Razão e Emoção

4 Capítulo 4 – Conflitos


Notas iniciais
Aqui vai mais um gente! Espero que gostem!

Jane saiu da sala bufando, ela odiava quando o FBI se intrometia nas investigações deles. Só porque eram agentes mais qualificados já chegavam dando ordens e bagunçando tudo? E aquela equipe “super” especial prometida ser ainda pior ao ver da detetive. Olhou para Korsak que tinha um ar entediado:

– Dá pra acreditar? BAU? Sério mesmo que o governo gasta dinheiro com um sub-setor cretino desses?

– Vamos lá, Jane! Dê uma chance ao pessoal, quanto mais a gente colaborar mais rápido eles vão embora e deixam a gente trabalhar em paz, você sabe bem disso...

A morena concordou com a cabeça enquanto via o agente Morgan vindo na direção dos dois. Ele era um cara bem atraente ela se pegou pensando, tinha cara de conquistador, daquele tipo que flerta por diversão, não dava nem 2 horas para estar jogando investidas nela ou Maura. Isso a fez lembrar: e o que foi aquela reação de Maura mais cedo? Ela tinha ficado realmente brava com ela a ponto de sair sozinha e dar pra qualquer um que conheceu no bar? Essa história ainda não havia terminado ela queria saber exatamente o que passou na cabeça da loira pra traí-la dessa forma. Trair? É, trair, afinal ela (Jane) não tinha culpa de não poder sair num único dia da semana, foi um imprevisto, a outra não precisava descarta-la assim dessa maneira e ainda se fazer de desentendida mais tarde! Ouviu Korsak a chamando com algumas anotações já em mãos, balançou a cabeça tentando afastar os últimos pensamentos e foi fazer seu trabalho.

Já no necrotério, Maura mantinha seu olhar baixo, não se sentia confortável de encarar Emily nos olhos ainda, mas para evitar que notassem isso também não olhava nos olhos do outro agente. Apresentou Susie a eles e logo foi retirar o corpo da geladeira com a ajuda da auxiliar. Apesar de ambos agentes possuírem uma cópia do relatório da autópsia perguntavam minuciosamente sobre cada item. Maura gostava disso, ver alguém além dela e sua equipe genuinamente interessados nos detalhes científicos de uma investigação era algo que a deixava empolgada, em pouco tempo tinha desandado a falar em termos que só depois se deu conta que talvez eles não estivessem acompanhando há um bom tempo.

– Perdão, Doutora – disse o agente Rossi após alguns minutos – O que exatamente você quis dizer com: “foram encontradas altas doses de Dextrometorfano, guaifenesina e glicerol em seu organismo”??

– Xarope para tosse. – respondeu Maura no mesmo instante – Ele deve ter ingerido o equivalente a um frasco grande inteiro antes de morrer.

– Certo e porque você não falou dessa maneira antes?

– Como assim? – perguntou a legista visivelmente confusa.

– Assim, simplificada, quero dizer, se quiser falar nesses termos eu chamo o Dr. Reid aqui pra baixo porque eu particularmente não estava entendendo nada... – o agente parecia sem graça, mas se esforçava para falar de uma maneira simpática e não acusatória.

– A detetive Rizzoli costuma pedir para a Dra. Isles falar “em nossa língua” quando ela faz isso! – disse Susie segurando o riso.

Rossi riu baixinho dando um olhar de cumplicidade à analista. Maura ficou com a boca aberta alguns milímetros, achou uma audácia da funcionária dizer aquilo, mas não queria repreendê-la na frente dos “estranhos”. Prentiss notando o desconforto na sala deu um pigarro alto:

– Ok, isso é um dado relevante porque nós vasculhamos a casa toda e nem sinal de xaropes pra tosse, certo, Rossi? Acho que devemos dar uma busca nas lixeiras do entorno?

– Com certeza, e por gentileza Doutora, peça uma análise mais completa do que mais foi encontrado no organismo desse rapaz. O M.O. do nosso suspeito é dopar as vítimas antes de tortura-las e matar, se não achou nenhuma substância estranha pode ser que tenha sido misturada nesse xarope o que significaria uma mudança na forma de aplicar a dose do sedativo.

Maura acenou positivamente com a cabeça. O celular de Rossi tocou e ele logo encarou a parceira:

– Prentiss, te espero lá fora, tenho que atender esta, ok?

Ela ergueu as sobrancelhas e esperou ele se retirar, depois encarou Susie que já estava na porta que dava conexão para o laboratório, a oriental a encarou de volta depois virou de costas mostrando o papel com as anotações que tinha feito dos testes que deveria realizar e sumiu. Só então a morena voltou sua atenção diretamente para a legista mais uma vez:

– Excelente trabalho com o corpo...

