Rakuen PROJECT I ~ FIRST STAGE [BETA VERSION]
11 CHAPTER #5 ~ We Have a “Double Date”?!
Notas iniciais
Recapitulando...
Após Yami Tsuki, uma garota misteriosa com uma pele sensível, me amaldiçoa com a “maldição do amor”, minha vida mudou completamente. Antes eu era um cara sem sorte alguma com as mulheres, mas agora, todas que tinham alguma atração por mim, por menor que seja, estão perdidamente apaixonadas e dariam qualquer coisa para me ter. Isso faz parte do plano secreto de Yami-san, chamado “Rakuen PROJECT”. Ele foi criado com o propósito de criar um harém para mim, e eu estou feliz com isso! Ou não... Isso é suspeito demais, por isso eu e Tomodachi estamos investigando e alertas a qualquer coisa.
Um clube, chamado “Rakuen PROJECT”, foi criado por Yami-san para executar esse plano, e logo ela foi atacada por Hikari Yuri, uma garota com estranhos poderes. Elas travaram uma batalha, e segundos antes de Hikari-san perder, a protegi, e desde esse dia, ela é grata a mim, e então ganhei a missão de ensiná-la noções de “amor” e “amizade”. Porém, no momento em que a protegi, fui contaminado por um veneno da família Yami, e acabei enlouquecendo após alguns dias. Isso me fez fazer várias barbaridades e dizer coisas que eu nunca diria naturalmente, e fiquei mais zangado do que o normal quando Sho-chan fez a besteira de desmarcar o encontro que eu tinha com a Yui no domingo... Enfim, eu o remarquei, e na madrugada de sábado, ainda louco, ataquei minha irmã, a Toshimi-sempai e Sho-chan, porém fui parado por Yami-san, que injetou uma agulha em... minha bunda. Após isso...
–--ABERTURA---
[13/04/2013 – ??? – MORNING?]
Meus lábios pareciam estar congelados. Lentamente despertei, e mesmo que pudesse sentir o calor do Sol esquentando minha pele, estava tudo escuro. Ou melhor, alguém estava tapando minha visão e... congelando meus lábios.
Yami Tsuki estava deitada em cima de mim, escurecendo minha visão e me beijando. Ao perceber que eu havia despertado, ela saiu de cima de mim com uma risadinha. Ela estava completamente nua, e quando me caiu a ficha, arregalei os olhos, sentei na cama apressadamente e soltei um ligeiro grito de espanto. Ela riu e em seguida questionou:
–Por que se assustou tanto? Assim você nem parece homem.
–M-mas...! Mas você me injeta uma agulha na bunda, me faz dormir, e quando eu acordo você está em cima de mim nua, e ainda por cima quase me matando com seu beijo! Como você quer que eu reaja?!
–Ohh... É mesmo... – ela se sentou na cama ao meu lado e riu mais, mas logo calou-se ao ver minha cara. Provavelmente eu demonstrava tudo o que eu sentia no momento: dúvida e fúria. – Bem... Eu não estava tentando te matar... Eu apenas... queria tentar um beijo de verdade...
–Como assim?
Sentei-me na cama, encostando meu ombro no dela, e ela respondeu:
–É difícil de explicar... Enfim...
–Por que você está nua?
–Você deveria se importar com isso? Eu sou sua noiva!
–Não é!
–Essa não é hora de discutir sobre isso. Além de que nossas famílias decidiram isso em prol maior das duas heranças. Nós não temos escolha.
–Sempre temos escolha, Yami-san... Conosco não é diferente. Mas... já que você se considera minha noiva, posso... – olhei de soslaio para os seios nus e totalmente suados – tocar... nos seus peitos?
Yami-san riu, e após as risadas cessarem, ela inquiriu:
–Quer outra agulha na bunda?
–É só brincadeira! – menti, obviamente.
Por mais que eu tivesse certo receio dela, seus peitos eram perfeitos. Lembrei-me do dia que nos conhecemos. Ela me derrubou no chão e eu acabei apalpando seus peitos... Foi bom...
–Eu que estou brincando! Pode vir! ♥ — ela disse de repente, e isso me assustou.
Pensei em avançar nela, mas logo desisti. Lembrei-me do que tinha feito antes de perder a consciência e resolvi fazer algumas perguntas.
–Deixa para lá... Enfim, tenho algumas perguntas para você...
–OK... Pode falar – Yami-san confirmou.
–Por que eu tomei aquela agulha?
–Bem, foi como eu te disse ontem: você enlouqueceu.
–Por que eu enlouqueci e... maltratei a Sho-chan e a Junko-neechan...?
–Por que, bem, naquele dia que você protegeu a Yuri, minha broca de gelo chamada Aku no Hana se estilhaçou em milhares de pedaços, e um deles o cortou. O corte ainda está aí...
Passei os dedos pela bochecha e senti a lesão. Ela contava a verdade.
–Aquele gelo estava contaminado – ela continuou. – Contaminado por uma espécie de veneno mortal a qualquer coisa, menos as famílias Yami e Shizuka. Nós desenvolvemos anticorpos para esse veneno há muitas gerações passadas, pois nós mesmos o criamos. Entretanto, não somos totalmente imunes hoje, pois a cada geração a proteção tem diminuído. No seu caso, ele apenas alterou ligeiramente sua personalidade, o deixando mais impulsivo e menos tímido. E totalmente sem noção...
–Entendo... – revelei. – Me desculpe por isso...
–Nada. Não foi sua culpa para início de conversa!
Resolvi não discutir. Respirei fundo e ordenei:
–Coloque suas roupas. Se alguém chegar aqui, estaremos com problemas.
–É verdade... – ela concordou, levantando-se da cama e pegando suas roupas espalhadas pelo chão.
Em pouco tempo ela se vestiu, e não importou-se com minha presença. Suspirei profundamente e abaixei a cabeça, fitando o chão. Yami-san então inquiriu:
–Por que está assim?
