Real
1 único
Notas iniciais
Havia uma biblioteca particular chamada Ohara, a dona era uma mulher de cabelos negros e longos. Seu nome era Robin e ela pensava ser a pessoa mais feliz do mundo por trabalhar com o que gostava. Era uma mulher viciada em qualquer tipo de histórias, esse costume fora herdado de sua família, tanto que o acervo que tinha começara a ser juntado nos tempos dos seus tataravós e que agora dividia espaço com livros mais atuais. Nessa biblioteca havia mais um funcionário, além dela. Era uma garota jovem de cabelos ruivos que amava livros tanto quanto ela.
Robin sentia um carinho especial por aquela garota esforçada querendo sempre manter a ordem no lugar. Todo dia limpava a biblioteca antes de abri-la, assim como também preparava o café para as visitas. Vestia seu uniforme de camisa social abotoada até o pescoço mais a saia de cintura alta e que acentuava as belas curvas do seu quadril.
Quando aparecia visitas, Nami explicava como funcionava a biblioteca. Dizia com muito orgulho que não era uma biblioteca comum como as outras e todos já notavam pelo jardim que rodeava o prédio. Segundo ela, você poderia ler um livro sentado num dos bancos daquele jardim enquanto escutasse os gorjeios dos pássaros. Como também poderia ler num dos quartos com móveis rústicos, alguns deles eram do tempo dos tataravós. Ohara tinha como objetivo levar todos para os universos dos livros o máximo possível. E pelas 14:00 da tarde havia uma tour com a dona do estabelecimento Nico Robin. Ela mostrava cada cômodo e explicava por que cada objeto era tão precioso para uma boa leitura. A biblioteca até mesmo permitia você ler um livro acompanhado com música caso estivesse no quarto apropriado. E obviamente você não encontraria livros de baixa qualidade. O acervo só continha livros que fizeram história ou que eram undergrounds em busca de mais reconhecimento. Robin gostava muito de priorizar as autoras femininas.
Nami estava no balcão quando escutava o salto alto de Robin sobre sua cabeça que estava um andar acima terminando a tour daquele dia. Nesse momento, a ruiva pensou que sua superior estava muito bonita naquele dia com o vestido que usava. Combinava com seus olhos de um azul invejável e destacava a pele morena da mulher. O colar no seu pescoço longo era discreto, mas isso deixava os olhos amendoados da ruiva fixos naquele pequeno pingente exatamente sobre o seu esterno. Robin podia vestir uma roupa simples e continuaria muito linda. Sua postura era elegante e bem alinhada. Seus gestos eram delicados e educados. Nami não conseguia conter sua felicidade mesmo vendo aquela mulher todos os dias. Todas as vezes pareciam ser a primeira.
Pegou de sua mochila seu sketchbook e passou a desenhar Robin com a roupa daquele dia. Estava bem atenta quando pensou se aquilo era alguma obsessão. Até mesmo pensou se poderia virar algo grave como se tornar uma psicopata, mas não conseguia se conter. Todos os dias fazia um desenho dela e pensava se Robin se envolvia com outra pessoa ou não. Pelo menos ela sabia que era solteira.
Parou por uns instantes e deu um suspiro. Lembrou mais uma vez dos olhos da bela mulher, por mais lindos que fossem, seus olhos faltavam um brilho primordial. Nami acreditava que ela era infeliz, mesmo quando a morena lhe dizia que amava seu trabalho naquela biblioteca e que não parava de ler. Talvez ela quisesse ser transportada para outro mundo quando continuava a ler no seu escritório no andar de cima. Nami chorou ao pensar que Robin poderia olhar ao seu redor por um minuto e notá-la no meio daquelas ficções. A ruiva era real e lhe traria carinho, apoio e prazer novamente. Lhe mostraria uma realidade que valeria a pena viver. Portanto, quando acabasse o turno, convidaria a bela morena para um passeio. Esperava encher a cara com Robin ao seu lado.
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