Maura hesitou por um instante olhou para todos os lados antes de encarar a morena e responder sem jeito:

– Obrigada. – ambas sorriram de maneira tensa – Desculpe, eu jamais iria imaginar que nos encontraríamos de novo assim... Foi por isso que você não deixou nenhum contato no bilhete?

– Como é?

– Você sabia quem era eu, e que nos veríamos hoje mais tarde, Emily?

A morena deu um meio sorriso e jogando a cabeça para trás respondeu como estivesse se desculpando:

– No bar eu não fazia ideia. Notei que você era médica justamente porque usava esses termos muito técnicos de vez em quando, mas só soube quem era você de verdade quando estávamos na sua casa. – fez uma pausa longa encarando o olhar curioso da legista – Olha, vai parecer bizarro, mas eu sou uma agente treinada, sabe, me acostumei a ser do tipo que desconfia primeiro pra depois acreditar, eu tinha que saber se você não era uma ameaça pra mim...

A médica parecia chocada com os olhos arregalados:

– Espera um instante e como foi que você... Você mexeu nas minhas coisas?? – se segurou para não dar um grito estava realmente abismada com aquilo.

– Não precisei, na hora em que você deixou cair a bolsa do cabideiro eu vi sua credencial aqui da Delegacia. Mas eu ainda não sabia sobre o caso, recebi uma mensagem às 5h da manhã do Hotch dizendo que eles estavam embarcando num jato para cá. Eu estava hospedada num hotel então fui pra lá fazer o cheque-out e pegar minhas coisas antes de ir direto pro endereço que me mandaram com o Rossi. Não expliquei tudo isso no bilhete porque pareceria ainda mais estranho do que falando pessoalmente...

– Concordo! – disse a legista franzindo a testa.

A morena tocou em seu braço dando um sorriso carinhoso:

– Seja como for, estou feliz em te ver de novo.

Maura fitou a mão da outra sobre ela depois levantou os olhos e abriu um sorriso. De repente Rossi colocou a cabeça para dentro do recinto:

– Prentiss, vamos?

A morena deu um aperto suave no braço que ainda segurava e se despediu com o aceno de cabeça da legista rumando em direção à saída.

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Já haviam refeito todos os passos no dia da descoberta do corpo, mas o agente Morgan ainda não parecia satisfeito:

– Qual é, já vimos tudo que tinha pra ver aqui, agente... – resmungava Jane limpando o suor da testa com a manga do blazer – É um beco, sujo, mal iluminado, o corpo foi jogado nessa lixeira e alguém percebeu o mau cheiro porque tá calor pra caralho!

– É exatamente esse o ponto! – interrompeu o agente ajeitando os óculos escuros no rosto e pondo as mãos na cintura – Como vocês mesmos constataram no relatório, o rapaz não foi morto aqui, o corpo foi apenas “jogado fora”. No entanto o calor deve ter acelerado o processo de decomposição, o que torna mais difícil sabermos a hora exata da morte, se foi muito tempo quer dizer que o assassino pode ter dirigido quilômetros até aqui pra despeja-lo, se foi pouco é porque o assassinato ocorreu aqui perto.

– Tá, até ai nenhuma surpresa já havíamos deduzido isso também... – interrompeu Jane nervosa – entrevistamos os moradores do prédio aqui ao lado, mas ninguém viu nada suspeito então tudo indica que não aconteceu aqui perto.

Morgan saiu do beco e caminhou alguns passos para trás, olhou pra cima:

– Talvez tenham entrevistado os moradores do prédio errado...

Jane e Korsak seguiram o olhar do homem e entenderam que havia um prédio abandonado algumas quadras para trás da onde da maior parte das janelas certamente se teria uma visão perfeita daquele beco. O agente já estava ao lado do carro estacionado em que eles foram e apontando a porta do motorista sorriu de maneira convencida para Jane:

– Então, quer fazer as honras e te pago um café no caminho?

Ela revirou os olhos depois olhou para o relógio resmungando para si mesma: “2h seria muito, não deu nem 1h!”.

Algumas horas mais tarde nenhuma das equipes havia retornado ainda, Maura já havia dado “uma dura” em Susie por faze-la passar vergonha na frente dos agentes, supervisionou os exames de laboratório e agora estava se dirigindo à cafeteria, não tinha comido nada desde que acordou além daquele café forte e sua barriga começava a roncar, encontrou a agente loira no elevador:

– Olá, agente Jerau! Como está indo com a família da vítima?

– Bem, na medida do possível... – respondeu a outra com o sorriso simpático – Dra. Isles eu estou realmente com fome, me diga, tem algo comestível na cafeteria daqui ou é como a de toda unidade policial, só tem café?

