Ray
34 Bonde das idiotas cheiradoras de pó de flúor
Notas iniciais
Por Carol
─ Carol? Tu tá louca, puta que pariu. Quase tu mata a Angelic... bem, ia ser bom, mas tu ia pra cadeia sua vadia. Não pensaste nas consequências? ─ Anna estava sentada na minha frente com os olhos arregalados.
Estávamos na casa da Lissa, nunca tínhamos ido lá. Era pequena, muito macacada, porém, limpa e cheirava a lavanda. Nem sei como fui parar lá.
─ Carol, garota, tu só pode comer merda. Égua! – Lena disse batendo o pé no chão e passando a mão freneticamente no cabelo
─ Doida? Ela destrói a minha vida, diz que tá grávida do meu namorado e a louca é eu? Puta merda. ─ eu disse enquanto mordia o lábio.
─ Ah... vou sentir falta de tudo isso! ─ Lena fala observando o local com olhos tristes.
─ O que tá havendo aqui? ─ Anna chega com 2 potes de sorvete, um de creme e outro de morango. Essa menina é movida a katchup, farofa de ovo, macarrão com salsicha, sorvete e morango.
Ela senta na mesa (em cima da mesa) e toma os dois sorvetes. Anna é doida!
─ Estamos indo embora, pronto, falei. ─ disse Lena.
─ Embora? “Nós”, embora quem? Nós quem? ─ Anna falou desesperada.
─ Ganhei uma bolsa de estudos para o Canadá. Você sabe que meu sonho é ser bióloga marinha e lá é o lugar onde sempre sonhei em morar! ─ Lissa disse finalmente.
─ Eu vou para a França... ─ fala Lena. Mas Anna a interrompe.
─ Vocês vão me abandonar aqui caralho? ─ Anna pergunta desesperada olhando para nós três com a boca toda suja. Lissa abraça a menina.
─ Theo e eu, vamos embora. ─ Lena terminou de falar. Meu coração simplesmente apertou nessa hora.
─ Eu preciso ir embora ─ tirei a compressa de gelo do meu ombro.
─ Onde você pensa que vai? ─ diz Anna de cara amarrada.
─ Vou atrás de Theodore ─ eu disse pegando a minha bolsa e vendo que horas eram.
─ Acho melhor vo... ─ Lena ia dizer algo, mas Anna a interrompe.
─ VOCÊ O QUE? Volta aqui Carolina!!
Era tarde demais. Liguei o carro e coloquei Jimi Hendrix. Eu costumava ficar horas cantando JH com Theo, mas hoje não era dia.
***
Toquei a campainha 3 vezes e Theo atendeu na última. Me deparo com ele todo mal acabado, arranhado, roxo, cheio de curativos, mordidas e um belo chupão em seu pescoço que assim que ele me viu tentou tapar. Entrei com tudo.
─ Porque você não me avisou nada que iria voltar para a França? Eu sou sua namorada Theodore. Eu deveria saber disso. ─ eu vomito as palavras.
─ Calma amor, não neura. Senta e vamos conversar. ─ ele fala, suando.
─ Eu não quero conversar Theo, tô muito bem em pé. Só exijo isso de você.
─ Eu ia te contar...
─ QUANDO? EU PASSEI AS FÉRIAS LIGANDO PRA VOCÊ E VOCÊ NÃO ATENDIA, EU ESTAVA PREOCUPADA.
─ CAROL, AMOR, MEU CELULAR QUEBROU!
─ E O QUE EU TO VENDO EM CIMA DAQUELA MESINHA? É ALUCINAÇÃO? ─ fui até onde o celular dele estava, peguei-o e joguei no chão ─ AGORA QUEBROU.
─ PORQUE VOCÊ FEZ ISSO?
─ Porque você é um tremendo vadio, mentiroso. Você me usou e transou com outra pelas minhas costas. Se você gosta de prostituta, vai lá com a Angelic. Ela quer você. Inclusive, tá esperando um Theozinho... ou não mais. ─ gargalhei alto — Tá vendo essa garota aqui? ─ bati no meu peito ─ Não vai mais servir de trouxa pra você. Não vai ser SUA PUTA. Acabou Theo. Prefiro voltar pra onde os meus pais moram do que sofrer eternamente com esse peso. Acabou Theo.
Ele me puxa pelo braço e eu dou um tapa em seu rosto.
─ NÃO TOQUE EM MIM NUNCA MAIS! ─ digo e saio batendo a porta com força.
Vou para o carro e sigo de volta para casa, talvez eu vá logo com a minha mãe. Não choro pois sei que como minha mãe disse, será melhor para mim, voltar para onde nasci. O ruim é que vou ficar longe de minhas amigas e o meu coração aperta ao lembrar de que Anna vai ficar sozinha aqui nessa solitária Nova York. Sua avó nunca deixaria ela ir comigo.
Chego em casa e minha mãe está lendo algo sentada, tento passar direto mas...
─ Filha, senta aqui.
─ Eu não quero conversar com você, vou arrumar minhas malas.
─ Calma, daqui a pouco eu vou embora e você vai poder fazer isso em paz.
Depois de um tempo, decidi sentar em uma poltrona perto da dela.
─ O que foi? ─ perguntei.
