Razão e Emoção

3 Capítulo 3 – Boston x FBI


Notas iniciais
Aqui gente, todo mundo que tá com raiva da Jane vai aprovar o capítulo! (assim espero) Boa leitura!

POV Maura

Não passava nada em minha cabeça naquele instante a não ser em como aquele beijo estava bom então tratei de correspondê-lo, a senti me pressionando contra a porta, eu agarrei sua nuca continuando o beijo com grande intensidade, num instante em que precisávamos respirar ela se afastou da minha boca, mas continuou passando a mão em minha cintura, aos poucos desceu os lábios para meu pescoço e o chupava ferozmente. Tive um lapso de consciência e a empurrei um pouco para trás. Ela levantou a cabeça e me encarou determinada. Tudo que consegui pensar foi: “Foda-se, eu preciso disso”, abri o botão de seu casaco já retirando-o enquanto a beijava novamente com força, ela sorriu entre meus lábios terminando de tirar a peça depois me agarrando e trazendo para perto de si.

– Meu quarto fica no andar de cima – falei suspirando enquanto ela descia uma das mãos pela minha saia e apertava minha coxa.

– Não se preocupe, não vou deixar você ir sozinha até ele... – ela respondeu de maneira irônica me soltando e fazendo sinal para eu mostrar o caminho.

Subimos as escadas nos atracando entre beijos e apertões, entrei no quarto com ela a minhas costas beijando minha nuca, a ouvi bater a porta enquanto já tirava os sapatos, ela estava com pressa, eu estava com pressa, ambas pareciam que queriam muito naquilo e mais nada importava naquele momento.

Na hora em que ela me empurrou e eu cai deitada na cama confesso que o mundo girou um pouco, eu havia bebido bastante apesar de tudo que estávamos fazendo parecer que aos poucos cortava o efeito, ainda me sentia um pouco “flutuando” e acompanhava os movimentos dela em efeito retardado, quando vi ela já havia aberto minha camisa de seda e puxado completamente a saia. A puxei pelos ombros com força dando um beijo longo e intenso que ela logo correspondeu, depois passei a mão em seu abdômen, tirando a camisa que ela trajava. Ela se ajoelhou sobre mim na cama e começou a abrir o zíper da calça enquanto sorria. Eu sorri de volta, vendo ela totalmente despida fiquei realmente impressionada ela tinha um corpo maravilhoso, era atlético e bem proporcional, ela certamente praticava alguma atividade física bastante completa que envolvia o corpo todo e regularmente, pensei. Ela me viu com o olhar pensativo e provocou:

– Esperava mais ou menos?

– Pra ser sincera eu nem esperava que fôssemos acabar aqui...

Ela riu de novo se deitando sobre mim e chupando novamente meu pescoço enquanto acariciava meus seios. Não levou muito tempo para nos livrarmos das roupas íntimas e entrarmos em contato com a pele uma da outra. Eu estava pegando fogo e ela também, mais que isso, aquela mulher era quente de qualquer jeito, seu olhar era quente, seu toque me arrepiava, não foi nenhum surpresa que ela me levasse ao orgasmo em poucos minutos depois que trabalhou a língua em minha intimidade. Mudamos de posições algumas vezes, ela era bem enérgica e eu estava adorando aquilo, após um orgasmo arrebatador que tive sentada sobre seus dedos incrivelmente hábeis, por sinal, soltei um grito e me joguei sobre ela na cama suando. Ela também suava, ficamos um tempo paradas apenas ofegando. Eu já havia tido experiência com outras mulheres na cama, mas fazia muito tempo, foi na época da faculdade ainda, depois que passei a sair com Jaques para suas festas, mas sem dúvida com nenhuma havia sido tão bom. Pensando bem, demorei para me lembrar do último homem que me havia feito sentir tão bem após o sexo, que por acaso era o Ian e também já fazia pelo menos alguns anos.

Ela se virou um pouco para me encarar, eu a olhei e abri um largo sorriso que ela logo retribuiu depois deu um beijo suave em minha boca, nos ajeitamos melhor na cama e nem reparei quando peguei no sono. Acordei no dia seguinte com meu despertador, tentei localizá-lo sem abrir os olhos, minha cabeça latejava, quando o alcancei desliguei com raiva e pus o travesseiro sobre o rosto. Dormi de novo e só acordei porque senti o ar frio entrando pela janela e tateei minha cama em busca do lençol para puxar quando me reparei totalmente nua, demorei alguns segundos para me lembrar do que havia acontecido na noite anterior. No susto arranquei o travesseiro do rosto e olhei para o lado, não havia ninguém. Olhei para o chão e minhas roupas estavam espalhadas, mas somente as minhas. Levantei-me rápido e logo me arrependi por que a dor na cabeça foi ainda mais torturante, sentei de novo na cama e olhei em direção a porta, estava entreaberta, com esforço me levantei e vesti um robe, depois desci rapidamente as escadas. Não havia ninguém na casa além de mim, olhei em volta e suspirei fundo, ia subir novamente para tomar banho quando reparei um papel em cima da minha mesa de xadrez, me aproximei e o retirei de debaixo das peças lendo o que estava escrito: “Você não chegou a mencionar que jogava xadrez. Mais uma coisa que temos em comum, então. Devíamos marcar uma partida qualquer hora! Desculpe por ir embora sem me despedir, mas tinha que trabalhar e não queria acordar você. Obrigada por tornar minha noite muito melhor do que o dia que tive ontem! Beijos, Emily”.

