Ravena

1 Olhos da cor do mar.


Notas iniciais
* Primeiro capítulo, esperamos que gostem!!

"Eu olhei para o lado. A luz cegou meus olhos e eu os cerrei. Senti a mão de minha mãe na minha perna e meu pai gritou. Nunca tinha ouvido ele dar um grito como aquele. Foi agonizante. Minha mãe estava desesperada, e então eu chorei. E então tudo ficou escuro, como aquele dia, no parque de diversões, que entrei na caverna do amor com meus pais."

DIAS ANTES

Era inverno em Hoofspring. O ensaio do coral da igreja tinha sido cancelado. Eu era uma das que tocavam violino, apesar de pouco notada. Nunca me dei muito bem com a turma da igreja, tampouco com a galera do colégio. Mas eu tinha uma vida a seguir e não ia me deixar abalar pelas pessoas. O som me acalma e me leva a outro mundo. Meus pais apóiam minha carreira, mas minha mãe nunca perde a pose de dizer "isso não vai te levar a lugar algum". Apesar de tudo, sou uma pessoa feliz. Te dou três segundos pra decidir se quer ficar e ler as maiores reviravoltas que aconteceram em minha vida. Você quem sabe.

Quando entrei no colégio, as meninas populares me olharam com desprezo. Para elas, quem toca no coral da igreja são pessoas sem futuro e desprezíveis. Eu estava lá para provar o contrário. Quando encontrei Jennifer, sorri. Ela estava sempre lá para me ajudar, minha melhor amiga, minha irmã.

– Adivinha quem vai para o Kansas no verão?! — ela sorriu, e me abraçou.

– Meu Deus Jenni, seus pais toparam! Que maravilha! — fiquei animada por ela.

– Qual é, Rav? Você acha mesmo que não vou te levar?!

– Eu... eu não sei! Meus pais são osso duro de roer, e tenho ensaios no verão! — eu disse.

– Abre mão de tudo no verão... Você vai pro Kansas comigo! — ela afirmou, rindo. Como saí do ensaio da igreja direto para o colégio, acabei trazendo o violino. Coloquei nas costas e fui para a aula. Antes de entrar na sala, bati de frente com Amber e Anna, as populares mais infelizes do mundo.

– Quanto desgosto! — disse Amber, com nojo. Então entramos juntas, porém trombamos. Ela se virou contra mim e puxou meu violino para o chão. Fechei os olhos esperando meu instrumento se despedaçar no chão, porém não ouvi algum som. Abri os olhos e olhei para baixo. Duas mãos seguravam meu instrumento musical, e o menino era o mais lindo que já tinha visto na minha vida.

– Você... Você salvou meu violino! — eu disse, pasma.

– Intuição talvez. — ele me disse risonho. E que sorriso lindo. Amber e Anna reviraram os olhos e entraram.

– Sou Brad. — disse o garoto. Os olhos azuis dele me fizeram mergulhar num mar de sentimentos. E eu fiquei fascinada.

– Sou Ravena, e essa é minha amiga Jennifer. — eu disse, e apertamos a mão

– Parece que nos veremos muito, não é? — ele disse meio irônico, já que iria estudar na minha sala o resto do ano. Pois é, daqui algumas já são as férias e só agora esse gato surge no colégio.

–Parece que sim! — afirmei sem graça.

A aula, naturalmente, foi chata e tediosa. Quando saímos, notei Brad esperando. Ele se aproximou de mim. Eu estava sozinha por que Jennifer já tinha ido.

– Oi! — ele começou.

– Oi! — respondi.

– Está tudo bem aí? — ele me perguntou.

– Está sim — respondi — obrigada pelo que fez hoje.

Ele piscou.

– Olha, se quiser me ver amanhã... — ele tentou dizer.

– Como assim? — perguntei ingenuamente. Me senti uma grossa.

– Amanhã eu vou entrar para o coral da igreja central, ia ser legal se você fosse lá me assistir ensaiar.

Arregalei os olhos e de repente me peguei rindo. Ele entrou no embalo e riu também, mesmo sem entender.

