua mente as expressões dele; de adorável confusão à mais pura lascívia, seu marido era expressivo demais, o que ele sempre gostou na intimidade.
Conforme aumentava a velocidade, sentia Jin aumentar o volume dos gemidos, até perceber que ele estava respondendo com a mesma atitude suas investidas, rebolando e gemendo manhoso.
— Nam... mais rápido... – os corpos suados produziam um som inesquecível aos ouvidos de Namjoon e aquela criatura abaixo de si era arrebatadora. Resolveu dar exatamente o que Jin queria, passou uma das mãos pelo pescoço dele e o içou, trazendo seu corpo para seu colo. Ainda sentindo o marido dentro de si, Seokjin deu um gemido sofrido com a mudança de posição. Sentiu ser rodado rapidamente e suas costas atingiram o metal frio da geladeira. – O que...?
— Cuidado com o que deseja, amor. – O risinho de Namjoon lhe deu um frio na espinha, e o selinho veio seguido de um meter frenético que Jin jamais imaginaria que o marido conseguisse fazer. Abriu a boca, mas o gemido não saia, só conseguia se segurar nos ombros fortes e fechar os olhos para se concentrar. A palmada em sua bunda veio forte, e desavisada. Abriu os olhos assustado e deu de cara com os olhos de Namjoon inflamados.
— Seu corpo é uma delícia, Seokjin, mas eu também sou fã de contato visual. – Mesmo arfando do esforço de estocar sem parar em si, a voz era aveludada e sexy demais. Eram estímulos demais para Jin, ele sentia que estava no seu limite. — ... Tudo bem se eu gozar dentro? – Assustado com aquela sincronia, apenas assentiu com a cabeça, sentindo as estocadas aumentarem a velocidade.
— Nam... caralho, eu tô quase também... – gemeu manhoso enquanto fincava as unhas nos ombros do marido. O maior apenas encostou o rosto em seu pescoço e começou a lamber a pele ali. Os arfares estavam mais altos, as mãos em sua bunda o apertavam mais forte, quase violento.
— Você é tão gostoso amor, tão apertado... Mas eu não aguento mais. – Os gemidos aumentaram de volume, deixando Jin mais excitado.
— Goza comigo então Nam. – pediu rouco. As bocas se encontraram e juntos atingiram seus ápices.
Não sabia como, mas Namjoon conseguira leva-lo até o quarto do mais novo e juntos tomaram um longo e demorado banho de banheira.
Já na cama, os dois estavam enrolados um no outro entre os lençóis; Jin quase dormindo e Namjoon velando seu quase sono.
— Você não ia trabalhar, Nam? – o mais novo gargalhou, fazendo um carinho e seu ombro.
— Foda-se aquela empresa Seokjin, ninguém me tira desse apartamento pelas próximas horas. – E seu coração ficou mais quente quando o marido se juntou à sua gargalhada.
Ficaram mais alguns segundos calados enquanto curtiam a preguiça pós sexo, quando Jin resolvera tocar no assunto que estavam evitando:
— O que vai ser da gente agora? – ouviu o suspiro pesado ao seu lado e ficou tenso.
— Eu deixei bem claro o que eu sinto por você, Seokjin, o que nós vamos ser a partir daqui está nas suas mãos. Pra mim você sempre foi o meu marido. – Suspirou com o carinho que agora recebia nos cabelos e pensou um pouco mais.
— Você me dispensou de uma forma humilhante no dia do nosso casamento.
— Eu sei, e tive meus motivos pra isso. Estou arriscando muito aqui me envolvendo com você de verdade. Algumas pessoas ainda veem nosso casamento como algo que não existe, e continuarão atrás de mim. Nessas tentativas, podem fazer algo que o magoe, e isso é a única coisa que eu não posso suportar.
— Então por que se permitiu agora? – Jin sentiu o outro o abraçando de lado e o apertando.
— Porque eu sou fraco demais pra resistir a você. – O mais velho deu uma risadinha, divertido.
— Não vai me ouvir reclamar.
— Não se arrependa do que acabou de dizer, Seokjin, porque pode ser que essa minha escolha egoísta o machuque em algum momento.
