Ray
30 Dia louco em San Francisco
Notas iniciais
Por Carol
Já tinham se passado 5 dias desde que chegamos em San Francisco e nós não fizemos absolutamente PORRA NENHUMA!
As meninas estavam muito desanimadas. Lissa só comia e dormia, Lena vivia soluçando de cara inchada porque terminou o namoro. Anna, bom, encontrei ela chorando várias vezes por causa de Beto, outrora, por Edu. Bom, e eu, eu falava todas as noites com Théo e contava as minhas aventuras de estar em plena Califórnia apenas comendo, dormindo e vendo o mar.
As únicas vezes que saímos foram para fazer supermercado e passear de bicicleta. Antes de viajarmos, comprei uma casa flutuante e uma lancha para nos divertimos, mas esse bando de puta não quer nada. Eu cansei!!!
─ Gente? ─ todas olharam para mim ─ Já faz tempo que organizamos essa viagem para nos divertimos, mas vocês ficam parece um bando de autistas, chorando, comendo, chorando, dormindo. Isso não é novela não! Quero que cada uma de vocês procurem banheiro, tomem banho, se arrumem e vamos sair, andar de bicicleta e depois baladinha. NOVOS ARES GAROTAS!!
Elas se entreolharam com cara de que uma louca acabara de falar com elas.
─ Sim pessoal? ─ digo de braços cruzados.
─ Tá bom, vou tomar banho ─ disse Lena balançando a mão no ar.
─ Vocês duas também, vamos! Tem 4 banheiros nessa casa.
─ Tá bom, mãe. Vou tomar meu banho também. ─ disse Anna. Melissa foi junto esfregando os olhos e bocejando.
Fui para meu quarto, me despi e entrei no banheiro. Não me contive e lembrei de Théo, a saudade veio à tona. Não deveria ter o deixado lá em Nova York enquanto Angelic vagueia procurando foder com a minha vida e principalmente, a da Anna. Comecei a soluçar e chorar. Não quero perder Théo. Me assustei com Anna adentrando meu quarto.
─ Carol? Me empresta aquele seu batom matte?
Tentei falar da melhor forma possível pra ela não perceber que eu estava chorando.
─ Claro, tá dentro da primeira gaveta no criado-mudo.
─ Achei, obrigada.
Ela se retirou e eu desliguei a ducha, me enrolei em um roupão e fui escolher o que vestir. Depois de 20 minutos eu estava pronta (1).
─ Estão prontas? ─ perguntei com um sorriso nos lábios.
─ Mas é claro! ─ disse Anna (2) e Lena (3) ao mesmo tempo, depois se olharam e riram.
─ Vamos logo que eu quero conhecer os garotos californianos. Dizem que são ótimos e quentes na cama ─ disse Lissa (4) sussurrando o final.
─ Hahahaha okay, vamos!
***
Alugamos 4 bicicletas todas sabiam andar, menos a Anna
─ Bora Anna, monta na bicicletinha ─ disse Lissa com um sorriso malicioso. Essa menina só pensa merda.
─ Ela tá de calça e de bicicletinha, uma mão vai no guidom e outra tapando a perseguida ─ Lena e eu cantamos e depois ela levantou uma mão e eu bati na mesma.
─ Gente, é sério. Eu só andei de bicicleta uma vez na vida. Quando eu era pequena! A bicicleta tinha rodinhas, mas eu caí do mesmo jeito.
As meninas e eu caímos na gargalhada, Anna fez cara brava, revirou os olhos e mostrou língua.
─ Vamos Anna, sobe nessa porra. Você não tem medo de subir em outras coisas que eu sei. ─ eu disse e as meninas fizeram “hmmmm” e sorriram maliciosas.
─ Vão se foder! ─ ela disse por final e logo em seguida subiu na bicicleta, meio desajeitada e passou em nossa frente, depois virou para trás e gritou ─ CHUPA SEU BANDO DE VADIAS MAGRICELAS!!!
Todas gargalhamos enquanto ela se vangloriava à nossa frente. Fiquei bem atrás de todas, queria ficar perto das minhas amigas, me divertir com elas e sorrir, mas esse não era o momento. Théo não sai da minha cabeça, é como se eu tivesse feito algo errado, talvez seja verdade, ter deixado ele em Nova York. Não consigo suprir a falta que ele me faz, foi tudo muito rápido, a nossa volta e aquela noite. Muito rápido, mas, perfeito.
Me desliguei um pouco quando Anna começou a gritar e as meninas também. Estávamos descendo a Lombard Street e Anna grita tão alto que quase todas as pessoas das ruas pararam para nos ver.
