Rainha do Caos

7 Sete - Como se declarar pateticamente a alguém


Notas iniciais
Keen: Hey pessoas do meu coração!! Como vão vocês? Irritados pela demora? Eu sei. Foi o seguinte, já faz tempo que nós havíamos escrito esse capítulo, o problema é que ele não estava bom. Então gente, em minha opinião, é melhor esperar um pouquinho e receber algo bom, do que ler algo que vem rapidinho, mas, porém, uma porcaria, né?? Então boa leitura e até lá embaixo. Milli: Gente, foi muito difícil escrever este capítulo. Eu acho que a gente fez ele pelo menos umas três vezes, mas conseguimos! Eeebaa!! Boa Leitura...

Hoje é Halloween e Sienna Bloomfield foi o centro das atenções no colégio. Não porque ela seja uma bruxa... Não, não... Espera... Ela é sim! No entanto, além disso, era seu aniversário. O dia reservado para servi-la. Juro que vi com meus próprios olhos duas pirralhas do primeiro se estapeando pra ver quem conseguia comprar o lanche dela primeiro.

Eu sei, é ridículo. Mas parece que só eu enxergo isso.

A Festa do Ano, segundo alguns, seria na nada humilde mansão dos Bloomfield. E era pra lá que Alicia e eu nos dirigíamos nesse instante. Quer dizer, era o irmão da Alicia que dirigia, mas acho que você entendeu.

– É ali — Alicia apontou para uma mansão toda iluminada enquanto percorríamos a rua.

– Vocês vão querer que eu busque vocês? — O irmão da Alicia perguntou. Ele se chama Jake, está na faculdade e é praticamente uma cópia masculina de Alicia. Eu costumo dizer que ela é o Jake de peruca, mas Alicia não curte muito isso.

– Acho que é bom — Alicia avisou abrindo a porta. — Eu te ligo quando quisermos ir embora.

Nós nos despedimos dele e descemos do carro. Em minha opinião – não que muitas pessoas se interessem por ela – a iluminação do jardim da frente estava um pouco exagerada. Era moleza tentar encontrar essa casa no outro lado da cidade. Mas se tratando de Sienna Bloomfield, bem, tudo era muito exagerado.

O jardim da frente era bem largo e com alguns coqueiros espalhados. Eu já havia passado por essa rua algumas vezes, mas foi bem rápido. Alicia me disse que a mãe dela costuma vir aqui pra tirar as medidas da Sra. Bloomfield pra fazer alguns vestidos e antigamente tinha o hábito de acompanhá-la.

Havia uma fila enorme que começava na porta de entrada e ia até a calçada. Fiquei com vontade de ir embora, mas é obvio que Alicia não deixou.

– Larga de bobeira, Lise — ela disse. — Já está chegando nossa vez, calma.

Aham, já está chegando mesmo. Só falta umas... trinta pessoas! Isso tudo porque a louca da Sienna resolveu colocar um porteiro lá na entrada pegando os nossos convites e verificando se o nosso nome está na lista. Garota mais doida. Não sei pra que isso. Ela convidou praticamente os dois lados inteiros do colégio. E tenho certeza que ela não conhece não todo mundo.

– Elise Foster — eu disse entregando meu convite quando chegou a minha vez.

O porteiro estava fantasiado de Charles Chaplin e parecia jovem. Aposto que é um garoto do primeiro ano baba ovo da Sienna que ela conseguiu enfeitiçar. Ele me encarou um pouco e abriu a boca pra dizer alguma coisa, mas não falou nada. Voltou olhos para lista e me deu passagem. Garoto mais estranho.

Esperei Alicia no lado dentro. A sala de estar estava um pouco escura, sendo iluminada apenas pelo globo de luz espelhado pendurado no teto. Tocava uma música bem lenta e alguns casais dançavam sobre uma pista de dança.

Alicia me agarrou pelo braço e começou a me arrastar. Era tão grande aquela sala, que do outro lado já estava a parede de vidro com vista para o jardim.

Eu estava estranhado a calmaria presente no lado de dentro, foi aí que percebi que a festa de verdade acontecia no lado de fora.

Havia uma piscina quase olímpica de um lado do jardim e do outro, a pista de dança era muito maior que a da sala. A música que tocava era um pop agitado que explodia pelas caixas de som espalhadas pelo gramado. Havia bastante gente fantasiada dançando e outros grupos espalhados bebendo um ponche vermelho.

– Quando você vai entregar isso daí, hein? Escuta, se você desistir, eu posso entregar o meu e dizer que é de nós duas. O que você acha?

Era do presente que eu havia comprado pra Sienna que Alicia estava falando. Quando eu disse a ela que daria uma vassoura de presente pra Sienna, Alicia riu dizendo que eu não era capaz de fazer isso.

Coitadinha, parece até que não me conhece.

