Rainha do Caos

5 Cinco - Acredite: Rir como uma retardada não funciona


Notas iniciais
(Keen) Eae meu povo lindo, voltamos com mais um capítulo pra vocês.. (Milli) Desculpa a demora gente, foi uma combinação mortal de Falta de Criatividade e Escola.. (Keen) Exatamente, mas se é pra alegria geração da nação digo que fico - eita me empolguei - digo que já começamos o sexto capítulo!!! ~lê fogos de artifício ao fundo. (Milli) Boa leitura gente e até lá embaixo.

Conhecendo o franguinho do jeito que eu conheço, jurava que ele sairia correndo contar pra minha mãe que eu era a culpada de tudo e que ele não tinha feito nada. Mas não, ele não fez isso. Ficou quieto até ela subir para o quarto. Estranho. Muito estranho. Ele me encarou, depois disso, e então se afastou. Já disse que tudo está muito estranho?

– De nada, Elise — ele murmurou.

– Como se eu tivesse que te agradecer por alguma coisa — retruquei colocando o vidro de chocolate de volta na geladeira.

– Eu às vezes me pego perguntando se toda essa sorte que eu tenho é real, se não estou sonhando — ele se encostou à mesa cruzando os braços com um sorriso nos lábios. O resto das garotas acharia um charme ele naquela camisa amassada e o cabelo despenteado caindo sobre os olhos. Eu diria que alguém havia acabado de desentupi-lo de uma garrafa.

Fitei-o um pouco incrédula.

– Escuta, não é só porque tem toda essa sorte do mundo que você tem que se gabar por aí, humilhando os outros — afirmei. — Isso é feio.

– Só diz isso porque se dá mal toda vez — ele sorriu.

Meu sangue ferveu. Então falei a primeira coisa que veio na minha cabeça.

– Sabe, a minha vida não era perfeita, mas acho que a pior coisa que aconteceu pra ela arruinar de vez foi minha mãe se casar com o seu pai — retruquei. — Quer dizer, não seria tão mal se seu pai tivesse tido apenas Finn. Pelo menos eu seria feliz. Mas não, Ian Becker resolveu vir ao mundo, pra ser uma besta quadrada e principalmente pra fazer Elise Foster infeliz. Parabéns, meus parabéns! Você está conseguindo.

Eu achei que ele fosse retrucar de alguma forma, só que ele permaneceu calado, com os olhos baixos. Aparentemente o brilho de vitória existente neles havia evaporado.

Ian me encarou e abriu levemente a boca como se fosse dizer algo, mas nada disse. Só se virou e saiu correndo escada acima.

Eu não tinha entendido muito bem o que havia acontecido. Ele não agiu como o garoto exibido que eu conheço. Ou ele estava sem repertório pra retrucar ou eu havia dito uma grande besteira.

É, talvez eu tenha dito mesmo. Porque se fosse o caso do repertório, na madrugada passada Ian já teria planejado alguma coisa pra me dizer nesta manhã. Só que realmente Barbie Becker não parecia legal.

A única coisa que disse a mim no café da manhã foi para que eu passasse a jarra de suco a ele. E não riu quando tropecei no meio fio e quase caí de cara ao descer do carro. Nem quando mamãe recebeu um telefonema da direção, bem na hora do almoço, avisando que eu não andava me comportando bem durante as aulas.

Eu não queria admitir isso, mas, espantosamente, o que eu mais queria saber era o que estava acontecendo com Ian Becker.

Pulei do carro da minha mãe, jogando um beijo no ar pra ela enquanto tentava segurar o celular e fechar a porta do carro. Com minha coordenação motora excelente, essa não era uma das tarefas mais fáceis.

– Mas Alicia, eu não posso ir hoje a sua casa. Pelo menos não agora. Tenho aula de teatro, lembra? Você sabe como esses pontinhos a mais são valiosos pra mim...

Alicia resmungou alguma coisa do outro lado da linha. O carro de minha mãe se afastava.

– Só que a festa da Sienna é amanhã!– consegui ouvir ela berrando com a voz alterada.

Eu ri, enquanto entrava no colégio.

–E posso saber quem falou que eu vou? — disse eu. — Meu pé ainda não está bom.