─ Eu sei que fui uma péssima mãe, que não lhe dei o carinho essencial, que nunca fui presente como seu pai foi. Mas eu tinha outra coisa a fazer, tive que voltar para a Inglaterra para cuidar de outras coisas. Coisas para o seu futuro também. Eu sei que você nunca vai me perdoar por esse abandono e por esses 17 anos que a deixei. Saiba disso. Tudo o que fiz até hoje por você foi por amor. Eu queria ser uma mãe mais presente, mas houve um grande desastre na minha vida e deu no que deu. Me desculpe Carolina, não quero ficar com esse peso.
Eu ia responder, mas um carro chegou.
─ Desculpa, já estou indo embora. Eu espero você em Londres.
Ela veio de braços abertos para mim e me envolveu nos mesmos.
─ Eu amo você, Carolina.
E depois foi embora.
─ Mas.. que... MERDA!
Vasculhei meu celular na bolsa e liguei para Anna, ela não atendia. Depois Lena, não atendia. Por fim, Lissa, QUE TAMBÉM NÃO ATENDIA! MAS QUE PORRA QUE NINGUÉM NÃO ME ATENDE!!
Subi e fui guardar minhas coisas, lógico, escutando música (sempre). Porém, a campainha tocou. Desci e fui atender.
─ SURPRESA BISCAAATE!! ─ as três idiotas do bonde das idiotas cheradoras de pó de flúor estavam na minha porta.
Anna estava com um short escrito “Twerk”, Lissa carregava um bolo com um 23 enorme em cima e Lena ficava pulando de um lado para o outro.
─ O que vocês estão fazendo aqui? ─ eu disse em meio a uma risada.
─ Viemos lembrar os velhos tempos, sabe? Que sentávamos e conversávamos ─ disse Lissa.
─ E você chorando porque seu namorado ficava sem falar contigo um dia- Anna disse. E Lissa mandou um olhar ameaçador.
─ Pois é, vamos animar isso aqui ─ disse Lena ligando o som e colocando Timber ─ Madeira porque eu quero que você encontre muitas “madeiras” londrinas.
Todas gargalhamos.
─ Tu não vale nem o que o gato enterra, Lena. Eu hein!
Arrumamos (mais bagunçamos do que arrumamos) a minha mala, tomei um banho, me arrumei (1), comemos bolo, conversamos e com o passar do tempo, chega a hora deu ir pro aeroporto. Me despedi de todas e segui em frente.
Eram 23h assim que cheguei, eu estava quase atrasada quando eu vejo um alvoroço no aeroporto e uma voz melodiosa acompanhada de um violão.
“Desculpa por favor
Pelo que eu te fiz sofrer
Mas na verdade pode ser
Que disso tudo vá nascer
Como um lugar que é pra gente
Se aventurar sem ter mais medo
Então se acabou...
Será tão vago o que sonhei?
Eu fui covarde e deixei
Ou nosso amor sem mais se foi
Mas deixo claro de uma parte,
O meu amor não se acabou,
E se recusa a aceitar o fim de tudo.
E o que valeu pra irmos mais distantes e distanciar de um amor que foi tão meu?
Foi tão difícil despedir.
Quando você olhou tão triste para mim
Fez um sorriso pra ficar,
E lembrar
Que era tempo de adeus.
E assim você se foi e nessa hora eu caí
Já não havia o que mudar
De tudo aquilo que eu não vi
Mas vem o tempo pra erguer
E abrir os olhos pra uma vida
Então poder sonhar de novo
E rir do que ficou
Boas lembranças pra guardar
Das tantas coisas que aprendi
Já sem motivos pra chorar
Vamos seguir em frente e ver
Que cada passo nos trará outro futuro
E assim talvez possamos ser bem mais que o nosso sonho de estarmos juntos sem viver
Venha um caminho a trilhar
Já sem você acompanhar
Deixo a chuva enfim levar
E então
Me despeço de vez
Foi bom te encontrar
Espero em outro lugar
Poder te rever
E tão melhor do que já vi
E assim ser tão feliz
De ver um bem maior a quem eu tanto quis”
Era Theo.
─ Me desculpe, por favor. Me desculpa! ─ ele caiu no chão ajoelhado e em lágrimas.
─ Será que você não consegue perceber o grau das coisas? Eu, sua EX-namorada agora, tinha viajado e você ficou com minha inimiga, transou com ela e quando eu chego ela vem me dizer que está grávida de você. Tu é besta ou tu te faz?
─ MAS EU TE AMO CAROL!! ─ ele soluçava.
─ VOCÊ. NÃO. ME. AMA! Se você me amasse de verdade não teria feito isso. Você não me humilharia assim, não me usaria assim. Você não passa de um homem... na verdade, nem homem você é. Você é um moleque babaca. Não tem capacidade de aquietar o rabo em um namoro tradicional, tem sempre que estar com outra, outras. Você é igual a todos. Usa a sua beleza para ganhar qualquer mulher, você é um merda. Você me usou, me enganou, me massacrou. EU TO CANSADA DISSO!
Theo já estava soluçando mais alto e em meio gaguejos ele disse:
─ Carol, não vai! Volta pra mim! Me desculpa?!
─ Desculpa Theo? Eu já estou atrasada para viver uma vida longe de você. Adeus Theodore.
Virei-me e caminhei até o portão de embarque.
O deixei ali, ajoelhado em meio ao aeroporto. Eu não conseguia chorar pois já sofri demais.
Agora eu vou atrás da minha felicidade bem longe de Nova York.
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