A outra riu, disse que estava se dirigindo para lá também e elogiou as habilidades culinárias de Angela. Fizeram seus pedidos e se sentaram numa mesa. Comeram conversando sobre o caso 90% do tempo, mas trocaram algumas informações genéricas sobre o tempo, ou as diferenças da cidade em que moravam (Boston e Washington). Num determinado momento ouviram as vozes de seus colegas entrando pelo saguão, as duas equipes deviam ter se encontrado no caminho e pareciam animados. Maura particularmente se surpreendeu ao ver Jane e Prentiss juntas, elas tinham um visual muito parecido, não só tinham a mesma altura e porte físico semelhantes; o cabelo e olhos eram escuros também, além das roupas: ambas trajavam um terninho escuro e reto com uma camiseta simples colorida por dentro e botas curtas. Jane parecia bem a vontade com o grupo de agentes:

– Então eu falei que ia demorar porque a garçonete daquele lugar é uma vadia que implica com o pessoal do precinto, mas o agente Morgan virou e disse: “Deixa comigo, você vai ver se ela não entrega logo nossos cafés” Se aproximou com toda essa posturinha de “Johnny Bravo” e o que ela fez? Mandou ele pro fim da fila que já estava do lado de fora porque ele estava atrapalhando o atendimento!

Prentiss explodiu numa gargalhada seguida por Rossi e Korsak, Morgan apenas franzia os lábios com ar de tédio. JJ olhou impressionada para eles depois para Maura que apenas ergueu as sobrancelhas:

– Faz tempo que não somos tão bem recebidos pela equipe policial numa cidade... – ela confessou baixinho depois vendo o grupo vir até elas – Então, Morgan, seus poderes de sedução estão baixos aqui em Boston é?

O rapaz revirou os olhos depois apontou para o elevador:

– Vou procurar nosso mascote e ver se ele precisa de ajuda com o levantamento de dados lá da Sede!

Rossi logo lhe deu um soco leve no braço e soltou:

– Isso, arranja uma desculpa pra ligar para a Garcia e despeje todo seu potencial nela pra inflar novamente seu ego, vai!

Jane olhou intrigada para eles e Prentiss completou novamente gargalhando:

– Garcia, nossa técnica em informática, os dois sempre trocam flertes desnecessários por pura brincadeira, mas acho que é mais para manter o ego dele como o do “Johnny Bravo” mesmo! Aliás, gostei desse apelido, muito boa a sacada!

Korsak riu depois com uma pasta na mão se dirigiu aos outros:

– Eu vou levar o que temos lá pra cima pra juntar com o restante, ok?

– Vou com você. – disse Rossi – Quero ver a relíquia que você disse que tem do jornal, não é todo dia que encontro alguém que serviu na Guerra do Vietnã exatamente na mesma época que eu e saímos juntos numa reportagem sem saber!

As mulheres acenaram com a cabeça e de repente notaram que estavam somente as 2 loiras e as 2 morenas na cafeteria. Ficaram um tempo encarando uma as outras sem dizer nada, logo Jane levou a mão ao prato de Maura roubando um biscoito e fazendo careta assim que mordeu:

– Argh, que coisa nojenta, o que é isso?

– É um biscoito sem glúten feito de grãos de chia e...

– Maur, fala sério, você pediu pra minha mãe servir isso para os clientes?

– Eu não pedi, apenas sugeri que colocasse no cardápio, aliás tem vários lá em casa de testes que ela fez, guardei junto com seu iogurte, que apesar de não ser desnatado deve dar uma excelente combinação. Bem mais saudável do que aqueles cereais açucarados que você mistura.

– Vocês moram juntas? – perguntou Prentiss intrigada.

– Não! – respondeu Maura no mesmo instante surpreendendo a todas com o tom de urgência – Quer dizer, a mãe de Jane mora na minha casa de hóspedes.

– Eu praticamente moro lá também, pode falar! – disse Jane jogando o biscoito fora.

– Não nos últimos tempos... – respondeu a loira com ar levemente ressentido.

JJ olhou de canto para Emily e logo se levantou da cadeira:

– Bem, eu tenho que voltar ao trabalho, com licença!

Jane estava parada com ar de choque encarando a legista, ela começava a se sentir magoada com essas respostas ríspidas e estranhas desde que se encontraram naquele dia. Emily lançava um olhar analítico entre as duas até que fitou somente Maura um tempo que incomodada também se levantou:

– Eu também preciso voltar ao laboratório, com licença!

As duas morenas acompanharam a imagem da outra indo até o elevador e só depois que ele fechou as portas Emily disse:

– Eu não tenho nada a ver com isso, mas, Rizzoli, me diz uma coisa, você e a Dra. Isles...

A agente não pode terminar sua frase, pois foi interrompida pelo celular de Jane:

– Droga, temos outro corpo! Mesmo estado do anterior, acho melhor chamar sua equipe e vamos logo todos juntos.

A outra acenou com a cabeça já retirando o celular do bolso e ligando para o pessoal.

Notas finais
Até a próxima, bessos!