–Você não vai me deixar ir sozinha pra aquele ninho de narizes arrebitados, não é? – ela perguntou e posso jurar que ela estava com aquela cara de cachorro que caiu da mudança. — A mãe da Sienna e a minha são amigas, sou praticamente obrigada a ir.

– Tudo bem — murmurei derrotada. — Eu vou.

Espero realmente que eu não me arrependa por esse ato depois. Na direção contrária que eu, lá no fim do corredor que dava no auditório, vinha Amelia Russel. Uma garota entojada do primeiro ano que faz teatro comigo. Uma baba ovo do professor Pierre, isso sim.

– Minha mãe se propôs a fazer nossas fantasias, só que ela precisa das nossas medidas e opiniões – explicou Alicia.

– Ainda bem — suspirei aliviada. — Sem ofensa, mas eu sei muito bem que sua mãe faz o tipo de perua chique, e eu não estou nem um pouco a fim de ir parecendo um pavão, ok?

Ela riu.

– É, nem eu. Vou falar com ela sobre isso.

– Você sabe que são proibidos celulares dentro do colégio, não sabe Elise Foster? — Amelia perguntou com uma sobrancelha loura arqueada.

O jeito como ela se veste parece com o da minha avó. Usava um suéter com um broche estranho – talvez seja o símbolo da gangue das não amadas dela — e uma saia no joelho, ambos rosa claro.

– Você sabe que interromper a conversa dos outros é falta de educação, não sabe Amelia Russel?

Alicia riu do outro lado da linha, ao contrário de Amelia, que torceu o nariz.

– O professor Pierre está te esperando — ela deu de ombros. — Você foi a única que ainda não chegou.

Eu revirei os olhos, incomodada com sua presença.

– Eu já estou indo. Tchau Amelia — acenei pra ver se ela se mandava. Deu certo.

– Essa menina é tão irritante– Alicia disse rindo.

– É, e muito — comentei. — Preciso desligar agora. Quando eu sair daqui, posso dar uma passada por aí, pra vermos esse lance das fantasias.

– Ah sim, vou achar ótimo. Tchau, Lise – antes que eu respondesse, ela desligou na minha cara. Depois diz que é minha amiga.

Amélia estava certa. Quando eu cheguei ao auditório todo mundo estava lá. O que estranhei foi a presença dos garotos. Fazemos todas as aulas, inclusive as aulas extras, separados.

Enquanto passava pelo corredor principal indo em direção onde estavam reunidos perto do palco, alguns me encaravam feio. Demorei tanto assim foi?

Aproximei-me de uma garota chamada Hannah, pelo menos era o que eu achava. Não tinha amizade com ela, mas a coitada estava sozinha. Não muito diferente de mim.

– O que eles estão fazendo aqui? — Perguntei quando vi ela notar minha presença.

– Quem? Os garotos? — perguntou e eu assenti. — Pelo que eu entendi, o professor vai fazer uma reunião com todos os seus alunos.

– Então não vai ter aula? — perguntei esperançosa.

Hannah balançou a cabeça negativamente.

– Acho que não.

Já disse que amo reuniões? Não? Pois é. Amo do fundo do meu coração poluído de gordura. Que ótimo! Sem aula chata sobre a história do teatro. Viva! Já posso soltar os fogos de artifício?

– Finalmente — uma mão do além tocou meu ombro e antes de berrar e pagar mico – já que isso é comigo mesmo — percebi que era o professor Pierre. — Emily Foster chegou! Podemos começar.

Emily? Ele tinha dito Emily? Isso. Me. Irrita. Tanto. Qual é o problema desse cara? Por que é que ele não consegue falar Elise?

E-L-I-S-E!

Tenho aula com ele faz um tempão e ele nunca acertou meu nome. Quero ver quando a coleção dele de nomes femininos iniciados com E acabarem. Deve que começará a me chamar de Ethan ou Elliot. Mereço!

– É Elise, professor — Amélia Enxerida Russell se colocou de pé ao lado dele como uma assistente pessoal. Talvez até fosse, mesmo.

– Tanto faz — ele fez um gesto de desdém com a mão. — Todo mundo pode se aproximar, vamos, vamos.

Tanto faz uma ova. Era o meu nome. Pelo menos uma das coisas que eu mais gosto em mim.