Assim que acabou a aula, eu fui direto comprar a vassoura. E pra não dizer que eu sou má, comprei um cartão de aniversário e um papel bem bonito pra Alicia me ajudar a empacotar.

– É obvio que eu vou entregar isso daqui — ergui o pacote comprido na minha mão.

– Você sabe que ela vai querer se vingar de você, não sabe? — Alicia alertou.

– Fica despreocupada — aconselhei. — Sienna só late e rosna. Morder que é bom, não morde.

Alicia bufou revirando os olhos.

– Sienna está bem ali, ó — ela apontou em direção a piscina. — É agora ou nunca.

Eu respirei fundo enquanto tomava coragem. Sienna vai ter que me agradecer depois. Acho que vou ser a única convidada a dar um meio de transporte a ela.

Caminhei até onde ela estava e pigarreei. Sienna se virou para encarar o ser que havia a incomodado. Então deu de cara comigo. Acho que ela devia estar fantasiada de Cleópatra, porque só isso explicaria a peruca preta que ela usava por cima do cabelo cor de palha, e o fato de suas amigas estarem vestidas de múmia.

– Elise? — ela perguntou surpresa me encarando dos pés a cabeça. Mas essa expressão logo se desmanchou e seu nariz franziu em descaso. — Ian chegou primeiro, você nem precisava ter aparecido.

– Pois é, mas eu não poderia deixar de te dar isso — eu disse entregando seu presente.

Sienna franziu a sobrancelhas enquanto rasgava o pacote. A minha sorte é que havia algumas pessoas por perto, porque a cara dela quando percebeu o que tinha em mãos, não era nada agradável. Acho que se estivéssemos a sós, ela arrancaria meu pescoço.

Seus olhos se arregalaram e ouvi suas amiguinhas rirem sem querer. Sienna se aproximou bem do meu rosto e pude ouvir seus dentes rangerem.

– Você vai se arrepender por isso, Foster — sussurrou antes de virar as costas e sair rebolando pelo gramado sendo seguida pelas suas fiéis múmias escudeiras.

Estou morrendo de medo. Isso foi uma ironia, só pra ressaltar.

*****

– Se essa não fosse a festa da Sienna, — disse Alicia enquanto se sentava ao meu lado — adoraria dizer que está perfeita.

Eu estava sentada num dos pufes espalhados pelo gramado enquanto via Alicia dançar com um garoto que ela havia acabado de conhecer. Volte e meia ela se lembrava que eu também estava na festa, se jogava ao meu lado durante alguns minutos e depois voltava a dançar.

– Já sabe o nome dele por acaso? — eu perguntei olhando de longe para o garoto que agora dançava sozinho. — Sobrenome, idade, signo, série.

– Luke Andersen, dezesseis anos, sagitário e estuda no segundo ano do St. Reece — Alicia informou contando nos dedos. — E não é da sala do Ian.

Eu a olhei de lado assustada.

– Você é rápida.

– Eu sei — ela concordou e eu lembrei-me de uma vez que uma garota havia elogiado Sienna no corredor dizendo o quão incrível ela era e Sienna havia respondido a mesma coisa que Alicia.

Falando em Sienna, ela tentava me ignorar, mas eu sabia que estava se roendo por dentro.

Rodei os olhos pelo jardim. Aqueles adolescentes pareciam que haviam sido carregados por longas horas, já que a bateria deles aparentava nunca acabar.

– Ai Elise, porque você não levanta daqui e vai dançar? — Alicia perguntou. — Está tão divertido.

Ergui a cauda comprida do meu vestido deixando a mostra o par de pantufas que eu usava. Alicia riu.

– Ah é, foi mal. Esqueci que seu pé está machucado.

Acho que devo ser a única garota no universo que vai de pantufas para uma festa de aniversário. Mas só pra deixar claro, não foi ideia minha. A Sra. Clarke que fez o meu vestido propositalmente mais comprido pra eu poder usar algo confortável nos pés. E por acaso existe algo mais confortável que um bom par de pantufas?

Falando na minha fantasia, eu passei a manhã toda rezando pra que acontecesse algo bizarro com ela e que impossibilitasse o seu uso. Mas quando eu cheguei à casa da Alicia logo depois de ter ido comprar o presente de Sienna, a Sra. Clarke disse que ela estava perfeita, pronta para o uso.

Eu quis fechar os olhos quando a mãe da Alicia tirou-a do guarda roupa, mas não consegui. Simplesmente porque era impossível de desviar os olhos daquilo.

Não era simplesmente a roupa da Ariel: duas conchas tampando em cima e uma cauda. Até porque se fosse, eu daria meia volta e voltaria pra minha casa. Mas era muito mais que isso.

