Raios de Luz
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Raios de Luz
Capítulo 2: O Primeiro Favor
Os raios de luz da manhã iluminavam uma pequena clareira no cemitério Aldomar.
Duas figuras podiam ser encontradas, uma deitada sobre a outra. A primeira era a de um garoto que se vestia inteiramente de preto, a outra é de uma garota de cabelos roxos que estava debaixo do adolescente de preto.
Podia-se notar uma mancha vermelha perto deles, a primeira vista, podia-se parecer que eles cometeram suicídio ou foram mortos de algum jeito.
Os olhos da garota começaram a se mexer lentamente quando os raios de luz do sol a atingiam em seu rosto. Ela começava a os abrir lentamente...
“Ahh... Ahhn? Já é de manhã?”Akemi perguntou a si mesma, depois de ter acordado totalmente, ela olhou ao redor.
Ela notou que ela não estava em sua cama, estava em um cemitério... Ela percebeu que o que tinha acontecido na noite anterior não era um sonho...
Era realidade...
“Mamoru?” Ela pensou, preocupada com seu melhor amigo. Ela olhou para baixo e viu que ele dormia tranquilamente em cima dela.
Ela começou a ficar com o rosto avermelhado. Ela não conseguia se lembrar direito de seus ‘últimos’ momentos, mas ela tinha certeza que ele fez algo que a deixou feliz por dentro... Ela não conseguia se lembrar do que...
“Mamoru? Mamoru, acorde, por favor...” Akemi falava enquanto balançava seu amigo gentilmente.
O garoto de olhos vermelhos começou a se mexer um pouco, abrindo seus olhos lentamente.
“Só mais um pouco Akemi...” Ele falava com a voz sonolenta.
Ficando com o rosto mais vermelho, ela decidiu pegar a orelha dele, e puxá-la.
“Ai!Ai! Okay, eu acorde-” Ele exclamou, e então percebeu que estava dormindo bem em cima da Akemi.
“uhh...” Ele começou a falar, porém percebeu que não era uma cama onde esses estavam deitados, mas sim chão duro. Seu rosto ficou vermelho com o que ele tinha pensado, mas depois ficou mais sério.
Ele se lembrou do que aconteceu nessa madrugada, o demônio Adamantes, o pacto que fizeram, o fato que eles ‘morreram’... Ele não conseguia se lembrar exatamente de seus momentos finais, mas tinha certeza que algo importante tinha acontecido...
“Akemi... Aquilo... Fizemos mesmo aquilo? O pacto eu quis dizer... Fizemos mesmo um pacto com ele?” Ele perguntou a sua melhor amiga, ainda com sua cabeça deitada sobre ela.
A adolescente parecia pensativa, seus dedos se entrelaçando nos longos cabelos sedosos do Mamoru.
“Sim... Aquilo... Aconteceu de verdade... Eu não me sinto muito diferente... Mas... Eu sinto algo diferente... Como se tudo tivesse ficado mais escuro de repente...” A adolescente explica, olhando para as nuvens, pensando sobre o que fazer agora.
Mamoru soltou um suspiro, e lentamente se levantou de cima de Akemi, que se sentiu um pouco decepcionada pela falta de calor. Ele ofereceu uma mão a ela, que a pegou e também se levantou.
“Hmm... Ele disse que ganharíamos ‘poderes’ sobrenaturais... Mas eu também não me sinto diferente fora isso que você mencionou... Talvez devêssemos tentar algo?” Mamoru perguntou a si mesmo.
“Sim... Mas, o quê? Não sabemos como ativar essas habilidades...”Akemi respondeu a pergunta de seu amigo com um tom de confusão.
“Hmm... Bem, acho melhor voltarmos pra casa agora...” Mamoru falou a sua amiga, que concordou com ele.
Enquanto saiam andando pelo cemitério, eles não perceberam uma figura fantasmagórica os observando. Adamantes havia se conjurado como fantasma, porém só se podia ver uma sombra demoníaca.
“Huhuhuhuh... Seus poderes se mostrarão através de instintos... Eu presenteei ambos com poderes sobre a gravidade... como será que eles usarão essas habilidades? Huhuhuh...” O demônio pensou para si mesmo, enquanto discretamente seguia os adolescentes.
Com Mamoru e Akemi...