– Certo — começou ele quando a maioria já estava perto o suficiente para ouvi-lo. Eu estava, mas não quer dizer que eu escutaria alguma abobrinha que ele dissesse.

Ele falou, falou e falou com aquele sotaque francês um pouco estranho dele. Meus ouvidos se pudessem chorariam. Eu comecei a prestar atenção em volta, por exemplo, num brinco caído no chão que logo percebi ser de uma garota gordinha encostada no palco, no cabelo bonito de uma garota que logo depois percebi ser um menino, na garota magricela que mascava o chiclete em sua boca parecendo uma vaca e em como Amelia parecia minha avó – já disse isso, não disse?

Só voltei a prestar atenção nele um longo tempo depois.

–... e então a direção achou ótimo a ideia da Amelia. A peça narraria à vida de Claire e Reece, os fundadores do colégio, no início da juventude até a separação. Alguma pergunta?

– E de quem será os papéis principais? — Um garoto que eu nunca havia visto na vida perguntou levantando o braço.

– Bem, Amelia me ajudou a avaliar o perfil de alguns de vocês e eu já tenho os nomes — disse o professor olhando em sua volta. — Está dentro da minha pasta que eu devo ter esquecido em algum lugar. Vou pegar e vocês permaneçam em silêncio.

Eu me virei para Hannah ao meu lado.

– Será que você pode resumir tudo que ele disse nos últimos dez minutos? — perguntei. — Não prestei atenção.

– Ahh... O aniversário do colégio está chegando e resolveram fazer uma peça teatral em homenagem aos fundadores — ela explicou colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — O professor Pierre até já escolheu quem vai fazer os papéis.

Coisa mais estranha comemorar o aniversário de um colégio. Vou logo avisando: só vou se tiver bolo.

O professor apareceu com uma pasta azul nas mãos e se colocou diante de nós, abrindo-a e pegando alguns papéis.

– Quem eu escolhi para representar a nossa querida fundadora Claire na peça teatral realizada no final do ano é... Elaine Foster!

Todo mundo começou a bater palma como se aquilo fosse a coisa mais incrível do mundo. Suspirei aliviada, não era dessa vez que eu me daria tão mal. O estranho era que todo mundo ali me encarou. Ué, ele tinha dito Elaine, não era? E Foster é um sobrenome comum... Não é?

– É, Elise Foster, professor — Amelia corrigiu e eu tive vontade de voar no pescoço de galinha dela.

Engoli a seco enquanto Hannah me parabenizava. Encarei todos aqueles olhares na minha direção, alguns pareciam felizes por mim, outros – de garotas — pareciam me invejar. Não sei de quê, pra ser sincera.

Então comecei a rir. Rir igual uma retardada. Talvez se ele achasse que eu fosse uma débil mental, poderia mudar de ideia e colocar outra garota no meu lugar.

Não funcionou.

– Eu não posso fazer isso — reclamei pedindo misericórdia divina.

– Pode sim, Erin — o professor disse. — E além do mais, pelo que eu sei você anda precisando de pontos extras.

– Eu estou com pé machucado — agradeci a Barbie mentalmente por isso. — Por mais que eu queira, acho que não vai dar.

Era mentira. Não queria droga nenhuma e estava quase comemorando quando o professor se curvou para dar uma olhada no meu pé roxo e fazer uma careta. Mas então ele voltou os olhos pra mim e deu de ombros.

– Não importa. A peça é no final do mês que vem — ele explicou. — Até lá, isso daí já sarou.

Fala sério, em outra vida eu devo ter sido uma pirralha terrorista que roubava velhinhos cegos na hora de ajudá-los a atravessar a rua. Só isso explica o porquê de eu estar passando por tudo isso nessa vida.

Notas finais
(Milli) Que peninha, não foi dessa vez que Ian Becker se deu mal, mas não desista Elise, continue tentando. (Keen) Hahaha... É, só que parece que Ian não está muito bem.... ~se segurando pra não dá spoiler. (Milli) Ok, o capítulo seis não vai demorar, mas enquanto ele não vem, porque você não comenta e diz aí o que achou, hein???? (Keen) Por favor *-* ~ olhinhos brilhando ~. Até mais, galera..