– Está brincando? Eu sou do coral da igreja — falei. Eu estava completamente boba. — e amanhã vamos nos apresentar para um pessoal lá.

– Caraca Ravena, então nossas vidas não se cruzaram apenas no colégio. — ele falou — e eu também vou participar dessa apresentação.

Meu pai chegou, e a despedida foi breve. Ele insinuou que me daria um beijo na bochecha, porém não o fez. Entrei no carro. Começou a chover, então a visão de Brad foi embaçando conforme o carro se distanciava. Ele procurou por abrigo no colégio para se esconder da chuva. Não sei por que, mas ri da cena. Eu não conseguia parar de pensar nele.

Tudo parecia ter mudado, era uma sensação estranha. Nunca tinha sentido aquilo. Por que parece que isso vai bagunçar minha vida?

– Por que esta tão quieta? — Perguntou papai.

– Er... Nada papai. Só que estou ansiosa por ter que tocar para tanta gente amanhã. Estou um pouco insegura — respondi gaguejando.

– Você vai conseguir... Sei disso. — ele tentou me confortar.

Eu e papai éramos meio distantes um do outro. Eu sabia pouco da vida dele, e ele sabia pouco da minha.

Quando cheguei em casa, tomei um belo banho e me joguei na cama. Não parava de pensar naqueles olhos. Apesar de saber que não poderia sentir aquilo, não queria me apaixonar. Mesmo sabendo disso tudo, acho que não será problema arriscar. Afinal qual é a graça de não perder a cabeça às vezes?

Quando amanheceu, acordei sem muitas expectativas... Mentira! Eu iria ver ele! Quando cheguei na igreja aquela tarde, todos estavam lá, menos ele. Me posicionei e comecei a revisar. Rotina.

Brad chegou atrasado, porém sorriu quando me viu. Não acreditei quando vi um violino em seus braços. Ele se colocou ao meu lado.

– Olá! — sussurrou.

– Oi! — eu disse, tentando me concentrar. Foram as únicas palavras trocadas em toda a apresentação. Ao final, tudo correu bem. Não fiquei tão nervosa quanto achei que ficaria. Papai e mamãe vieram me parabenizar pela bela apresentação. Meu irmão Derek estava com seus amigos. Quando fiquei sozinha, Brad se aproximou.

– Eu acho que estou apaixonado por você! — ele revelou, me engasgando toda.

– Oi? — eu ri.

– Segundos pesquisas, você pode se apaixonar em questões de segundos por alguém. Pode me chamar de idiota, mas é a verdade — ele disse.

E quando pensei em falar alguma coisa, ele me deu um selinho. Foi rápido, e estávamos na frente da igreja, por sorte ninguém à vista. O pai dele chegou e ele se foi rapidamente.

Quando contei para Jenni do selinho, ela ficou pasma.

Assim que cheguei no colégio no dia seguinte, a cena foi chocante. Amber e Brad estavam se beijando, e as pessoas em volta riam e se divertiam com a situação. Eu fiquei paralisada, sem saber o que fazer ou falar. Brad me viu e se desvencilhou rapidamente de Amber, que também me viu. Ela puxou Brad novamente para um beijo, só para provocar, então saí da sala enxugando a lágrimas. Jenni não tinha vindo a aula neste dia, então fiquei solitária.

Meu colégio era uma bagunça. Na parte de trás tinha um pântano gigantesco. Árvores grandes, e todo tipo de coisas. Claro que era proibida ultrapassar a cerca, quase que impossível. Mesmo assim, eu sabia onde tinha uma cerca com falha, então a ultrapassei e corri. Ouvi gritos, talvez gritos da supervisora ou da zeladora, talvez gritos do Brad que me seguiu, mas não tomei a decência de me virar e ver quem estava preocupado comigo pela primeira vez na vida. Diziam que naquele pântano tinha de tudo, incluindo animais que poderiam me matar. Talvez fossem lendas.

Mas entre a lenda e a realidade, escolhi correr.

Notas finais
* Logo mais postaremos o segundo capítulo. Obrigado por lerem!! Se gostarem, avaliem e deixem um comentário!