Re:ache

1 Re: ache


Notas iniciais
Bem, é uma fic totalmente de Universo Alternativo. Como é aniversário da Thais, ShiroHime aqui, eu resolvi que deixaria ela ter a difícil missão de escolher entre cinco casais que compartilhamos e que são de um relacionamento um pouco mais complicado que os outros. Como ela ama Kozi e Touya (e escolheu esse casal), eu já tinha a música, ela só precisou me dizer dois objetos. Então, com livro e perfume, eu fiz a história. Quero dizer que fico imensamente feliz de dizer que você está ótima para quem está chegando aos 19 anos amanhã. Sério, nos conhecemos faz mais de 10 anos já, tinhamos só oito anos. Lembra? É, eu ainda insisto nisso. Bem, koi-nii. 23 de setembro é a sua data. Então, comemore-a com muita felicidade e alegria. Que todos os seus sonhos possam se realizar nesse dia e que nunca se esqueça do quanto eu te amo, sem muita enrolação porque sei que você vai querer ler a história. Meus sinceros agradecimentos por fazer parte da minha vida. Koishiteru, nee.

Onde você estará

Quando ler esta carta?

Você sempre esteve de mau humor.

Agora entendo a razão disso.

E, como você se envergonha quando nossos lábios se encontram,

Compus esta canção para você.

Os dedos tamborilavam sobre a mesa. O rosto parecia curvado, aflito. Tão pensativo em toda aquela sobrecarga que tinha de coisas para fazer ainda, antes do fim da semana. Não estava sendo muito fácil seguir no ramo da perfumaria e criar uma fragrância que fosse tão única como se... Ninguém nunca tivesse sentido seu aroma inebriante.

Havia tentado várias notas diferentes durante a tarde. Flores, frutas, inspirações de qualquer tipo... E o telefone não havia parado de tocar, parecia que seu namorado queria muito lhe dizer algo... E tudo o que pedira foi para a secretária lhe pedir que não atrapalhasse.

Não que tivesse alguma restrição em relação a ouvir a voz dele, mas ainda sentia-se levemente... Sufocado, envergonhado. A vergonha era só uma forma de dizer o quanto o amava, suficiente pra não precisar demonstrar isso para ninguém. Ou, talvez, provar isso para alguém.

Tanto trabalho que tinha, sempre atrás de novas fragrâncias, aromas que pudessem refletir uma personalidade doce, digna de um por do sol radiante a beira-mar, por exemplo, lhe deixaram uma pessoa cada vez mais restrita, fechada. Sempre evitando falar de si mesmo.

Já fazia tanto tempo que não esquecia do mau humor e se deixava levar pelo sorriso sempre acolhedor do seu amado.

Sorria, sorria, porque isto não o incomodará.

Porque este sorriso artificial que você tem é tão bonito.

Esta é a canção que compus para você.

Felicidade é algo que não percebemos

Mesmo quando a sentimos.

Olhe para o céu,

Sussurre, mordendo seus lábios.

Gosto de você quando fica tímido.

- Cheguei,

Kozi jogava as coisas que trouxera do trabalho sobre o sofá, ainda preocupado com o prazo que tinha para pensar exatamente num novo aroma. Espreguiçou-se de forma calma e suspirou ao ver Touya sentado sobre o sofá, de braços cruzados.

- Está bravo comigo de novo?

- Podia ter me atendido.

- Touya... – Kozi disse, quase exausto – Você sabe que eu to preocupado com esse perfume novo, como quer que eu te atenda?

- Você só pensa no seu trabalho, Kozi! Eu liguei porque logo faremos dois de namoro e queria saber se podia fazer reserva num restaurante. Mas pelo visto você não quer nada, como ano passado.

Antes que ele pudesse responder, Touya levantou-se do sofá e olhou Kozi por alguns segundos. Abaixou a cabeça, então, e saiu da sala, rumando para o quarto enquanto meneava o rosto de forma negativa, quase desacreditado das atitudes do namorado. Jogou-se na cama e ficou fitando o teto, de forma perdida.

O outro, por sua vez, deu de ombros e foi para a cozinha saciar a fome que sentia. Precisava comer algo antes que acabasse morrendo de fome, literalmente. Touya só havia preparado um pouco de arroz com missô, e foi o que acabou lhe forrando o estomago.