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Fazia muito tempo que Yoongi não colocava os pés em uma festa chata como aquela. Fazer parte da nata coreana tinha seu preço, ele tinha que admitir. Não gostava daquela pompa e nem daquele monte de gente fútil o olhando dos pés à cabeça imaginando o valor da sua fortuna. Pensava que por ser do meio artístico tinha se livrado dessas trivialidades, mas sua nova artista estava precisando de uma força, conhecer as pessoas certas, e por causa disso se deixou ser arrastado por IU até aquela cafonice.
— Yoongi Oppa, não faça essa cara, foi você mesmo quem deu a ideia de vir pra cá. – A cantora se divertia com a cara de desgosto do produtor. Amava provoca-lo, era como implicar com o irmão mais velho.
— Sim, com alguém agradável que a apresentasse a todas as pessoas importantes daqui, não com o cara mais mal humorado de Seul. – Ele pegou a taça de vinho que o garçom oferecera e deu um gole, desgostoso. Até ver uma criatura loira surgir em um terno vinho bem cortado e melhorar a sua noite.
— Aquele não é Park Jimin? – o Min olhou mais atento o rosto de sua artista, cujos olhos brilhavam ao ver o modelo passando. – Ele consegue ser mais bonito ao vivo! – e de fato estava, o produtor tinha que admitir. Os cabelos loiros estavam mais compridos, raiz devidamente retocada (ele descobrira o quão diligente o Park era com suas madeixas) penteados para trás, uma maquiagem forte destacando os olhos e a boca avermelhada, com um brilho quase natural, deixando-a em evidência. Jimin exalava sexo com aquela aparência, e virava cabeças masculinas e femininas por onde passava.
— É ele mesmo. – Resmungou tomando mais um gole. Aquele vinho estava intragável. Qual o problema das pessoas ricas? Quanto mais dinheiro, pior o bufê. Ele sacudiu a cabeça, espantado com a quantidade de pessoas tomando aquele vinagre. Deixou sua contemplação enóloga de lado pra prestar atenção para a cara de espanto que a sua protegida fazia. – o que foi? Parece que viu um fantasma. – a garota estava de olhos arregalados olhando para a frente.
— Ele 'tá vindo pra cá. Tipo, olhando na nossa direção.
— Já falei pra você melhorar esse vocabulário e parar de falar gírias. – disse o Min entediado olhando na direção em que a cantora estava tão impressionada fitando. Jimin estava há pouco metros deles, com um sorriso contido no rosto e olhos determinados. Odiava a influência que aquele loiro atrevido tinha sobre si. – Parece que vai conhecer seu ídolo hoje, sua maluca. – A morena o encarou com aqueles grandes olhos, impressionada.
— Você o conhece? – o produtor deu de ombros como se conhecer a face da Chanel não fosse grande coisa.
— Fomos padrinhos no mesmo casamento. Quer que eu te apresente? – teve que rir daquela reverência desesperada que ela fazia agradecendo-o.
— Min Yoongi, que aposta você perdeu para estar aqui nessa festa de gente esnobe e comida duvidosa? – Park já chegou tirando uma com a sua cara, mas era trouxa demais praquele baixinho pra revidar. O loiro sorriu e olhou para a mão de Yoongi que fora pra as costas da bela mulher ao seu lado fazendo-a dar um passo a frente. Deu um olhar de aviso ao Min sem nem mesmo perceber e sorriu falsamente simpático para a moça que o acompanhava. – E quem é essa bela mulher ao seu lado? – vendo o rosto pequeno e inocente ruborizar, Jimin quase se sentiu mal por ter tido uma antipatia instantânea por ela.
— Esta é IU, a nova artista com quem estou trabalhando. O selo não investiu no lançamento do álbum dela, então estamos improvisando uma social pra ver se ela fica mais popular. IU, este é Park Jimin, não preciso dizer pra você o que ele faz da vida porque você é fã dele. – e o loiro engoliu a culpa por ter pensado mal da moça quando percebeu que aquele rubor era genuíno, provavelmente pela emoção de fã. Ele estendeu a mão e a cumprimentou, tentando ser o mais simpático possível. Dessa vez de verdade.