O vestido em si era muito atraente e misterioso. Havia um dégradé de cores que começava pelo roxo no bojo tomara que caia bordado com pedrarias da mesma tonalidade e ia enfraquecendo ao ponto de no meio da barriga, mais ou menos, começar o verde. Um verde bebê que ficava a cada instante mais forte. Nos joelhos, a saia do vestido se abria como uma cauda. Uma cauda de sereia, sacou?

Sem querer, encontrei um par de olhos que me encarava fixamente do outro lado do jardim. Era um garoto e pra falar a verdade, até que era bonito. Senti minhas bochechas corarem e desviei os olhos rapidamente.

– Ai, ai o Luke é tão gato...– Alicia começou.

Olhei de volta para o garoto e seus olhos continuavam grudados em mim.

– E dança bem acredita?– ela continuou, mas eu não dei ouvidos.

Já estava me sentindo mal. Aquilo poderia ser considerado assédio, não podia? Assédio...visual?

–É super engraçado também...

Foi então que ele sorriu. Um sorriso de lado um pouco divertido, mas ao mesmo tempo de alguém que estava com vergonha. Lembrou-me Ian, mas tirando a parte da vergonha, porque isso é uma coisa que ele não tem.

– Caramba, o senso de humor dele é incrível, sério...

O garoto ainda me observava. Virei um pouco, para ficar mais de frente com Alicia e tirar ele da minha visão.

–Até com o pisão que eu dei no pé dele, ele fez piada– Alicia contava.

Joguem pedras em mim, se quiser, mas eu não resisti em olhar para trás. E se quer saber? Ele ainda estava me encarando.

– Adoro garotos engraçad-

– Tem alguma coisa de errado comigo? — perguntei, assim mesmo, na lata.

Alicia franziu as sobrancelhas, confusa.

– O quê? — disse ela me examinando — Claro que não. Você está linda. Mas porque a pergunta?

– Alicia — eu murmurei cutucando a costela dela. — Olha aquele garoto ali. Ele não para de me encarar.

Apontei disfarçadamente e Alicia seguiu com os olhos. Vi ela abrir um grande sorriso.

– Elise Foster arrasando corações — ela me deu um soquinho fraco no braço. — Bem que minha mãe disse que com essa fantasia você ia arrumar seu príncipe encantado.

HÁ-HÁ. Como seu eu acreditasse em contos de fadas. Sempre fui uma criança bem ciente do que acontecia a minha volta. Sei muito bem que príncipes encantados não existem.

– Pára Alicia — reclamei. — Ele ainda está olhando?

– Aham — ela diz com um sorriso.

– Você acha que eu devo...

– Não, não — ela diz levantando-se. — Pode ficar sentadinha aí que ele logo, logo vai vir falar com você.

– Mas...

– Mas nada. Alá, não disse. Tchau amiga, vou dançar.

Ela caminhou para a pista de dança e quando olhei novamente na direção do garoto, percebi que ele havia desencostado da parede onde estava e sumido na multidão.

Levantei do pufe ficando estática. Estou apavorada, eu sei. E nesse momento estou de olhos fechados rezando pra que ele não venha falar comigo.

– Quer dançar?

Abri os olhos rapidamente quando a voz murmurou perto de mim. Era ele, esticando o braço e oferecendo a mão.

– Eu acho que não vai dar — me desvencilhei sendo sincera enquanto me sentava de novo. — Meu pé está um pouco machucado.

O garoto tinha o cabelo escuro que caia charmosamente pela testa e os olhos eram da cor do mel. Ele arqueou uma das sobrancelhas, como se desconfiasse de mim.

– Não faz mal — disse ele. — Vou te fazer companhia, pode ser?

Eu assenti sentindo o coração acelerar. Eu não poderia mandar ele ir pastar, não é? Além dele ser um tanto intimidador, pode acreditar, mas às vezes a educação me manda lembranças.

– Então, você é Elise Foster, certo? — o garoto perguntou se acomodando do meu lado.

– Como sabe meu nome? — indaguei, mas o interrompi rapidamente ficando irritada. — Ah, já sei. Deve me conhecer por eu ser “irmã” de Ian Becker, não é? — realmente fiz aspas com os dedos e ele riu.

– Talvez — respondeu. — Mas soube que interpretará Claire naquela peça do Professor Pierre.

Suspirei.

– Prefiro que meus fãs nem se empolguem muito — eu disse. — Será a primeira e a última, assim espero.

Ele sorriu e percebi que tinha covinhas.

*****

Ele se chama Cameron e sinceramente é o garoto mais legal que eu conheci. Não que eu tivera muitas experiências com garotos... Okay, eu não tive nenhuma, mas mudando de assunto, nunca pensei que algo legal aconteceria nessa festa. Não mesmo.

Ele me encarou e pela primeira vez nesta noite ficamos sem assunto pra conversar. Meus olhos se desviaram do dele e tentaram se focar na multidão.

