Razão ou Coração livro3 O Fantasma e o Espinho de
23 O Florescer do Inverno
Os anos que se seguiram ao retorno de Selene foram descritos pelos cronistas como a "Era do Despertar". Whitehall não era mais um mausoléu de mármore e luto, mas um palácio onde o som de risadas infantis e o rastro de perfumes de flores substituíram o cheiro de incenso e vinho azedo. Edward, o Rei de Ferro, havia se tornado um soberano de uma têmpera diferente: firme em suas convicções, mas guiado pela justiça que Selene instilara em seu coração.
Em uma tarde de sol dourado, Edward caminhava pelos jardins que um dia foram o palco de sua amargura. Ao longe, ele via Arthur, agora um menino forte e curioso, praticando esgrima com o Capitão Thomas, sob o olhar orgulhoso de Camilly, que carregava nos braços seu próprio filho. A paz que Edward tanto buscara em guerras e garrafas finalmente florescera ali, no solo fértil de sua própria família.
Selene estava sentada em um banco de pedra, sob a sombra de uma carvalho antigo. Ela observava o horizonte, mas seu pensamento parecia distante. Edward aproximou-se e sentou-se ao seu lado, envolvendo-a com seu manto de veludo para protegê-la da brisa fresca.
— No que está pensando, minha Rainha? — Edward perguntou, beijando-lhe a têmpora.
— No caminho que percorremos — ela respondeu, encostando a cabeça no ombro dele. — Em como a dor nos moldou e em como o amor nos salvou. Às vezes, ainda me parece um sonho que o lobo tenha aprendido a amar o fogo.
Edward sorriu, segurando a mão dela e sentindo o calor de sua pele.
— O lobo não apenas aprendeu a amar o fogo, Selene. Ele descobriu que sem esse fogo, ele nunca estaria realmente vivo.
Ele então notou que ela tocava suavemente o próprio ventre, um gesto que ele aprendera a identificar com Arthur anos atrás. O olhar de Edward se iluminou com uma compreensão súbita e emocionante. Selene sorriu, uma luz suave e plena emanando de seu rosto.
— Arthur terá companhia, Edward — ela sussurrou. — Um novo ciclo está começando. Uma nova vida para carregar o nome Tudor, mas desta vez, sem o peso das sombras.
Edward sentiu uma onda de gratidão que quase o fez perder o fôlego. Ele se ajoelhou diante dela na grama, sob o sol da Inglaterra, e encostou o rosto contra o ventre de sua esposa. Naquele momento, ele não era o Rei, nem o guerreiro, nem o herdeiro de Henrique. Ele era apenas um homem que encontrara sua redenção.
— Que ela tenha a sua força — Edward prometeu, olhando para Selene com uma devoção absoluta. — E que ele tenha a paz que nós lutamos tanto para conquistar.
A história que começou com um erro em uma cripta e um casamento forçado pelo escândalo chegava agora ao seu verdadeiro propósito. O Rei de Ferro e a Rosa de Fogo haviam forjado uma dinastia baseada não no medo, mas na verdade. E enquanto o sol se punha sobre York, a certeza permanecia: o inverno havia passado, e o reinado do amor estava apenas começando.
Fim da Crônica de York: O Renascer do Ferro
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