Ramble On.

1 E que o pesadelo comece.


A rua estava vazia, ainda havia um pouco de neve por todo lugar, sem falar da neblina, era tanta que, era quase incapaz de se enxergar as poucas luzes ofuscantes que eram distribuídas nas calçadas, os passos de Clarisse ecoavam por todos os lados, como se o chão fosse oco. Seus cabelos castanhos estavam desarrumados, lisos, e soltos, como sempre, seus olhos cor de avelã demonstravam uma sensação estranha, aliás era o que ela estava sentindo, seus olhos passaram por um casa, lentamente, analisando-a por completo, até que ela parou, sentindo um cheiro forte, e quando olhou para baixo, havia um esquilo morto em sua frente, e ela estava pisando em seu sangue, com suas botas pretas de couro. Recuou rapidamente, como ela não o tinha visto antes, havia aparecido do nada? Não claro que não, ela estava distraída demais em seus pensamentos. Passou a mão sobre os olhos, já que estavam quase se fechando de sono, desviou do esquilo e continuou andando. Aquela casa, a qual ela havia analisado antes, lhe parecia diferente, apesar de ela sempre fazer o mesmo caminho em direção a escola e sempre vê-la. Parecia mais bem cuidada, como se alguém estivesse morando nela.

Chegando na escola, Clarisse apertou as alças da mochila com força, era como se tudo em todos os lugares fossem sinais que diziam “não entre, não entre”, e ela estava com dor de cabeça desde que acordará, mesmo assim entrou, subiu as escadas, e sentiu o frio percorrer seu corpo todo, muito inteligente da parte dos funcionários ligar o ar condicionado em um dia em que ainda havia neve, passou pelos corredores e entrou na sala, como sempre, ela era a primeira a chegar. Fechou a porta atrás de si, se sentou e ficou tomando seu café.

Estava em um mundo paralelo, até que sua atenção foi despertada por gargalhadas vindo do corredor, provavelmente era algum grupo de meninas animadas, ou meninos sacaneando, mas ela não quis saber, colocou os fones de ouvido e apoiou a cabeça sobre os braços. A porta se abriu com um estrondo, eram alguns de seus amigos, eles lhe cumprimentaram com sorrisos, e ela retribui com um sorriso, e acenando. Eles se sentaram e ficaram conversando, aos poucos as pessoas foram chegando, e logo a sala estava lotada, barulhenta, e estressante.

Lea deu duas batidas na porta e entrou, o professor meio relutante deixou entrá-la, aliás ele havia se atrasado também. Lea sentou-se perto de Clarisse, e as duas começaram a conversar.

– Ficou sabendo? – disse Lea com um sorriso travesso, e uma sobrancelha levantada.

– Fiquei sabendo do que? Não sei de nada.

– Bom, mas devia, chegou um garoto novo na escola, ele é bem bonito até, e ele anda que nem você, sei lá, combinariam...

– Ai, como você é boba! Como assim anda que nem eu? – disse Clarisse franzindo a testa.

– Não sei ao certo, desse jeito, cabeça erguida, e como se estivesse mostrando superioridade, olhar sério..

– Vou levar como um elogio.

– Certo, mas ele já devia ter chego..

– E eu com isso?

– MENINAS, deixem as fofocas para depois, Clarisse por que você não vai beber uma água?

– Talvez, porque eu não esteja com sede?

– Por que tanto mau humor?

– Isto é um interrogatório?

Todos na sala abafavam risinhos em relação a discussão, o professor a olhou completamente vermelho, foi até a mesa pegou uma folha, olhou ao redor da sala e disse:

– E vocês seus pestes, tratem de trabalhar e não rir! Página 350, para agora!

Ele ficou escrevendo, enquanto Clarisse o olhava entediada, ele veio em sua direção e jogou um papel em sua mesa.

– O que é isto?

– Uma ocorrência, se continuar assim vai receber mais destas, melhor se acostumar.

– Há-há, muito engraçado.

– Vá para a direção, fora da minha sala!!

Clarisse o encarou, levantou as sobrancelhas com desprezo, e se levantou, passou por Lea e disse:

–Me deseje sorte.

Clarisse desceu as escadas, percorreu os corredores, e parou sobre a porta da direção. Empurrou, e se atirou sobre uma das cadeiras na sala de espera, havia um menino entediado olhando para a porta, que estava fechada, provavelmente a diretora estava em reunião.Quando a viu, com sua total delicadeza, se atirando sobre as cadeiras, levantou uma sobrancelha, ela o observou pelo canto dos olhos enquanto mexia no celular, ele era bonito, olhos cinzentos, cabelos pretos, músculos definidos, quase escondidos por uma jaqueta de couro preta, calças escuras, e uma blusa cinza.Ela largou o celular, e disse, dirigindo seu olhar a ele, que já a observava:

– Nunca te vi por aqui.

–Aluno novo.

– Novo e já na direção? – ela disse com um sorriso.

–Sim, mas não aprontei que nem você, eu simplesmente vim assinar uns papeis.

– Quem disse que eu aprontei?

– Na verdade, foi um chute.

– Eu não aprontei.

–Que tal a verdade agora – ele sorriu- não se envergonhe, essa diretoria vai ser um dos meus lugares mais frequentes também.

Ela soltou uma gargalhada e disse:

–Está bem, mas não é nada demais, eu só discuti com o professor...

Enquanto ela ia contando para ele, o tempo ia passando, e depois a porta se abriu, e a diretora disse:

–Ora, Clarisse, você de novo aqui? E por favor, Christopher entre.

– Se eu tivesse opção eu não estaria aqui. Definitivamente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.