Reconheço a Barbie no meio daquela zona simplesmente por seu cabelo loiro brilhar mais que as luzes do jardim e me toco de que ainda não tinha o visto. Adoraria saber o que ele passa naquele ninho que chama de cabelo – apesar de que nem de longe o cabelo dele pareça um ninho – e aposto que muitas mulheres por aí também gostariam.

Ian está rodeado por aquele bando de babuínos descerebrados que sempre andam com ele. Por alguns instantes, o peixe albino levanta os olhos do que quer que um de seus amigos esteja mostrando em mãos e fita as pessoas ao seu redor, então seus olhos azuis brilhantes se focam em mim.

Não queria que ele tivesse me visto porque estou com vergonha. Tudo bem, podem tacar pedras em mim, mas é exatamente o que eu estou sentindo: VER-GO-NHA. Estou com vergonha porque não me sinto eu mesma. Creio que a maioria das pessoas não estão me reconhecendo. Talvez pelo tanto de argamassa, digo maquiagem, que Alicia jogou na minha cara.

Coro, mas agora não é de vergonha, é de raiva. Porque depois dele me encarar surpreso, ele sorriu, daquele jeito que fariam garotas desmaiar. Mas este não é meu caso. E, além do mais, porque ele está assim? Não era ele que estava me dando um gelo até ontem? Cara mais estranho.

Alicia apareceu do nada bem na minha frente, tampando a visão que a Barbie Becker tinha sobre mim. Tenho que lembrar de agradecê-la por isso.

– Desculpa interromper, mas está na hora de cantarmos parabéns pra hiena Bloomfield — Alicia murmura fazendo um sinal de descaso com a mão e tenho a rápida impressão de que ela está bêbada.

– Você disse hiena? — Cameron perguntou segurando uma risada.

– Eu? — Alicia colocou a palma da mão sobre o peito. — Claro que eu não disse hiena. Vamos Elise, vamos.

Ela não está muito bem. Além do fato de sua dicção está terrível, ela nunca me separaria de um garoto. Se Alicia estivesse bem, ela ficaria longe de mim e de Cameron, tenho certeza. Pra deixar vocês a sós, era o que ela diria.

Eu me despeço de Cameron — rezando mentalmente pra que eu o veja de novo — e sigo Alicia pela multidão que canta animadamente os parabéns para a aniversariante. Agora todo mundo está em volta da comprida mesa que se encontra o bolo gigantesco de três andares.

Pela minha baixa estatura, demora um pouquinho pra encontrar um lugar onde posso ter visão do que está acontecendo, mas quando encontro, percebo que Sienna já cortou o bolo e está segurando um pratinho com um pedaço.

Tenho medo de ela querer tacá-lo em mim por isso me escondi um pouco atrás do garoto na minha frente. Mas logo depois que fiz isso alguém gritou perguntando pra quem seria o primeiro pedaço.

Sienna moveu os olhos por todo mundo e parou em Ian Becker.

– Para o garoto mais especial que existe nesse mundo — disse ela mirando Ian.

Eu olhei pra Alicia ao meu lado para rirmos juntas, porque sem dúvida aquela era a declaração mais patética do ano, mas ela não me olhava. Ela estava estática demais, enquanto a multidão havia começado a gritar e se agitar. E por uma frestinha pude ver também o porquê de todo alvoroço.

Sienna havia se jogado em Ian.

Não sei exatamente explicar o motivo, mas tudo que eu queria era que meus olhos estivessem me traindo. Que nada do que estivesse acontecendo a poucos metros de mim fosse real.

Mas era. Sienna tentava beijar Ian. Tentava não, porque agora ele correspondia.

Notas finais
Keen: Eu amo terminar capítulos desse jeito. Eu não sei o que vocês pensaram quando leram o título desse capítulo, mas imagino que não tenha sido o que acabaram ler né? Agora vamos começar com a mendigagem: comentários nos motivam e foi muito difícil de escrever esse capítulo, então peço com carinho que deixe um comentário pra gente. Dizendo principalmente o que vocês acharam da parte que entra o Cameron e desse finalzinho que não quero nem lembrar que escrevi. Obs: Como o capítulo era longo, talvez na hora que relemos não percebemos que hovesse algum erro, então se encontraram, por favor, nos avisem. Milli: M-E-U D-E-U-S... Esse, em minha opinião, foi o melhor capítulo de todos. Talvez eu ache isso porque a gente ainda não postou o próximo, mas fala sério, isso foi muito massa. Exceto a parte da Sienna, aquela vaca leiteira! Gente, não esqueça de deixar seu comentário e fazer a gente feliz!! PS: O próximo capítulo está SENSACIONAL, dou a minha palavra!!! O problema é que ele está apenas nas nossas mentes. Então, pra escrevê-lo precisamos de muita inspiração, que só vem quando vocês comentam.