Rainha do Caos

4 Quatro - Por onde andas tu, Tofu?


Notas iniciais
(Keen) Não foi mal, foi péssima a nossa demora, gente! Mil desculpas!! (Milli) Concordo com a Keen, desculpa aí galera!! (Keen) Certo, pra compensar esse capítulo está ótimo. Até agora é o meu preferido. Beijocas da gente e boa leitura!!

– E então Elisinha, como foi sua manhã? — Ian perguntou ironicamente, enquanto eu me acomodava no banco de trás do carro. Estreitei os olhos na sua direção. Ele estava no banco da frente, ao lado da mamãe que dirigia com um excesso irritante de cuidado. Ela tombou a cabeça para o lado com um sorriso bobo.

– Olha que fofo — murmurou saindo do estacionamento. — Ele se preocupa com você, Lise.

– Muito — ele respondeu, mesmo que não tivesse sido feita uma pergunta. Panaca.

Eu bufei indignada. Acho uma injustiça ele ter nascido com aquilo virado para lua sendo tão chato e idiota. Eu, que sou tão legal – ok, nem tanto — só me ferro.

–Não tem nenhuma notícia pra sua mãe? — ele perguntou com os olhos transbordando de diversão.

Era óbvio que ele esperava que eu tivesse sido expulsa. Ou no mínimo, suspensa.

–Não — respondi seca. — Pra sua infelicidade não tenho nenhuma notícia. Satisfeito?

Ele não disse nada, nem se virou para trás, mas conhecendo ele, com certeza deve ter erguido as sobrancelhas daquele jeito desconfiado mais idiota possível.

Alguns minutos de silêncio absoluto — quer dizer, tirando a música brega e horrível que tocava no rádio e que a mamãe adorava — foi o bastante para que meu cérebro me lembrasse de algo, que talvez, só um pouquinho, o irritasse.

– Ah sim. Eu trouxe uma péssima notícia — Os olhos dele se iluminaram como o meu abajurzinho de aquário do quinto ano. — Vou ter que fazer um trabalho de escola com sua namorada.

– Namorada? — Mamãe arqueou as sobrancelhas olhando de lado para ele.

– Que namorada? — Ele se virou bruscamente pra trás e me encarou. Ian estava mais bronzeado do que o normal. Mais um pouquinho e já pode ser chamado pra fazer propaganda de bronzeamento artificial. É nisso que dá ficar o dia inteiro no clube. Ele diz que é pra treinar, mas eu não acredito não. Tomara que um dia ele esqueça de passar protetor solar e vire um camarão gigante. Eu ia rir muito.

– Sienna Blomfield — murmurei virando-me para janela.

Estávamos passando bem em frente ao parque para cães. Se eu tivesse um o levaria ali, mas eu tenho um gato... Se chama Tofu...e... Oh Meu Deus... Meu gato! Eu não havia visto ele desde a hora que levantei. Misericórdia. Ele é gordo e lento. Do tamanho de um porco. E ainda ruivo que nem eu. Mas eu o amo mesmo assim. Se ele fugiu, pode ter sido pego pela carrocinha e... Não...Pera... Carrocinha é pra cachorro, certo? Ah, deixa pra lá. Prefiro pensar que ele esteja entalado em algum lugar.

– Ela não é minha namorada — Ian bloqueou meus pensamentos sobre meu gato ruivo e gordo.

– Por acaso já disse isso pra ela? — Virei-me para encará-lo.

Ele revirou os olhos. Estava com raiva. Um a zero para Elise Foster! Daí até em casa, ficamos em silêncio. Quer dizer, minha mãe chegou a amaldiçoar um cara que buzinou atrás da gente. Mas ele tinha toda razão. Ele. Não ela. Mamãe deveria ser proibida de dirigir.

O carro de Michael estava na garagem, o quer dizer que ele e Finn já haviam chegado. A primeira coisa que fiz quando pisei na sala de estar foi procurar meu gato. Aquela bola de pêlo ruiva não estava em nenhum lugar. Juro que ergui até a tampa do vaso pra ver se ele estava lá. Mas pra minha infelicidade, não.

– Ei Lise, você viu a Matilda? — Finn se aproximou do sofá onde eu estava deitada. Ele tinha o mesmo cabelo loiro do irmão, só que era branquelo – mais um pouco e ficava transparente (tá, exagerei) e tinha sardas no nariz.

– Aquela sua aranha nojenta? — Perguntei franzindo o nariz e me levantando lentamente do sofá.

– Ela não é nojenta...

– É sim, muito nojenta e não, eu não a vi. Mas se ela sumiu trata logo de achar aquilo, porque senão terei que dormir no quintal.

– Não seria mal — Ian riu diabolicamente enquanto subia as escadas. Aposto que ele ligaria os regadores automáticos.

– Ah você fala da sua aranha, mas ninguém aqui gosta do seu gato — disse Finn dando de ombros. — Ainda bem que Ian deu um fim nele.

Eu processei aquilo um pouco devagar, então quando entendi o que eu havia escutado, saí correndo e agarrei Finn pela camisa. Por incrível que pareça, o pirralho estava quase da minha altura. Grrrrr. E ele ainda tem 12 e eu 16. Que injustiça!

