Razão ou Coração

25 O Julgamento do Sangue Real



​O salão de Whitehall estava em seu ápice. No centro do estrado, o Rei William exibia sua coroa com uma confiança gélida, ladeado pela sua esposa, a Rainha Genevieve, que observava a corte com a altivez de quem nasceu para o trono. Alexander, o herdeiro, permanecia perto de sua noiva, Virginia, enquanto a princesa Camilly tentava manter a compostura diante de tanta opulência.

​O som das portas se abrindo interrompeu a música. Charles e Sabrina entraram.

​Charles vestia a armadura de guerra sob o manto carmesim dos soberanos legítimos. Ao seu lado, Sabrina caminhava com a cabeça erguida, os olhos fixos em William. Atrás deles, o exército de York e os mercenários noruegueses ocuparam as saídas, transformando a festa em um cerco.

​— Charles! Que traição é esta? — William levantou-se, o rosto rubro. — E Sabrina... como ousa vestir as cores da Rainha na presença de Genevieve?

​Sabrina deu um passo à frente e desenrolou o pergaminho amarelado, a prova final que encontrara na biblioteca.

​— A traição começou antes de nascermos, William — a voz de Sabrina ecoou, firme e impiedosa. — Este documento, selado pelo confessor da Rainha Mãe, prova que você não é um Tudor. Você é fruto de um adultério da sua mãe com um capitão da guarda. Charles é o único filho legítimo. Você não é o Rei; você é um invasor de sangue impuro.

​O Colapso de uma Linhagem

​Um murmúrio de horror percorreu os nobres. Genevieve, a esposa de William, empalideceu, olhando para o marido como se ele fosse um estranho. Alexander desembainhou a espada, gritando impropérios, mas foi rapidamente desarmado por um soldado norueguês. Virginia, aterrorizada, recuou para os braços de sua dama de companhia, enquanto Camilly abafava um grito, percebendo que sua vida inteira fora baseada em uma farsa.

​Charles subiu os degraus, ficando frente a frente com o homem que chamara de irmão.

​— Você enviou aquela cortesã para me seduzir — Charles sibilou, a voz carregada de uma fúria sombria. — Você causou a morte do meu filho porque tinha medo de que ele nascesse com o sangue real que você nunca teve. Você tentou destruir a mulher que eu amo para manter uma coroa roubada.

​— Eu sou o Rei! — William rugiu, mas sua voz soou vazia. Ele olhou para Genevieve, buscando apoio, mas ela desviou o olhar, a vergonha de ser casada com um bastardo pesando mais que seu amor por ele.

​— Entregue a coroa, William — ordenou Charles, estendendo a mão. — Pelo tempo em que pensei que éramos do mesmo sangue, eu lhe permitirei o exílio. Mas se você não descer desse trono agora, eu o farei sangrar diante de toda a sua corte.

​O Novo Amanhecer

​William, vendo-se cercado e sem o apoio de seus próprios generais, retirou a coroa com mãos trêmulas. O som do ouro batendo no mármore selou o fim de seu reinado.

​Charles pegou a coroa e, diante de todos, colocou-a na própria cabeça. Em seguida, pegou a coroa de Genevieve — que a entregou sem resistência, reconhecendo a derrota — e colocou-a em Sabrina.

​— Vida longa ao Rei Charles e à Rainha Sabrina! — o grito dos soldados de York ecoou pelo salão, sendo seguido relutantemente, mas de forma unânime, pela nobreza.

​Charles virou-se para a família de William.

— William partirá para o exílio ao amanhecer. Genevieve poderá acompanhá-lo ou retirar-se para um convento. Alexander perderá todos os direitos de sucessão e servirá como soldado nas fronteiras de York. Virginia está livre de seu compromisso.

​Camilly aproximou-se de Sabrina, chorando.

— Sabrina... o que será de mim agora que não sou mais uma princesa de sangue real?

​Sabrina abraçou a amiga com força.

— Você continuará sendo minha irmã de coração, Camilly. O trono mudou de mãos, mas o meu carinho por você permanece.

​Naquela noite, sob a luz da lua de Londres, o Lobo e a sua Rainha finalmente descansaram. A farsa terminara. A dor do bebê perdido ainda cicatrizava, mas agora eles tinham o reino inteiro para reconstruir — e um ao outro para proteger.