Razão ou Coração livro3 O Fantasma e o Espinho de

21 O Batismo da Primavera e o Sangue de York



​A Capela Real, outrora o cenário do casamento gélido e da noite sombria na cripta, estava transformada. Flores brancas e azuis decoravam as colunas de pedra, e a luz do sol filtrava-se pelos vitrais, pintando o chão de cores vibrantes. O pequeno Arthur, vestido em rendas finas e um manto de arminho, olhava curioso para as chamas das velas, alheio à importância do momento.

​A cerimônia de batismo foi um ato de purificação. Quando o arcebispo derramou a água sagrada sobre a testa do menino, Edward e Selene trocaram um olhar de profunda paz. O "Rei de Ferro" agora carregava uma força diferente, uma autoridade que nascia da proteção e não da opressão.

​Contudo, a celebração foi interrompida pela chegada de uma comitiva que trazia as cores de Versalhes. O Rei Luís entrou na capela com sua habitual arrogância, os olhos brilhando ao ver o neto.

​— Um herdeiro Tudor com sangue de Bourbon — Luís exclamou, aproximando-se do altar. — A França exige que este menino seja reconhecido também como sucessor das terras de sua mãe. Ele deve ser educado, em parte, sob minha tutela.

​Edward deu um passo à frente, colocando-se como um escudo entre Luís e sua família. O olhar que ele lançou ao sogro não era de embriaguez, mas de uma lucidez letal.

​— O Príncipe de Gales é inglês, Luís. Ele será educado aqui, pela mãe que o criou com honra e pelo pai que o protegerá com a vida. Se você deseja influenciar este menino, faça-o como um avô respeitoso, não como um soberano ganancioso. O tempo em que você usava minha família como peças de xadrez terminou no momento em que Selene atravessou aquele portão.

​Luís recuou, percebendo que o Edward que ele podia manipular havia morrido. A Inglaterra não era mais um reino dividido, mas uma fortaleza unida pelo amor de um rei que finalmente aceitara seu destino.