Notas iniciais
Bom, vou falar mais sobre nas notas finais, então espero que gostem.

Acordei suspirando com meu despertador, e enquanto me enrolava mais alguns segundos na cama, cogitava a hipótese de jogá-lo contra parede. Respirei fundo tomando coragem para levantar e logo em seguida me arrumei para o colégio. Nunca sabia a resposta quando me perguntava por que ainda ia para aula.

Quando me olhei no espelho, senti nojo misturado à raiva e pude ver com assustadora perfeição o objeto se partindo contra meu punho e minhas mãos trêmulas indo de encontro aos seus cacos, então os usando para dolorosamente cortar meu rosto.

Balancei a cabeça e comecei minha higiene matinal, evitando olhar para o espelho.

No caminho para escola, via claramente a chuva despencar do céu. Era uma sensação estranha, pois sentia a luz do sol, que acabara de nascer, queimar a minha pele, e a água que eu via cair não era capaz de me molhar.

Um arco-íris aparece quando a luz branca do sol é interceptada por gotículas de água. A luz branca é uma mistura de várias cores. Quando a luz atravessa uma superfície líquida, a refração faz aparecer o espectro de cores.

Eu via a água e eu via a luz, mas não importa o quanto eu procurasse, não via o arco-íris.

Cheguei ao meu destino e sentei na carteira. Impulsivamente respondia os cumprimentos que recebia dos meus amigos, mas não prestava muita atenção no que ouvia ou no que dizia.

Quando a aula começou, pus os fones de ouvido, coisa que fazia para fugir da realidade e me trancafiar nos pensamentos. Os dois eram igualmente horríveis, mas eu tinha o mínimo de controle sobre a minha mente. Passei pelo menos meia hora com os olhos vazios, sem mover um músculo, até ouvir a voz insistente de Sasuke.

–Ino!- Me assustei com sua impaciência e passei a encará-lo. –O que você tem? – O moreno cochichou se inclinando para meu lado, afim de não atrair a atenção do professor.

–Nada, só estou enjoada. – Forcei meu melhor sorriso, que acabou saindo estupidamente falso e amarelo. Era a desculpa mais simples e plausível que eu conseguia dar, mas agora que havia prestado pouca atenção, meu estomago realmente estava revirando.

–O que você comeu ontem?- Naruto questionou se intrometendo na conversa.

A pergunta correta seria o que eu havia comido no ultimo ano, tempo que durava meu “enjôo”. Forcei minha memória para lembrar o dia anterior e balbuciei o nome de alguns alimentos.

Mais uma aula se passou e nem meu estomago ou meu humor melhoraram. Como conseqüência, Sasuke praticamente me arrastou até a enfermaria, e voltou para sala somente porque a enfermeira o expulsou a ponta pés. Quase me senti feliz com a preocupação do Uchiha.

A mulher que cuidava do local tinha cabelos negros curtos e era um pouco mais baixa que eu. Shizune media minha pressão enquanto tentava achar a veia no meu braço, para medir meus batimentos.

–Que difícil de encontrar a pulsação, em?- Ela sorriu simpática para mim, tentando descontrair o clima pesado que eu levava comigo aonde quer que fosse.

“Não adianta tentar achar, eu já estou morta.” Pensei em responder, mas a parte sã de minha consciência ordenou que eu me calasse.

Suspirei pela centésima vez aquele dia, esperando pacientemente a moça terminar de checar tudo o que precisava em meu corpo. Olhei em volta e vi o cômodo repleto de cinzas, que caiam do teto. Tranquei a respiração por alguns segundos, temendo respirar aquela poeira mórbida. Pisquei seguidas vezes até tudo voltar ao normal. Essas alucinações passaram a me assustar.

Alguns minutos depois, eu enchia meu estômago com um ótimo chá de camomila, ouvindo a enfermeira narrar os pacientes que já teve. Quando me contava histórias de doenças terríveis, frases como “que horror”, “coitado, espero que tenha ficado bem” ou “que absurdo” saíam de minha garganta, mas desejava secretamente que todas aquelas enfermidades entrassem no meu corpo simultaneamente e destruíssem cada célula do meu ser.

Caminhei lentamente para o pátio na hora do intervalo, indo de encontro a minha amiga.

–Que cara é essa?- Antes que Sakura pudesse formular a próxima palavra, me atirei contra seu corpo em um abraço, afundando meu rosto em seu pescoço.

–Eu quero morrer. – Foi a única coisa que pude pronunciar antes de cair em prantos, me odiando ainda mais por chorar na frente daquela multidão.