–Assim como?
–Para baixo. Parece mais desanimado que o normal...
Eu não sabia como responder. Estava confuso, e tudo o que eu queria era saber o que eu estava sentindo. Culpa? Arrependimento? Tristeza? Raiva por ter errado? Raiva por não ter feito mais coisas pervertidas? Felicidade por Sho-chan se esforçar para me namorar? Ódio de Sho-chan por ter enganado Yui? Medo por minha mãe ter descoberto tudo o que fiz?
Eu não sabia o que eu sentia. Talvez isso tudo, ou nada disso. Só sabia que queria uma solução.
–Não se preocupe – Yami-san pediu. – Todas se esqueceram do que você fez. Ou pelo menos sua mãe, por que Shoujo e Junko podem estar fingindo...
–Como assim se esqueceram?
–Não sei explicar muito bem, mas antes de perder a consciência você deu um berro e então uma chave surgiu levitando acima de você, rodando em alta velocidade, e após um clarão, Junko e Shoujo estavam vestidas, você estava deitado em seu quarto e eu estava em cima de você. Yukari-san também parece não se lembrar de nada.
Suminoe Yukari, minha mãe, é uma mulher forte difícil de esquecer algo. Só mesmo a Dawn’s Key para fazer isso, pensei. Por isso mesmo que ela não mudou de nome quando casou com meu pai... Se estivéssemos em era feudal, ela seria executada... Mas hoje... Mesmo assim, é estranho ver isso. Por que será que ela resistiu?
–O que era aquela chave, Arashi? – Yami-san questionou apressadamente — Você sabe algo sobre ela?
–Oh, parece que começou a me chamar pelo nome! – ressaltei.
–Eu sempre o chamo pelo nome quando estou falando sério. Agora me responda, sem piadas, enigmas ou charadas.
–Bem, eu também... não sei nada sobre ela... Que estranho, né?
–Hm... – ela começou a me encarar. Notou que eu estava mentindo, provavelmente, e queria me pressionar com o olhar analisador e acusador. Engoli em seco.
Merda, parece que sou uma bola branca de sinuca! O que eu faço?
–Bem, se você não quiser me contar, tudo bem... Enfim, tem mais alguma dúvida?
Suspirei aliviado.
–Sim... Que dia da semana é hoje?
–Sábado. Você dormiu por poucas horas.
–Hm... E... como eu consigo te tocar? Eu lembro que na primeira vez que nos encontramos, eu quase te queimei, e também na vez que protegi Hikari-san...
Yami-san arregalou os olhos. Provavelmente achou que eu não notaria a queimadura que eu fiz a ela. Mas a marca de minha mão ainda estava ali, no mesmo local onde eu tocara.
–Em contrapartida, houve momentos em que ficamos muito juntos... Como hoje e também no dia em que aconteceu aquela confusão no meu quarto... E eu sei que sua sensibilidade ao calor vem de seu poder de gelo. Mesmo assim, como que às vezes...?!
–Simples. Nos momentos em que você conseguiu me tocar, eu estava usando minha camada de gelo superficial sobre a pele. É como uma proteção que crio contra o calor alheio.
–É por isso que você sua muito?
–Sim. Uso a água atmosférica para criar a camada de gelo, mas ela derrete rápido, pois esta é muito fina, então eu sempre fico reutilizando aquela água.
–Entendo. Me desculpe então... Agora sim que não irei te tocar mais...
–Não se preocupe! Eu presto somente para te proteger e servir! Meu corpo está incluído nisso!
–Não, isso irá feri-la. Se você me protege, eu tenho que protegê-la também...
–Arashi... – após refletir por alguns segundos, riu.
–O que é tão engraçado?!
–Nada, nada – ela respondeu, tentando conter o riso – É que apenas... – conteve a risada por completo, e sua face assumiu um tom sério – Apenas achei que sua personalidade fosse menos heroica.
–Baka – xinguei-a, levemente constrangido e desviando o olhar. Não havia razão para eu estar daquele jeito, mas eu estava.
Ela riu mais ainda, e eu apenas sentia minhas maçãs do rosto queimarem mais.
***
Eram 11:45 da manhã. Tomei café da manhã e saí de casa sozinho para comprar algumas coisas. Fui andando, pois a loja de conveniências era perto. Entretanto alguém entrou em meu caminho, e eu acabei caindo no chão. Um garoto gordo e altíssimo estava a minha frente, e como eu estava distraído com o PSP, nem percebi aquela Muralha da China estava na minha frente. Ele se virou para mim, já que estava anteriormente de costas conversando com outra pessoa, e encarou-me furiosamente com seus olhos castanhos e profundos. Seus cabelos castanho-claros, quase louros, e lisos balançavam ao vento e deixavam-no maior, pelo menos era o que parecia. Percebi que ele era mais parecido ainda com a Muralha de China: seu rosto era cheio de buracos e marcas de espinhas, além de mais espinhas e cravos espalhados por toda a extensão, deixando-o mais gordo e feio. Contudo ele ficou mais amedrontador.
–O que pensa que tá fazendo, pirralho? – o gordo questionou rispidamente.
–Ah, desculpa! Foi mal! – respondi rapidamente, e tentei me levantar.
–Desculpa o caralho. Vou fazer você tomar no cu, literalmente, filho da puta!
Ele me ergueu pela gola. Olhei para os lados, e não vi ninguém, a não ser o garoto com quem o gordo conversava. Este estava a gargalhar de mim. Voltei a olhar para o balofo em busca de alguma solução, algum meio de me livrar dele. O gordo analisava meu rosto, e logo inquiriu:
–Você é Shizuka Arashi?
–C-como você sabe m-m-meu nome? – gaguejei. Péssima resposta.