– O que foi que você disse? — Perguntei lentamente do modo mais assustador possível.

– Ué, se o Tofu sumiu o único que teria coragem de fazer alguma coisa com ele, seria o Ian, não acha?

Abri a boca em surpresa. Como eu não havia pensado naquilo antes? Subi as escadas correndo atrás da doninha loira. Eu ia matar aquele infeliz se... a porta do quarto dele não estivesse trancada.

– Ian Becker! Abre essa porta agora — eu berrei esmurrando a porta. Aquelas aulinhas de kung fu que eu recusei cairiam muito bem agora. — Ian Becker!

Pra me fazer raiva, ele abriu, só que bem devagar.

– Elise, eu sei que meu nome é lindo, mas não fica bem nessa sua voz de taquara rachada, então para de falar — ele resmungou aparecendo de uma vez.

– Lise, Ian, venham comer — mamãe gritou lá debaixo.

– Já vamos — respondi bem alto. — Onde é que está o meu gato? — Perguntei ferozmente. — Se confessar agora, a sua pena será reduzida.

Ian riu.

– Eu não sei onde está o seu gato — ele respondeu fazendo o movimento de fechar a porta. Eu brequei colocando o pé, o impedindo.

– Por que acha que eu acreditaria nisso? — Detestava o fato de ele ser alguns palmos mais alto que eu. Eu tinha que olhar pra cima.

Ele umedeceu os lábios suspirando.

– Porque eu estou falando a verdade? — Ele respondeu o óbvio.

– Eu tenho cara de palhaça? — Perguntei e ele sorriu.

– Quer que eu responda o que eu acho?

– Cala a boca! — berrei.

Ele revirou os olhos e com o movimento brusco fechou a porta, mas ele – e eu também – havia esquecido que meu lindo pezinho descalço ainda estava ali, impedindo a porta de ser fechada.

Gemi de dor e o xinguei. Já estava quase o estapeando, quando mamãe gritou de novo.

– Se eu fosse vocês viriam rápido — disse ela.

Tentei lançar um olhar mortífero a ele, mas a dor insuportável que eu sentia fez com que minha expressão furiosa virasse uma careta horrenda.

– Foi mal, Elise — ele saiu no corredor em direção as escadas e o segui. Mancando. Era tudo o que eu mais precisava.

– Eu avisei, mas vocês não vieram — mamãe murmurou tapando a boca cheia.

Michael suspirou.

– Vocês deveriam ter vindo mais rápido, crianças.

Ian deveria estar tão confuso quanto eu. Desci o primeiro degrau com o meu pé ainda doendo. Foi quando eu vi. A caixa da melhor panqueca salgada de toda a cidade em cima da mesa. Um sorriso largo estampou minha cara e mamãe percebeu. Ela abriu a caixa e havia apenas uma panqueca lá dentro.

Meus olhos se arregalaram e infelizmente Ian também viu. Ele foi mais rápido e saiu na minha frente. É claro, não era ele que tinha um pé parcialmente quebrado. Só que pra minha alegria deu tempo de segurar o colarinho dele e freá-lo. Porém de nada adiantou. Ele era mais rápido e forte que eu – e não estava com o pé machucado. Ahá! Mas acha que ele chegou na minha frente? Nananinanão.

Juntei todas as minhas forças e pulei alguns degraus. Seria tipo uma cena de filme do Jackie Chan se eu não tivesse escorregado no tapete. Desde quando tinha tapete ali? Mas se Ian não tivesse parado para rir da minha cara, eu não teria conseguido agarrar seu tornozelo e o feito escorregar e cair igual uma manga podre no chão.

Seria eu que comeria aquela panqueca. Custe o que custar...

– Que delícia isso, hein?

Ian e eu levantamos a cabeça no mesmo instante. Finn saboreava a minha panqueca enquanto mamãe e Michael nos olhavam espantados.

– Finn diga que você não fez isso — disse Ian de um jeito assustador.

Finn ergueu as sobrancelhas.

– O que? Que eu comi a panqueca? — ele indagou. — É, eu comi. Vocês poderiam ter dividido entre si, mas preferiram ficar aí se estapeando. Ela iria esfriar se ninguém a comesse.

Dito isso, o pirralho levantou-se e saiu andando, como se nada tivesse acontecido. Enquanto eu e Ian estávamos ali, largados no chão.

– Mãe! — Supliquei em direção dela.

– Nem mãe, nem mais, nem menos — ela respondeu. — Bem feito! Porque não escutam seu irmão e parem de agir feito crianças, hein?

Droga de Ian. Droga de Finn. Droga de panqueca. Droga de Vida!

E que droga de pé também. Já se passou horas desde o ocorrido e ele está do tamanho de uma bola. Ainda não consegui decidir se está verde, roxo ou vermelho. Talvez os três. A única coisa que eu sei é que eu nunca senti tanta dor desde que quebrei o braço caindo da árvore do quintal da minha avó materna. Isso há vários anos atrás.

