Razão

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa fanfic também se encontra no fanfiction.net. Estou compartilhando com vocês a origem da violência contida na personagem Paul Lahote de acordo com a minha visão. O Paul é o meu queridinho e em nenhum dos livros há uma descrição detalhada do passado dele. Essa one-shot é baseada em informações vagas sobre a vida difícil de Paul Lahote. Disclaimer/Aviso: A obra na qual essa história se baseia não me pertence. Graças à Deus. Se pertencesse, pode crer, ia ser louco. Boa leitura :)

Quando se tem oito anos de idade, é difícil entender porque seus pais estão indo morar separadamente e em lugares diferentes. Eles são casados, Vovó. Quando se é casado, você mora na mesma casa que a outra pessoa, não mora?

É difícil entender o motivo pelo qual seus pais gritam um com o outro toda hora — quando você ama alguém, você deve falar no tom de voz normal com a pessoa… Não é, Vovó?

Quando se tem oito anos, porém, não é difícil entender que o assunto da última briga dos seus pais é você. Eu sei Vovó, nenhum deles me quer. Eu entendo.

1998

A primeira vez em que o jovem policial Charlie Swan foi convocado por conta do menino Lahote aconteceu em 24 de Dezembro de 1998. Paul tinha oito anos, havia acabado de se mudar para La Push e ele mesmo havia ligado para delegacia de Forks.

Enquanto Charlie, no auge de seus 34 anos, marchava para a porta da pequena residência dos Lahote, as palavras do garotinho se repetiam em loop nos seus ouvidos.

Eu sei que talvez não seja o seu trabalho, Chefe, porque o senhor é da polícia de Forks e eu moro em La Push... mas a questão é que eu estou com medo do Papai. Ele bebeu duas garrafas de vinho e quebrou uma em mim. O senhor poderia vir aqui? Não quero que ele se machuque no vidro quebrado que tem no chão, mas estou com medo demais para sair debaixo da minha cama para ajudá-lo.

Com a arma na mão e mais dois policiais atrás dele, Charlie bateu na porta algumas vezes. "Polícia de Forks, procuramos o Senhor Lahote" anunciou em voz alta, ouvindo atentamente por algum sinal. "Senhor Lahote?" chamou novamente, odiando o código de conduta da polícia que fazia com que ele demorasse tanto para entrar na casa.

Dois segundos mais tarde, Oficial Swan estava dentro do pequena sala da casa, sem ter feito um esforço maior do que girar a maçaneta da porta destrancada. A casa era espaçadamente mobiliada, assim como todas as outras da reserva. Os poucos móveis que ali estavam eram obviamente de segunda mão, com sinais de uso.

A sala possuía um tapete bege e peludo no meio, com uma mesa de madeira rústica de centro próxima a um sofá de três lugares e uma poltrona. Sem televisão. Sem quadros. Sem plantas. Com uma janela sem cortinas na parede lateral, dando visão para a orla da floresta.

Charlie não precisou procurar muito pelo Sr. Lahote. O mesmo jazia estirado no chão, atrás do sofá, roncando profundamente com uma garrafa pela metade na mão. O medo do menino Lahote havia acontecido: o pé ensanguentado do pai permanecia encostado no forro do sofá, criando uma mancha mais escura do que o verde musgo do sofá. Ele obviamente havia pisado nos cacos de vidro espalhados no chão centímetros antes do tapete, antes de cair no chão.

Os outros dois oficiais que acompanhavam Charlie seguiram em direção ao homem.

Sentindo-se enjoado com a cena, Charlie virou-se para procurar o pequeno garoto Lahote, o qual — ele não havia esquecido — tinha sido atacado pelo próprio pai com uma garrafa vazia. Não foi difícil encontrá-lo. Ele estava escondido debaixo de sua cama, como havia informado durante a sua ligação, e quando Charlie estendeu sua mão para que ele saísse de seu esconderijo, percebeu que o menino tremia.

"Você deve ser Paul Lahote" Charlie murmurou para ele, um sorriso gentil no rosto enquanto secava as lágrimas de Paul com as costas das mãos.

"O papai vai ficar bem, Oficial Swan?" perguntou baixinho, quase como se pensasse que falar alto fosse acarretar em uma punição.

Mesmo estando de frente para ele, Charlie conseguia ver manchas de sangue nos ombros da camiseta branca do garoto. Raiva borbulhou no coração do Oficial. O que aquele garotinho não deveria ter passado nas mãos repugnantes do pai… Pensando em sua menininha de sete anos e em como ficara assustada quando vira o brilho de ódio nos olhos do pai quando ele, furioso, abrira a boca para impedir Renée de levá-la, tomou uma respiração profunda e assentiu levemente. Com certeza o Lahote ficaria bem. Bem e impune.

"Vou te levar para o hospital, depois, nós vamos conversar e você vai me contar tudo, rapazinho" disse para ele antes de pegar o menino no colo, sendo cuidadoso com as costas do mesmo.

Alguns anos depois, o Oficial Swan — dois anos depois daquele dia, Chefe de Polícia Swan — descobriria que os eventos daquele dia tinham deixado uma marca no garotinho. O chefe seria chamado por conta de Paul mais doze vezes: atentado ao pudor, brigas e comportamento inadequado.

Como os cacos de vidro no chão da sala dos Lahote, a inocência de Paul havia se estilhaçado, dando lugar à um sentimento de raiva, uma chama que queimaria durante dez anos, sempre aumentando, culminando na literal explosão do garoto aos dezesseis anos, na forma do espírito guerreiro.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!