Ele sorriu, e em seguida me tacou na parede de um beco com toda a força. Provavelmente minhas costas ralaram todas, porque após alguns segundos de cair no chão, senti uma dor excruciante no local. O sorriso dele se esticou a me ver resistir à dor.
–Ótimo! Tente resistir, se puder. Mas como você é apenas um filho da puta traidor, não vai aguentar por muito tempo. Eu vou te matar, Arashi-chan!
–Do que você tá falando?! O que eu f—AI!
Ele me ergueu pelo pescoço antes que eu pudesse reagir, sufocando-me. Pressionou-me contra a parede com toda a força, e com a mão livre começou a socar meu rosto. Sempre na minha bochecha direita. Ele gritava algo, mas era incompreensível para mim naquele momento. O meu rosto seria deformado pelas mãos dele, provavelmente. No início a dor era praticamente insuportável, sentia como se todas as minhas células se desintegrassem e reintegrassem rapidamente com cada soco, porém em pouquíssimo tempo eu não sentia mais nada. O gordo percebeu isso e trocou de mão para me socar do outro lado e ainda me manter suspenso. Felizmente ele não se concentrava em me sufocar tanto enquanto me socava, mas quando percebeu que eu lutava para respirar, ele sorriu e então usou as duas mãos para retirar meu fôlego. Comecei a me contorcer e tentei até socá-lo, chutá-lo e mordê-lo, mas seu corpo parecia inalcançável. As minhas esperanças estavam acabando, então por fim aceitei a morte de bom grado.
Então esse será meu desprezível fim? Sem nem saber o que está acontecendo? Fazer o que, né? Isso que deu eu desejar um harém morando no Japão?, pensei.
–Pare agora! – uma garota gritou.
–Vadia, vem aqui! – o amigo do valentão gordo ordenou, agarrando a garota que tentou me defender.
Minha visão estava turva, mas não havia engano: era Sho-chan. Aquele amigo imundo agarrou os peitos dela, e enquanto tentava se desvencilhar, o gordo mandou:
–Cuide dela enquanto eu mato ele. Deixa um pedaço do bolo pra mim, tá?
–OK, big boss*!
–He he... Então, terminando o serviço...
–Tsc! – cuspi no rosto esburacado.
–SEU MERDA! AGORA VOCÊ MORRE, CUZÃO!
Sentia cada vez mais meu oxigênio acabando, e não havia nada que eu pudesse fazer. Sho-chan tentara me ajudar, mas foi inútil. Eu iria morrer de qualquer forma. Porém eu me lembrei do beijo que Yami-san me deu na testa. Ela me amaldiçoou. Eu tinha que me lembrar disso. A “maldição do amor” não era uma coisa boa, justamente por ser uma maldição. Eu tinha que pagar pelo amor de todas de alguma forma. Pensei por um momento que fosse com a própria vida, mas sem ela como eu sofreria? Não, era de outra forma. Na hora que Yami-san me amaldiçoou, ela jogou todas as suas esperanças. Sua vida foi depositada em mim. Uma vida amaldiçoada. Uma missão indesejada. Um destino imutável. Eu não podia morrer por tão pouco. Tinha que fazer valer todo o esforço depositado em mim. Mas nada eu poderia fazer.
–Toma isso! – ouvi Sho-chan dizer, por mais que eu não conseguisse definir com que intensidade ela disse isso.
Ela golpeou o amigo delinquente na barriga. Ele se encolheu por um tempo. A garota então correu em nossa direção. Estava tentando me salvar. Só tentando.
–Te peguei – o delinquente afirmou, agarrando Sho-chan novamente.
Até mesmo Sho-chan tentou de tudo para me salvar. Tudo. Ela estava arriscando sua vida por mim, e eu nada poderia fazer para compensá-la. Apenas morrer junto com ela, como Romeu e Julieta. Mas algo maior estava presente: o meu destino mudado pela marca. Aquela maldição haveria de mudar tudo.
–Q-q-que merda é essa?! – o gordo gaguejou, soltando-me apavorado.
Meu ar voltou em poucos segundos, e logo senti uma força imensurável me dominando, como nunca antes. Foi uma das melhores sensações da minha vida. Senti uma queimação na testa, e meus cabelos começaram a subir como se estivessem sobre influência do vento. O gordo começou a se afastar lentamente de mim, e antes do outro largar Sho-chan, eu declarei:
–Morra.
A marca queimou mais. Estiquei meu braço direito para cima e uni os dedos como uma espátula. Desci-os, e de um portal invisível no ar surgiu uma corrente com uma ponta de lança na extremidade frontal. Essa corrente foi na direção apontada por mim pelo braço e mão, ou seja, no delinquente, que acabou sendo ferido e desmaiou. Sho-chan se desvencilhou do amigo, e o gordo correu de medo. Perdi-o de vista, e então senti como se todo aquele vigor houvesse desaparecido, desabando no chão de joelhos.
–Você tá bem, Ara-kun?
–Sim... Desculpa te preocupar... – respondi lentamente.
–Que isso... Mais importante: o que é essa marca?
–Nem eu sei. Uma Black Box*, eu diria.
–Por que esconde segredos de mim, Ara-kun? Só por causa de ontem?
–N-não! Eu já a tinha desde antes... – me levantei nesse momento.
–O quê? Quando você ganhou isso?
Merda, eu tenho que despistá-la!
–Vejamos... A algum tempo... Uma semana, mais ou menos... Eu acho...
–Sei... É a mesma daquele dia, não é? Aquela que você não me deixou ver...
–Huh?
[Flashback: ON]
[...] logo minha marca da maldição começou a arder. Abaixei a cabeça e coloquei as minhas mãos sobre a testa. A dor só aumentava, me fazendo gemer, contorcer e gritar. Pude ouvir os passos de Sho-chan se aproximando, preocupada comigo. Ela se ajoelhou a minha altura, mas eu só podia ver até a sua barriga nua.