─ COMO EU PARO ESSA COISA? ─ disse ela gritando loucamente enquanto as meninas e eu ríamos ─ SUAS FILHAS DA PUTA, DEIXA EU APRENDER A ...
Ela nem terminou de falar e se estabacou no chão. Nós continuávamos a rir enquanto ela tentava se levantar.
─ Seu bando de caralhos, ME AJUDEM AQUI!
─ Égua, tu és louca mesmo ─ disse Lena descendo da bicicleta.
─ Me dá a sua mão. ME AJUDA AQUI LISSA!! Essa menina engordou nesses 5 dias, ou pode ser o peso de seus ossos. ─ todas rimos, inclusive Anna.
─ Vocês estão me devendo um sorvete! ─ disse Anna.
─ Por isso que é gorda ─ eu disse.
***
Depois todas passeamos por Fisherman’s Wharf, Ferry Building e Pier 39. A Anna continuou caindo, Lissa vivia mexendo discaradamente com todos os garotos que passavam ao seu lado, essa garota tá á perigo. E Lena vivia tagarelando. Decidi ir até a Sea Cliff e ficar um pouco por lá. Sentei de frente para a mesma e fiquei apreciando o pôr-do-sol. Fechei os olhos e senti a brisa leve tocar em meu rosto.
─ Já deixo você me contar o que está acontecendo ─ Anna sentou-se ao meu lado e estava passando remédio em seu joelho todo ralado e suas mãos raladas. Estava toda fodida!
─ Cadê as meninas? O que você tá fazendo aqui? ─ virei para ela e arqueei uma sobrancelha.
─ As meninas estão fazendo competição de sorvete ─ com a cabeça. Apontou o local sem tirar os olhos dos machucados.
Todas cheias de sorvete na cara.
─ TÁ GELADO PRA CARALHO!!! ─ Lissa gritava.
─ Eu tô aqui faz tempo, ─ ela colocou por final o band-aid no seu joelho ─ agora me conta.
─ Ai Anna, ─ comecei a lagrimar, puta que pariu ─ eu tô sentindo falta dos meus pais e do Théo principalmente, eu sinto que vai acontecer algo errado. Ele ficou sozinho lá e a qualquer momento a Angelic pode... atacar ele. ─ apertei os olhos e olhei para o céu.
─ Estamos em SAN FRANCISCO!!! E tu está em depressão?? VAI SE FODER ─ Anna olha para mim já puta da vida.
─ Mas é uma situação delicada, Anna ─ eu disse calmamente, diferente dela.
─ Sou tua melhor amiga, caralho! Me conta. ─ ela já estava vermelha de raiva.
─ EU TRANSEI COM O THÉO, pronto! ─ gritei e coloquei as mãos entre o rosto.
─ ZEUS DO RAIO!!! ─ eu coloquei as mãos na boca e Anna fez o mesmo ─ Você fez o que?
─ Eu transei com o Théo antes de viajarmos. ─ olhei em seus olhos e depois abaixei a cabeça.
Anna abriu a boca mas nada saiu.
─ Okay, detalhes! ─ ordenou.
─ Depois que deixei você em casa naquele dia que nos reunimos na casa da Helena e eu disse que ele dormiu comigo, fui para casa e eu não sabia que Théo estava lá. Minha casa estava escura e no salão de jantar tinha uma mesa posta para dois e ...
Contei todos (nem todos) os detalhes para Anna.
─ Então a pepeca coçou e você deu?
Comecei a gargalhar.
─ Égua Anna, você não presta nem pra ser mulher uma vez na vida.
─ Aprendi com a melhor ─ sorriu ─ tá, serei boa até ─ ela olha no relógio ─ as seis! Então conte-me rápido.
─ Mas eu já te contei tudo, sua insensível! ─ olhei-a com cara de desprezo.
─ Oh ─ ela olhou para a Golden Gate ─ foi bom?
─ ANNA! ─ eu ri e ela também
─ Desculpa, eu não sei o que dizer quando a minha melhor amiga transa pela primeira vez. É ─ ela sorri maldosa ─ parabéns, toma aqui uma camisinha.
Eu gargalhei tanto que tive que deitar na areia.
─ Você é uma tremenda de uma idiota filha de uma puta terrível. Quando você começar sua vida sexual eu não vou te perdoar. Vadia!
─ Eu sei que não vai─ ela mostra a língua ─ por isso estou começando minha vingança agora enquanto sou pura. ─ Anna levantou ─ Sua vida sexual está ativa! PRECISAMOS COMEMORAR A SUA 1ª TRANSA! ─ ela gritou chamando a atenção de algumas pessoas.
Puxei-a para baixo de novo e dei um tapão em sua cabeça.