— é um prazer IU... peraí, eu conheço você! Você quem canta "Eight", certo?! – a jovem emocionada concordou com a cabeça. – Caramba, eu amo essa música! Você tem uma voz linda!
— Você conhece meu trabalho? – Yoongi quase riu vendo a morena emocionada com o reconhecimento.
— Claro! Ainda não ouvi o álbum todo, confesso, mas "Eight" tá na minha playlist desde que foi lançada! Eu ouvi primeiro porque sou fã do Agust D, mas a sua voz me convenceu a favoritar a música. – A moça sorria abertamente e fazia mesuras a cada segundo agradecendo o apoio do seu ídolo.
— Você é fã do Agust D? – Jimin encarou o Min que o fitava curioso.
— Sou. Eu e metade da Coréia. O cara é lendário. Nunca lançou um álbum e é um dos artistas mais badalados do país. Ninguém nunca viu seu rosto, mas ele é o rapper mais quente da cena. Fico impressionado que você tenha conseguido um feat com ele. – disse o Park olhando pra IU.
— é porque o Yoongi Oppa é produtor dele – disse a moça tímida. – Eu gravei uma música com ele, mas também não sei quem ele é. Na empresa inteira só o Yoongi Oppa e o presidente da companhia que sabem como seu rosto é. – o loiro encarou Yoongi, impressionado.
— Não é à toa que você é tão influente... – o Min fungou sem graça e resolveu sair daquela situação.
— Com licença, vou ao banheiro. – E saiu deixando a taça de vinho pela metade na mesa.
Yoongi entrou no reservado do banheiro pensando naquele olhar debochado que o loiro jogou para si. Ele estava com ciúmes? Sempre pensou no Park como um cara desapegado, livre demais para esse tipo de sentimento. Ouviu a porta abrindo e algumas vozes se aproximando.
— Você viu o Park no salão? — O Min ficou quieto dentro do cubículo curioso com o nome citado.
— Como não ver? Ele faz questão de sempre ser visto, não é? – dois homens riram enquanto um terceiro entrava no reservado ao seu lado. – Parece até um pavão, todo exibido com as suas plumas. – Aquilo era inveja? Yoongi não conseguia reconhecer aquele tom.
— Queria saber pra quem ele 'ta dando pra conseguir entrar nessa festa... – alguns segundos de silêncio se estenderam e Yoongi ficou apreensivo.
— Como assim?
— Vai dizer que você não sabia que o Park é viado?! pelo amor de deus cara... todo mundo nos bastidores fala isso. Só não entendo como ele anda com aquela cabeça erguida com a fama que tem.
— Que fama?
— Ele é uma vagabunda, geral pega ele e depois larga. Ninguém tem coragem de assumir o cara. Não é que nem o Kim que é casado e tudo. – O Min achava que já tinha visto de tudo, mas aquele nível de fofoca era demais.
Ouviu a porta ao seu lado abrir e resolveu sair junto, estranhando o silêncio que se instalou no lugar. Ao sair, deu de cara com dois modelos que conhecia de vista e um aspirante a músico em frente ao espelho da bancada da pia. Os três estavam de olhos arregalados olhando para porta do banheiro. Quando se virou para ver quem os espantara, deu de cara com um Jimin em seu melhor sorriso debochado.
— Ora, ora... Não vou dizer que entrei no banheiro errado porque não sou sexista a esse ponto, mas que vocês parecem um bando de mariquinhas, parecem. – Yoongi teve que conter seu sorriso ao se aproximar da pia e lavar suas mãos.
— Park, não é isso que você está pensando.
— Então além de puta eu sou surdo? Quantas novidades pra um dia... – Seu sorriso aumentou, o que deixou o trio mais desconfortável. – Saiam logo daqui antes que eu fique tão enjoado a ponto de vomitar em vocês. – E antes dos três saírem atrapalhados ele os chamou com um pigarro. – E seu fosse vocês, tomaria mais cuidado com o que eu digo, vai que nessas orgias da vida eu não acabo trepando com um figurão que pode acabar com a carreira de vocês?! – e com uma piscadinha ele se despediu dos patetas que saíram super rápido dali.