Conquiste-a, dizia uma voz maligna em minha mente. Ela está bem diante de você, pronta para se entregar! Deixe-se levar pela luxúria!
Mas que merda! Além de atrair garotas, você fala? Maldição filha da puta!, pensei.
Hu, hu, hu... Tolo... Eu não sou a maldição, essa marca em sua testa, além de atrair as garotas já apaixonadas por você, permite comunicar-me com você telepaticamente a qualquer momento. Fiz esta ligação entre nossas mentes para lhe aconselhar, ou melhor, ordená-lo. Se aproveite dela. Agora!
Cala a boca! Eu faço o que eu quiser!
–Você tá bem, Ara-kun? – perguntou Sho-chan, tocando uma mão nas minhas.
–Hm? – questionei.
A dor passou naquele momento, e então ergui a cabeça.
[Flashback: OFF]
Lembrando-me daquele momento, fiquei impressionado que ela ainda se lembrasse do ocorrido. Espera, havia algo errado.
Sho-chan notou que eu estava meio hesitante e distraído com meus pensamentos, e me cutucou no ombro esquerdo, despertando-me.
–Sho-chan...
–Fala.
–Você se lembra dessa madrugada?
–Sim, por quê? Se arrependeu?
Fiquei boquiaberto.
–Tem certeza? O que eu fiz?
Ela ficou toda vermelha.
–Foi só com você? – não esperei ela terminar.
–Não... Foi com a Junko-chan e você chegou a beijar minha irmã. Ela delirou depois disso. Foi o primeiro beijo dela, aliás...
Engoli em seco. Aquilo não era bom.
–E... alguém interrompeu a confusão?
–Sim, sua mãe e a Yami-san, que te deu uma agulhada no bumbum e te fez dormir... Por que está me perguntando isso tudo? Ora, não foi você que fez aquela confusão?
–Eu... não me lembro direito... – menti. – Estava confuso, por isso...
–Entendi.
Após alguns segundos de reflexão, perguntei mais.
–Por que me seguiu?
–Tive um mau pressentimento.
Mau pressentimento? Como assim?
–Sei... E voltando àquela confusão de horas atrás, você se lembra... de uma chave?
–Chave? Que chave?
–Ah, esquece! E quanto a um clarão?
–Não me lembro de nenhum clarão, mas lembro de que logo depois que você dormiu, eu também caí no sono.
A Dawn’s Key, por algum motivo, está tendo dificuldades para apagar a memória total das pessoas, apagando somente sua existência? Mas... Yami-san se lembra dela...
–Ara-kun?
–Ah! Desculpa... Estava apenas pensando... Ah, sim! Lembra-se do primeiro dia em que Hikari-san esteve em nossa turma?
–Sim... Foi um dia estranho...
–Por quê?
–Ora, você não estava lá?
–Sim, mas... eu não me lembro direito. Talvez aquela agulha tenha afetado minha memória...
–Hm... – ela parecia não acreditar, mas fingiu. – Enfim, ela fez uma garra metálica com a mão direita e correu em sua direção, aí...
–Não é possível...
–Se lembrou disso agora?
–Não. Você que não deveria lembrar...
–Como assim?
–Deixa... Temos que fazer as compras...
–Ah, é mesmo!
Sho-chan ajeitou os óculos e seguiu junto comigo para a loja de conveniências.
[13/04/2013 – SATURDAY – MIDDAY]
Sorte que Sho-chan sempre carrega consigo um kit de maquiagem, que ajudou a esconder meus machucados e não preocupar os meus pais. Após almoçarmos todos juntos, saí e fui até a casa de Yui. Sho-chan e Hikari-san insistiram em me acompanhar. Chegando lá, ouvi uma discussão:
–Estou sem fome – Yui afirmou a distância.
À passos pesados e furiosos, distanciou-se de onde estava. Provavelmente estava se arrumando para sair. Algum tempo depois, ouvi uma voz familiar:
–Você não vai. Mamãe não deixou.
–Vá se danar – Yui ordenou.
DING DONG!
Toquei a campainha, interrompendo-os. Yui abriu a porta, e logo seus olhos brilharam. Fiquei feliz por ela, e queria conversar o mais rápido possível. Mas minha excitação diminuiu, substituída por um terror imensurável. Ao ver o gordo que me agredira há pouco tempo, comecei a tremer. Queria correr, mas meu corpo tremia.
–Me desculpe pelo o que o meu irmão fez... – Yui pediu constrangida.
–Tsc! – o balofo bufou, e então subiu para o segundo andar.
–Você tá bem, Arashi-kun?
–“Arashi-kun”?! – Sho-chan estranhou. – Desde quando vocês são tão íntimos?
–O que você tá fazendo aqui, vadia? – Yui questionou.
–Oh... Parece que finalmente está mostrando suas garras, Chitsujo-san... Ou eu deveria dizer...
–Caladas – Hikari-san ordenou. – Shizuka Arashi está desconfortável, e eu não permitirei que ele sinta mais dor. Comportem-se.
Não havia como não obedecê-la, pois estava com as garras formadas. As duas suspiraram, abaixando a cabeça, e então Hikari-san desativou as lâminas. Suspirei aliviado, e em seguida Yui convidou-nos para entrar. Sentamos nos sofás, eu junto de Hikari-san e Sho-chan, e Yui a nossa frente.
–E então? Sobre o que veio falar?
–Me perdoe sobre ontem – senti que a garota ao meu lado direito iria me matar a qualquer hora com um soco, mesmo que tivesse acabado de tentar me salvar... Mesmo assim, engoli em seco e continuei o pedido – A culpa foi minha por...
–Não se preocupe! – Yui respondeu despreocupadamente e com um sorriso largo – Aquilo foi culpa dessa sanguessuga aí...
–Sanguessuga é você! – Sho-chan gritou, agarrando meu braço. Pude sentir as lágrimas quentes de seus olhos pingarem e queimarem meu braço.