─ Tá doida caralho? Pelo amor de Afrodite, vou te matar sua doida.
─ Ai, ─ ela colocou a mão na cabeça ─ to falando sério, você mesma disse que temos que nos divertir aqui. Então vamos hoje a noite?
─ Vamos onde? No bordel?
─ Vadia! Existe uma coisa chamada balada.
─ Poxa, eu ainda sou do tempo da discoteca ─ fiz uma cara incrédula/sarcástica e rolei os olhos.
─ Vai pro inferno ─ ela se levantou ─ vamos pra casa nos arrumar. Hoje eu to solteira e ninguém vai me segurar.
Gargalhei de novo e me levantei
─ Mãos para o alto novinha, mãos para o alto novinha ─ cantarolei e Anna e eu fizemos a coreografia. Uma família passou pelo nosso lado nos olhando de cara feia.
─ Opa! ─ Anna deu uma risadinha e corou.
Fomos procurar as meninas e vejo uma das cenas mais engraçadas da minha vida. Lena estava estirada em uma das cadeiras da sorveteria com a camisa levantada até embaixo do peito mostrando o pequeno bucho de lagarto que lá se formou, enquanto, Lissa estava com a boca toda suja e deitada na mesa. Acho que tinha droga nessa porra, só pode.
─ Hey drogada? ─ Anna foi em direção a elas ─ Vão se limpar que temos uma festa para ir.
─ Eba ─ disse Lissa ─ só vou pegar as minhas caixas de sorvete que eu ganhei. ─ Lena mostrou língua para a menina.
─ Vamos rápido com isso então. ─ ordenei.
Lena nem se moveu, ficou gemendo.
─ BORA SUA BALOFA! ─ gritei puxando-a para meu lado e abaixei a sua blusa ─ Queres dar é?
***
Estávamos fazendo os últimos preparativos para procurar alguma festa em San Francisco.
─ MANO, CADÊ O BABYLISS?? ─ gritava Lissa de um lado.
─ Meu DEEEEEEEUS, minha pele tá horrível ─ Lena do outro.
─ Quero um chiclete ─ Anna
─ Vocês ainda não estão prontas? Vai dar 22h45, se arrumem logo.
Depois de 15 minutos todas já estavam prontas.
─ Acho que vamos ter que ir de lancha ─ eu disse (5) com um sorriso torto.
─ Você sabe dirigir? ─ Lena (6) meio desconfiada.
─ Se ela não souber, eu sei ─ Anna (7) disse gargalhando logo em seguida.
─ Owwww, tu não sabe nem andar de bicicleta porra. Pilotar uma lancha então vai ser que nem por um burro pra controlar a NASA. ─ disse Lissa (8).
Todas gargalhamos.
─ Vamos logo que já devemos estar perdendo muita coisa.
Assim fomos, encontramos uma festa super badalada e invadimos.
Estava tocando Your Love, claro que nós rebolamos até o chão. Bebemos muito, Anna ficou porre. É tão bom curtir essas férias com as minhas melhores amigas.
***
Por Anna
Eu acho que exagerei na bebida, mas como disse, é pra comemorar com as minhas amigas. Tomar um porre não seria ruim. Fui ao banheiro vomitar e na volta fui ao bar.
─ GARÇOM? EI SEU GATO, me dá um pinã!
─ Moça, acho que você já bebeu demais.
─ ORA VÁ A MERDA, ME DÁ A PINÃ QUE EU TO PAGANDO. Ah, um beijinho também não cairia mal. ─ dei uma piscadela.
Ele sorriu.
─ Não posso moça, sou casado. Tome a sua pinã e pode deixar pela conta da casa.
─ Nossa, obrigada. Se for assim, sempre vou pedir beijo quando eu for comprar bebidas.
Ele riu e eu me levantei para procurar as meninas. Mas um menino cruza o meu caminho e eu derrubo sem querer um pouco da minha bebida.
─ OWWW IDIOTA, VÊ POR ONDE ANDA. TENHO CARA DE CHÃO POR ACASO? ─ eu disse.
─ Desculpa, sério mesmo! Acho que, que você não tá bem.
Olhei para o garoto loiro com olhos castanhos e rosto bem másculo, não sei se era coisa da minha cabeça, mas ele era muito gato.
─ OLHA AQUI, quem é você para dizer que eu não to bem hein?
O garoto ia me responder, mas senti uma mão me puxar pelo braço.
─ Vamos Anna ─ era Carol ─ Desculpe por ela, ela tem uma doença mental gravíssima e temos que ficar perto dela.
─ Hahahaha, tudo bem, eu entendo. Tchau.
As luzes foram mudando e só me lembro de ter entrado em um carro e depois tudo apagou.
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