Assim que a porta fechou, o Park desfez o sorriso e soltou um suspiro profundo. Yoongi sabia que aquele deboche todo era uma armadura; já fazia um tempo que notava que a confiança e a ousadia de Jimin era uma grande alegoria pra disfarçar sua insegurança e seu medo de ser rejeitado. Jimin era todo carinho e ternura, nada parecido com aquele ser petulante a sua frente.
— Você está bem? – perguntou o Min baixinho. O loiro apenas acenou com a cabeça e suspirou mais uma vez.
— Apenas... preciso de um tempo só. – Entendendo a deixa, ele secou as mãos e se dirigiu à saída. Parou antes da porta e resolveu dar um passo adiante no que quer que fosse aquilo que eles tinham. Voltou para a figura séria atrás de si e lhe deu um beijo singelo, fez um carinho na lateral do seu rosto e sorriu pra ele.
— Você está arrebatador hoje, Jimin. – O Park deu um sorriso pequeno, porém sincero para o mais velho, mas nada falou.
Ao sair do banheiro, Yoongi deu de cara com o trio de idiotas mais a frente, conversando. Um deles, que era cantor, ao vê-lo saiu em disparada em sua direção.
— Senhor Min, que surpresa agradável vê-lo! o senhor quase não vem a festas! – Yoongi permaneceu mudo diante do cumprimento do cantor. Pelo visto, com o choque de terem sido flagrados por Jimin não notaram que ele também estava no banheiro, mas reconheceu a voz do homem que chamara Jimin de vagabunda.
— Em que posso ajudá-lo? – mesmo que não tivesse a fama de grosso, ele o trataria mal do mesmo jeito. O rapaz ficou sem graça com a secura do produtor, mas se muniu de coragem e insistiu na conversa.
— Gostaria muito de uma oportunidade de trabalhar com o senhor. Somos da mesma empresa, mas nunca consegui uma vaga para o Genius Lab. – Yoongi riu internamente com o apelido que deram para o seu estúdio.
— Você tem um cartão? – estendeu a mão para o jovem impressionado que tirou desesperadamente um cartão de dentro do bolso do paletó e o entregou. – Entrarei em contato — disse somente e voltou a andar. IU o encontrou logo mais a frente com a testa franzida.
— Você nunca aceita cartões de artistas, por que aceitou o dele? – se arrepiou com o sorriso pequeno que ele deu. Yoongi nunca sorria.
— Resolvi bancar o figurão influente hoje. – IU sabia que alguma coisa o deixara bastante irritado naquele sujeito. Yoongi era do tipo rabugento, quando vestia a máscara de pessoa sociável era porque seu humor atingira níveis insuportáveis e alguém ia pagar por aquilo. – Vamos, acabei de ver o Namjoon, vou te apresentar o casal Kim. – Ofereceu o braço que ela pegou de bom grado e se dirigiram ao casal de morenos do outro lado do salão.
Jin e Namjoon caminhavam tranquilamente pelo salão quando toparam com Yoongi e uma moça tímida. Fazia tempo que o Kim mais novo não via seu melhor amigo, e achou muito estranho vê-lo justamente em uma festa como aquela.
— Se eu tiver que ouvir mais um comentário sobre estar em uma festa, eu derramo esse vinagre em cima de você. – Jin arregalou os olhos e Namjoon gargalhou.
— Bom te ver também, Suga, como tem passado? – Jin sorriu simpático e encarou a jovem que olhava o casal fascinada.
— Não vai nos apresentar a essa moça bonita? – o Min rolou os olhos e fez as apresentações.
— Garota, esses são Namjoon e Seokjin, meus amigos; casal Kim, essa é IU, minha protegida. – Namjoon enfim entendeu o que o amigo estava fazendo ali.
— Prazer em conhecê-la. – O empresário estendeu a mão em comprimento, se divertindo com o cuidado e a surpresa com que ela o tratava. – Pelo visto a empresa não quis divulga-la. É o seu quinto artista em cinco anos, Yoongi, tô achando que isso está ficando pessoal. – Vendo o amigo bufar sabia que tinha mais coisa escondida por trás dessa história.
— Preciso fazer essa garota acontecer. – respondeu dando de ombros. Jin soltou mais uma risadinha e se apresentou à cantora.