–Ha, ha, olha quem fala: a garota que tem que morar com ele por três anos porque não tem condições de alugar ou ter uma casa própria... Você é uma praga na vida do Arashi-kun.
Yui deliciava-se com o sofrimento da amiga enquanto sorria maldosamente. Sho-chan mordeu o lábio inferior e ajeitou os óculos. Provavelmente iria dizer algo, mas se conteve por um triz. Eu não podia ficar quieto.
–Yui, eu não a—
Fui cortado pela mãe de Yui, que saiu da cozinha e vinha em nossa direção inquirindo aos berros:
–Então esse é seu namorado que você tanto fala?!
–Mãe! – Yui a repreendeu.
A mãe de Yui veio até mim e revelou:
–Shizuka-kun, você é um garoto de sorte. Até mesmo nos banhos ela pensa em você... É melhor aproveitar...
Ruborizei, imaginando Yui se masturbando em uma banheira enquanto grita “Shizuka-kuun~ ♥”, mas logo balancei a cabeça, espantando a imaginação pervertida. Ao fundo podia escutar a risada do homem do além...
–Chitsujo-san! Isso é algo que se diga até da própria filha?! – acabei exclamando.
–Oh... Pensei que você fosse mais atirado e... pervertido... Mas tudo bem. Desculpa por isso. – ela começou a andar, voltando para a cozinha enquanto falava – Enfim, aproveite a Yui-chan ao máximo, ok? Não me decepcione e só a engravide se tiver condições de cuidar do filho!
Eu não era capaz de falar nada, apenas de comprimir os lábios, totalmente constrangido. Talvez o antídoto para aquele veneno da Aku no Hana me deixara retraído demais...
–Não ligue para ela, Arashi-kun! – Yui pediu com um sorriso fraco – Ela é assim mesmo...
–O-ok... – confirmei.
–Vocês dois... – Sho-chan comentou. – Depois eu que sou a sanguessuga... Enfim, o que você iria dizer, Ara-kun?
–Ah, sim... Eu iria dizer: “Yui, eu não acho que Sho-chan seja uma sanguessuga. Ela está em minha casa por necessidade. E, além disso, eu e meus pais a cedemos a ela e sua irmã, então não há problemas. Pare de criar contendas. E quanto aquele plano do harém... Vocês não deveriam se dar bem?”. É isso.
As duas garotas ficaram olhando para mim boquiabertas por meio minuto. Chitsujo-san nos olhou com um olhar sarcástico. Um vento varreu a casa, quebrando o gelo. Todos tentavam traduzir o que eu tentei dizer, mas tinham dificuldades. Quando Yui iria dizer algo, o irmão dela passou correndo pela sala e entregou o celular em sua mão para a mãe, dizendo:
–É pra você.
–Pra mim?
–É. O cara do telefone disse: “Kirei, entregue o telefone para a Riko, por favor.”. Não tem nenhuma outra “Riko” na casa, então...
–Me dá isso, garoto! – Riko-san ordenou abruptamente, arrancando o telefone da mão do menino gordo, Kirei. Naquele momento eu soube o nome do filho da mãe que me bateu.
Riko-san, após atender com um “Moshi-moshi*?”, ficou por algum tempo ouvindo. Arregalava os olhos a cada dez segundos, e por fim berrou:
–Mas então você deveria largar esse emprego, besta!
Silêncio. Yui e Kirei pareciam acostumados com aquilo. Sho-chan estava fora do nosso mundo. Eu estava boquiaberto. Alguns segundos depois, ela berrou novamente, fazendo-me dar um pulo.
–Vai se foder, seu bosta! Eu quero divórcio!
Silêncio por alguns segundos até provavelmente Riko-san interromper o marido com outro grito:
–Você tá é comendo outra mulher, seu safado! Eu vou é te comer na porrada! Vem no fórum não pra você ver, seu filho da pu... Desligou...
Suspirei de alívio. Parecia que Riko-san era uma total yandere*... Enfim, resolvi não me intrometer naqueles assuntos familiares e fiquei em silêncio, encarando o chão. Ouvi algo cair no chão, e Kirei advertiu:
–Mãe, o telefone pode quebrar assim!
–Ah, não enche!
Kirei agachou-se e pegou o telefone, e em seguida se retirou correndo. Enquanto Riko-san resmungava algo, Yui pigarreou e revelou:
–Parece que você não percebeu que nós só entramos nessa maluquice para te conquistar e depois trair as todas as outras... Enfim, é isso que estamos fazendo. Não é isso, Noyogi-san?
Após hesitar por alguns instantes, Sho-chan gaguejou:
–É-é-é i-i-i-i-isso mesmo...
Fiquei boquiaberto por segundos, mas logo cerrei a minha boca e cenho. Depois de um tempo, deduzi que tudo o que estava acontecendo era por causa da maldição, e que Yami-san iria resolver de alguma forma esse conflito. Então ressurgiu outra dúvida em minha mente: “por que Yami-san está fazendo isso por mim?”. Não havia como responder isso. Decidi conversar com Tomodachi sobre isso mais tarde, já que ele era meu cúmplice, e declarei:
–Como eu imaginei. Não tinha como Sho-chan concordar com isso... Você também, Yui... Mas ainda estou meio incrédulo...
–Como assim? – Yui questionou.
–Não consigo acreditar que você gosta de mim...
Ela ficou toda corada, e depois resmungou:
–E eu não sou suficiente, né?
–Err... Bem... Não é essa a questão.
–Então qual é?
–Eu não posso escolher... Simplesmente não consigo.
–Por quê? – Hikari-san questionou. – Por que é tão difícil escolher?
Sorri um pouco, encarei-a e respondi com uma voz doce:
–Porque isso é o “amor”.
–Amor é indecisão?
–Não, mas ele pode gerá-la, dependendo da situação.