A Haruno me abraçou com zelo e me conduziu a um local mais afastado, para então me encarar.

–Está tudo acontecendo de novo Saky, tudo. Eu me sinto triste o tempo todo.- As palavras saíam em disparada da minha boca.- Só não consigo acabar com isso, pois não suporto a imagem de meus pais encontrando meu corpo caído no banheiro, envolto por uma poça de sangue. Eu desejo tanto que isso passe, tanto. Porque essa dor não vai embora? Porque eu não consigo ser feliz igual qualquer pessoa normal? Porque eu tenho que ser... –Olhei enojada para meu próprio corpo. – Isso?-

–Ino, olha bem para você! Você é loira, possui olhos azuis maravilhosos, você é linda. Não somente por fora, mas por dentro. Você é uma pessoa maravilhosa. –Não é muito convincente ouvir isso de uma garota com olhos incrivelmente verdes e cabelo rosa natural, que pretende ser médica e faz estágio em um posto de saúde. – Isso vai passar, eu te prometo. Essa doença só ataca as pessoas mais fortes, pois são elas que suportam coisas que nenhuma “pessoa normal” seria capaz. Tanta gente sentiria sua falta, tanta gente iria chorar com sua falta. Há tantas pessoas que te amam. Você é especial Ino, acredita em mim. – A voz da rosada saía angustiada e eu via lágrimas se formando em sua retina.

–Eu sou nada! Eu sempre fui. Eu sou apenas um peso morto no mundo. Não consigo fazer a diferença para ninguém, eu sou nada para ninguém,-

–Você é minha melhor amiga, isso não é suficiente?- Sakura me interrompeu em meio ao desespero, deixando as lágrimas escorrerem de seus olhos.

Aquilo foi como um tapa para mim. Não consegui pensar, nem dizer algo. Só tive forças para abraçá-la e me desculpar.

Decidimos matar as ultimas aulas juntas e acabamos por ficar na entrada do colégio. Era incrível o poder que ela tinha sobre mim. Depois de uma hora conversando, me sentia feliz, viva novamente.

Na hora do almoço, nos despedimos e cada uma seguiu seu caminho. Ao longo dele, sentia meu animo decaindo, como se tivessem tirado o carregador do celular. Quando cheguei em casa, era como se não tivesse passado horas rindo com Sakura.

Suspirei e tive a imbecil ideia de stalkear Gaara, o menino que fazia meu coração palpitar. Assim que entrei em seu facebook tive a infeliz noticia que o ruivo havia voltado com sua namorada.

As várias palavras meigas que ele havia me dito e os longos abraços cheirosos seguidos por um beijo na bochecha passavam pela minha mente. Me senti ridícula por acreditar que poderia ter algo com o Sabaku, enquanto ele tinha a maravilhosa Matsuri ao seu lado.

Minha respiração congelou por alguns instantes e quando pude voltar a sugar o ar para dentro de meus pulmões, o oxigênio arranhava minha garganta e fazia minha cabeça girar. Senti náuseas quando me dei conta que eu fui ingênua em acreditar que ele se apaixonaria por alguém tão repugnante como eu.

Sentia a solidão me abraçar novamente. Seus braços eram ásperos e seu colo era gélido.

Enfiei goela abaixo no mínimo cinco pílulas dos primeiros remédios que encontrei, esperando que aquela mistura me levasse ao hospital, para que essa sensação de torturante acabasse de uma vez por todas.

Infelizmente, os comprimidos apenas me anestesiaram, deixando-me extremamente sonolenta. Deitei em minha cama, me concentrando no ultimo desejo que tive aquele dia.

“Que esta seja a ultima vez que meus olhos estejam abertos. Por favor.”

Notas finais
Primeiro, caso você acompanhe Simplesmente Nós e esta me xingando até não poder mais por eu postar uma fic e não atualizar a outra, leia essa história de novo pois você não entendeu lhufas do que eu escrevi e do porque eu ainda não atualizei SN.Caso você não tenha lido Simplesmente Nós, ignore o paragrafo acima.Bom, eu tenho consciencia que a fic não ficou boa, eu mal revisei, então não sejam muito cruéis em apontar os erros. Eu só escrevi porque senti vontade. Senti vontade em colocar em palavras o meu pensamento, só isso.Não sei se vai ser One Shot, ainda não decidi. Até o momento, vai ser, mas caso eu tiver vontade de escrever mais sobre o assunto, a fic não vai estar terminada...Enfim, deixem reviews pra deixar uma autora feliz ♥Obrigada por lerem
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.