— é um prazer conhece-la. Acho que conheço uma das músicas do seu álbum, com um rapper, talvez. – A menina ruborizou e acenou com a cabeça.
— Tenho uma música com o rapper Agust D, ela tem feito um pouco de barulho.
— Você está sendo modesta, querida. Tenho ouvido muito sua musica por aí. – Se possível ela corou mais, o que Jin achou adorável. – Meu melhor amigo, por exemplo, toca ela direto no carro quando estamos juntos. – A cantora olhou toda encantada seu produtor e amigo, e ele deu de ombros.
— Você o conheceu, seu querido Jimin. – E ao ver a morena arregalar os olhos, Jin teve uma ideia.
— Por que não vamos nós dois atras dele, rodamos essa festa chata e damos a essas pessoas algo para falar? – ele estendeu a mão e a garota olhou para Yoongi como se pedisse permissão.
— Vá, o Kim é de confiança. Mas cuidado com o Park, ok?! – Jin riu colocando a mão delicada da artista sobre seu braço e a arrastou dali.
Yoongi suspirou cansado e encarou o amigo que o olhava esperando uma explicação.
— Meu primo está cada dia mais imbecil, ele atravanca a carreira de todo novato que eu recruto pessoalmente, quer participação em todos os trabalhos e tá me pressionando pra revelar o Agust D. – Namjoon se divertiu ao ouvir aquilo.
— Aquele idiota ainda não descobriu que é você?
— Já concordamos que ele é uma ameba, mas uma ameba útil, pelo menos não sou eu sentado naquela cadeira maldita. – O amigo concordou rindo.
— Mas nessas horas você se arrepende de ter cedido o lugar de CEO pra ele, não é?! – o mais baixo deu de ombros, resignado.
— Poderia ser pior. Eu ainda sou o filho do presidente, vou herdar aquela merda toda. Eu poderia ter um irmão mais novo super inteligente e que gostasse de mim? Poderia. Mas Jungkook nasceu em outra família. – Os dois riram da piadinha interna. Sempre diziam que o maknae nascera na família errada, e que a vida de ambos seria mais fácil se o garoto fosse irmão mais novo de um deles.
— Tá ruim assim? – o mais velho passou a mão no rosto exasperado.
— Ela é talentosa demais pra sofrer por causa da picuinha do meu primo comigo. Eu preciso fazer essa garota hitar, e você sabe que eu prefiro a morte do que pedir ajuda pro velho. – Namjoon concordou com ele. Desde que se conheceram, no fundamental, eles compartilhavam junto a Jungkook a mesma sina de ter problemas com a família. Kook e Namjoon por causa de sua sexualidade, e Yoongi porque largou mão de toda a educação privilegiada que teve pra viver de música.
— Bom, no que depender do Seokjin, ela vai conhecer todas as pessoas influentes de Seul hoje a noite. – Namjoon apontou para onde o marido estava e Yoongi viu a cantora sendo arrastada pelos dois modelos e sendo apresentada a todo mundo da festa.
— Agradeça ao Jin por mim, RM. – O mais novo concordou com a cabeça e deu um sorriso simpático. Ouviram um celular vibrando em algum lugar mas continuaram a conversa. Alguns minutos depois, mais uma sequencia de vibrações, e foi quando Namjoon percebeu ser do seu celular. Tirou o aparelho do bolso interno do paletó e viu três chamadas perdidas de Jungkook. O mais novo nunca ligava a não ser que fosse importante. Antes de retornar a ligação, percebeu três mensagens que o amigo mandara pra ele e resolveu abri-las.
Kook
Hyung, 'cê ta na festa chata dos Kang?
Kook
Hyung, atende o celular, é urgente.
Kook
Hyung, não tem mais como esperar, você precisa estar preparado.
Acabei de receber uma ligação do meu contato no consulado
Os gêmeos Choi estão em Seul.
Sua espinha gelou lendo a última mensagem, e parecia que o universo estava conspirando contra si, porque na mesma hora Yoongi arfou ao seu lado.
— Puta merda. – Fechou os olhos sem mesmo tentar entender o que o amigo vira que o deixou tão surpreso. Ele já sabia a resposta.
— Ora se não é o homem do momento! Sentiu minha falta, Joonie Oppa?
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