–Então, o que é?
–Eu te disse antes... É quando sente... afeição extrema por outra pessoa. Você é capaz de fazer qualquer coisa por aquele que ama. É algo inexplicável.
–É algo ilógico?
–Podemos colocar assim...
–Então... me mostre na prática.
–OK...
–Ei, não me ignore! – Yui gritou.
–Desculpa – pedi.
Hikari-san estava indiferente. Yui perguntou:
–Humpf! Enfim, você veio aqui com algum objetivo, certo?
–Sim – respondi imediatamente. – Eu vou no encontro com você, e no final dele te direi algo importante. Não posso dizer agora, e, bem... AI! – os machucados estavam doendo.
–O que foi? – Yui perguntou preocupada. Sho-chan estava suando.
–N-nada! – menti.
Mesmo assim, Yui se aproximava, analisando meu rosto. A dor aumentou na bochecha, e eu acabei cobrindo-a com a mão.
–Foi por causa do onii-san, né?
–S-sim... Eu vou no banheiro...
Levantei-me, e quando soltei a bochecha, os adesivos que seguravam-na descolaram, tirando parte da maquiagem que escondia as feridas, e a pele inchada caiu, fazendo Yui arregalar os olhos. Sho-chan apenas desviou os olhos para uma parede, e seu olhar parecia ter previsto aquilo e naquele momento ele dizia que ela apenas estava tentando esquecer o que havia acontecido. Mas era impossível. Até mesmo com a Dawn’s Key. A mesma que usei no banheiro para me curar magicamente. Saí dele revigorado, e as duas garotas olharam espantadas. Hikari-san sabia o que eu tinha feito, mas resolveu ficar quieta. Sorri para ela, e a tal respondeu com um aceno de cabeça discreto.
–O que v-você fez? – as duas questionaram em uníssono.
Suspirei pesarosamente, cocei a cabeça e respondi seriamente:
–Digamos que foi parecido com a maneira de que escapei de Kirei...
Sho-chan engoliu em seco. Yui espantou-se um pouco, mas logo recompôs-se. Pigarreei e em seguida declarei:
–Desculpe pelo incômodo e obrigado pela hospitalidade. Estou indo agora. Vamos, Sho-chan e Hikari-san.
–Sim – Hikari-san confirmou.
–T-tá – Sho-chan gaguejou.
–E-ei! Por que tá indo embora agora?
–Se eu ficar mais, o encontro não será tão legal – respondi sem encará-la. – O que seria divertido em um encontro se você já está perto daquela pessoa o tempo todo? A saudade, de certa forma, é boa, pois ela força as pessoas a ficarem juntas alguma hora. E essa hora que eu quero que seja o encontro. Algo realmente proveitoso. Agora, com a sua licença...
–OK...
***
Chegando em casa, Sho-chan me disse ao entrar:
–Você pode ir no encontro, mas não marque mais nada!
–Pare de me dar ordens – respondi grosseiramente. – Eu posso até te amar, mas você não pode controlar minha vida!
–Pelo jeito que você fala, significa que ainda está bravo comigo, né? Me desculpe...
E saiu de minha presença. Pensei em correr em sua direção, mas Hikari-san me segurou com suas mãos normais, dando-me um abraço pelas costas. Seus seios pequenos, porém formidáveis, roçavam em mim, deixando-me muito feliz.
–Não vá – ela pediu.
–OK~... – respondi em modo ero.
–Desperte ou eu...
Provavelmente ela viu meus olhos verdes, então respirei fundo, voltando ao normal, e inquiri:
–OK, mas... Por que está me segurando?
–Estou te ajudando, assim como o Tomodachi.
–“Assim como o Tomodachi”? Ah!
[Flashback: ON]
–Hum... Eu estava morando com o Tomodachi após a traição ao EUA, mas pensei que seria melhor ficar por aqui. Seus pais discutiram, mas seu pai ganhou e eu vou morar aqui por um tempo – informou Hikari-san.
–O-o quê?! Mais uma? – suspirei em seguida.
[Flashbak: OFF]
É verdade, ela estava morando com o Tomodachi antes de vir para cá... Espera, será que ele fez algo de estranho a ela?!, pensei.
–O Tomodachi... Ele fez algo a você? – perguntei.
–Não, apenas cuidou de mim muito bem. Por quê?
Suspirei aliviado e depois respondi:
–Ainda bem. Tive medo de ele ter feito algo a você.
–Por que se preocupou comigo?
–Porque somos amigos.
–“Amigos”? Você me considera mesmo uma amiga?
–Mas é claro! Mesmo que me cause alguns problemas, você é minha amiga!
Ela não respondeu, apenas me apertou mais. Senti meu coração acelerar de repente, e também o coração dela, que parecia igualmente agitado. Entretanto, ela já estava nervosa há mais tempo que eu... Ficamos daquele jeito por algum tempo, até eu dizer:
–É melhor... nós irmos para o meu quarto... Senão minha mãe...
–OK.
***
No quarto, conversamos por um longo tempo sobre amizade, mas realmente explicar conceitos emocionais é algo difícil. Conversamos por várias horas, parando para almoçar, lanchar e jantar, porém duvido que Hikari-san tenha entendido muita coisa, mas mesmo assim senti que ela estava feliz por ser aceita e estar conversando por tanto tempo comigo. Fiquei feliz por ela, e logo após a janta caí no sono. E ela também, quase ao mesmo tempo que eu. Acabamos dormindo na mesma cama, sem fazer nada de pervertido, e acordamos apenas no outro dia...
[14/04/2013 – SUNDAY – MORNING]
Eu estava perdendo o fôlego. Kirei me enforcava novamente, e o desespero subia a minha mente. Lutei contra ele de todas as maneiras possíveis, mas não consegui me libertar. Implorei a voz da “maldição do amor” para fazer mais daquelas correntes, mas de nada adiantou. Comecei a ver a tal da luz branca, e agradeci a todos que haviam me ajudado até aquele momento. De forma dramática, despedi-me do mundo. Ou não.