Como sempre temos de caminhar adiante,

Tentamos deixar tudo para trás.

Diga-me, diga-me tudo o que lhe incomoda.

Será que ao olhar distantemente eu não conseguirei escutar?

Esta é a canção que compus para você.

Mesmo a chuva ou o vento que se perdem

São como este sentimento.

Por mim, foi você quem sempre me guiou me segurando pela mão.

Gosto desse apoio.

Quando Kozi chegou no quarto, Touya estava com um livro em mãos, perdido na leitura. Não era como uma vingança por Kozi não lhe dar atenção quando lhe pedia, mas era só uma maneira de fazê-lo sentir suavemente o que sentia toda vez que a secretária lhe colocava naquela bendita musiquinha de espera para ver se ele iria atendê-lo ou não.

Mesmo que tivesse sentido a cama afundar um pouco do lado e uma das mãos dele deslizar entre seus cabelos, não desviou a atenção do que lia. Kozi envolveu-o nos braços e ficou em silêncio, tentando acompanhar um pouco o que ele lia, mas não era nada que lhe chamasse a atenção.

- Por que... você é assim?

- Assim?

- É. – Touya virou o rosto e fitou-o – tem alguma coisa que te incomoda que você sempre foge de tudo? Ou sua única prioridade é seu trabalho?

- Tou, você sabe que eu tenho trabalhado muito...

- Trabalha tanto que esqueceu até de mim. Sabe quantas noites fazem que nós não fazemos nada? Faz quase dois meses. E sabe por quê? Porque você só se preocupa com o seu bedito trabalho e nada mais. Só se preocupa se os frascos serão bonitos, se será amadeirado, cítrico ou doce. Não pensa em mim, não pensa se—

- Shh... Se me desse abertura, eu lhe mostraria...

Caminhando, caminhando foi como me aproximei de você.

Sem reduzir meus passos.

Caminhando novamente, sem nada a perder.

Ansioso, hesitante e até triste,

Percebi que tudo isto

É o que sinto agora.

Esta é a canção que compus para você.

Mesmo a chuva ou o vento que se perdem

São como este sentimento.

E, mesmo que muitas vezes as palavras não me saiam,

Você não pode ir para longe.

Chegava radiante ao escritório naquela manhã. O sorriso de orelha a orelha, a pasta forrada de folhas que caiam pelo chão e lhe obrigavam a juntá-las sem reclamar de nada... Tudo parecia muito diferente do comum.

Mal chegou e trancou-se na sala de fabricação, ansioso. Vestiu o jaleco branco mais do que depressa e as mãos passaram a percorrer as garrafinhas de essência com tal delicadeza como fizera na noite passada. As gotas deslizavam para dentro dos tubos de ensaio tal qual o suro que escorrera pelo próprio corpo, quando matou a saudade do namorado...

No perfume tinha de tudo. Misturava à água e ao álcool notas cítricas originadas da lima, para lembrar do temperamento forte dele; algumas gotinhas de essência de orquídea, remetendo ao seu jeito dócil de ser quando dormia... Depois de uma baunilha marcantemente sensual e de um pouco de cravo, acrescentou, por fim, uma nota intensa de anis. Anis desconhecido, anis intenso... Anis tão único.

O aroma lhe lembrava um dia chuvoso. Orvalho pela manhã do dia seguinte, uma noite quentinha debaixo das cobertas com a pessoa amada, após um chocolate quente. Um aroma tão perfeito e quase desconhecido, como estar com ele.

Uma inovação a cada dia de convívio.

- E é isso.

Os empresários trocaram um olhar, provando novamente o cheiro que exalava aquele vidrinho todo curvado feito ainda com plástico para ter certeza. Sorriram, afirmando que estava perfeito. Quando indagado sobre o nome que teria o perfume, não esperou duas vezes para então responder:

- Re:ache.

- Dor? O que o perfume tem a ver com dor?

- Simples. – sorriu de canto, misterioso – É o que se sente de manhã cedo quando se acorda para trabalhar... Depois de uma belíssima noite de amor. A dor de deixá-lo te esperando até a hora de voltar...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!