Os dois adolescentes estavam andando pelas sombras das árvores, preferindo não pegar sol, eles andavam calmamente, contemplando sobre o ocorrido, para falar a verdade, eles estavam começando a sentir algo diferente... O que, eles não sabiam explicar.
Eles estavam andando distraidamente em uma rua deserta, nenhuma pessoa havia aparentemente acordado há essa hora... Bem, essa era uma rua não muito movimentada, então fazia sentido...
Tão distraídos com seus pensamentos eles estavam, que não perceberam que haviam cruzado um sinal verde, uma moto vindo em cima deles a toda velocidade...
“Ei! Saiam da frente!” O motoqueiro gritou, porém já era tarde demais, a moto estava quase a acertar os dois adolescentes, quando Mamoru se virou a ele...
Os eventos que seguiram isso aconteceram em câmera lenta...
Mamoru se virou ao motoqueiro barbudo, seus olhos vermelhos brilhando contra a luz do sol da manhã. Suas mãos ganharam uma aura púrpura transparente ao redor delas... Ele jogou suas mãos na direção do motoqueiro...
“AAAHH!” O motoqueiro gritou, enquanto ele e sua moto saiam voando na direção oposta aos dois. Ele havia sido atingindo por uma espécie de onda de choque, uma força tão grande que o jogou para trás, ignorando completamente a velocidade que ele estava indo.
O motorista e sua moto batiam em uma parede, deixando uma pequena rachadura na mesma. O motorista ficou inconsciente, a moto ficou um pouco torta.
Akemi e Mamoru estavam chocados.
“O que... O que aconteceu?!” Akemi gritou sua pergunta com um tom de confusão e choque. Mamoru simplesmente olhava para suas mãos.
“Esse... Esse é o poder que ganhamos?” Ele perguntou para si mesmo, suas mãos tremendo...
Ele não sabia o que fazer agora... Aquele homem provavelmente estava morto, ou machucado... Porém, ele pode salvar a Akemi e a ele mesmo... Ele sabia que era errado... Mas essa sensação de poder era...
“Eu quero tentar também!” Akemi exclamou, olhando ao redor... Ela achou uma câmera de rua, que infelizmente, havia filmado o motorista voar, porém, pelo ângulo dela...
“Essa câmera não nos pegou... Ainda bem...” Mamoru admitiu com um tom de alívio... Quando ele abriu seus olhos, ele viu Akemi, suas mãos com a mesma aura púrpura transparente as cobrindo... Ela estava apontando para a câmera.
*Crack!*
Ela havia esmagado um pouco a câmera, o suficiente para ela quebrar. Akemi começou a sorrir e então abraçou Mamoru.
“Hahaha! Essa sensação! É incrível! Esses são nossos poderes ‘sobrenaturais’? Se eu soubesse que eu só tivesse que me concentrar para ativá-los... Olhe Mamoru! Somos seres sobrenaturais agora!” Ela exclama com um sorriso, enquanto abraçava o garoto, que estava com o rosto vermelho.
“Ehh... Isso é bom, mas... Melhor sairmos daqui... Logo haverá gente querendo saber o que aconteceu com aquela câmera... Vamos!” Mamoru pegou a mão de Akemi, e ambos correram.
Durante essa corrida, ambos perceberam que, além de eles estarem muito mais rápidos, eles não estavam ficando nem um pouco cansados... Os dois começaram a rir enquanto apostavam uma corrida.
O caminho era longo, porém eles passavam pelas estradas como balas, velocidades muito acima do que humanos normais conseguiam chegar. Akemi ria e ocasionalmente usava seus poderes gravitacionais para fazer latas de lixo voarem na janela de lojas, quebrar vidros, jogar bancos no meio da rua deserta... Ela estava se divertindo muito!
Mamoru, por outro lado, simplesmente sorria pela sensação do vento em seu rosto... Ele se lembrou de uma coisa que Adamantes havia lhes dito, e então, ele pulou, pensando em voar.
Como mágica, um par de asas cinzentas saíram de suas costas. Elas pareciam asas de anjos, porém se dava para notar uma energia negativa nelas. Mamoru conseguia usar as asas como ele usava os braços, para ele, parecia que ele as usava a vida toda...
Akemi, olhando com os olhos abertos o que Mamoru havia feito, também pulou alto, pensando em voar até os céus...