Empurrando o travesseiro em cima de meu rosto com toda a minha força, acordei desesperado, sentando-me na cama e recuperando o fôlego. Enquanto eu respirava com dificuldade pela boca, percebi que quem tentara me sufocar foi Sho-chan e Junko-neechan.
–O que significa isso? – perguntei entre bufadas.
–Ora, era isso o que eu ia perguntar! – Sho-chan revelou.
–Como assim?
–O que Yuri-chan faz na sua cama? – Junko-neechan questionou.
Olhei para o lado, e vi Hikari-san ainda estava lá, dormindo como um anjo. Dei um pulo da cama e bufei, tremendo:
–E-ela que v-v-veio a minha cama à noite!
–Mas eu vi vocês dois entrando no quarto juntos... – Sho-chan revelou enquanto me encarava raivosamente analítica.
Engoli em seco. Hikari-san acordou nesse momento, sentando calmamente na cama e coçando os olhos. Quando viu as ciumentas, questionou:
–O que fazem aqui?
–É isso que iríamos te perguntar! – Sho-chan e Junko-neechan afirmaram em uníssono – O que VOCÊ faz aqui?!
–Estava dormindo. Apenas isso.
–Mas por que na cama do Ara-kun e junto com ele? – Sho-chan perguntou.
–Arashi estava me ensinando algumas coisas.
–“Algumas coisas”?! – estranharam em uníssono.
–Conceitos sentimentais, apenas isso. Eu estou aqui para que ele me ensine esses conceitos que eu nunca entendi. Somente isso.
Ninguém falou mais nada. A discussão morreu, mas todos queriam ressuscitá-la, mesmo sem saber como. Decidi quebrar o gelo, informando:
–É melhor deixarmos isso para lá, né? Vamos tomar café da manhã!
Sho-chan e Junko-neechan me encararam de cara feia, mas concordaram. Hikari-san, como sempre, estava inexpressiva.
***
Eu estava às 11:30 no McDonalds, como o combinado. Senti que alguém me seguira pelas sombras por todo o caminho, porém ignorei isso. Yui chegou dez minutos atrasada.
–Desculpa por te fazer esperar! – ela pediu ao chegar. Estava correndo, por isso suara um pouco.
–Que isso. Não esperei nada – respondi com um sorriso triunfante no rosto.
Sempre quis dizer isso! YUHUU!, comemorei mentalmente.
O Sol estava escaldante. Aquele não parecia um dia da primavera, e sim de verão. Mesmo assim, eu estava adorando. Graças ao calor, Yui veio ao encontro com uma blusa branca com uma alça só. A outra alça era... a do sutiã. Um short curto jeans e sandálias delicadas marrons. Até o cabelo estava arrumado. Simples, porém perfeita.
–Shi—Quero dizer, Arashi-kun... ♥
Eu estava morrendo. Meu rosto queimava tanto que pensei que meu coração não aguentaria. Eu podia ouvir minhas batidas.
–Por que está tão desatento? Vamos a algum lugar!
–Ah... Sim!
Os lugares que eu mais olhava eram os peitos e o short. Meus olhos subiam e desciam, famintos. Meu lado ero estava despertando...
–Arashi-kun ♥! Pare de pensar em coisas pervertidas! Estou vendo seu olho verde!
Quase desmaiei, mas ela ficou estressada. Provavelmente minha expressão de resposta foi muito idiota. Ela acabou me dando um tapa, e assim podemos começar o encontro. Entretanto, alguém começou a puxar minha camisa por trás. Virei para ver quem era, e me surpreendi. Fiquei sem palavras e boquiaberto.
Então ela era que tava me seguindo?!, questionei-me.
Sim, mas tem mais dois garotos também, respondeu a Voz do Além.
Mais dois garotos?! Que piada é essa?
Não é piada. Fique esperto.
–Hikari-san, o que faz aqui?
–Eu vim no encontro com vocês – ela respondeu calmamente.
–O-o quê?! – eu e Yui estranhamos simultaneamente.
Hikari-san fez suas garras metálicas surgirem e questionou:
–Alguma objeção?
–N-nenhuma! – eu e Yui concordamos juntos.
***
Visitamos diversas lojas, comprei coisas para as duas garotas, Hikari-san discutiu algumas vezes a minha atenção com Yui. Passeamos pelo parque público. E por último, vimos um filme romântico. Yui tentou me beijar durante o filme, mas Hikari-san não permitiu. Ela compreendeu que um beijo era algo muito íntimo, e por ciúme impediu-a. Eu não conseguia acreditar que ela sentia ciúmes, mas era a única explicação. Enfim, após o cinema, Yui me arrastou até um corredor que levava aos banheiros, um local meio isolado, e pedindo que Hikari-san não nos seguisse, e pediu:
–Me beije.
–O-o quê? – gaguejei.
–Vamos, faça isso logo!
–Mas...
Suspirei.
–Isso está errado, né? – Yui perguntou.
–Mais ou menos... Deveria ser o fim do encontro e... Você está estranha...
–Como assim?
Mordi o lábio inferior. Entrei em um dilema. Comecei a pensar com mais calma:
Eu tenho duas saídas. Ou encerro esse assunto apenas dizendo: “Ah, acho que estou pensando demais, ha ha!” ou falar a verdade sobre a “maldição”... Espera, isso iria estragar tudo! Mas... de certa forma ela entrou no Rakuen PROJECT por mim sem nem pestanejar... Mas isso foi diferente! Ela foi manipulada pela “maldição” e por Yami-san! O que eu faço?
–Arashi-kun, eu... não me importo de estar agindo estranho ou estar fazendo algo errado...
Engoli em seco.
Isso é ruim... Tenho que achar uma solução logo...