Sorri, mas logo após franzi a testa, como marcaríamos de nos ver novamente se ela não havia deixado nem ao menos algum número de telefone? Eu havia dado o meu para ela, será? Não, não me lembro de ter feito isso. E no que essa mulher trabalhava afinal, se meu despertador toca às 6h da manhã isso quer dizer que ela saiu mais cedo que este horário, de madrugada... Bom, eu tinha o nome e sobrenome dela, não custava nada pesquisar no Google depois não é mesmo? Olhei no relógio da parede notando que já não eram 6h há muito tempo e eu estava muito atrasada! Fui correndo tomar meu banho e ir para a Central.

Cheguei ainda arrumando a blusa e fui diretamente à cantina pegar um café. Angela me viu e logo veio ao meu encontro:

– Olá querida, chegou só agora?

– Pois é, dormi demais... – respondi tentando parecer não me importar com a pergunta – Veja um café forte pra mim hoje, Angela?

– Nada de grãos maturados ou leite desnatado? – ela perguntou franzindo a testa.

– Não, hoje, não...

Ela se afastou indo para trás do balcão, logo ouvi a voz de Korsak no saguão:

– Aqui, achei ela! – ele me olhava e gesticulava para Jane – Estávamos te procurando, Doutora, o tenente Cavanaugh convocou uma reunião e solicitou você também lá.

Jane me encarou de cima a baixo depois se virou para Korsak:

– Ei, pega um café ai pra gente, parceiro!

Assim que ele se retirou ela se aproximou de mim com um sorriso debochado no rosto:

– A noite foi boa ontem, hein, Doutora?

Senti meu rosto ficar quente, certamente havia corado na hora e me apressei em responder:

– Não sei o que quer dizer com isso, Jane...

– Eu não estou dizendo nada, quem está é essa marca de chupão ai no seu pescoço, Maur! – ela passou a mão no lugar que havia uma mancha enquanto erguia as sobrancelhas – Então, o que eu perdi ontem?

– Fui no bar novo perto de casa. – me limitei a responder e a vi fazer cara de surpresa.

– Really? Quer dizer, foi assim, sozinha?

– Qual o problema?

– Nenhum, é que, sei lá, geralmente a gente vai juntas nesses lugares né? – ela parecia incomodada com a minha atitude, não entendi muito bem o porquê.

– Você não tem tido muito tempo ultimamente para fazermos esse tipo de programa, Jane. – ela abriu a boca para retrucar algo, mas logo Korsak apareceu com o meu café e o deles. – Vamos? O tenente deve estar nos esperando.

Pegamos o elevador e durante todo o trajeto vi Jane me encarar perplexa, ela queria me dizer algo, mas aparentemente ainda não havia conseguido formular exatamente o que. Eu joguei meus cabelos para frente disfarçando o local na marca e tomei um longo gole do café. Era realmente forte e acho que o que eu precisava pra curar aquela ressaca maldita no momento.

Encontramos Frost no corredor que disse que nos mandaram ir para a sala de reuniões, entranhei, afinal aquela sala era grande e raramente usada para assuntos internos. Nos dirigimos até ela e pela porta aberta pude ver o tenente Cavanaugh conversando com um homem alto e carrancudo de terno escuro, ao lado dele havia uma mulher loira de cabelos compridos e um homem negro, musculoso e muito atraente falando entre si. No canto da sala havia um rapaz bem magro com os cabelos bagunçados e um colete que eu considerava no mínimo brega fazendo anotações num mapa.

Todos olharam para nós quando entramos. O tenente então se pronunciou:

– Aqui, agente, esta é a minha equipe responsável pelo caso que estamos falando! – apontou de um a um – Este é o Sargento Korsak, Detetive Frost, Detetive Rizzoli e esta é a Dra. Isles, a médica legista chefe.

O homem fez um aceno de cabeça para cada um de nós depois foi apontando para a própria equipe:

– Olá, eu sou o agente especial Hotchner, está é a agente Jerau, o agente Morgan e aquele ali com o mapa é o Dr. Reid. Ainda temos mais dois agentes que estão em campo, devem chegar daqui a pouco. – esperou todos se sentarem antes de continuar – Somos da BAU a unidade de análise comportamental do FBI estamos atrás de um serial killer que tudo indica ser o mesmo autor do homicídio que vocês vem investigando.

– Doutor? – soltou Korsak meio surpreso, o rapaz parecia realmente novo.

– Adotamos um gênio como mascote uns anos atrás. – respondeu a agente loira em tom brincalhão que Korsak logo retribuiu com um sorriso simpático.