– Isso está horrível mesmo, Elise — Alicia estava sentada na cama junto comigo. Ela ainda usava a roupa do treino de tênis. Havia tido aula extra hoje no período contrário as aulas, mas eu não pude ir, já que meu pezinho encontra-se em situação deplorável.

– A Barbie pegou pesado dessa vez, não é? — Perguntei com esperanças da minha amiga finalmente mudar para o meu lado.

Mas ao contrário disso, ela riu.

– Ele não teve culpa — disse ela. — Foi você que colocou o pé lá por livre e espontânea vontade, não foi?

Eu peguei uma almofada e taquei na cara dela.

– Você não parece ser minha melhor amiga, sabia? — Perguntei chateada cruzando os braços.

– Ah Lise. Você é muito cabeça dura — ela disse isso na minha cara? — O Ian é perfeito.

Sinceramente, eu não agüento mais ouvir essa frase.

– Sabe o que acho? — ela perguntou se acomodando direito na cama. — Que depois que sua mãe casou você ficou com ciúmes de ter que dividir suas coisas com seus novos “irmãos” — ela realmente fez aspas com os dedos. — Poxa vida, você era filha única, recebia sempre a atenção de todos e tal...

– Eu não...

– Shhh...Não interrompe meu discurso — ela ordenou me dando um tapinha no ombro. — Aí você é obrigada a mudar de casa, ganha um padrasto e de brinde Finn e Ian. Eu também surtaria com a vida. Ainda mais quando um desses novos irmãos é tudo o que eu nunca fui. Perfeito.

Tá, talvez ela tenha um pouco de razão. Não é culpa do Ian ele ser do jeito que é, ou é? Estou confusa agora.

– Elise...

– Ai Alicia, você me dá um sermão, e quando eu começo a refletir sobre ele, você me interrompe? — indaguei irritada.

– Elise, o seu cesto está se mexendo- ela resmungou sem sentido enquanto eu segui seu olhar.

Estava fixado no meu cesto de roupa suja encostado na parede que em algum momento da semana eu deveria ter levado lá pra baixo. Ele se chacoalhava de um jeito um pouco assustador.

Alicia deu um pulo ficando rapidamente em pé em cima da minha cama – eu também faria isso se eu não estivesse com o meu pé quase quebrado.

– Tá possuído, Elise. Tá possuído — ela berrou. — Elise do céu, chama alguém. Eu não quero morrer!

Foi então que o cesto se virou, e uma bola de pêlo ruiva, gorda e lenta saiu lá dentro. Tofu nos encarou como se risse internamente. As bolotas dos olhos de Alicia pareciam que saltariam a qualquer momento dos seus olhos. E foi rindo disso que passamos o resto da tarde.

Acordei um pouco assustada no meio da madrugada. Ok, explico. Sonhei que mamãe havia me deixado num orfanato e que a governanta de lá era a Sra. Gotte, que na minha chegada se transformava num dragão verde e me devorava. Fim.

Até nos meus sonhos a pudim de banha me atormenta. Droga! Levantei com preguiça pra beber água. Imagina um elefante galopando. Imaginou? Era eu indo pra cozinha mancando com um chão de madeira sob meus pés. Menos barulho impossível!

Minha descida na escada foi o pior. O elefante parecia que havia acabado de almoçar. Plof, plof, plof! Acho que foi por isso que a pessoa que estava na cozinha correu...

Peraí... Pessoa que estava na cozinha? Tentei não gritar enquanto terminava de descer as escadas cagando na roupa de medo. Foi quando eu vi o serzinho loiro e insuportável tentando se esconder.

– Ian Becker! — sorri diabolicamente enquanto fitava o litro de chocolate da minha mãe nas mãos dele. — Peguei você no flagra. Dessa vez você não vai escapar.

Peguei o vidro das mãos dele para levar a prova do crime pra minha mãe.

– Elise, eu... — Ian começou, mas foi interrompido pela luz que se acendeu no corredor.

Acho que alguém deve ter acordado com o elefante saltitante que desceu as escadas – eu.

Ele olhou pra mim e eu olhei pra ele. Antes que eu saísse correndo, ele segurou meu braço e nos escondeu no espaço minúsculo entre o armário e a geladeira.

– Me solta seu infeliz — sussurrei. — Eu vou contar pra mamãe.

– E o que me impede de desmentir você? — ele sussurrou de volta só que sorrindo. — Não é na minha mão que o vidro de chocolate está.

Grunhi de raiva tentando devolver o negócio de volta, mas ele não pegou.

– Se você ficar quieta nada vai acontecer — ele murmurou. E depois cobriu a boca com o dedo indicador pedindo silêncio.

Eu não acredito que isso estava acontecendo.

Notas finais
(Keen) Melhor parte de capítulo: "Tá possuído, Elise. Tá possuído" HaHaHaHa.. (Milli) Pessoas lindas, dizem pra gente aí se vocês gostaram. Se a história está ficando boa..Pleeasee!!! (Keen) É gente, comenta aí o que acha da história, da Elisa Ruiva e Diva e do Ian Seduzência!!!! Precisamos saber da opinião de vocês. Beijos e até logo (pelo menos esperamos que seja logo e se Merlin quiser será! Bye)