–O que eu quero é te amar e ser amada por você! Cumpra a promessa que fez comigo e com a Junko-chan! Por favor!
Eu não posso decepcioná-la, mas... Eu tenho que contar a verdade! Mesmo que... Mesmo que... Mesmo que ela me odeie!
–Yui... É o seguinte...
Espera, falar a verdade não vai ser ruim... Eu acho... Até porque... ela me ama de verdade... Só assim ela seria afetada pela “maldição”... Então...!
–...eu tenho algo a te contar...
–O quê? – ela inquiriu.
–É algo muito importante. Eu fui...
–Pare agora mesmo! – uma voz gritou atrás de nós.
Uma explosão ocorreu, levantando o piso e uma cortina de fumaça negra. Não conseguia mais ver nada, nem mesmo Yui que estava do meu lado.
–YUUUUUII! – gritei. Sem resposta.
–Ela não irá te responder, pois eu parei o tempo como antes... – o homem que causara aquilo respondeu.
–Essa voz...!
Ele, apenas com os braços livres, dissipou a cortina a sua frente.
–Parece que se lembra de mim... – ele comentou.
–Mas é claro, Jin – confirmei.
–Jin?! Meu nome é Jiki Hideo!! – Jin deu um chilique.
–Ah, é mesmo! Foi mal. Mas por que está fazendo isso?
–Por que... he he he... eu... não preciso mais de você.
–O quê?
–APENAS MORRA!
Arregalei os olhos e movi os braços ligeiramente para trás. Tentei me defender da espada que Jin invocara do além, contudo era impossível. Sua velocidade era tanta que eu já tinha perdido a vida. Se não fosse por uma pessoa que segurou o braço de Jin.
–Chega. Você não vai matar meu amigo – meu protetor determinou.
–Tomodachi! – reconheci o albino na mesma hora.
Jin se desvencilhou de nós e declarou:
–Isso ainda não acabou! Eu vou acabar com vocês dois!
–Por quê?! – questionei.
–Meus motivos não são de sua responsabilidade. Agora... devo eliminar o albino logo...
–He. Se sou albino, meus olhos não deveriam ser claros? – Tomodachi questionou.
Um gosto amargo surgiu em minha boca repentinamente.
É verdade. Os olhos dele são pretos. Mas... agora que parei para pensar, nenhum albino têm olho preto. Tem algo errado. Parece que... tenho alguma lembrança... querendo voltar...
Mas ela não deve voltar, a Voz do Além respondeu.
Estremeci. Jin estava sem palavras, então Tomodachi continuou:
–Pois bem, na verdade meus olhos não são pretos.
Jin sumiu de minha vista.
–Cadê ele?
–Pare de se camuflar, covarde – Tomodachi pediu com uma voz totalmente diferente. – Me enfrente... COM TODA A SUA FORÇA!
Nesse momento, Tomodachi enfiou os dedos indicador e médio direitos, cada um em um olho.
–O que está fazendo?! – berrei.
–Cuidado! – Jiki gritou (cansei de zoar o nome dele), jogando-se em cima de mim com os braços abertos e derrubando-me no chão.
Quando caí no chão, Tomodachi disse:
–Não se preocupe, Arashi. Logo resolverei isso...
Ele começou a apertar os dois olhos até um nível em que lágrimas de sangue começaram a escorrer. Depois comentou, tirando algo transparente deles:
–A lente finalmente saiu...
–ABAIXE A CABEÇA! – Jiki ordenou-me.
–Tarde demais – Tomodachi informou. – GEAS!
Uma explosão de luz consumiu o local, e nesse momento perdi momentaneamente os sentidos...
–--ENCERRAMENTO---
JIKAI:
Arashi: O que você tá fazendo aqui?!
Hideo: Eu serei o novo membro do clube.
Tomodachi: Tudo bem! É só fazer uma carta de cadastro no clube!
Tsuki: (esse cara é muito suspeito...).
Arashi: (É melhor eu só observar por enquanto...) E vocês, Inari e Shinji, o que fazem aqui?
Inari: Claro que eu vim pra te zoar, seu fodido!
Shinji: Onii-san, para com isso! Fala o que você realmente veio fazer!
Inari: Shinji, você é muito chato. Larga disso!
Shinji: Mas...
Inari: Vai se foder.
Arashi: ¬¬’
PRÓXIMO: CHAPTER #6 ~ STALKERS AND THE MADNESS PAST
Notas finais
Vocabulário:
-Big Boss: Grande Chefe, em inglês. É uma comparação a aqueles grupos de delinquentes e marginais, que sempre têm um líder forte fisicamente para comandar seus crimes e barbaridades, até mesmo estupros coletivos (gang band, vários homens e poucas mulheres). Também é uma comparação aos vilões finais dos jogos de RPG e aventura, por exemplo.
-Black Box: literalmente, Caixa Preta. Nos sistemas aéreos, em diversas empresas e organizações de inteligência, existem sempre várias Black Box, que guardam segredos e relatórios das mesmas em formato de arquivos digitais. O autor utilizou-se disso para criar uma conotação, pois nesse caso o significado seria Caixa de surpresas.
-Moshi-moshi: Equivalente ao alô usado para atender uma ligação e testar a ligação no Brasil.
-Yandere: Por fora, é uma garota/mulher fofa e carinhosa, mas por dentro é maligna, sádica e grossa, de maus modos. Geralmente assume essa personalidade para se dar bem com todos. Contrário de Tsundere*.
-Tsundere: Por fora, é uma garota/mulher grossa e violenta, tanto verbalmente como fisicamente. Sempre olha o amado torto, xinga-o e em alguns casos, o espanca. Mas no fundo o ama de coração, quer ser carinhosa com ele e tem fantasias bem interessantes em sua mente. Geralmente assume essa máscara porque tem vergonha de assumir seus sentimentos e real personalidade.
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