– Nossa legista, também é analista comportamental, não vejo necessidade de vocês estarem aqui logo de cara. – se pronunciou Jane de maneira defensiva – Poderíamos muito bem ter feito a pesquisa se se trata do mesmo cara e contatado vocês em caso positivo.

– Não estamos aqui para julgar o trabalho de vocês, muito menos atrapalhar, ok? – disse o agente musculoso em tom calmo olhando Jane nos olhos, ele era um típico macho alfa, e nada tirava mais Jane do sério do que esse tipo de homem querendo ser superior, logo ele se mostrava numa postura de igualdade a ela, realmente eles eram muito bem treinados no que faziam, de cara já haviam entendido como falar com cada um de nós.

O agente Hotchner então começou a explicar sobre o caso, traçou toda cronologia dos crimes enquanto expunha do que mais precisava para que juntos pudéssemos ter o perfil do assassino, localiza-lo e prendê-lo. Nessa altura alguém bateu à porta e ouvi outra voz masculina se pronunciar:

– Com licença, desculpem o atraso.

Um homem mais ou menos da idade do agente Hotchner entrou na sala, porém mais baixo e de cavanhaque, seguido por outra pessoa que não reparei, pois virei o rosto olhando o mapa que o Dr. Reid ainda detalhava para todos. Ouvi então o chefe deles anunciar:

– Senhores, este é o agente Rossi e a agente Prentiss, eles estavam na casa da última vítima recolhendo informações. Aliás, o que acharam por lá?

Engasguei com meu café ao ouvir o segundo nome, levantei os olhos incrédula e me deparei com a morena que algumas horas atrás me fazia gritar na minha cama, tossi discretamente tentando evitar maior contato visual com ela, ato que certamente não passou desapercebido por sua equipe. Olhei com o canto do olho para Jane para ver se ela também havia reparado em minha pequena atitude, mas ela estava numa postura muito séria e intrigada ouvindo o que o agente Rossi dizia, quando olhou para mim pareceu confusa e li no seu olhar que me perguntava se estava tudo bem. Acenei com a cabeça e voltei minha atenção ao agente, ela me imitou e assim continuamos a reunião.

Os agentes ainda pontuavam tudo que precisava ser feito quando me perdi em pensamentos. Estava apreensiva de ter que lidar com Emily de maneira 100% profissional. Não que não quisesse falar com ela de novo, muito pelo contrário, apenas não queria que nosso primeiro contato após...bem...após a noite passada fosse dessa maneira, aquilo seria realmente constrangedor. Divaguei ainda mais: espera, aquele corpão todo estava explicado, afinal ela era uma agente federal, devia ser treinada nos mais variados tipos de luta, etc, mas ela também era uma analista comportamental o que quer dizer que talvez eu realmente não tenha dito que era médica na noite passada e ela deduziu? Pior: ela não deixou nenhum contato no bilhete porque sabia que nos encontraríamos de novo em breve? O que mais ela já saberia sobre mim? Eu começava a ficar com um pouco de medo daquela mulher...

– Então, vamos lá, — ouvi o agente Hotchner dizer me tirando do transe que estava – Morgan, você vai com Jane e Korsak até o local do crime analisarem novamente a cena; Frost, você leva o Dr. Reid até os arquivos e envia os dados para nossa especialista em informática Garcia que está lá na sede do FBI para que possam analisar juntos tudo que temos até agora; JJ (pelo visto era o apelido da agente Jerau) vai fazer contato com a família da vítima e entrevista-la comparando com os relatos anteriores que temos, Prentiss você auxilia ela; Rossi acompanhe a Dra. Isles até o necrotério para analisar o corpo e depois voltem ao apartamento se for preciso. Eu e o tenente Cavanaugh entraremos em contato com as autoridades dos outros estados e a imprensa.

Todos já estávamos de pé prontos para sair em direção a onde foram designados quando ouvi a voz de Emily:

– Hotch? – achei engraçado ela se dirigir ao chefe com um diminutivo do nome, mas isso devia ser comum entre eles – Se a JJ não se importar acho melhor eu acompanhar o Rossi e a Dra. Isles no exame do corpo, já que começamos a traçar juntos o perfil da vítima já pela casa dele, eu serei mais útil lá.

O agente olhou rapidamente para a loira que deu os ombros, ele então acenou um positivo com a cabeça e fez sinal para todos nos retirarmos da sala. Sai no meio da minha equipe, mas não sem antes ouvir os agentes falando baixo entre eles:

– Huumm, está me dispensando, Emily?

– Xiii JJ, perdeu seu posto! Acho que alguém mal chegou e já se deu bem na cidade... – dizia o agente Morgan de maneira debochada.

– Cala a boca vocês dois! – respondeu Emily tentando parecer brava, mas rindo junto com os colegas.

É, tudo me indicava que essa investigação prometia ser no mínimo interessante...

Notas finais
E ai, tão gostando? Beijoooss e até a próxima!!!