Asas similares as de Mamoru saíram de suas costas, surpreendentemente não rasgando sua roupa. Ela começou a rir e enquanto voava cada vez mais alto. Mamoru a viu e decidiu segui-la...
Os dois voaram acima das nuvens... Mamoru havia lido que, quanto mais alto, menor a temperatura... Isso, e eles deviam ter sofrido por causa da pressão atmosférica... Mas eles não sentiam nada... Só um leve frio...
Os dois adolescentes começaram a brincar de pega-pega no céu, fazendo acrobacias aéreas para desviar do outro. Eles ficaram brincando acima das nuvens por uma boa hora... E então, eles começaram a sentir fome.
Mamoru, que havia pego Akemi em um abraço por trás, a evitando de voar, e então ganhando essa rodada, falou:
“Hahaha! Akemi, acho melhor voltarmos para casa, ainda não comemos nada hoje...” Ele falou a ela, que decidiu deitar o rosto em cima dele.
“Hehehe, okay, vamos para casa! O último a chegar é a mulher do padre!” Ela gritou, se soltou dele e disparou na frente dele, voando para baixo.
“Ei!” Ele mergulhou atrás dela, também rindo de felicidade.
Eles perceberam que enquanto voavam, eles eram muito mais rápidos do que quando corriam, o cenário do chão passava bem rápido para eles. Em pouco tempo, eles chegaram em casa. Ao mesmo tempo.
“Ah! Dessa vez foi empate, da próxima eu vou vencer!” Akemi declarava enquanto ria de alegria.
“Não pense que vai ser fácil!” Mamoru exclamou a ela, seu tom um desafiador. Ele notou que suas asas ainda estavam a amostra, pessoas que estavam na estrada, por sorte não viram as asas.
Mamoru pensou em esconder suas asas, e enfim, ele as sentiu entrando nele, desaparecendo. Akemi notou o que ele fez e tentou fazer a mesma coisa, pensando em esconder as asas, elas entraram no corpo dela.
Eles decidiram entrar na casa da família de Mamoru antes que eles chamassem atenção...
A casa de Mamoru era bonita, uma casa de dois andares, com um pequeno quintal na parte de trás, alguns móveis e vasos decorava o interior... A casa tinha três quartos, ambos eram suítes. Um deles era onde os pais de Mamoru ficavam, outro era o quarto dele e por fim havia o quarto de visitas. Quando Akemi visitava, ela geralmente ficava no quarto de Mamoru.
Quando eles entraram em casa... Perceberam que não estavam sozinhos...
Uma figura fantasmagórica dava boa vinda a eles... Sua silhueta era similar a do demônio Adamantes, ele ria malevolentemente. Por alguma razão, a casa parecia escura, mesmo com raios de luz entrando pela janela...
“Huhuhu... Se divertiram com seus novos poderes? Agora... Eu vim aqui cobrar de vocês o meu primeiro favor...” Adamantes falou, sua voz ecoando pelo local.
Akemi o olhava, ainda um pouco intimidada, porém foi Mamoru quem o respondeu.
“Qual é esse favor que quer de nós, e qual será nossa recompensa?” Ele perguntou cautelosamente ao demônio.
“Mwuhahah! É um trabalho simples para vocês mortais... Um agente da CIA... O nome dele é Karl Mackson. Ele está investigando uma força de rebelde, que segundo relatos, usa de magia negra para conseguir o que querem... Sua investigação está chegando perigosamente perto de achar uma das minhas relíquias... Seu objetivo é... Exterminá-lo...” O demônio falou, seu tom dando calafrios aos jovens.
“E... O que ganhamos com isso?” Akemi perguntou, sentindo um pouco de medo.
“Vocês irão ganhar... A habilidade de transformação demoníaca...” Adamantes falou com malícia.
“E o que essa habilidade faz?” Akemi perguntou curiosa.
“Ela permite que vocês mortais, se transformem em demônios completos, aumentando significativamente seus poderes sobrenaturais, sua força física, e sua resistência...” A figura fantasmagórica falava, seus olhos brilhando com um vermelho assustador.
Mamoru e Akemi olharam um para o outro e enfim, ambos responderam:
“Nós aceitamos!”
Capítulo 2: FIM!
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